Nesio Alamini - Universidade Católica Dom
Bosco – UCDB - Centro Universitário de Campo Grande –
UNAES - CAPES/PROSUP/UCDB
RESUMO
Com a perspectiva de “conhecer” como se desenvolveu
o percurso de formação continuada de professores em serviço,
a pesquisa procurou analisar uma experiência de formação
entre professores de um Programa de Mestrado em Educação
e professores de uma Escola Pública de Campo Grande, no Estado
do Mato Grosso do Sul, no período de 2000 a 2004. Através
dos métodos de análise documental, de observações
nos encontros mensais e entrevistas, foi possível constatar um
crescimento teórico entre os professores da escola, reflexões
e mudanças nas práticas pedagógicas, bem como realizações
de pesquisas na área educacional e apresentações
das mesmas em eventos regionais e nacionais.
No contexto pedagógico da atualidade, a formação
continuada de professores em serviço, apresenta-se como uma temática
constantemente discutida e constitui-se objeto de reflexão entre
diferentes leitores, dirigentes de órgãos educacionais e
teóricos ligados à educação. As discussões
em torno desse assunto decorrem, principalmente, do modelo de formação
continuada a ser adotado, para que o mesmo possa apresentar resultados
pedagógicos significativos aos professores ou a um determinado
ambiente escolar. É perceptível uma ausência de consensualidade
entre os teóricos da educação e os próprios
dirigentes dos setores educacionais, em relação aos princípios
orientadores, aos conteúdos e métodos a serem desenvolvidos
nos programas de formação de professores em serviço.
Há uma preocupação relevante também em relação
à questão financeira, ou seja, onde encontrar recursos para
o desenvolvimento profissional.
Outro aspecto que ainda não alcançou um consenso em relação
à formação do profissional em serviço, talvez
seja a falta de compreensão de todos, de que para atender as necessidades
do contexto educacional atual não são suficientes as realizações
de breves cursos, treinamentos e capacitações semanais,
voltadas simplesmente para o desenvolvimento de conteúdos e procedimentos
metodológicos relativos à prática pedagógica
dos trabalhadores da educação. Tais programas de formação
são bastante comuns e disponibilizados aos professores, muitas
vezes com a perspectiva de transmitir conteúdos, idéias
e valores preestabelecidos, elaborados por setores administrativos educacionais
- públicos e privados. Contudo, não são estabelecidos
objetivos contínuos, sobretudo porque as temáticas e os
princípios norteadores são fragmentados e tão pouco
os professores são consultados no momento da elaboração.
É importante ressaltar que o significado do conceito de formação
continuada de professores em serviço é mais abrangente que
a realização dos referidos cursos e treinamentos semanais.
De acordo com Garcia (1995, p. 137), o termo formação continuada,
também chamado de formação em serviço ou desenvolvimento
profissional de professores, se “adapta a uma conotação
de evolução e continuidade”. Segundo o autor, a atribuição
desse significado, demonstra uma superação do conceito de
aperfeiçoamento semanal de professores. Desenvolvimento contínuo,
portanto, caracteriza por formação permanente, ou seja,
de professores que já passaram por uma formação inicial
e que estão sempre em busca de novas aquisições de
conhecimento.
De acordo com Pacheco e Flores (1995, p.126-127), a formação
contínua não pode ter uma preocupação de atribuir
aos professores em formação apenas o domínio de uma
“simples atividade específica” para suprir a deficiência.
Tampouco atender apenas a mera aquisição de saberes ligados
à prática profissional. Segundo os autores, a noção
e concepção de formação continuada, precisam
atingir “uma perspectiva de amplitude e profundidade do conhecimento”,
para que a aprendizagem na formação contínua seja
permanente e leve em consideração uma formação
que não visualize somente os conhecimentos ligados ao desenvolvimento
profissional (a profissão específica), mas também
conhecimentos que possibilitem a compreensão do contexto educacional
e social no qual o grupo de professores está situado.
