Priscila Domingues de Azevedo
Há uma preocupação crescente sobre
a alfabetização matemática na Educação
Infantil, sendo assim, apontamos nesse trabalho uma forma metodológica
de se atingir essa alfabetização através da resolução
situações problema. No entanto, é preciso evidenciar
qual formação receberam os professores que trabalham matemática
nesse nível, para assim compreendermos porque essa prática
metodológica não está completamente incorporada às
suas ações.
1) As situações problema no ensino de matemática
na Educação Infantil
Sabendo que o educador infantil deve ter competências
polivalentes e ser capaz de trabalhar com conteúdos de naturezas
diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais, até
conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas
do conhecimento, essa pesquisa investiga a intencionalidade do ensino
da matemática na educação infantil como forma de
oferecer à criança a oportunidade de agir e levá-la
a construir conhecimento. Segundo Smole, Diniz e Cândido (2000)
uma proposta de trabalho de matemática para a Educação
Infantil deve encorajar a exploração de uma grande variedade
de idéias não apenas numéricas, mas também
aquelas relativas à geometria, às medidas e às noções
estatísticas, de forma que as crianças desenvolvam e conservem
com prazer uma curiosidade acerca da matemática, adquirindo diferentes
formas de perceber a realidade (p.09).
Tendo em vista a grande preocupação com
a socialização e o desenvolvimento de múltiplas linguagens
pela criança, discutir o processo de alfabetização
matemática, é a proposta do presente trabalho. Propomos
uma reflexão sobre a importância do uso de situações
problema no ensino de Matemática na Educação Infantil,
apontando a necessidade de discutir a formação do professor
nesse nível de forma a torná-la mais específica.
Sabe-se que o trabalho com resolução de problemas pode servir
como eixo norteador do aprendizado dos diversos conceitos matemáticos,
já que uma das principais razões para se ensinar matemática
na escola é desenvolver a habilidade de resolver problemas. Essa
habilidade é importante para o desenvolvimento das potencialidades
de inteligência e de cognição, assim como possibilita
vencer desafios, criando curiosidade e interesse fundamentais para o aprendizado.
Assim, problema é “qualquer situação que exija
o pensar do indivíduo para solucioná-la”(DANTE, 2002,
p.09) e problema matemático é “qualquer situação
que exija a maneira matemática de pensar e conhecimentos matemáticos
para solucioná-la” (DANTE, 2002, p.10). Contudo, podemos
considerar que problema de um modo geral é toda situação
que permite algum questionamento ou investigação.
As situações problema geralmente são atividades planejadas,
como jogos, busca e seleção de informações,
podendo se apresentar como problemas não-convencionais e os convencionais.
Todas essas atividades desencadeiam desafios que necessitam uma busca
de solução pela criança, desde como iniciar a resolução
da situação problema até seu resultado e o confronto
de seus resultados com os demais. Assim, a criança vai ser capaz
de avaliar o resultado da sua ação.
Contudo, é importante saber que as situações problema
não possuem somente uma resposta, isso possibilita que as crianças
formulem hipóteses, argumentem e avaliem as diferentes respostas.
Trabalhar com a resolução de problemas em sala de aula é
contribuir para que as crianças imaginem, construam e busquem diferentes
resoluções por diversos caminhos. Mas os professores precisam
estar em alerta para a questão da formulação das
perguntas, que devem ter seus objetivos e serem planejadas cuidadosamente.
O que se espera é que as crianças aprendam a linguagem matemática
não como uma série de regras sem sentido, mas sim que elas
adquiram “um grau de competência comunicativa que permita
utilizar essa linguagem matemática adequadamente nas mais variadas
situações.” (SMOLE; DINIZ; CÂNDIDO, 2000 b,
p.36).
O professor deve oferecer tempo para as crianças resolverem os
problemas; deve tirar suas dúvidas, mas não resolver o problema
para elas. Perguntar para as crianças qual raciocínio usaram
para obter o resultado, identificando em quais aspectos do problema elas
tiveram mais dificuldade constitui uma perspectiva interativa que vai
garantir o desenvolvimento de um processo de aprendizagem autônoma.
