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CINEMA E AS AULAS DE E/LE: DESMISTIFICAÇÃO DA MÍDIA
E ELEMENTO MOTIVADOR.
Camila
Chaves Cardoso - Centro de Estudos de Línguas- E.E. Dom Jayme de
Barros Câmara-C. E. L
Projeto:
“Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça”
(1a. aplicação segundo semestre de 2003)
Relato de
uma experiência
O educador
deve proporcionar situações de ensino aprendizagem no espaço
da sala de aula de língua estrangeira que possibilitem o estabelecimento
de comunicação verdadeira não só entre o professor
e o aluno, mas entre os próprios alunos, promovendo discussões
acerca de assuntos de real interesse e por isso mesmo motivadores.
No nosso contexto busca-se promover a constante CRIAÇÃO
em sala de aula por meio do estímulo a tomada de decisões,
tanto individualmente como em grupos, principalmente pela busca pela solução
de problemas e a improvisação diante de situações
inusitadas.
Munidos destes pressupostos foi sugerido aos alunos de nível intermediário
em língua espanhola tratar de um único assunto: cinema.
As aulas incluiriam jogos, brincadeiras, leitura de textos, exibição
de filmes, seminários, mas principalmente envolveria, como trabalho
final, a produção de um curta-metragem. Logo, todas as atividades
visavam, direta ou indiretamente, a essa CRIAÇÃO final.
Este tema apresenta inúmeras vantagens, uma vez que se trata, como
ressalta Carmen Rojas Gordillo, de um insumo que “imita el uso real
de la lengua hablada” . Portanto, os alunos teriam acesso a diálogos
“reais”, com expressões idiomáticas e gírias
em uma velocidade “real” de fala.
Escolheu-se como título o lema do cinema novo “Uma câmera
na mão, uma idéia na cabeça”, buscando acercar
os adolescentes à sua própria cultura e história
cinematográfica para que pudessem não só entender
melhor o “outro” (nesse caso os hispanos), mas a si mesmos
e, principalmente, para que “descolonizassem o olhar” (um
dos objetivos do cineasta Glauber Rocha) e se atentassem para outras possibilidades
de criação cinematográfica que vão além
da “Hollywdiana”, buscando promover a “desconfiança”
diante das produções cinematográficas e da mídia
televisiva.
Para este último quesito foi primordial a contribuição
do livro TV na Escola e os Desafios de Hoje, coordenado por Leda Maria
Rangearo Fiorentini e Vânia Lúcia Quintão Carneiro.
Além de fornecerem subsidio teórico de questões específicas
da linguagem audiovisual, alertam que “se o educador quer desmistificar
a TV deve começar pelo conhecimento de sua materialidade”
, ou seja, é preciso experimentar expressar a idéia, a emoção,
uma história, com imagens e sons, vivenciar o processo de produção.
A compreensão critica passa pelo estudo e pela experimentação
“ .
Método
Como embasamento teórico fizemos uso da abordagem comunicativa,
representada pelo teórico Almeida Filho (2002) . Esta abordagem
possui como principal característica a instauração
de comunicação em situações reais e autênticas,
nas quais os alunos produzem e negociam significados na Língua
Alvo, sendo muito importante ainda que os alunos concretizem seus conhecimentos,
que criem “produtos”, que realizem “tarefas”,
características que se casa com a proposta de criação
de seus próprios filmes.
Entretanto uma condição deve ser seguida: no decorrer da
aplicação do projeto não se estabelece nenhum tipo
de comunicação, por mais simples que seja, se não
for na língua alvo, no caso: espanhol. Essa condição
visa promover não só uma comunicação efetiva
e autêntica, mas uma comunicação longe da supervisão
do professor com o objetivo de desenvolver a autonomia e independência
dos mesmos.
Objetivos
Gerais:
• Desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe;
• Desenvolver o potencial criativo;
• “Desconolizar” o olhar;
• Desenvolver as competências: comunicativa e estratégica;
• Desenvolver as habilidades: expressão oral e compreensão
auditiva.
Objetivos
específicos:
• Reconhecer componentes estruturais da linguagem audiovisual;
• Exercitar a leitura crítica e criativa de filmes espanhóis
atuais;
• Compreender o processo de produção audiovisual;
• Conhecer a história do cinema: aspectos da história
do cinema espanhol e brasileiro;
• Produzir um mural;
• Iniciar-se no funcionamento de uma câmera;
• Trabalhar em diversas funções relacionadas ao cinema;
• Elaborar pequenos roteiros;
• Produzir um curta-metragem.
