Silvana Aparecida Pinter Chaves - Mestranda do
Curso de Educação na Universidade Estadual Paulista - Rio
Claro
Desenvolver um trabalho científico que envolva
propagandas como principais fontes de pesquisa é fundamental dentro
da perspectiva político-social do mundo atual, pois são
textos imagéticos em que se pode observar temas sociais e históricos
articulados, o que faz despertar em alunos de Ensino Médio, reflexões
importantes a respeito da sociedade através das imagens.
Dois foram os motivos que me levaram a escolher trabalhar com essas imagens:
o primeiro motivo foi o fato de ser um produto de conhecimento de todos
e o segundo motivo foi o de saber como os alunos estavam em relação
à leitura de propaganda e suas visões de mundo, principalmente
no que se refere às questões sociais e culturais.
Percebi que os alunos, ao serem direcionados, participam com mais desembaraço
das atividades didáticas do que quando solicitados a participarem
espontaneamente.
A maioria dos alunos nas três turmas de primeiras séries
do Ensino Médio com os quais trabalhei as propagandas foram participativos,
mas uma parcela deles não se manifestou, ou por motivo de acanhamento,
o que é natural, quando não há segurança -
sobre o assunto abordado ou a ser trabalhado - ou por não terem
o conhecimento mínimo necessário para poder participar.
Alguns alunos das três turmas trabalhadas não conseguiram
entender bem as propagandas e observei que dois foram os fatores que levaram
ao não entendimento. O primeiro foi a falta de interesse sobre
o assunto e questões sociais, e o segundo, inibição
para que pudessem expor suas idéias e medo de serem alvo de deboche
por parte de outros colegas da sala, pois ao trabalhar com esse recurso
didático, não tive como propósito a avaliação
ou de relatar se era certo ou errado o que eles opinavam quanto- à
produção de significados, diante das imagens mostradas.
A pouca idade dos alunos desta série ajudou à não
compreensão mais profunda sobre as questões sociais e políticas
que as imagens proporcionam, porém, ao serem orientados e juntamente
com o recurso da liberdade de expressão, conseguiram observar e
entender melhor o processo e, na apresentação da segunda
propaganda, já houve uma mudança considerável nesse
sentido.
Foi utilizado retroprojetor para trabalhar com lâminas, e esse recurso
didático proporciona maior tempo de projeção da imagem
para que o aluno possa ficar observando atentamente as mesmas e seus detalhes
por mais tempo, fazendo com que o mesmo fique mais atento a todos os recursos
que a imagem propicia.
As propagandas foram retiradas da revista semanal Veja de 30 de maio de
2001, páginas 57, 59 e 61 (vide anexos), focando a transformação
da mulher, através de sua indumentária, e relacionando-a
com seus respectivos papéis históricos, em três épocas
distintas: anos 50, com o surgimento do “Rock’n Roll”
e do liquidificador, anos 90, .através da ‘inversão
de papéis’, onde a mulher disputa o mercado de trabalho com
os homens, e estes marcam território nas cozinhas como chefs;século
XXI, com imagem futurista “high-tec” em que, desde a fonte
usada nas letras do texto, até a indumentária, somos remetidos
à idéia de vivermos uma cena do filme Matrix, que foca os
problemas da realidade virtual de uma sociedade controlada por aqueles
que detêm o conhecimento das tecnologias de ponta e onde a personagem
Trinity, uma das protagonistas, usa roupas justas de couro sintético
que ressaltam suas formas femininas.
O anúncio mostra, nas três páginas, uma regularidade
quanto à forma de dispor o texto escrito e as imagens nele incluídas.