É importante ressaltar que, quando defendemos que as crianças
sejam educadas para serem autônomas, não estamos querendo
dizer que devemos formas crianças que fazem tudo o que querem,
mas sim crianças que tenham o controle mútuo dos desejos,
que realizem negociações para tomar decisões que
se tornem adequadas a todos os envolvidos na situação de
aprendizagem. Na teoria de Piaget, autonomia não significa o direito,
e sim a capacidade de decidir sozinho entre certo e errado no domínio
moral, bem como entre verdade e inverdade no domínio intelectual,
levando em conta fatores pertinentes, independentes de recompensa e punição.
(KAMII, 2004, p.10).
Todo trabalho feito na Educação Infantil deve estar de acordo
com alguma proposta de ensino, mas independente das características
específicas de cada proposta, é importante desenvolver na
área de matemática, habilidades e atitudes, assim como conceitos
que complementam essa formação. Com isso, as problematizações
devem ter um objetivo, o professor precisa ter consciência sobre
o papel do seu questionamento no aprendizado da criança para conduzi-la
à formação de um conceito.
A problematização é um processo metacognitivo, pelo
qual voltamos a pensar sobre o que já fizemos ou pensamos. Este
fato de repensar sobre algo feito esclarece dúvidas, aprofunda
uma reflexão e permite estabelecer outras relações
com o que já se sabe. Assim sendo, desenvolver esta habilidade
é muito importante sendo necessário iniciá-la na
Educação Infantil, para que a criança acredite na
sua capacidade de pensar e desenvolva atitudes positivas em relação
à matemática.
Portanto, há pontos importantes que precisamos destacar. O primeiro
deles diz respeito à situação das crianças
que não são leitoras, mas mesmo não sendo leitoras,
são capazes de resolver problemas. Nesse caso o professor como
leitor deve intervir e auxiliar as crianças.
Um segundo ponto é que muitos professores acham que, para as crianças
resolverem problemas, elas precisam domínio do saber numérico.
Isso não é verdade, pois existem situações
problema não-numéricas como jogos, brincadeiras e situações
de sala de aula.
Um terceiro ponto é que não devemos acreditar que as crianças
só resolverão problemas quando souberem as operações
e os sinais matemáticos, pois há vários tipos de
problemas, e os que exigem as operações é apenas
um deles.
No geral, os problemas que exigem aplicações de técnicas
operatórias não são muito bem aceitos pelas crianças;
é necessário que o professor introduza as crianças
num processo de desenvolvimento de raciocínio lógico, posto
que é isso que permite desenvolver o pensamento aritmético
sem desconsiderar a técnica operatória que tem uso social.
Assim, a resolução de problemas deve estar sempre presente
no cotidiano da sala de aula, mas não deve ser um conteúdo
isolado. Isso é fundamental para que a partir deles possamos desenvolver
a capacidade das crianças de formular e resolver por si mesmas
questões matemáticas, com a possibilidade de questionar,
levantar hipóteses, adquirir, relacionar e aplicar conceitos matemáticos.
“Resolver problemas na Educação Infantil é
um espaço para comunicar idéias, fazer colocações,
investigar relações, adquirir confiança em suas capacidades
de aprendizagem.” (SMOLE; DINIZ; CÂNDIDO, 2000 b, p.19).
Ao iniciar o trabalho com a resolução de problemas torna-se
necessário elaborar uma proposta simples que problematize situações
mais próximas das crianças.
Nesta fase inicial da oralidade é importante que o professor tome
certos cuidados que, se não executados, desencadearão entraves
ao processo ensino-aprendizagem. Por exemplo, ao ler o problema o professor
não deve enfatizar as palavras importantes, pois às vezes
a ênfase nessas palavras pode levar a dificuldades e erros por parte
das crianças. O aconselhado é esclarecer somente as palavras
desconhecidas e uma das sugestões para que as crianças compreendam
os problemas é dramatizá-los.
Depois que as crianças estiverem mais confiantes em seus pensamentos,
pode-se propor problemas de vários tipos que vão exigir
diferentes linguagens como a oral, gestual, pictórica e textual.
Depois da fase da apresentação da situação
problema é importante apresentar o registro como um caminho para
as crianças desenvolverem essas habilidades. O modo mais natural
de as crianças registrarem o que fizeram ou pensaram é por
meio da oralidade, pois através dela pode-se errar e corrigir imediatamente.