Material:
• Uma câmera filmadora; fitas VHS; uma televisão; um
videocassete; um aparelho de som; um retro-projetor; o livro, que acompanha
fita de vídeo, :De Cine-Fragmentos Cinematográficos para
el aula de E/LE. GARGALLO, A. S. E GARGALLO, I. S; trechos traduzidos
para o espanhol do livro: TV na Escola e os Desafios de Hoje (Coordenação
de Leda Maria Range aro Fiorentini e Vânia Lúcia Quintão
Carneiro) e as apostilas do curso “El cine Español: una Propuesta
didáctica para su uso en la clase de E/LE” por Carmen Rojas
Gordillo.
Etapas de execução:
Ressaltamos que entre as etapas abaixo expostas, foram feitos jogos, brincadeiras,
dramatizações sobre o tema em questão. Sublinha-se
ainda que muitos desses jogos só foram possíveis devido
à importante contribuição de Carmen Rojas Gordillo
e seu curso “El cine español: propuesta didáctica”
que forneceu não só subsidio teórico sobre o cinema
espanhol e seu potencial didático, mas também o material
necessário para que pudéssemos colocar tais idéias
em prática.
Etapas de
execução:
1ª.
Exposição do projeto para verificar o interesse dos alunos;
2ª. Pesquisa inicial:
Opções: A história do cinema; O cinema espanhol ou
Cinema brasileiro: Glauber Rocha e o Cinema Novo. Obs.: Criação
de murais com os resultados da pesquisa.
3ª.
Introdução ao cinema: os gêneros, os profissionais
envolvidos, os componentes estruturais;
4ª.
Eleição de três filmes dos dez filmes contidos no
livro: De Cine, por meio da leitura da sinopse e das fotos dos autores
principais.
Dessa forma cada grupo discute o assunto que realmente lhes interessa.
OBS: O livro em questão possui exercícios estruturais, devendo
por isso ser adaptado a uma abordagem comunicativa.
5ª.
Trabalho com fragmentos dos filmes escolhidos:
• Exercícios de compreensão auditiva;
• Pesquisa sócio-cultural a ser definido de acordo com o
tema de cada filme;
• Debates sobre questões polêmicas, que depende tanto
do interesse dos alunos como do filme escolhido por eles.
• Dramatização dos fragmentos dos filmes, que não
se resume apenas à escolha dos atores, os alunos desempenham funções
como: diretor, cenógrafo, maquiador etc. sendo que tais funções
devem ser diferentes a cada nova dramatização para que o
aluno experimente o maior número possível delas.
6ª.
Leitura em grupos de textos técnicos que tratem da linguagem audiovisual,
o planejamento, o roteiro, a gravação, a edição
e a montagem retirados e traduzidos para o espanhol do livro TV na Escola
e os Desafios de Hoje: Curso de Extensão para Professores do Ensino
Fundamental e Médio da Rede Pública;
7ª Divisão
das funções a serem desempenhadas: diretores; roteiristas;
cenógrafos; cinegrafistas, maquiadores e elenco;
8ª Redação
do roteiro em grupos, sendo que este grupo desempenhará a função
de diretor;
9a. Ensaios,
busca das locações, bem como testes de figurino e maquiagem;
10ª
Gravação e montagem;
11ª.
Exibição para os pais e alunos.
Resultado
do primeiro ano:
Inicialmente, programamos para a aplicação do projeto dois
meses, o que se mostrou inviável. Devido à falta de tempo
hábil fez-se necessário a eliminação de um
dos filmes que primeiramente seriam trabalhados. Logo para a execução
da nona e da décima etapa era necessário, no mínimo,
um mês de trabalho, o que daria um total de três meses para
a aplicação do projeto, embora esta questão precise
se analisada mais detidamente, uma vez que, se por um lado é necessário
um tempo maior para executar as seis primeiras etapas, por outro lado
se demorarmos muito para chegarmos à parte prática os alunos
ficam muito ansiosos, acreditam que possuem uma grande tarefa pela frente
e se sentem incapazes de realizá-la.
Outro problema detectado diz respeito à inviabilidade de um único
professor aplicar o projeto em muitos grupos ao mesmo tempo, como ocorreu
neste primeiro ano, uma vez que o ritmo das gravações é
muito intenso o que termina por cansar o professor e prejudicar seu trabalho.
