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SUBSÍDIOS PARA A FORMAÇÃO DO PEDAGOGO: ESTÁGIO, LEITURA E CONHECIMENTO

Adriana Evaristo Pinheiro (UERJ/FE)

A formação do profissional da educação, pedagogo, é de extrema importância para a promoção da educação social. O pedagogo “atua em várias instâncias da prática educativa direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos de transmissão e assimilação de saberes e modos de ação, tendo em vista objetivos de formação humana previamente definidos em sua contextualização histórica”. (LIBÂNEO, 1999, p. 52). Desta forma, é necessário que Cursos de Pedagogia invistam em formar profissionais qualificados para atuar nas várias instâncias e modalidades da educação, capazes de atender às demandas educacionais atuais, tendo em vista a mudança de perfil profissional proveniente de transformações tecnológicas e científicas, e da reorganização dos sistemas de trabalho. Devem ser formados pedagogos habilitados a exercer função nas mais diferentes esferas institucionais desenvolvendo pesquisas, definindo políticas educacionais, atuando em empresas, movimentos sociais, editoras, nos serviços de psicopedagogia etc.
O Curso de Pedagogia encontra-se constantemente em discussão, quanto aos conteúdos teóricos dos campos de conhecimento que o envolvem, e a formação intelectual e profissional do pedagogo. Movimentos e organizações de educadores, desde a década de 80, vêm debatendo sobre o Curso de Pedagogia e Licenciaturas, tendo suas mudanças restritas apenas a alterações na grade curricular dos cursos. No VI Encontro Nacional da ANFOPE (Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação), quando se discutia o papel da Faculdade de Educação, Libâneo propôs que se deveriam oferecer dois cursos distintos, o de Pedagogia e o de Licenciatura para a formação de professores de Ensino Fundamental e Médio. Segundo essa proposta, o pedagogo seria um profissional especializado em estudos e ações relacionados com a ciência pedagógica, pesquisa pedagógica e problemática educativa, abordando o fenômeno educativo em sua multidimensionalidade. Esse curso ofereceria formação teórica, científica e técnica para sua atuação em diferentes setores de atividades. Tal proposta não foi votada, tendo como justificativa o fato de não se adequar aos princípios definidos pelo movimento de reformulação dos cursos de formação de educadores que, em princípio, defendem a necessidade da formação docente, antes de qualquer outra, quando se trata da tarefa educativa: ou seja, é impossível atuar como pedagogo se não se conhece o trabalho docente, especialmente no caso de escolas.
Historicamente, vê-se que a primeira regulamentação do curso de Pedagogia no Brasil se deu em 1939, com a formação do bacharel em Pedagogia. Posteriormente, a legislação mantém o curso de bacharelado para a formação de pedagogos e regulamenta as licenciaturas, e a última regulamentação existente, abole a distinção entre bacharelado e licenciatura, mas mantém a formação de especialistas nas várias habilitações, com a idéia de "formar o especialista no professor", e o formado em Pedagogia passa a receber o título de licenciado (LIBÂNEO, 1999).
Na segunda metade dos anos 1970, houve outras iniciativas de reformular o curso de Pedagogia e as Licenciaturas. A partir dos anos 1980, ocorre o movimento de reformulação do curso de formação do educador, que propunha não diferenciar a formação do professor e do especialista, reafirmando a idéia de que o curso de Pedagogia é uma Licenciatura. Em meados da década de 80, algumas Faculdades de Educação suspenderam ou suprimiram as habilitações convencionais (administração escolar, orientação educacional, etc.), para investir num currículo centrado na formação de professores para as séries iniciais do Ensino Fundamental e para o Curso de Magistério. Tal iniciativa teve justificativa na concepção de que, ao instituir as habilitações, estaria introduzindo na escola a divisão do trabalho e o controle, segundo o modelo de administração capitalista, fragmentando a prática pedagógica. É importante lembrar que, tanto o movimento do escolanovismo quanto o do "tecnicismo-educacional" tendem a uma visão cientificista do educativo, a psicologização da atividade escolar retirando da Pedagogia seu caráter formativo e de disciplina integradora de vários enfoques de análise do educativo. Em meados da década de 1970, educadores unem-se em torno da teoria da reprodução e das teorias críticas da sociedade, para fazer a crítica da educação no capitalismo, dando lugar para uma teoria sociopolítica da educação, considerando que a Pedagogia numa sociedade de classes seria o próprio modo de ser da ideologia dominante, sendo a escola reprodutora dos antagonismos de classes sociais. Já nos anos 1980, o movimento pela revalorização da escola pública busca saída para a crise da escola brasileira, também a partir de um posicionamento crítico em relação ao capitalismo. Tal movimento entende a escola como lugar de luta hegemônica de classes, de resistência, de conquista de cultura e da ciência como instrumento de luta contra as desigualdades sociais do sistema capitalista.