Assim, é importante que o professor dê oportunidades para
as crianças falarem, pois a cada vez que um aluno fala, ele modifica
conhecimentos prévios e elabora significados. O importante é
possibilitar às crianças uma discussão oral para
que elas possam conhecer diferentes processos de pensamento, testar hipóteses,
expressar o que sabem e tirar dúvidas.
Existem várias formas de registro que o professor não deve
ignorar, tais como desenho, escrita e linguagem matemática para
ampliar a possibilidade de significação e expressão
da criança. Por exemplo, quando estamos trabalhando com a resolução
de problemas, o desenho “é importante não só
para o aluno expressar a solução que encontrou para a situação
proposta, mas também funciona como um meio para que a criança
reconheça e interprete os dados do texto” (SMOLE; DINIZ;
CÂNDIDO, 2000b, p.28).
Em várias ocasiões é interessante propor o registro
das soluções mencionadas em forma de texto escrito, pois
escrever auxilia as crianças a organizarem suas reflexões,
registrarem suas dúvidas e o que foi aprendido. O texto pode ser
elaborado coletivamente e o professor assume o papel de escriba, ou pode
sugerir que as crianças produzam seus textos individualmente.
Após o registro é interessante que o professor discuta as
resoluções, pedindo às crianças para explicarem
suas soluções. Nesse debate relativo aos resultados e aos
procedimentos o professor ajuda as crianças a reformularem, a repensarem,
a construírem novas problematizações e a concluírem
que nem sempre há uma única solução para um
problema. As discussões orais em sala de aula possibilitam que
as crianças já na Educação Infantil aprendam
a respeitar o colega a falar, aprendam a ouvir e aprendam a se expressar
sozinhas.
Tendo em vista os aspectos de como construir, apresentar, registrar uma
situação problema é importante sabermos que as situações
do cotidiano escolar é que vão possibilitam a elaboração
de problemas através de votações, arrumação
da classe, controle de empréstimo de livros, distribuição
de material, planejamento de um trabalho ou uma festa, e muitas outras
coisas. Estes contextos servem para construir, inventar e resolver situações
problema.
Há também os jogos que são um excelente recurso para
o trabalho com problemas, pois “durante o jogo, a aprendizagem da
criança pode ocorrer pela interação com o material,
as regras e o conflito com as opiniões dos outros jogadores”
(SMOLE et ali. 2000b, p.60).
Uma proposta de resolução de problemas derivada de um jogo
pode ser exemplificada no jogo de boliche, que tem como objetivo derrubar
o maior número de garrafas, lançando uma bola de uma certa
distância. Assim o professor pode sugerir vários problemas
como: onde e como colocar as garrafas? Quem joga primeiro? O jogo de boliche
também apresenta uma situação-problema na marcação
dos pontos, pois as crianças da idade da Educação
Infantil nem sempre dominam a contagem, a seqüência numérica
e a grafia dos numerais.
Outro excelente recurso no trabalho com resolução de problemas
é a utilização de materiais didáticos como
blocos, palitos ou Tangram , pois estes permitem que as crianças
reflitam, compreendam as noções e os procedimentos matemáticos
envolvidos em um problema e sua solução.
Um outro recurso interessante no trabalho de resolução de
problemas são as charadas ou adivinhas ou o que é o que
é, pois exigem da criança uma análise, uma busca
em compreender algo e em encontrar uma solução.
Podem também ser sugeridos problemas através de gravuras
onde as questões são formuladas de modo que as crianças
leiam as informações contidas na figura para responder às
problematizações.
Problemas de lógica também constituem uma proposta interessante
para se trabalhar com as crianças de Educação Infantil.
A professora pode mostrar uma figura onde há várias pessoas
e começar a falar, não sou o primeiro e nem o último
da fila, atrás de mim tem um menino, não sou menina, quem
eu sou?
Por fim, há uma gama infinita de diferentes tipos de situações
problemas que o professor da educação infantil pode explorar.
Basta ele interagir com as crianças e descobrir com elas quais
são as necessidades e curiosidades que apresentam para assim poderem
pesquisar e resolver os problemas que surgem em seu dia-a-dia.