Pacheco e Flores também nos dão uma contribuição
em relação às diversas formas existentes de formação
continuada. Segundo os autores, existem basicamente três modelos
de formação continuada de profissionais da educação:
o modelo administrativo, o modelo individual e o modelo de colaboração
social (Pacheco & Flores: 1995, p. 133).
Conforme os autores, o modelo administrativo geralmente envolve órgãos
como secretarias de educação e ministério da educação,
que agem mediante a uma estratégia de formação de
curta duração, como seminários, conferências,
cursos e palestras. O modelo individual resume-se na autoformação,
ou seja, quando cada professor procura individualmente determinadas formas
para estabelecer seu desenvolvimento profissional. E, por último,
o modelo de colaboração social, que se constitui por parcerias
entre escolas e instituições de ensino superior.
Para Fenstermacher e Berliner (1985), citados por Garcia (1995, p. 138),
o termo formação continuada ou desenvolvimento profissional
de professores em serviço
converteu-se numa atividade que inclui muito mais do que um só
professor agindo como um indivíduo. O desenvolvimento de profissional
atual é um assunto de grupos de professores, freqüentemente
trabalhando com especialistas, supervisores, administradores, orientadores,
pais e muitas pessoas que estão ligadas à escola.
Os diversos modelos e conceitos do termo formação continuada
de professores apresentados até aqui representam as divergentes
concepções existentes. No entanto, o modelo analisado por
essa pesquisa, assemelha-se ao último citado por Pacheco e Flores,
ou seja, o modelo de colaboração social. Isso se justifica,
pois a parceria de formação continuada envolveu professores
de uma escola pública e professores ligados a um Programa de Mestrado
em Educação de uma Universidade de Campo Grande, do Estado
de Mato Grosso do Sul. Nessa perspectiva, os objetivos da formação
continuada da parceria entre a Escola e a Universidade buscavam aspectos
de formação coletiva, envolvendo diversos professores e
até mesmo coordenadores da escola.
Para a realização da pesquisa, inicialmente, foi necessário
delimitar os referenciais teóricos, através da coleta, leituras
e sínteses de obras e documentos sobre o tema formação
continuada de professores. A participação e observação
dos encontros mensais que aconteciam entre os professores do Programa
de Mestrado e os professores da escola também foi uma prática
realizada. A intenção das observações era
analisar as matérias e os textos teóricos utilizados para
os debates . Para analisar os conhecimentos teóricos, pedagógicos
e aspectos ligados à pesquisa em educação que a formação
continuada possibilitou aos professores, foram utilizados questionários
e entrevistas com o grupo envolvido na parceria.
É importante ressaltar que a realização de um trabalho
de formação continuada de professores em uma escola, envolvendo
um grupo de educadores, apresenta resultados que podem interferir no ensino
em sala de aula, no currículo e em outros aspectos pedagógicos
da aprendizagem. A pesquisa demonstrou que os professores que participaram
do grupo de formação continuada, além de re-elaborarem
seus métodos e objetivos de trabalho pedagógico, tornaram-se
mais participativos no sentido de intervir nas decisões e inovações
curriculares da escola como um todo. Isso se configura como um relevante
aspecto para educação atual, pois representa a possibilidade
de uma tomada de decisões de maneira democrática, com a
colaboração daqueles que estão diretamente ligados
às atividades cotidianas de ensino.
A formação continuada que acontece fora do contexto escolar
costuma não apresentar mudanças significativas para as próprias
escolas envolvidas, pois se constitui numa formação mais
individual. Fenstermacher e Berlener (1985), citados por Garcia (1995,
p. 141), reiteram e afirmam que o desenvolvimento de profissionais da
educação envolve também a dinâmica organizacional
da escola, como a estrutura de autoridade, ou seja, “as normas que
definem as relações entre o pessoal da escola e os papéis
e responsabilidade do pessoal que pertence à organização”.
A pesquisa demonstrou que a participação dos professores
nas atividades organizacionais e nas decisões escolares passou
a ser uma prática após a freqüência no grupo
de formação continuada em serviço .