Uma das grandes surpresas no decorrer do projeto foi a interação
gerada entre os alunos e os funcionários da escola, desde os zeladores,
cozinheiros, coordenadores até a direção da mesma,
já que se trata de um Centro de Estudos Línguas que se situa
dentro de uma escola estadual, tendo a maioria de seus alunos cursando
o ensino fundamental e médio em outras escolas, fato este que provoca
nesses alunos a sensação incômoda de serem apenas
visitas na escola vinculadora (E.E. Dom Jayme de Barros Câmara).
Além disso, houve casos de alunos muito tímidos e introvertidos
que encontraram um espaço para dar suas opiniões, usando
todo o seu potencial criativo para criarem algo realmente interessante:
um pequeno filme. Para eles a responsabilidade que tinham nas mãos
era maior que a timidez. Outros alunos que estavam desmotivados e ausentes
terminaram por voltar para participar do projeto quando foram informados
pelos amigos, embora tenha havido casos, em menor número, de alunos
que faltaram bastante prejudicando as filmagens, inconscientes da importância
do papel que desempenhavam para o grupo ao qual pertenciam, mas ao mesmo
tempo sua ausência ensinava aos outros a importância da cooperação.
Quanto aos objetivos, estes foram alcançados de maneira altamente
satisfatória, e não só a qualidade do produto final
prova isso, mas também a observação de todo o processo
de aplicação do projeto. Ou seja, de sete grupos, apenas
um (turma C) apresentou problemas quanto ao desenvolvimento da competência
comunicativa; o restante dos alunos dos outros grupos conversou o tempo
todo em espanhol para desempenharem suas atividades, foram completamente
absortos “pela realidade” de um set de filmagem que terminaram
por esquecer que se tratava de uma aula. Já a turma C deu excessiva
importância ao produto final: o curta-metragem, não conseguindo
dividir tarefas e tampouco tomar decisões em grupo. Uma das hipóteses
para tal problema talvez tenha sido o choque das culturas de aprender
dos alunos com a cultura de ensinar do professor.
Quanto à temática dos filmes produzidos, notou-se em filmes
como “Fobia” ( turma G) e “Diário Maldito”
( turma F) uma grande influência do cinema americano, principalmente
de filmes como “Pânico” e “Harry Potter”.
Entretanto filmes como “Em busca de la Felicidad” ( turma
E) e “Las aparências engañan de nuevo” (turma
D) mostraram temas polêmicos como homossexualismo, vocação
religiosa e prostituição em situações inusitadas
o que nos leva a concluir que esses dois últimos, de alguma forma,
trabalharam com temáticas iguais ou simulares aos filmes que tiveram
acesso como, por exemplo, “Todo sobre mi madre” do cineasta
espanhol Pedro Almodóvar.
Ressalta-se que o restante dos filmes situa-se no limiar dessas duas tradições
cinematográficas (a americana e a espanhola representada principalmente
por Pedro Almodóvar) o que se conclui que é necessário
um estudo mais aprofundado de questões culturais para que se possa
detectar ao certo o porquê de tais diferenças e como lidar
com elas em sala de aula, mas isso já é uma outra história.
Vale destacar duas questões: a primeira delas é a “desmistificação”
da mídia, por meio da possibilidade de criação efetiva
dessa mesma mídia, ou seja, os alunos se tornaram ‘produtores’,
‘criadores ativos’ de imagens e por isso mesmo adquiram um
‘olhar desconfiado’ (desconolizado) diante do excesso de imagens
a que são submetidos; em outras palavras, sabendo o “como”
se faz, os alunos não se deixam enganar mais facilmente. O segundo
aspecto foi o alto grau de motivação para o aprendizado
não só do espanhol, mas de diversos temas através
do espanhol, o orgulho diante das próprias produções
foi explicito e por isso estes mesmos alunos quiseram dar continuidade
ao trabalho produzindo outros curtas a fim não só de expandir
o potencial criativo, mas também para corrigir questões
técnicas, aprimorando assim suas pequenas CRIAÇÕES.
Projeto:
“Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça”.
(2a. aplicação primeiro semestre de 2005)
O desejo
dos alunos de trabalharem com o projeto mais uma vez, reafirma a motivação
gerada pelo projeto. Ressaltamos que, em seu segundo ano, nos deparamos
não só com alunos mais experientes e que vinham amadurecendo
idéias há um ano para suas novas produções,
como encontramos também todos os funcionários da escola
melhor preparados para atender suas necessidades e, principalmente, um
professor que passou a valorizar mais a experiência em si mesma.
Diante dessas condições, impusemos pequenas, mas significativas
mudanças:
Método
Como embasamento teórico segue-se com a abordagem comunicativa
representada por Almeida Filho (2002). Contudo, soma-se a ela a importante
contribuição de Jorge Larrosa Bondía por meio do
texto Notas sobre a experiência e o saber de experiência,
no qual Larrosa propõe-se pensar a educação a partir
do par experiência/sentido e não mais teoria/prática.