2) A formação de professores de Matemática
para a Educação Infantil
Cremos que além de discutir a apresentar uma proposta
pedagógica de matemática para o educador da educação
infantil precisamos saber quem é ele, que conhecimentos traz dessa
área do conhecimento, pois segundo Edda Curi (2004) “ os
dados apontam fortes indícios de que os futuros professores dos
anos iniciais não se relacionam bem com a Matemática, têm
dificuldades com relação aos conteúdos básicos
que deverão ensinar e demonstrar ter uma formação
matemática bastante precária” (p.71). De fato, cabe
perguntar se os professores de educação infantil têm
uma formação para o ensino de matemática adequada
a esse nível e, mais particularmente, para trabalhar com situações
problema.
Sabemos que teorias sobre conhecimento, aprendizagem, currículo
e avaliação focadas nas crianças e nos recursos didáticos
são importantes, no entanto, a especificidade da formação
do professor também precisa entrar em discussão.
As pesquisas apontam um novo perfil de educador, aquele que reflete, pensa
e é capaz de construir sua própria prática. Assim
é preciso esclarecer que o professor para exercer sua profissão
precisa de um conhecimento profissional, que apresente conhecimentos específicos
da própria profissão que exerce, assim pode-se dizer que
o conhecimento da Matemática para ser ensinada é diferente
do conhecimento que os especialistas devem ter dessa área do conhecimento.
(CURI, 2004, p. 73).
Cremos que o professor só irá modificar sua prática
se primeiramente ele quiser e se ele encontrar sentido na nova proposta
apresentada e para isso ocorrer é preciso levar em consideração
que o professor tem inicialmente uma experiência que vivenciou como
aluno, segundo Feiman (1983) in Darsie e Carvalho (1993). Em outras palavras
a história de vida escolar pode influenciar de forma inconsciente
o professor. Furió (1992) in Moura (1993) afirma que os professores
têm idéias, atitudes e comportamentos sobre o ensino adquirido
em toda sua vida escolar e que isso influencia fortemente sua prática
docente. Tal experiência responde à experiência reintegrada
e adquirida não de forma reflexiva, mas como algo natural e óbvio,
de sentido comum, que escapa à crítica, convertendo-se num
verdadeiro obstáculo denominado didática do senso comum.
É preciso considerar também sua primeira formação
formal pela qual ele adquiriu conhecimentos pedagógicos-teóricos
e realizou práticas de ensino. Furió (1992) in Moura (1993)
conclui que os cursos não têm permitido o cumprimento da
aquisição de um conhecimento profundo da disciplina, questionamento
do pensamento e do comportamento docente espontâneo, e a apropriação
de uma concepção teoricamente fundamentada sobre o ensino
e aprendizagem da disciplina (p. 04). É preciso que o professor
nessa etapa adquira esquemas básicos sobre os processos de aquisição
do conhecimento e sua construção.
No entanto, a formação não se dá somente nos
cursos iniciais. É preciso considerar também seus primeiros
anos de experiência profissional e por fim a formação
permanente, a fase da formação em serviço, que inclui
todas as atividades propiciadas por instituições ou pelos
próprios professores para o desenvolvimento profissional e aperfeiçoamento
do ensino. Na realidade a formação do professor se efetiva
e se constrói ao longo da sua experiência.
Mediante isso, e sendo que nosso trabalho desenvolve-se no âmbito
da formação de professores, começamos a entender
que o professor só vai transformar sua prática se refletir
sobre ela e assim puder construir um conhecimento a respeito da prática.
Começamos a perceber que é muito mais complexo propor um
trabalho de alfabetização matemática, pois quem vai
desenvolver esse trabalho são os professores e se eles não
estiverem envolvidos com os mesmos nada será mudado. Assim, é
fundamental investir na formação continuada dos professores
e deixá-los conscientes que a pesquisa e o estudo teórico
são fundamentais para que os novos estudos e pesquisas na área
de ensino e aprendizagem sejam executados.
A procura de respostas sobre os conhecimentos necessários ao professor
para desenvolver uma docência de qualidade, nos faz pensar que,
nem sempre, os conhecimentos veiculados nos cursos de formação
podem trazer gerarão soluções permanentes para a
educação já que
um conjunto de verdades somadas nem sempre produz verdades,
e que, quando produzem, não significa que o sejam para sempre,
pois dada a dinâmica dos conhecimentos produzidos no conjunto das
práticas sociais geradoras de novos problemas e de novas verdades,
mudam-se os objetivos, alteram-se conteúdos, criam-se novas metodologias.