Hoje, é quase unânime entre os estudiosos a idéia de que as práticas educativas estendem-se às mais variadas instâncias da vida social, não se restringindo à escola e a docência, sendo vasto o campo profissional do pedagogo. O fenômeno educativo é um aspecto que abarca fatores da realidade social, possíveis de serem explicados, compreendidos a partir de conceitos e proposições, tendo na Pedagogia a teoria e reflexão sobre ele, relacionando-o com outros aspectos. Esta, portanto, constitui um campo de investigação específico, que tem como fonte a prática educativa e os aportes teóricos de ciências da educação, para a compreensão dos problemas educacionais (LIBÂNEO, 1999). Tais conhecimentos obtidos das ciências da educação quando são relacionados ao fenômeno da educação tornam-se conhecimentos pedagógicos. Assim, é possível à Pedagogia, por meio desses suportes, alcançar de forma mais globalizante os problemas educativos que requerem abordagem pluridisciplinar. A atividade pedagógica envolve dimensões da teoria científica e da prática, reflexão e ação, logo, reduzir o trabalho pedagógico ao docente, tem sido um obstáculo ao desenvolvimento dos estudos propriamente pedagógicos, resultando no empobrecimento da investigação pedagógica específica, no vazio teórico da formação profissional e na desvalorização da formação pedagógico-didática dos licenciados. E, segundo Libâneo (1999), "Pedagogia como ciência que, enquanto prática, não possui seu sentido em si mesma, mas na humanização da práxis”.
Percebendo, desta forma, a relevância da boa formação deste profissional para se fazer partícipe de várias esferas institucionais, e se apropriar dos meios pedagógicos, observa-se que a formação do pedagogo não é atribuição específica e exclusiva da universidade. Os espaços proporcionados pelas situações cotidianas, oportunidades de estágio, produções acadêmicas ou socioculturais possuem um caráter amplamente formativo, funcionando como um espaço aberto, tanto intramuros quanto extramuros à universidade, onde é possível se adquirir/produzir conhecimentos consideráveis na educação.
De posse dessa idéia, gostaria de destacar, portanto, o estágio como possibilidade de se exercer a prática, condição necessária para a reflexão e ação da teoria. Pimenta (1997, p. 73-74), resgatando o documento Proposta para uma Política de Estágio Curricular dos Cursos de Formação do Educador, elaborada na Secretaria de Educação de Pernambuco (1989), retira desse texto três princípios norteadores do estágio, dos quais destaco o segundo, que a autora apresenta como não se resumindo à “aplicação imediata, mecânica e instrumental de técnicas, rituais, princípios e normas aprendidas na teoria”. Diz, então o documento: "A prática não se restringe ao fazer, ela se constitui numa atividade de reflexão que enriquece a teoria que lhe deu suporte. O estágio é um processo criador, de investigação, explicação, interpretação e intervenção na realidade” (SEC PE, 1989, p. 13 apud PIMENTA, 1997, p. 74). Os estágios supervisionados funcionam com a finalidade de aproximar o aluno à realidade em que irá atuar, aproximando-o também à teoria estudada anteriormente, tendo em vista que, geralmente, ocorrem em final de curso, quando o aluno já possui algum embasamento teórico. As disciplinas fornecem conhecimentos para a compreensão dos determinantes dessa prática, possibilitando um aprofundamento de questões ligadas ao conteúdo do curso. Na prática de ensino, o estágio passa a ser um retrato vivo da prática docente, em que o professor-aluno, a partir dessa experiência, terá muito a dizer e ensinar aos seus colegas e aos seus alunos, construindo suas identidades profissionais, individuais e coletivas, inclusive mediante discussão coletiva, mediada pelo professor, destacando questões do cotidiano, realizando análise de implicações sociais, econômicas, culturais e ideológicas, conforme afirma PIMENTA (2004, p. 127). Esta autora ainda aponta a necessidade de esses estagiários investigarem a própria atividade pedagógica, e assim transformarem seu saber fazer docente numa contínua construção e reconstrução de suas identidades, a partir da significação social da profissão, do significado que atribui à docência, e nas relações com outras instituições como sindicatos etc. O estágio, portanto, é considerado como espaço de desenvolvimento profissional e formação contínua. De acordo com o documento final do IX Encontro Nacional da ANFOPE que aconteceu em Campinas, é indispensável "reforçar o papel das Universidades na formação dos profissionais da educação, pela sua universalidade e compromisso com a investigação e a pesquisa e principais responsáveis pela produção do conhecimento na área educacional".