Embora haja nas três páginas uma estrutura básica
que se repete, ao mesmo tempo é apresentado a cada página
algo novo. Combinando diferentes textos, indumentárias e cores
de fundo de página passamos a ter a idéia de uma dinâmica
temporal, indicando o transcorrer do tempo. A similaridade de manter estática
a logomarca com a frase (“Leite Moça e Nestlé: as
maravilhas de sempre”), ocupando sempre a mesma posição
na lata, leva-nos ao entendimento de que, mesmo o tempo sendo dinâmico,
o sabor e a qualidade da mercadoria continuam intactos. As mudanças
de tom das cores dos fundos de página além de representarem
uma dinâmica temporal apresentam uma idéia “evolucionista”
do produto. O fundo amarelado da primeira página dá uma
idéia de antiguidade enquanto o fundo azulado da última
página, como se a imagem estivesse sendo projetada em uma tela
de computador dá a idéia futurista. Assim, transitar entre
as páginas implica em nos depararmos com algo que transpassar várias
etapas e faixas etárias, desde a “vovó que ia aos
bailes em um romântico vestido rosa de bolinhas pretas”, passando
pela “mãe que trabalha fora e tem a imagem de uma empresária
bem sucedida como modelo”, até a “netinha que participa
ativamente de uma sociedade altamente informatizada”. Dessa forma,
o produto à venda, passa a ser a cessível a todas as idades.
As respectivas mudanças de comportamento da mulher são abordadas
a partir da indumentária, que refletem transformações
sociais, culturais e históricas, com o propósito de associar
o produto a tais tendências, participando diretamente das relações
de poder que defendem verdades que se propagam através de discursos
como “Leite Moça e Nestlé as maravilhas de sempre”.
Pelas limitações específicas da natureza de uma pesquisa,
me deterei na propaganda comercial, que tem uma penetração
muito grande nos meios de comunicação de massa, e para tal
focarei, v.g., o produto “Leite Moça®”, da Nestlé®
e algumas de suas propagandas. Tal produto encontra-se disponível
no mercado desde 1921, tendo a mulher como foco central. No Brasil, esta
mercadoria encontra-se disponível para consumo desde 1921 (com
o nome “Milkmaid”, grosso modo o leite da empregada)- -quando
a Nestlé inaugurou a primeira fábrica no Brasil, exclusivamente
em Araras, o Leite da Moça. Logo em seguida, acontece a “Semana
de Arte Moderna” de 22, pela primeira vez, um movimento artístico
de vanguarda contava com a presença de mulheres como Anita Malfatti,
Tarsila do Amaral, Patrícia Galvão entre outras - tendo
em seu rótulo a figura de uma típica dona de casa, retratando
o perfil da mulher da época, trajando avental e carregando dois
baldes de leite: um à cabeça e outro à mão
— imagem presente no rótulo deste produto até hoje,
como logomarca. passado estava associado à empregada doméstica
(milkmaid), à dona-de-casa, continua presente na transformação
social da mulher – das que ouvem Rock’n Roll àquelas
que participam de um mundo como Matrix que mistura ficção,
filosofia, ciência futurista, teologia, artes marciais em um dos
filmes mais bem sucedidos comercialmente dos últimos tempos. Ou
ainda, independentemente do papel que a mulher exerça, sempre o
Leite Moça estará presente transpondo quaisquer valores.
Segundo Cardoso (2003, p 97), discursos associados às propagandas,
como por exemplo, “E as mulheres passam a suar menos na cozinha
e mais nos bailes” “Prazer virtual? Tomara que não
estejam falando de doces.” constituem-se como um material de análise
rico para tratar da questão ideológica da interpretação
do locutor e, num plano lingüístico-discursivo para tratar
de questões como a polissemia: “[...] uma expressão
muda de sentido de uma formação discursiva para outra, o
que configura um caso de polissemia[...]” (Ibid, p. 57).
A expressão “as maravilhas de sempre”, no contexto
das propagandas citadas, pode ser entendida como: os tempos passam, mas
o produto continua o mesmo – não altera o sabor. Ou ainda,
induz o consumidor a pensar que, ao consumir o produto sua vida será
maravilhosa. Em “E as mulheres passam a suar menos na cozinha...”
a maravilha está associada à praticidade do produto, possibilitando
um maior tempo para o lazer. Já em “Prazer virtual? Tomara
que não estejam falando de doces”, encontramos uma figura
feminina com formas salientes e a maravilha passa a exercer a idéia
de cobiça: (1) por parte das mulheres de terem as formas da modelo,
deslocando assim o fato do produto ser altamente calórico; (2)
por parte dos homens, hoje consumidores e freqüentadores de supermercados,
a maravilha está em associar o sabor à imagem da mulher.
