Vânia de Oliveira Gonzalez - Mestranda em
Linguagem e Educação FEUSP - Membro do GEAL/FEUSP
Considerando a criança como ser ativo no processo
de aprendizagem e a língua como mediadora na construção
do conhecimento, a presente comunicação pretende refletir
sobre a relação dialética entre o uso socialmente
contextualizado da linguagem e a conquista dos modos de expressão,
flexíveis e ajustados aos múltiplos fins. Nesse sentido,
a concepção de alfabetização ganha uma dimensão
constitutiva, justificando o status de emporwerment individual e social
preconizado por Gramsci e pela teoria promotora de saúde em escolas
e nos remetendo à consideração da natureza complexa
do ensino. Objetiva-se discutir as relações entre as concepções
críticas inerentes ao ensino e o impacto da aprendizagem da escrita
para o estudante.
Introdução
Partindo da concepção de Rosseti-Ferreira; Amorim e Silva
(2004), na qual “o desenvolvimento humano se dá dentro de
processos complexos, uma vez que está imerso em uma malha de elementos
semióticos” interrelacionados, toma-se a teoria sócio-histórica
de Vygotsky para conceber as relações do educando com educador,
cultura escolar, comunidade e família. Giroux (1990), falando sobre
Freire, explica que “O conhecimento se produz no processo de interação,
entre o escritor e o leitor, no momento da leitura e entre o professor
e o educando, no momento em que se encontram na sala de aula. O conhecimento
é tanto aquilo que se oferece, quanto aquilo que é compreendido.”
Portanto, neste artigo, retomar-se-á conceitos específicos
necessários para se compor o contexto em que se considera viável
o desenvolvimento do sujeito crítico, tendo por base uma perspectiva
de desenvolvimento humano que se fundou constatando a natureza singular
desse ser, tendo em mente a teoria de Rego (2002). Este artigo discutirá
separadamente cada uma das partes que contextualizam a perspectiva a ser
adotada para que o processo de educação se desenrole criticamente.
Fala-se da criança porque é sobre ela que se fazem grande
parte dos estudos sobre desenvolvimento humano, mas isso não é
desconsiderar que sempre estejamos todos em processo de desenvolvimento.
A criança como ser ativo
Na perspectiva sócio-histórica, a criança é
sujeito de todos os seus processos e, portanto, diferentemente de estar
sujeita ao ambiente, ela se relaciona com objetos, inclusive pessoas e
essa relação tem diferentes significados, dependendo do
ponto de vista sobre a relação. É esse tipo de consideração
que se deve fazer também no contexto escolar. Ferreiro (1986) critica
a crença de que os procedimentos de ensino determinem os passos
na progressão da aprendizagem. Complementarmente, Freitas (1999)
explica que Vygotsky (1984) considera que a aprendizagem das crianças
se inicia muito antes de sua entrada na escola. Antes dessa entrada ela
constrói conceitos espontâneos e após, os conceitos
científicos, ditos possíveis quando o desenvolvimento mental
tiver atingido funções como: atenção deliberada
memória lógica, abstração, capacidade para
comparar e diferenciar. Conceitos que não são aprendidos
mecanicamente, mas evoluem com a ajuda de uma vigorosa atividade mental
por parte da criança
Nesse mesmo sentido, Colello (1995) coloca que “As sucessivas hipóteses
na conquista da escrita revelam, antes de tudo, o caráter essencialmente
criativo da construção do saber. Por trás de cada
produção “ incorreta” e aparentemente aleatória,
existe uma infinidade de concepções já formadas,
de critérios inteligentes e de tentativas tão fecundas que,
de algum modo, promove a evolução” e acrescenta mais
adiante que “Para a criança, o grande desafio é fazer
das informações difusas peças significativas na consideração
das suas hipóteses.”
Considerando a teoria piagetiana descrita por Macedo, Colello (1995) explica
que: “Por um lado, as possibilidades e necessidades do sistema convencional
são vividos em diferentes níveis (e com diferentes intensidades)
pelas crianças; por outro, os sistemas por elas inventados têm
as suas próprias necessidades e possibilidades, muitas vezes estranhas
ao sistema socialmente compartilhado.”