Larrosa ressalta o valor esquecido da experiência em si mesma, alertando
para o excesso de valorização que é dada não
só ao acúmulo de meras informações, mas a
exigência de opiniões sobre tudo o todo o tempo, destacando
que se vive em um ambiente sobrecarregado de trabalho, no qual muita coisa
acontece e rapidamente, mas pouco nos acontece ou nos toca de fato. Não
só confundi-se os sujeitos da informação, da opinião
e do trabalho com o sujeito do conhecimento (para o qual a dimensão
do sentir é primordial), como o excesso de informações,
opiniões e trabalho anulam as possibilidades de experiência.
Sendo assim, a segunda aplicação buscava pensar a educação
também como experiência, atentando para seu caráter
de imprevisibilidade, irrepetibilidade e incerteza, uma vez que ela “não
é um caminho até um objetivo previsto, até uma meta
que se conhece de antemão, mas uma abertura para o desconhecido,
para o que não se pode antecipar nem ‘pré-ver’
nem ‘pré-dizer’.”
Objetivos
Gerais:
• Desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe;
• Desenvolver o potencial criativo;
• “Desconolizar” o olhar;
• Desenvolver as competências: comunicativa e estratégica;
• Desenvolver as habilidades: expressão oral e compreensão
auditiva.
• Promover em sala de aula uma experiência.
Objetivos
específicos:
• Reconhecer componentes estruturais da linguagem audiovisual;
• Exercitar a leitura crítica e criativa de filmes espanhóis
atuais;
• Compreender o processo de produção audiovisual;
• Conhecer a história do cinema: aspectos da história
do cinema espanhol e brasileiro;
• Produzir um mural;
• Iniciar-se no funcionamento de uma câmera;
• Trabalhar em diversas funções relacionadas ao cinema;
• Elaborar pequenos roteiros;
• Elaborar um cartaz sobre o curta-metragem;
• Produzir um curta-metragem;
Material:
Uma câmera filmadora, fitas VHS,uma televisão, um videocassete,
um aparelho de som e acrescenta-se o uso do computador.
Etapas de
execução :
1) Expor
o projeto para verificar o interesse dos alunos.
Obs. Como já foi dito todos os grupos aguardavam ansiosamente pela
aplicação do projeto, ao contrário do primeiro ano
no qual um grupo não demonstrou interesse.
2) Exposição e discussão de várias possibilidades
de produção e não só a cinematográfica,
explanando tanto sobre os diferentes meios (TV, cinema etc.) como sobre
os diferentes gêneros, os profissionais envolvidos e os componentes
estruturais;
3) Escritura, em pequenos grupos, de argumentos para um possível
roteiro ;
4) Discussão pela sala de todas das produções de
cada grupo, decisão conjunta sobre qual argumento será adotado
e quais alunos se encarregarão da escritura;
5) Pesquisa sobre o tema escolhido e produção de um mural
sobre o mesmo para que os outros alunos acompanhassem as produções
dos colegas;
6) Escolha espontânea das funções a serem desempenhadas
pelos demais: diretores; cenógrafos; cinegrafistas, maquiadores
e elenco;
7) Re-leitura em grupos de textos técnicos que tratem da linguagem
audiovisual, o planejamento, o roteiro, a gravação, a edição
e a montagem retirados e traduzidos para o espanhol do livro TV na Escola
e os Desafios de Hoje: Curso de Extensão para Professores do Ensino
Fundamental e Médio da Rede Pública;
8) Ensaios, busca das locações, além de testes de
figurino, maquiagem e enquadramentos;
9) Gravações;
10) Produção de um cartaz para a divulgação
do filme;
11) Exibição para os pais e alunos com premiação
.
Resultado
do segundo ano:
Quanto ao desenvolvimento das competências comunicativas em espanhol,
o resultado segue altamente satisfatório, mas se propõe
mais um desafio: quatro alunos, dos quais três já falavam
fluentemente a língua, começaram a falar em português,
como se quisessem de alguma maneira destacar-se do grupo. Por que se já
sabiam o espanhol e estavam motivados com o projeto ? E porque outros
alunos que não pareciam tão motivados falavam em espanhol
o tempo todo?