A pesquisa ainda está em fase inicial e estamo , analisando as
construções demarcadas e não-demarcadas desse sujeito
(a mulher) quanto ao comportamento social e histórico abordados
nesse veículo de comunicação, bem como o discurso
apresentado em propagandas.
Confrontos entre a tendência pós-estruturalista de Foucault,
através de sua obra, focando os dispositivos táticos de
poder — exercido por diferentes grupos — e a tendência
estruturalista althusseriana — de poder centralizado, exercido por
aparelhos ideológicos do estado — ou a tendência bakhtiniana
— com o gênero discursivo, tendo como procedimento metodológico
a construção de um dispositivo tático-estratégico,
defendido por Foucault em A história da sexualidade I — a
vontade de saber. Dessa forma, tomarei os textos imagéticos, com
seus enunciados e discursos, analisando estratégias e táticas.
“Ao se travar uma batalha, deve se definir estratégias
isto é, escolher onde, quando e com que se trava essa batalha e
explorar condições favoráveis com o fim de alcançar
objetivos específicos. Também deve se planejar as táticas
de ação, ou seja, tratar da disposição e da
manobra das forças durante o combate; processo empregado para alcançar
os objetivos específicos. Em outras palavras, a estratégia
leva ao planejamento de uma ação: criar uma armadilha e
a tática leva ao emprego de dispositivos que viabilizem alcançar
a ação planejada: utilizar um chamariz ou atrativo que conduza
à armadilha”
Com esse referencial teórico pretendo analisar
o discurso da propaganda e os sujeitos (no sentido foucaultiano —
sujeitados) ao longo da história, relativo ao papel social da mulher
e como a mesma é mostrada — vigiada através das instituições
de seqüestro (v.g., escola, igrejas, imprensa) — pelos mecanismos
de controle e de rejeição do discurso, por regimes de verdades
machistas que a submete a um papel de subserviência e por práticas
panópticas que, para melhor vigiá-la, seqüestram seus
corpos, determinando dentre outras coisas o papel que cabe a ela, v.g.,
em uma propaganda.
Interesso-me principalmente pelas etapas da genealogia e da ética
de Foucault para analisar o material de coleta do meu trabalho. Pela genealogia,
por entender que esta, caracteriza-se como uma perspectiva de análise
na qual a preocupação com as regras de formação
discursiva dos diferentes campos de saber, característica da fase
arqueológica, é deslocada, em favor de uma preocupação
com as conexões entre conhecimento e poder.
“A genealogia seria, pois, relativamente ao projeto de uma inserção
dos saberes na hierarquia do poder próprio da ciência, uma
espécie de empreendimento para dessujeitar os saberes históricos
e torná-los livres, isto é, capazes de oposição
e de luta contra a coerção de um discurso teórico
unitário, formal e científico [...] a genealogia é
a tática que faz intervir, a partir dessas discursividades locais,
assim
Os discursos a serem analisados perpassam o que é
visto, pois os sentidos mudam, não são únicos e surgem
de outros sentidos anteriores, da historicidade, da ideologia e também
da posição dos sujeitos. Nesse trabalho pretendo verificar
o funcionamento de um gênero discursivo, a saber, o discurso da
propaganda.
Sendo a enunciação um diálogo, esse faz parte de
um processo de comunicação, pois ele não existe isoladamente,
ou seja, tem que haver necessariamente um sujeito anterior (eu) e um sujeito
posterior (outro) para que esse processo se dê. O dialogismo, condição
de existência do discurso, é duplo; ele não existe
independentemente. Tomando-se como base esses conceitos de Bakthin e aplicando-o
no gênero propaganda, vê-se claramente que a enunciação
se faz entre sujeito ou locutor a propaganda do Leite Moça da Nestlé,
e seu público leitor, esses , leitores da revista, ou no caso específico
deste trabalho, os alunos de primeira série do ensino médio
e suas leituras prévias sobre política e questões
sociais, para poderem entender a mensagem da propaganda e também
fazerem a leitura do texto. Esse fato confirma o que Bakthin afirma quando
diz que “a enunciação é um ato social e por
ser um ato social, deve ser o sujeito ponte fundamental nesse processo.