Língua como mediadora
Associa-se, aqui, a afirmação de Freitas (1999) de que “Através
da linguagem, a criança entra em contato com o conhecimento humano
e adquire conceitos sobre o mundo que a rodeia.” ao “papel
da linguagem como força da maior importância na construção
das subjetividades humanas” colocado por Freire e Macedo (1990)
e da descrição de Marina (1995) de que no momento em que
a linguagem permite que um ser humano compreenda, “a realidade deixa
de ser um turbilhão de sentimentos e, de repente, ele se descobre
um sujeito ativo, dono de si, capaz de suscitar, controlar e dirigir as
suas memórias: inteligente”.
Freitas (1999) também descreve a proposição vygotskyana
de que o significado das palavras é a unidade entre pensamento
e palavra, sendo a relação dialética palavra-significado
um “microcosmo da consciência humana” e afirmando. que
o significado é uma generalização, um conceito e
acrescenta que esses signos, ao interiorizarem-se, modificariam dialeticamente
a estrutura da conduta externa, o que é denominado como uma função
intrapsicológica que interage com uma interpsicológica..
Sobre essa relação entre pensamento e linguagem, Vygotsky
desenvolveu o conceito de Piaget de “fala egocêntrica”
no conceito de “fala interior”, propondo, para ela, três
propriedades: o predomínio do sentido de uma palavra sobre o seu
significado; a aglutinação de palavras para expressar idéias
complexas; e, finalmente, a de que uma única palavra pode ter vários
sentidos e de que os processos mentais superiores só podem ser
compreendidos através da mediação de instrumentos
e signos (Freitas, 1999).
Isso porque essa mesma autora descreve que “Vygotsky definiu desenvolvimento
em termos da emergência ou transformação de formas
de mediação, e sua noção de interação
social em relação aos processos mentais superiores necessariamente
envolve também mecanismos de mediação.” E que
ele também concebe “signos como ferramentas proporcionadas
pela cultura, pessoas do meio; enfim, pelos outros, as quais seriam empregadas
para transformar o mundo material, modificando a atividade reflexa qualitativamente
em consciência.”
Nessa mesma linha, Rosseti-Ferreira; Amorim e Silva (2004) nomeiam como
Rede de Significações, a rede de significados e sentidos
presentes na ação de significar o mundo, o outro e a si
mesmos, efetivada no momento interativo, a qual estrutura um universo
semiótico. Esse conceito e a linha sócio-histórica
são utilizados nesse artigo para as discussões semióticas.
Isso passa a importar uma vez que o que se defende aqui é que a
educação, bem como outras relações humanas,
é nada mais, nada menos que uma construção coletiva
de significados. Produção de conhecimento como um ato relacional
de Giroux (1990).
Congruentes a esse paradigma, estão as afirmações
de Colello (1995) de que “A possibilidade do ser humano de usar
o seu corpo para a expressão e comunicação de suas
idéias parece estar associada à capacidade de aprendizagem.”
e de que “A fala não existe por si só; ela é
reforçada, atenuada ou modificada pelo conjunto de expressões
fisionômicas, posturas, gestos e atitudes que interferem no quadro
semântico da mensagem veiculada.” Esse passo à frente
sobre o que mais é observado no processo de compreensão
vai se tornar importante ao longo desse texto no que se refere aos objetivos
da formação crítica do sujeito, que precisará
estar consciente desses fatores intrínsecos e extrínsecos
da linguagem para fazer a análise e a síntese autônomas
sempre que estiver diante de qualquer informação para que
ela possa se reverter em conceito, para “ler o mundo”, na
expressão de Freire.
Uso socialmente contextualizado da linguagem e a conquista
dos modos de expressão, flexíveis e ajustados aos múltiplos
fins: uma relação dialética
Para Colello (1995), “conquistar a linguagem significa (ou deveria
significar) conhecer os seus elementos básicos o seu funcionamento
e as suas dimensões, possibilitando o livre trânsito entre
os diversos modos de atualização, bem como o estreitamento
de laços entre a expressão e a idéia.(...) Ignorar
ou limitar a totalidade lingüística e empobrecer a expressão
inteligente. É o que ocorre quando a oralidade, a comunicação
gestual e a interpretação das imagens passam a representar
o segundo plano do que se convencionou chamar de alfabetização.