Quanto às produções, os alunos expandiram a criação
meramente ficcional, uma vez que um dos seis grupos (turma E) produziu
um documentário sobre o próprio C.E.L onde estudam e o projeto
“Uma câmera na mão, uma idéia na cabeça”,
refletindo assim sobre a própria trajetória, filmando a
si mesmos filmando. Este grupo realizou uma pesquisa sobre documentários,
sua linguagem e os principais documentaristas brasileiros que resultou
em um mural exposto para os outros alunos. O documentário recebeu
como título “Un Vuelo hacia el C.E.L”.
A turma C trabalhou com o tema da morte e da bulimia, pesquisando sobre
Ingmar Bergman e seu filme O sétimo selo, que foi visto com entusiasmo
por eles na medida em que tratava do mesmo tema que sua produção,
e terminaram por produzir também um mural no qual explicavam para
os outros alunos a obra deste diretor sueco. Seu filme intitula-se “Muerte:
un juego muy divertido”.
Tanto a turma A como a D trabalham com o tema do preconceito, do desencontro
amoroso, gravidez na adolescência, morte, traição,
intitulando sua obras como “El acaso del destino” y “Lo
que menos se espera”.
Somente a turma B produziu um filme que, ainda que possuísse uma
estrutura circular, lembrava mais as produções estadunidenses.
Tendo como protagonista mais um “serial killer’, o filme intencionava
criticar essas mesmas produções das quais faz parte, por
meio do destaque da existência vazia e sem sentido do personagem,
onde a TV, com seu caráter alienador, tornava-o ausente do cotidiano.
Ressalte-se que somente as duas primeiras produções pesquisaram
efetivamente sobre os temas que se propunham a trabalhar; os demais lidaram
com assuntos que “pareciam” conhecidos, por isso uma pesquisa
não foi motivadora.
Outra questão importante foi o prolongamento da aplicação
do projeto, uma vez que novamente trabalhou-se por dois meses, mas dessa
vez somente na chamada parte prática do projeto, demonstrando assim
o amadurecimento, a ponderação e o cuidado com pequenos
detalhes da produção.
Importante também destacar que muitos deles optaram por exercer
funções diferentes do ano anterior, a fim de “experimentar”
outro fazer, evidenciando o querer arriscar-se diante de situações
novas.
Ainda devemos sublinhar o conflito significativo gerado acerca do uso
do espaço escolar: se antes estes alunos precisavam ser integrados
ao espaço da escola vinculadora, na segunda etapa foi preciso aprender
a respeitar a fronteira do “outro”, dentro de uma ambiente
que teoricamente é de todos, ou seja, público. Dessa forma,
os participantes do projeto defrontaram-se com uma problemática
ética extremamente complexa: como fica a questão da liberdade?
Ao mesmo tempo em que se gerou o conflito quanto a divisão do espaço,
também foi significativo o interesse dos alunos do ensino regular
(principalmente por parte das crianças) no que estava acontecendo
e todos quiseram ver, inclusos os funcionários, as produções
dos alunos. Dessa forma organizaram-se várias sessões de
cinema.
Apesar de tantos problemas e dúvidas, reafirma-se a busca cada
vez mais incessante de privilegiar o caráter de CRIA-AÇÃO
que deve acompanhar toda ação verdadeiramente EDUCATIVA,
isto é, buscar promover no espaço escolar um ambiente de
liberdade, no qual os alunos possam dar vazão ao potencial criativo
e a seus sentimentos, medos, dúvidas e expectativas e, não
mais, a mera exigência de posições críticas
a respeito de informações pontuais. Sentir, ser, criar e
principalmente experimentar, também, é saber e não
só opinar e informar-se.
Bibliografia:
ALMEIDA FILHO,
J.C.P. Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas. Campinas:
Pontes,2002.
GARGALLO, A. S. E GARGALLO, I. S. De Cine-Fragmentos Cinematográficos
para el aula de E/LE. Madrid (Espanha): SGEL, 2001.
LARROSA BONDIA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência.
Conferência proferida no I Seminário Internacional de Educação
de Campinas,traduzida e publicada em junho de 2001 por Leituras SME: Textos-Subsidios
ao trabalho pedagógico das unidades da Rede Municipal de Educação
de Campinas/FUMEC.
ROJAS GORDILLO, Carmen. “ El cine español en la clase de
E/LE: Una propuesta didáctica” Actas del IX Congreso Brasileño
de Profesores de Español. Consejería de Educación.
TV na Escola e os Desafios de Hoje: Curso de Extensão para Professores
do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública UniRede e
SEED/MEC/ Coordenação de Leda Maria Rangearo Fiorentini
e Vânia Lúcia Quintão Carneiro,-Brasília: Editora
Universidade de Brasília, 2a. edição revisada,2002.
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