Cibele Martins Lona - Escola de Educação
Especial “Anne Sullivan” - GEIV – Mantenedora (Grupo
Espírita “Irmão Vicente”)
A Escola de Educação Especial “Anne
Sullivan” é uma Escola Bilíngüe para crianças
surdas, (surdez severa e profunda), reconhecida pelo MEC como Escola Regular,
modalidade: Especial, situada no município de Campinas –
SP.
Tem como Entidade Mantenedora o Grupo Espírita “Irmão
Vicente”, que tem possibilitado ao longo destes 31 anos, o trabalho
com crianças e jovens surdos.
É uma Escola Particular Filantrópica, que atende todos os
alunos gratuitamente.
Atualmente a Escola “Anne Sullivan” funciona com os cursos
de Educação Infantil e Ensino Fundamental de 1ª e 4ª
séries e Apoio Pedagógico para alunos de 1ª a 6ª
séries que freqüentam a escola regular comum.
Como escola Bilíngüe, tem como primeira língua (L1)
a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e como segunda língua
(L2) a Língua Portuguesa.
Ao ler os enunciados dos problemas matemáticos, o aluno surdo precisa
fazê-lo na Língua Portuguesa e em sua grande maioria os alunos
surdos não têm um grande vocabulário na mesma, o que
prejudica a devida interpretação e resolução
do problema.
Então constata-se: o aluno surdo não consegue resolver o
problema, não porque não tenha raciocínio lógico
matemático, mas porque o seu desempenho em L2 (Língua Portuguesa)
é restrito.
Para superação de tal dificuldade a equipe da Escola “Anne
Sullivan” utilizou-se do desenho. O que parece tão simples,
tão óbvio e nem sempre o é.
Algumas etapas foram observadas pelo professor para a aplicação
das situações problema na forma escrita:
• Domínio do cálculo matemático. O aluno precisa
saber realizar as quatro operações aritméticas;
• Apresentação do problema em L1 (LIBRAS) com o auxílio
do concreto e da dramatização;
• Simplificar o enunciado em L2 (ex: acrescentou, aumentou por “tem
mais” ou “ganhou”);
• Apresentação do problema em L2 (Língua Portuguesa),
início do trabalho de leitura do enunciado;
• Ordenar, com o auxílio do desenho os dados apresentados
no enunciado. Através do desenho faz-se a interpretação
do enunciado e concomitantemente resolve-se o problema;
• Resolução do problema;
• Responder às questões propostas.
Primeiro familiariza-se o aluno com um enunciado de palavras que ele conhece
e consegue interpretar para aí sim utilizar o raciocínio
lógico matemático para a resolução do problema.
Posteriormente os problemas vão ficando mais elaborados , no uso
do raciocínio lógico matemático e o uso de frases
e perguntas intermediárias são necessárias para a
maior compreensão do aluno.
Finalmente depois de dominado o raciocínio lógico
matemático na resolução do problema, apresenta-se
o enunciado mais elaborado na L2 (Língua Portuguesa), para que
o aluno possa com atenção resolver o problema tendo, como
apoio da L1 , o desenho.
Portanto constatou-se que a tradução do enunciado de problema
matemático da L2 para a L1 tendo como mediador o desenho, proporcionou
maior compreensão e aprendizagem aos alunos surdos.
Bibliografia:
GOÉS, M.C. R. Linguagem surdez e educação.
Campinas, Autores Associados, 1996
KAMII, Constance A Criança e o número, São Paulo,
Papirus, 1999.
QUADROS, R.M. de Educação de Surdos: a aquisição
da linguagem. Porto Alegre, Artes Médicas, 1997.