Desconsiderando todos os recursos expressivos conquistados pela criança,
a escola pretende ensinar um “novo” sistema de comunicação
– a escrita – como se ele pudesse ter completa autonomia:
independente da fala, do desenho, do gesto, da mímica e, pior que
isso, independente da idéia. Poucos são os que concebem
a alfabetização como mais uma possibilidade de lidar com
a linguagem.”.
Essa mesma perspectiva também é colocada por muitos autores
como Feitas, que afirma que “todos os fenômenos deviam ser
estudados como processos em movimento e em mudança” e acrescenta,
mais adiante, que “nenhum sistema funciona isoladamente”.
Outro exemplo é Marcuschi que fala do constante aprendizado de
oralidade e escrita que se interalimentam com referenciais ao longo desse
percurso.
Tendo esse modelo de desenvolvimento como referência, passa-se,
agora a analisar como isso deveria se desenrolar nos processos de ensino.
Giroux (1990) propôs, na capacitação dos estudantes
e/ou dos participantes do processo de empowerment na Educação
Crítica, além das discussões analíticas em
sala de aula, “fazer com que suas respectivas posições
sejam ouvidas fora das salas de aula e na comunidade mais ampla.”.
Essa visão reflete a mesma crença desse artigo, como um
corpo completo, de que a interpretação complexa de um texto
lido por um estudante somente é atingida se essas atitude de análise
e síntese desses diversos textos e contextos que são a vida
forem exercidos significativamente e em situações diversas.
Essa generalização também é colocada por Giroux,
que continua o texto colocando a necessidade de se vivenciar “as
oscilantes formas de acomodação, resistência e questionamento
que definem a qualidade particular da complexa interação
entre as vozes do professor e do aluno e fazer com que suas respectivas
posições sejam ouvidas fora da sala de aula e na comunidade
mais ampla” para posteriormente ressaltar a importância de
“conhecer os limites e as conseqüências políticas
da visão de mundo de cada um”.
Nesse mesmo sentido, Freire e Macedo (1990) ressaltam a necessidade de
se conceber a alfabetização como construto radical, relacionando
conhecimento e poder a fim de denunciar que “ignorância política
e ideológica (...) que funciona como recusa em conhecer os limites
e as conseqüências políticas da visão de mundo
de cada um”.
A dimensão constitutiva da concepção
de alfabetização
Rosseti-Ferreira; Amorim e Silva (2004) pontuam que “Aspectos, tanto
do educador, como do educando, se configuram como partes inseparáveis
de um processo em mútua constituição, o de ensino-aprendizagem.”.
Partindo disso, nesse trecho do presente artigo, pretende-se considerar
a importância do outro no processo de troca que é esse acima
descrito e como essa mútua constituição é
um processo infindável de cada um mostrando novos significados
até do mesmo objeto e que ressignificação altera
estruturas de cada pessoa envolvida na educação e essas
estruturas alteradas alteram as referências de identidades desses
sujeitos.
Isso é explicado por Rosseti-Ferreira; Amorim e Silva (2004) da
seguinte maneira: “Ao agirem, as pessoas dialogicamente transformam
seus parceiros de interação e são por eles transformadas,
assim como se modificam as funções psicológicas que
lhe dão suporte, remodelando seus propósitos e abrindo-lhes
novas possibilidades de ação, interação e
desenvolvimento (...) A pessoa é múltipla porque são
múltiplos e heterogêneos os vários outros com quem
interage.”
Nesse mesmo sentido, Colello, (1995) comenta que “O registro gráfico
concretizado no ato de escrever é a extensão de outras possibilidades
comunicativas que puderam ser adaptadas e organizadas numa nova linguagem
(...) não há como determinar o momento final da aprendizagem,
limitando a alfabetização ao puro conhecimento das letras
na primeira série do ensino fundamental. Muito pelo contrário,
aquele que escreve deve estar sempre descobrindo novas formas de manifestação
e, nesse sentido, a conquista da escrita pressupõe o aproveitamento
de todo o repertório lingüístico numa aprendizagem
permanente, que nunca se conclui porque traz em si a possibilidade de
novas formas de manifestação.”