Experiências de Formação Continuada
de Professores no contexto internacional
Embora a pesquisa tivesse como principal objetivo fazer
uma análise local e a preocupação de verificar os
resultados de formação continuada de professores em serviço
de uma parceria entre uma escola e uma universidade, é fundamental
conhecermos alguns exemplos dessa prática existentes em outros
países. Nos parágrafos seguintes serão demonstrados
alguns aspectos sobre a formação continuada de professores
na Alemanha, no Japão e em Portugal. Também serão
problematizados alguns motivos da escolha dos temas para orientar o foco
da formação.
De acordo com Pedro Goergen (2000, p. 64), na Alemanha, há duas
formas de formação continuada de professores: primeiro,
o aperfeiçoamento e atualização do professor no contexto
de sua especialidade e; segundo, a aquisição de novas qualificações
para uma nova habilitação.
Na Alemanha, há instituições de formação
continuada em todos os Estados da Federação, como “academias,
seminários, grupos de trabalho, encontros” (Goergen: 2000,
p. 65). E, segundo o autor, essas instituições são
mantidas principalmente pelo Estado. Um fato que chama atenção,
em relação às instituições mantenedoras
de formação continuada de professores, é a participação
das igrejas católica e protestante.
Essa parceria demonstra uma permanência ou um prolongamento das
ações ocorridas durante a Idade Média, período
em que a Igreja Católica tinha grande preocupação
com a formação de professores, pois sabia que nesses espaços
também seria possível ampliar seus ensinamentos e fundamentos
da fé. No caso da religião protestante, há uma preocupação
em manter instituições de formação de professores,
pois, desde o surgimento do protestantismo com Martin Lutero, no início
do século XVI, sempre existiu a tentativa de ampliar o número
de fiéis. Esse “conflito religioso”, de forma “silenciosa”,
tem sido constante entre as duas religiões cristãs desde
o desmembramento do protestantismo.
Na Alemanha, existem ainda outras instituições responsáveis
pela formação continuada de professores. De acordo com Goergen,
há associações dos próprios professores, agremiações
políticas, bancos, associações empresariais, universidades
públicas e privadas. O autor reitera que, embora existam programas
variados de formação e diferentes temáticas, as áreas
de informática e educação ambiental têm mais
ênfase. São as duas preocupações maiores, principalmente,
das instituições mantidas pelo Estado . Entretanto, a maioria
dos estados alemães, desenvolve também atividades de formação
teórica e contínua, com duração abrangente
de 18 a 24 meses, nesse caso, principalmente com professores iniciantes.
De acordo com Goergen e como aconteceu no exemplo de formação
continuada que essa pesquisa analisou, os professores da Alemanha adotam
medidas internas na escola e convidam especialistas e professores universitários
para estudar e discutir temas variados da educação, tendo
em vista uma abordagem teórica, bem como temáticas ligadas
às práticas pedagógicas.
Já a formação continuada no Japão se desenvolveu
com perspectivas um pouco diferenciadas em relação à
Alemanha. Lili K. Kawamura (2000, p. 93) menciona que o crescimento acelerado
da indústria nos anos de 1960, 1970 e 1980 levou as autoridades
e administradores responsáveis pela educação japonesa
a adotar uma formação de professores em serviço para
atender às necessidades emergentes do setor econômico. A
autora diz que a competitividade internacional e a necessidade crescente
de formação para o sustento da mão-de-obra industrial
“cobraram” da educação uma atenção
voltada para tais qualificações discentes. A autora reforça
dizendo que o mundo da empresa, nas décadas citadas acima, basicamente
definiu “os objetivos e as práticas da educação
continuada” (Kawamura, 2000, p. 93).
Nesse período, as oportunidades eram praticamente para todos, o
Japão crescia economicamente e não era perceptível
a necessidade de se desenvolver uma formação diferenciada
do atendimento ao trabalho qualificado. Contudo, na atualidade, constata-se
que essa visão não corresponde à formação
favorável que deveria ser adotada.