Processo esse de interação que se dá entre aluno,
professor e mundo” Para GERALDI, et alii (1996),
“[...] a linguagem é trabalho, resultado
de um processo das atividades humanas, sociais e históricas dos
sujeitos; todo sujeito é mergulhado no social e na contradição
que o envolve, ou seja, é historicamente situado. Como decorrência
desses valores, o texto passa a ser considerado o centro de todo processo
ensino/aprendizagem [opto por estabelecer que ensino e aprendizagem são
processos distintos] [...]”.
Dessa forma, a partir da análise de GHILARDI (1995-6,
p. 86 – 92), o estudo da propaganda mostra-nos caminhos e formas
para interpretá-las, junto com a realidade que é demonstrada
em uma certa sociedade, e pode proporcionar um retrato mesmo que não
detalhado da época e do mundo atual.
Os jogos lingüísticos são grandes responsáveis
por efeitos de sentido produzidos no espaço das propagandas. As
palavras que surgem expressam a ideologia embutida no texto.
A propaganda é uma proposta de reflexão e contém
todo um complexo ideológico de seu autor e da sociedade na qual
se introduz. O leitor precisa observar através de seus traços,
uma denúncia, um problema, o jogo persuasivo e uma crítica.
A propaganda deve estar relacionada com o cotidiano, BARROS 1994 afirma
que
“[...] a persuasão e a interpretação
envolvem sistemas de valores, do enunciador e do enunciatário,
que, como afirma Bakhtin, participam da construção dialógica
do sentido [...].” (p. 3).
Para Bakthin,
“[...] cada enunciado é único e individual,
mas como cada esfera de comunicação produz os seus tipos
relativamente estáveis, de discurso, um enunciado pode ser reconhecido
lingüisticamente como pertinente a determinado gênero, devido
ao seu conteúdo temático, estilo e construção
composicional [...]”
Para o entendimento das reflexões e discussões
que propomos a seguir, tomamos como premissa que ler
“[...] não é decifrar, como num jogo
de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir
do texto, ser capaz de atribuir-lhe significação, conseguir
relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada
um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono
da própria vontade, entregar-se a esta própria leitura,
ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista [...]”.
(Lajolo, 1982: 59)
Tempos mais tarde, já na adolescência, em
fase de decidir por uma carreira, não tive dúvidas quanto
à escolha, optei por aquela que me levasse ao “mundo da leitura”.
A escolha não foi tarefa fácil, pois havia diversos caminhos
a serem seguidos, dentre eles, o caminho das letras. Esse me fez cursar
Licenciatura Plena em Letras, e depois, Lecionar Língua Portuguesa.
Sofri a primeira decepção dentro da Universidade, pois não
tínhamos a prática de leitura almejada, mesmo na disciplina
de teoria literária. Diante dessa realidade, senti que faltava
motivação para o hábito e o trabalho com as obras
estudadas, mesmo assim, dediquei-me com afinco aos meus estudos a fim
de superar as lacunas deixadas no decorrer dos anos de minha formação
acadêmica.
Porém, ao término de minha graduação, com
a prática em sala de aula e o cotidiano escolar, conseqüentemente
vieram as primeiras angústias, e porque não dizer frustrações.
Deparei-me com inúmeras dificuldades quanto à prática
desse tipo de gênero textual pois o via de maneira clara e fascinante
até aquele momento. E perceber que o mesmo não fazia parte
da bagagem cultural de meus alunos, trazia conflitos que iam de encontro
aos meus ideais enquanto educadora.