Assim, como objeto de estudo do presente texto, gostaria de elucidar a experiência adquirida ao desempenhar função como bolsista de estágio interno complementar na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, e destacar como leitura e conhecimento foram fundamentais no estágio, em subsídio à minha formação de pedagoga, e como tomo consciência desse processo de formação, na vivência dessa experiência.
O Estágio Interno Complementar faz parte de uma das cinco modalidades de bolsa que a UERJ oferece em seu quadro acadêmico, para os alunos, a saber: iniciação à docência, iniciação científica, monitoria, extensão, estágio interno complementar. “O Programa de Bolsas de Estágio Interno Complementar tem como objetivos proporcionar a realização de atividades práticas na linha de formação profissional do estudante, na UERJ, visando a integração de conhecimentos teórico-práticos e o desenvolvimento da competência técnico- científica." (<http://www.uerj.br/>). A universidade assume papel fundamental na universalização de saberes, de produção de conhecimentos e de oferecimento à sociedade de espaços de interlocução que promovam a possibilidade de repensar políticas e projetos sociais mais justos e igualitários.
Tive a oportunidade de estagiar no Círculo de Estudos em Educação de Jovens e Adultos - CEJA, que abarca vários projetos relacionados à Educação de Jovens e Adultos, dentre eles o Afirmando Espaços na EJA do qual fiz parte, e que foi instituído com o objetivo de contribuir para a constituição do Espaço Paulo Freire (sala que abriga o CEJA), como referência na área de EJA, na Faculdade de Educação, Curso de Pedagogia. O Espaço Paulo Freire possui alguma documentação, acervo vinculado à história da Educação de Jovens e Adultos em âmbito nacional e internacional, conservados em estantes e armários. Desempenhei a função de organizar, catalogar e disponibilizar, aos interessados, o acervo.
Ao iniciar o estágio, a primeira atividade foi separar os documentos relacionados a projetos na área de EJA e referentes a políticas públicas. Reconhecendo a importância do material ser separado/selecionado por temas, tipos ou estruturas de documentos (como, por exemplo, projeto), utilizei como método: selecionar documentos comuns; formular dados de catalogação; criar banco de dados utilizando o software Microsoft Access; selecionar e catalogar documentos por tema ou assunto; confeccionar etiquetas para sinalizar e facilitar a localização dos materiais catalogados; elaborar formulários impressos direcionados ao empréstimo; criar o Modo Consulta no Microsoft Access, com a finalidade de disponibilizar o acervo ao público. Ao criar o formulário e pesquisar os dados em fontes como normas da ABNT, para realizar a catalogação, aprendi a reconhecer desde as diferentes estruturas e dados que compõem cada tipo de documento, até manusear o software Microsoft Access, ressaltando, a partir daí, a importância da pesquisa na atividade prática para que se forme um profissional capaz de lidar com as diferentes circunstâncias e situações que a prática pedagógica exige. A execução dessas tarefas tornou possível o desenvolvimento da autonomia, tanto no aspecto profissional quanto no social. Segundo Valle (2003, p. 3), autonomia é:
[...] capacidade de criar, desconhecida numa sociedade heterônoma que tende a produzir indivíduos que desconhecem e alienam esse poder criador em si mesmos, onde no campo educacional se reflete pela tentativa de controle, falsa noção de que o fenômeno educativo pode ser inteiramente explicado, controlado, predito pelas teorias, pela aplicação dos métodos, pelo recurso às técnicas.