Segundo a autora, pelo fato daquele país ter objetivado uma formação
continuada de professores, bem como, o ensino básico e superior
terem valorizado uma educação para a competitividade, possibilitou
uma formação de uma sociedade individualizada, voltada aos
interesses, quase que exclusivamente, particulares. Fazendo uma análise
dos resultados dessa prática de formação, percebemos
que isso - como ocorre em grande parte dos países do mundo, inclusive
no Brasil - leva à criação de uma sociedade mono-dimensional,
voltada ao crescimento individual e à sustentação
de uma idéia de que o talento e dedicação particular
devem prevalecer sobre quaisquer valores históricos, sociais e
culturais.
Na atualidade, o Japão passa por problemas de divisão de
rendas e desigualdades sociais, denunciado que a educação
planejada para o mercado, serve somente enquanto a economia está
em crescimento. Entretanto, constata-se que, em outros momentos, os benefícios
não são acessíveis a toda população.
Dessa maneira, produziu-se uma sociedade formada para o particularismo,
que não desenvolveu políticas econômicas e ações
para que fosse gerada uma divisão das rendas, o que acarretou inúmeros
problemas decorrentes desse modelo de sociedade econômica, que se
apropriou também da educação e da formação
de professores para expor sua lógica.
A parceria de formação continuada analisada nessa pesquisa
não tinha como objetivo uma formação para atender
às necessidades do mercado de trabalho de professores, mas estudos
no sentido de “compreender” o funcionamento da sociedade educacional
e político-social como um todo.
A autora também apresenta uma mudança nas preferências
para os cursos de formação continuada de professores no
Japão. Segundo ela, nos últimos anos da década de
1990, ocorreram pressões para a diversificação e
flexibilidade de escolha das áreas de conhecimentos e a possibilidade
de se estudar diferentes temas educacionais, envolvendo também
aspectos humanos e sociais.
Podemos considerar que essa nova tendência na educação
e na formação continuada de professores japoneses, talvez
tenha sofrido influência internacional dos novos paradigmas teóricos
emergentes do pós-modernismo. Essa corrente teórica já
não considera a sociedade tecnológica e globalizada como
um percurso a ser seguido na atualidade, pois não vê a ciência,
a técnica e o liberalismo econômico como produtores de uma
sociedade justa.
É provável que a preocupação maior com a formação
continuada de professores voltada aos aspectos econômicos, que foi
o foco dos interesses da sociedade em inúmeros países do
mundo, tenha sido influenciada pela crença exagerada nos paradigmas
que defendem a ciência e a tecnologia como forma de alcançar
o progresso da humanidade. Todavia, nos últimos anos do século
XX e, principalmente, nos primeiros anos do século XXI, há
o fortalecimento de um novo paradigma de análise e compreensão
da realidade. É o paradigma cultural . Esse novo referencial teórico-metodológico
de análise tem influenciado também nas escolhas de áreas
e temáticas da formação de professores em serviço
em alguns países do mundo, no sentido de se discutir as questões
relacionadas aos aspectos étnicos, às identidades e à
diversidade cultural.
Andréa Semprini afirma que a sociedade atual está se constituindo
a partir de duas grandes visões de mundo. Embora não sejam
as únicas, grande parte da sociedade – e não só
a comunidade intelectual – orienta-se pela epistemologia da objetividade.
E, segundo o autor, há um segundo segmento da sociedade orientando-se
pela perspectiva subjetiva. (Semprini: 1999 p. 81). É a existência
desses dois métodos teóricos de analisar os fenômenos
sociais que possibilita, em determinados momentos, uma formação
continuada de professores - e mesmo a educação de um modo
geral - voltada aos interesses específicos da economia e, em outros
momentos, uma formação continuada que visualiza as perspectivas
sociais e culturais diversificadas.
Se analisarmos a sociedade mundial e também as situações
cotidianas que vivenciamos, podemos constatar que há uma grande
quantidade de pessoas, bem como meios de comunicação e parte
da comunidade intelectual, que procuram se orientar e transmitir um significado
da “realidade” sem considerar as representações
humanas e culturais diferenciadas. Enquadram a sociedade como se ela fosse
única, ou seja, uma sociedade de conflitos entre dominantes e dominados.