Mas uma importante ressalva a ser feita é sobre o papel central
dos significados variáveis que é que reduz os determinismos
das relações humanas e das concepções de desenvolvimento
que preconizam a ausência de papel da pessoa que recebe influência
do meio. Ao considerarmos que ocorrem interpretações distintas
em cada relação com o meio, converge-se para a possibilidade
maior de autonomia do sujeito. Sobre isso, Rosseti-Ferreira; Amorim e
Silva (2004) declaram que “O fato de os atributos e os sentimentos
de unicidade serem relacionados não implica uma ausência
de singularidade (...) cada uma das pessoas em interação
passou por experiências variadas anteriores”
Freire e Macedo (1990) criticam a alfabetização como aprendizagem
da língua padrão, enfatizando leitura técnica e habilidades
para escrita e denominam “abordagem acadêmica da leitura”,
a qual “ignora a experiência de vida, a história e
a prática lingüística dos alunos” e propõe,
como alternativa , a “idéia de que alfabetização
deve ser situada dentro de uma teoria de produção cultural
e encarada como parte integrante do modo pelo qual produzem, transformam
e reproduzem significado” os estudantes, ou seja, educar para a
consciência sobre a origem da informação que se recebe,
sempre fornecendo aos educandos o nome da fonte e parando para refletir
sobre ela, abrindo espaço para que se coloquem os significados
que cada um tem dela.
Portanto, a concepção de alfabetização que
se adota aqui é a colocada por Freire em 1990 de “parte do
processo pelo qual alguém se torna auto-crítico a respeito
da natureza historicamente construída de sua própria experiência.”,
que tem como imagem conseqüente a de que “Uma pessoa é
alfabetizada na medida em que seja capaz de usar a língua para
a reconstrução social e política”. Nesse mesmo
sentido, considera-se a descrição de Vygotsky (1924) de
que a palavra seja origem da conduta social e da consciência, a
qual tem gênese social (Freitas, 1999).
Nessa perspectiva de constiuição, Giroux (1990) coloca que
“Uma teoria radical da alfabetização e da voz deve
permanecer atenta à afirmação de Freire de que todos
os educadores críticos são também educandos.”
Finalmente, tendo em conta todas essas variabilidades de representação
e e questão do processo infindável que são o desenvolvimento
humano e a ressignificação é importante estar sempre
atento para as marcas que se colocam como rótulos entre educandos
e educadores pensando nas relações sócio-institucionais
que se podem configurar e que influência em trajetórias de
vidas podem haver lembrando do texto de Patto (1999).
Empoderamento: Associação entre os textos de Paulo Freire
e a teoria da promoção de saúde em escolas
Mas o que uma autora que tem por formação básica
a graduação em Fonoaudiologia, como essa que aqui escreve,
faz discutindo as necessidades de se considerar educandos e educadores,
bem como todos os participantes do processo educativo, como sujeitos de
um processo complexo e dialético? Essa formação instrumentaliza
o pensamento tanto nas áreas de Saúde, quanto na de Educação,
sendo o elo entre elas, nesse caso, a capacitação para lidar
com a linguagem e a preocupação com os efeitos da patologização
e atribuição de rótulos que pode ser conseqüente
da desconsideração das leituras de mundo que o educando
vinha fazendo que o podem conduzir a uma compreensão distinta da
proposta pelo educador. A atuação do fonoaudiólogo
na escla é embasada na Teoria da Promoção de Saúde
em Escolas da Organização Mundial de Saúde (WHO,
1997) que tem como um dos pressupostos o “empoderamento”,
o qual também é teorizado em livros por Freire e Macedo
(1990) que propõe que “empowerment deve ser um meio de possibilitar
que os alunos examinem e, seletivamente, apropriem-se daqueles aspectos
da cultura dominante que lhes oferecerão base para definir e transformar
a ordem social mais ampla, em vez de simplesmente servir a ela”.