( MOURA, 1993, p. 05).
Outro aspecto que não podemos perder de vista é
a situação funcional do professor. Sabemos como é
difícil pedir aos professores para serem mais pesquisadores, refletirem
sobre a prática e estudarem mais frente à realidade do exercício
profissional. Não há como negar essa realidade e não
há como desconsiderar que as diretrizes e propostas pedagógicas
que os professores são motivados a seguir são carregadas
valores sociais. Então nos perguntamos: Que educação
é essa que oferecemos? Que tipo professores formamos?
Em outras palavras na formação dos professores deve estar
presente a concepção de que educar em Matemática
requer uma ação pautada em objetivos, que “requer
uma intenção que se trata a de educar, intenção
essa que se transforma em um conteúdo que media as relações
interpessoais negociadas através de estratégias consideradas
adequadas para educar alguém.” (MOURA, 1993, p.11). É
esta intencionalidade que é essencial nesse contexto de educação,
assim, os materiais de ensino deixam de ser apenas aqueles criados com
o fim de ensinar matemática, o importante não é mais
o material, e sim a intencionalidade do educador. Nessa perspectiva, o
que se torna importante, por exemplo, não é mais o brinquedo
e, sim, o ato de brincar como elemento desencadeador de situações
de aprendizagem.
Nesses termos, o educador infantil que também é um educador
matemático, deve ser aquele que tem consciência dos processos
de aquisição do conhecimento matemático, do papel
desses conhecimentos na formação do educando e de como esse
conhecimento pode ser adquirido. Ele deve ser capaz de produzir intencionalmente
atividades que promovam a aquisição de conteúdos
matemáticos, e que perpassem as outras áreas do conhecimento.
Para isso é preciso que o professor tenha uma formação
matemática que lhe permita identificar no cotidiano da criança
quais situações podem ser exploradas matematicamente. Assim
não é possível falar para o professor da educação
infantil deve trabalhar o raciocínio lógico somente nas
atividades da matemática, pois isso é muito mais amplo,
a lógica, por exemplo, está presente nas várias áreas
do conhecimento. Por outro lado ele precisa saber a especificidade do
raciocínio matemático para propor problemas condizentes
com os diferentes níveis de assimilação da criança.
Se o professor tiver em sua formação o pressuposto de que
a Matemática é cultura, sua prática tenderá
para uma nova concepção de vida, relação entre
os homens e de valorização dos elementos culturais que farão
parte da constituição do sujeito. Vendo assim, é
possível perceber que aprender e ensinar matemática em qualquer
nível da educação formal, é muito mais que
ensinar conteúdos sistematizados.
Acredita-se que se houver uma tomada de consciência pelos professores
da educação infantil vai ser possível entender que
sua formação é síntese de três elementos
(Moura, 1993): a formação que é um ponto no espaço
determinado pelo nível de conhecimento do professor, o projeto
pedagógico e o conjunto de práticas sociais (ideologias,
cultura, etc.). Visto assim, formar o professor é colocá-lo
num movimento no espaço de produção de conhecimentos
em contínua evolução; é possibilitar ao professor
o acesso a conhecimentos produzidos e dotá-lo de instrumentos intelectuais
que lhe permite construir seu projeto pedagógico.
Sabemos que os cursos de formação de professores não
exploram devidamente o trabalho com matemática na Educação
Infantil e nem apresentam formas específicas de se trabalhar, como
a resolução de problemas, por exemplo. Mas se queremos formar
cidadãos, assim como se propõe nos referenciais curriculares,
é preciso desenvolver a criatividade e estimular a tomada de decisões
e um caminho para isso é trabalho com resolução de
problemas. Assim, um professor consciente e compromissado com a realidade
investirá em sua formação e através de um
trabalho crítico e reflexivo tenderá a prática da
resolução de problemas, visto que historicamente o homem
descobriu coisas e produziu conhecimento mediante as necessidades e dificuldades
do seu meio que se apresentaram inicialmente como grandes problemas.
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