E os “dominados” necessitam buscar, a qualquer custo, seus
espaços dentro das representações de “verdade”
que muitas vezes nem foram eles que as construíram. Essa última
tendência é a que tem procurado trazer a educação
e também a formação continuada de professores aos
interesses da economia e do mundo material.
Os seguidores da perspectiva teórica objetiva, talvez tenham suas
raízes no Modernismo (século XVI), no Liberalismo Iluminista
(Século XVIII) e no Positivismo (século XIX). Para os seguidores
dos princípios desses paradigmas, o mundo deve “funcionar”
independente das crenças, julgamentos, valores e particularidades
culturais. A existência de uma educação que se orienta
por essas últimas características não-liberais preocupa
os defensores do paradigma objetivo, por isso, procuram desenvolver programas
de formação continuada de professores para “introduzir”
tais concepções como se fossem “verdades absolutas”.
Após fazer uma apresentação e discussão sobre
a formação continuada de professores no Japão, analisaremos,
nos próximos parágrafos, um pouco do andamento da formação
de professores em serviço em Portugal, dando seqüência
ao que foi proposto neste sub-item.
De acordo com Rui Canário (2000, p. 63), Portugal é dos
países que mais têm dado importância às questões
relacionadas à formação continuada de professores.
O autor enfatiza que os portugueses, logo após terem colocado essa
temática em foco nas suas leis educacionais, preocuparam-se em
desenvolver ações práticas.
Segundo Rui Canário, a partir de 1993, foram criados em Portugal,
os “Centros de Formação das Associações
de Escolas”. O autor afirma que a criação desses centros
de formação era um dos objetivos da reforma do ensino de
Portugal e surgiram com a Lei de Base do Sistema Educativo de 1986 (Canário,
2000, p. 63). Na lei ficou estabelecido que a formação de
professores em serviço seria a terceira fase da concretização
da reforma. E havia a preocupação de que para a reforma
atingir seus objetivos gerais, era necessário articular, paralelamente
às outras medidas, a formação continuada de professores.
Os “Centros de Formação das Associações
de Escolas” são assim denominados, segundo Rui Canário,
porque a essência deles nasceu de conjuntos de escolas de uma determinada
região (Canário: 2000, p. 64). O autor diz que
os Centros de Formação organizam-se segundo
uma base territorial: todos os estabelecimentos de ensino (jardim de infância,
ensino básico e secundário) pertencentes a uma mesma zona
geográfica associam-se para criar um Centro de Formação.
Do ponto de vista material, o Centro funciona numa escola escolhida entre
as escolas associadas. Sua gestão é assegurada por um diretor
(um professor), eleito pela comissão pedagógica do Centro.
Essa comissão pedagógica é constituída pelos
representantes de todos os estabelecimentos de ensino associados. O diretor
elabora o plano de atividades do Centro, que é submetido à
aprovação da comissão pedagógica.
Constatamos uma certa diferença entre a criação
e o funcionamento dos centros de formação de professores
que se desenvolvem em Portugal em relação ao que foi analisado
na pesquisa que está sendo relatada por esse texto. Lá,
a formação de professores em serviço foi e está
prevista nas Leis e Diretrizes Educacionais. E segundo Rui Canário,
em 1993, já havia mais de duas dezenas de Centros de Formação
espalhados nas diversas regiões do país. Já a experiência
de formação continuada de professores analisada nesta pesquisa,
no Estado de Mato Grosso do Sul, foi uma parceria “voluntária”
entre professores de uma Universidade e uma Escola, o que não caracteriza
uma política pública educacional do Estado.
O que mostraram os dados da pesquisa sobre a formação
continuada de professores
Na seqüência do texto, aparecem alguns dos
resultados da parceria de formação continuada de professores
que não estão relacionados aqui como medidas verdadeiras
a todas as sociedades educacionais, mas como aspectos que podem ser analisados
para que possamos emitir nosso julgamento no sentido de contribuirmos
com as instituições educacionais e com a prática
pedagógica do momento.