Após esses anos de trabalho, tanto em rede pública quanto
privada, pude perceber que minha maior angústia é a dificuldade
que encontro em desenvolver o mundo da “leitura ideal” nos
educandos, e por mais que adote estratégias criativas para o exercício
dessa no decorrer das aulas, não encontro maneiras para atingir
os objetivos que a leitura proporciona ao ser humano, e o gênero
imagético minimiza em parte essa dificuldade de leitura e também
produção de texto verbal e escrito.
Então, fica a sensação de distanciamento da realização
de um trabalho coerente às minhas expectativas, e executá-lo
de maneira a fazer com que os alunos assimilem o universo fantástico
que lhes apresento, parece-me difícil, já que a sociedade
contemporânea lança instrumentos mais atraentes do que a
leitura propriamente dita, oferecendo-lhes leitura imediatista, ou seja,
limitada e imposta pela mídia, onde pessoas reproduzem como papagaios
as opiniões de alguns meios de comunicação, tais
como: a voz do comentarista, as palavras do editor mais comprometido com
a vendagem do que com a sociedade e as imagens incríveis que tomam
o espaço e o trabalho que antigamente era só destinado à
escola.
Pensei no que fazer para atrair e levar meu aluno ao hábito e ao
prazer pela leitura. O prazer ao qual me refiro passa não só
pelo campo da descoberta, da oportunidade de exercitar o imaginário,
como também de levar o leitor à reflexão, à
análise e à possibilidade de formar massa crítica
em uma sociedade de pouca leitura.
Participei de vários cursos de capacitação docente
e formação continuada, entre eles buscava sempre algo que
pudesse dar-me esse retorno em relação ao prazer da leitura.
Porém, não conseguia obter resultado. Inquietações
produzidas a partir de referências, como Leontiev, não ecoavam
ou refletiam em cursos dessa natureza. Não se parava para pensar
ou discutir sobre
“[...] o que pretendemos? Qual o objeto e o motivo
para o desenvolvimento que aquela ação está sendo
dirigida? Formar indivíduos capazes de memorizar todo um conjunto
de conhecimentos, ou desenvolver o sentido de cooperação,
familiarizando-o com os processos de observação, análise,
síntese e trabalho coletivo? Levar os indivíduos a aprender
cada disciplina isoladamente, ou propiciar condições para
o desenvolvimento de sua capacidade de visualizar, no contexto social,
integralmente os fatos físicos, sociais, políticos, artísticos,
etc.? [...]” (Leontiev - 1978, apud: Escher – 1998)
Na minha proposta, a ação relaciona-se com o ato de ler
muito além das linhas, calcada numa visão bakthiniana, com
a pretensão de levar o leitor a ler o mundo. É nesse sentido
que a leitura torna-se um instrumento criativo, participativo e necessário
à concepção exposta na ótica de Leontiev.
Para defrontar o problema, fazendo com que passassem a ler e interpretar
os vários gêneros textuais, dando-lhes outros valores, que
até aquele momento não eram perceptíveis, passamos
a trabalhar em sala de aula com esses alunos vários gêneros
textuais como charges, cartuns, quadrinhos, propagandas. Desde então
nos dedicamos a trabalhar com o gênero não-verbal.
IV – CONCLUSÃO:
Este trabalho de pesquisa tem como objetivo mostrar o
valor e a importância da propaganda como interpretação
de texto durante as aulas de Língua Portuguesa e a riqueza que
esse recurso não-verbal pode proporcionar aos alunos, pois o mesmo,
além do humor, pode propiciar uma maior e melhor visão de
mundo e também trabalhar a criatividade, o senso crítico,
histórico, social e político dos alunos.
Hoje, as revistas já entraram nas escolas e fazem parte das suas
bibliotecas. Também são utilizadas como recurso didático
nas aulas de disciplinas como Geografia, História, Ciências,
Língua Portuguesa e Educação Artística. Além
disso, são também, hoje, partes integrantes de documentos
oficiais dirigidos ao ensino da língua materna como a Proposta
Curricular.Os vestibulares atuais, os exames do ENEM, os livros didáticos
do ensino fundamental e médio também incorporam a linguagem
não –verbal. Os concursos atuais incluem em suas questões
o recurso visual – quadrinhos, charges, propagandas – não
somente para a disciplina de Língua Portuguesa.