Eles também afirmam que “a alfabetização oferece
uma precondição básica para a organização
e a compreensão da natureza socialmente elaborada da subjetividade
e da experiência, e para a avaliação de como o conhecimento,
o poder e a prática social podem ser moldados coletivamente a serviço
da tomada de decisões que sejam instrumentos para uma sociedade
democrática e não meramente concessões aos desejos
dos ricos e dos poderosos (...) Aprender-se sobre si mesmo como ser de
decisão e como um sujeito ativo do processo histórico”.
No mesmo livro, Giroux (1990) propõe “uma relação
dialética dos seres humanos com o mundo, por um lado, e com a linguagem
e com a ação transformadora, por outro. Dentro dessa perspectiva,
alfabetização não é tratada meramente como
uma habilidade técnica a ser adquirida, mas como fundamento necessário
à ação cultural para a liberdade. Em seguida, ele
questiona “de que modo a construção social dessas
experiências lhes proporcionam a oportunidade de dar sentido e expressão
a suas necessidades e vozes como parte de um projeto de empowerment”.
É nessa concepção que se atrela o pensamento de Rosseti-Ferreira;
Amorim e Silva (2004) de que “A configuração da rede
disponibiliza um conjunto de significados os quais se constituem como
mediadores de cursos prováveis da ação do conjunto
das pessoas participantes de uma situação (...) entende-se
que a pessoa, por um lado, vê-se imersa em um mundo semiótico
do qual não é possível escapar e ao qual se encontra
assujeitada, (...), por outro lado, dentro dos limites atribuídos
pelo mundo no qual a pessoa vive, em função da polissemia
de significações presentes, a pessoa tem a possibilidade
de dirigir sua interpretação mais para um do que para outro
sentido, havendo abertura para transformação de seus caminhos.”
Relações entre as concepções
críticas inerentes ao ensino e o impacto da aprendizagem da escrita
para o estudante
Retomando, pode-se acrescentar Colello (1995) afirmando que “ A
capacidade de ler e escrever não depende exclusivamente da habilidade
do sujeito em somar pedaços da escrita, mas antes disso, de compreender
como funciona (...) Do ponto de vista pedagógico, a questão
fundamental é saber como estimular a evolução das
concepções e a testagem das hipóteses. Muitos daqueles
que se propõe a aplicar as teorias de Piaget ou Emilia Ferreiro
em sala de aula, orientam as atividades para o nível em que o indivíduo
se encontra, não considerando o seu potencial para evolução”
Nessa mesma linha, Giroux (1990) preconiza uma “Noção
de alfabetização que estabelece relações de
poder e de conhecimento não apenas a o que os professores ensinam,
mas também aos significados produtivos que os alunos, com todas
as suas diferenças culturais e sociais, trazem para as salas de
aula como parte da produção de conhecimentos da construção
de identidades pessoais e sociais.” E defende que “o pedagógico
deve tornar-se mais político e o político mais pedagógico....
práticas pedagógicas, no primeiro caso, que reunam os professores,
pais e alunos em torno de visões de comunidade que seja mais emancipadoras”
Finalmente, ele propõe que “Como uma forma de produção
histórica, textual, política e sexual, a voz do aluno deve
radicar-se numa pedagogia que permita que os alunos falem e compreendam
a natureza da diferença como parte de uma tolerância democrática
e de uma condição fundamental para o diálogo crítico,
quanto do desenvolvimento de formas de solidariedade enraizada nos princípios
da confiança, do compartilhamento e num compromisso com a melhoria
da qualidade de vida humana (...) Os professores devem propiciar aos alunos
oportunidade de examinar diversas linguagens ou discursos ideológicos.
Conclusão
Diante da malha que se pretendeu tecer aqui, conclui-se que: as concepções
críticas podem transformar as práticas do ensino e o efeito
da aprendizagem, trazendo sentido para ambos, desde que como uso delas
se tenha em consideração os processos de significação
que o educando está construindo a fim de aproxima-lo da significação
do educador. Educar cidadãos críticos é desenvolver
as inferências, possibilitando perceber os conceitos implícitos.
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