Através da pesquisa e de alguns relatos dos professores entrevistados
foi possível perceber que a maioria passou a ter uma preocupação
com a definição dos objetivos da educação
na atualidade. Segundo algumas descrições, ficou clara uma
cobrança no sentido de que todas as instituições
de ensino, com seus educadores e coordenadores pedagógicos, precisam
se preocupar, imediatamente, em delinear os objetivos coletivos da formação
dos estudantes.
De um modo geral, os professores demonstraram que, na atualidade, os educadores
desenvolvem suas aulas sem antes passar por um debate coletivo com os
demais professores da própria escola sobre a prática pedagógica
que irão realizar. Nesse sentido, percebemos que há uma
preocupação de cessar a individualidade no percurso da prática
da educação. As questões que envolvem o ensino precisam
ser analisadas e discutidas, democraticamente, entre os profissionais
da educação e, se possível, envolver alunos representantes
de turmas.
A pesquisa demonstrou também uma preocupação por
parte dos professores já formados com os novos professores que
estão cursando as licenciaturas. Relataram que, independente do
curso, é preciso que todas as instituições de ensino
superior reconheçam a importância de disponibilizar, nos
currículos, as disciplinas de ciências sociais, humanas e
educacionais. Lembraram as disciplinas que não podem faltar nos
cursos que formam educadores, tais como: a sociologia, a história,
a filosofia, a psicologia e disciplinas teóricas educacionais.
Entendemos também que o estudo dessas áreas é fundamental
para a formação dos professores, pois esses serão
os formadores dos estudantes e, portanto, da sociedade.
Muitas graduações já dispõem dessas áreas
de conhecimento, porém, na maioria delas, as disciplinas das ciências
sociais e humanas fazem parte apenas do primeiro ano do curso. É
preciso estendê-las também ao longo de toda a formação
acadêmica, para que o estudante possa compreender o funcionamento
da sociedade, com suas instituições e sistemas, no âmbito
político, econômico, social e cultural.
No texto do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, escrito
na década de 1930, o autor já alertava que o educador e
o educando devem ter a compreensão social como um sociólogo.
De acordo com Azevedo (1932, p.59), os professores e os alunos devem ter
o conhecimento dos “homens e da sociedade em cada uma de suas fases,
para perceber, além do aparente e do efêmero, o jogo poderoso
das grandes leis que dominam a sociedade”.
Outro aspecto que foi constatado através das entrevistas, diz respeito
à existência da própria formação continuada
de professores em serviço. Alguns relatos demonstraram que os dirigentes
dos órgãos educacionais e a direção de escolas
públicas e privadas precisam reconhecer a importância da
formação continuada e, através das políticas
públicas educacionais, disponibilizar - dentro da carga horária
dos professores - um tempo para que os mesmos possam desenvolver atividades
de estudo, leituras teóricas e discussões das suas práticas
pedagógicas, bem como a realização de pesquisa em
educação, com problemas externos e internos da própria
instituição em que o docente atua. Notamos nas entrevistas
com os professores, o reconhecimento de que a formação continuada
em serviço é tão importante quanto a própria
atividade de exercício da profissão.
Percebemos, durante a análise do material de pesquisa, que a formação
continuada em serviço é fundamental para que o educador
possa reavaliar seus preceitos teóricos, sua prática metodológica
e pedagógica. Também se evidenciou que se cada professor
buscar individualmente a formação continuada não
será “suficiente” para provocar mudanças “significativas”
no espaço escolar.
Enfim, é muito importante que nós, educadores, percebamos
e passemos a desenvolver nossas atividades pedagógicas com a perspectiva
de sempre buscar a formação contínua. A sociedade
educacional: professores, coordenadores e dirigentes administrativos,
necessita encontrar formas de desenvolver atividades de atualização
teórica e prática. A formação continuada de
professores dentro do contexto escolar, como aconteceu na parceria que
foi analisada, pode representar uma atitude de contato constante com conhecimentos
novos e diversificados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Paulo: Melhoramento, 1957.
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PACHECO, J. A. e FLORES, M. A. Formação e avaliação
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SEMPRINI, A. Multiculturalismo. Bauru: Edusc, 1999.