Até a presente data foram catalogados 698 documentos que se encontram devidamente conservados e organizados, dentre os quais se tem, de acordo com dados estatísticos:
Por meio das tarefas desempenhadas, foi possível conhecer os projetos desenvolvidos pelas diferentes esferas de governo - federal, estadual e municipal -, assim como pelas instituições da sociedade civil, como ONGs, movimentos sociais, direcionados à educação de jovens e adultos trabalhadores (como a CUT), e de outros sujeitos, enfocados segundo perspectivas ideopolíticas de governos e instituições. Podem-se citar, como exemplos de projetos: Alfabetização Solidária, Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), Telecurso 2000, Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), PCNs etc. De revistas - do SEPE, Correio da UNESCO, Educação e Sociedade, ANFOPE etc.; cadernos, almanaques; documentos de teor legal - Diretrizes Curriculares Nacionais, Lei de Diretrizes e Bases etc.; boletins - CCS, Informação em Rede etc.); eventos - ANPED, IX Encontro Nacional da ANFOPE etc.; livros; pesquisas, relatórios, resumos; além de informações sobre temas travados em conferências internacionais como a Declaração de Educação Básica para Todos, em Jomtien/ Tailândia; Declaração de Hamburgo e Agenda para o futuro, na V CONFINTEA, em Hamburgo, Alemanha. Entendo que é importante que um futuro pedagogo seja informado e saiba sobre a legislação, sobre documentos de teor legal, bem como a história, objetivos e a realidade prática do compromisso desses com a sociedade, subsidiando-o a requerer/exigir ou fazer cumprir seus direitos, bem como gerir este conhecimento disseminado na sociedade.
Neste espaço desenvolvem-se outros importantes trabalhos/projetos com os quais foi possível estabelecer relação e interagir, como, por exemplo, o Fórum EJA/RJ que reúne instituições, movimentos e sociedade civil para discutir, num espaço informal, assuntos/questões que permeiam a Educação de Jovens e Adultos na atualidade; e o Projeto Educação, Vida e Trabalho direcionado a atender jovens e adultos não-escolarizados, ou que não completaram o primeiro segmento do Ensino Fundamental. Todos esses me possibilitaram uma melhor compreensão sobre os embates, avanços, experiências nessa modalidade de educação, e que ocorrem na atualidade.
Desta forma, o estágio constitui um espaço de grande enriquecimento para a formação do estagiário - futuro pedagogo e profissional da educação - e do leitor, destacando-se, neste caso em especial, a referência à leitura de textos informativos/científicos da educação de jovens e adultos, devido à quantidade de documentos relacionados a este tema no acervo. A disponibilidade, o acesso fácil e o contato permanente com o acervo/documentos tornaram possível a prática da leitura como uma atividade comum e indispensável ao meu cotidiano. É importante ressaltar que disponibilidade, nesse caso, é tomada enquanto presença física de materiais, e acesso, refere-se à oportunidade de participar de eventos da língua escrita (KALMAN, 2001), em que aquela estabelece influência ao tornar oportuno o acesso à leitura. Assim, a interação com os documentos buscando sua classificação e título temático despertou interesse e curiosidade sobre os vários campos de saber da educação, bem como a leitura de publicações de professores e de autores conhecidos, em artigos e livros em processo de catalogação, contribuindo para a construção do conhecimento, e funcionando como meio de obtenção de informação, oferecendo-me situações propícias para a minha formação como leitora. Em se tratando de leitura, estamos sempre aprofundando nosso aprendizado, “a cada novo texto lido, a cada novo conhecimento adquirido, a cada experiência que se vive, melhores leitores nos tornamos" (DE MARIA, 1994). Desta forma, a leitura, enquanto oportunidade de enriquecimento e acumulação de experiências, torna-se primordial na formação do ser humano. Segundo Soares (1988), a leitura é fundamentalmente processo político, e, portanto, profissionais como professores, educadores, bibliotecários que, independentemente de estarem comprometidos com as transformações da realidade social, ou conscientes da força de reprodução, do espaço das condições sociais de leitura desempenham papel político, porque comprometidos com a realidade social. Portanto, pode-se refletir que o conhecimento acadêmico não é um conjunto de informações isolado ou estático, é manifestado no processo de investigação do real. Não se constitui, por isso mesmo, apenas como produto, conhecimento sistematizado, elaborado, pronto, mas também como processo, trajetória de elaboração de conhecimento sobre o real. Assim, o conhecimento vem do sujeito, da experiência, do sentido que o objeto faz do real. O conhecimento chega às instituições, escolas "racionalmente produzido, elaborado e sistematizado por meio de um determinado processo de investigação, realizado no contexto de uma dada concepção de mundo” (LEITE, 1994, p. 13). Os processos de conhecimento e de aprendizagem possuidores de grande valor formativo, enquanto processo geral de socialização têm, na universidade, infra-estrutura para o desenvolvimento do ensino, da pesquisa e da extensão como recurso humano e físico, formando cidadãos para intervirem crítica e produtivamente na sociedade. Ao proporcionar oportunidade de estágio, a universidade permite a vivência das teorias aprendidas, para ressignificá-las em novos momentos, cumprindo, deste modo, o papel formal a ela atribuído pela sociedade, ou seja, como local de produção de conhecimento e de formação humana.