Se até algum tempo atrás, a imagem era vista na escola,
como um recurso didático menor, hoje já está sendo
vista com outros olhos e merece, por isso, ser mais bem explorada e aproveitada
por parte dos professores das mais diferentes disciplinas.
Entendendo que a imagem, no mundo do aluno, tem uma participação
muito efetiva, hoje em dia, e que a linguagem não-verbal passa
a ocupar um espaço maior no âmbito escolar, elaboramos esta
pesquisa com a finalidade de fazer uma reflexão sobre o recurso
imagético como fator de enriquecimento às aulas de Língua
Portuguesa.
O objetivo geral da pesquisa é mostrar o valor do recurso não
verbal (propaganda) nas aulas de Língua Portuguesa, no Ensino Médio,
nas atividades de interpretação de texto escrito, e o objetivo
específico, é mostrar a utilidade e a viabilidade de se
trabalhar com a propaganda como instrumento didático na interpretação
de textos escritos que visam à crítica social, cultural,
histórica e política. Pela minha experiência de professora
de ensino fundamental e médio, na disciplina de Língua Portuguesa,
tanto na rede pública quanto na particular, tenho verificado a
dificuldade que tem o aluno em trabalhar as atividades de interpretação,
exclusivamente.a partir de um texto escrito. Quando o recurso imagético
lhe é apresentado, para que realize, posteriormente, a interpretação
de texto, tenho verificado que o aluno apresenta maior facilidade na realização
dessa atividade.
Também tenho notado que o uso da imagem é um forte elemento
desencadeador, na sala de aula, de discussão, debate, de análise
de situações vividas e até de propostas de mudanças
para a realidade em que se vive.
Quando a imagem é utilizada na aula de Língua Portuguesa
como uma estratégia para uma discussão, ela é amplamente
aceita pelos alunos que participam ativamente da aula, emitindo opiniões,
expondo seus pontos de vista espontaneamente.
Esse conjunto de experiências que tenho recolhido ao longo de minha
carreira junto aos alunos, no trabalho com a imagem, para desenvolver
atividades de interpretação de texto, me motiva a buscar
mais conhecimento nesse tipo de recurso aplicado à aula de Língua
Portuguesa.
Esta pesquisa é, pois, uma tentativa de encontrar um caminho para
uma prática didático-pedagógica que possa trazer
contribuições para nossa prática pedagógica.
Não espero, no entanto, encontrar uma solução final
para a questão porque o sujeito, no caso o aluno, é questionado
em sua participação social, cultural e pessoal.
O sentido do texto tem a ver com quem o produziu, com quem o lê,
a época em que é lido e o que foi dito e sua relação
com o momento em que foi dito, o lugar em que foi produzido, pois o texto
é produto de uma época, um produto social que expressa valores
do sujeito, visões do mundo, enfim, explicita quem é esse
leitor.
Os valores desse sujeito, devido à condição de ser
social, depreendem-se do texto, principalmente os sociais, e a sociedade
reitera os enunciados, reforçando-os. Embora fazendo parte do contexto
social, somos diferentes, e, por outro lado, possuímos algo comum:
eu e outro temos semelhanças, mas nunca somos idênticos.
O texto é passível de interpretações e pode
ter um ou vários sentidos, pois há sempre um posicionamento
e uma relação com um contexto social, cultural e político.
A propaganda serve de estímulo à leitura das notícias,
editoriais e opiniões assinadas e que fazem parte de um jornal,
e essa tem como foco principal a imagem, bem como as revistas pelo poder
de persuasão que proprocionam.
A opção pela propaganda, especificamente as do Leite Moça,
na sala de aula, foi para poder demonstrar que é possível
ser realizado um trabalho, de ótima qualidade com esse tipo de
gênero não-verbal.
Muito ainda tem a ser pesquisado nessa área que é muito
rica. Esperamos que com essa pesquisa nós possamos ter introduzido
a quem tiver interesse por esse tipo de assunto, um início de mostragem
para a continuidade desse tema.
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