Percebe-se que o estágio, a partir da minha experiência, pode ser um campo de favorecimento de investigação/pesquisa das várias fontes documentais referentes à educação, e de construção de conhecimentos nas suas mais diferentes esferas ou formas de se constituir, e por estar no intramuros da universidade possibilita o acompanhamento/orientação dos professores em relação à produção acadêmica, inclusive. Reconhece-se a importância da prática pedagógica na formação do futuro pedagogo, expandindo seu campo de conhecimento sobre o fenômeno educativo, a partir de sua própria experiência. Desta forma, entende-se que no estágio curricular se amplia o campo de experiência e de atuação do aluno, possibilitando o desenvolvimento de habilidades; preparando e formando, antes mesmo de cursar os estágios curriculares de final de curso, além de complementar ainda mais essa formação, visto o caráter interdisciplinar da educação, a multiplicidade de enfoques e de análises, que caracterizam o fenômeno educativo. Para isso, faz-se necessário, portanto, que o pedagogo tenha uma formação vinculada intensamente à sua abrangente atuação.
Nesse sentido, o projeto de Estágio Interno Complementar desenvolvido no Espaço Paulo Freire, ofereceu-se como um campo fértil para exercitar o desenvolvimento e a formação técnica e acadêmica de futuros profissionais, propiciando a vivência e a inclusão progressiva em projetos de pesquisa e de extensão, possibilitando melhor compreender a realidade da educação. Torna possível, ainda, a formação de um pedagogo-leitor, dada a importância de sua atuação para contribuir na constituição de uma sociedade alfabetizada e letrada, capaz de possibilitar a leitura polissêmica, com oportunidades suficientes que favoreçam a reflexão e a elaboração de pensamentos cada vez mais complexos - exigência para a inserção dos trabalhadores no mercado de trabalho, no presente século, onde as transformações ocorrem num curto espaço de tempo, e que necessita, portanto, de profissionais sempre prontos a assumir novos saberes. Eis aí o compromisso dos pedagogos/educadores para com a sociedade, e com sua própria formação continuada, tendo no estágio, na leitura e no conhecimento subsídios iniciais indispensáveis a essa formação.

Referências bibliográficas
ANFOPE. Documento final. IX Encontro Nacional da Associação Nacional pela Formação de Professores. Campinas, São Paulo: 1998.
LEITE, Siomara Borba. Considerações em torno do significado do conhecimento. In: MOREIRA, Antônio Flávio Barbosa (org.). Conhecimento educacional e formação do professor - questões atuais. São Paulo: Papirus, 1994.
LIBÂNEO, José Carlos. Pedagogia e Pedagogos para quê? 3. ed. São Paulo: Cortez, 1999.
DE MARIA, Luzia. Constituição do leitor. In: Leitura, saber e cidadania. Anais do Simpósio Nacional de Leitura. Rio de Janeiro: PROLER: Centro Cultural Banco do Brasil, 1994.
MARQUES, Mario Osório. A formação do profissional da educação. Ijuí: Ed. UNIJUÍ, 2000.
KALMAN, Judith. O acesso à cultura escrita: a participação social e a apropriação de conhecimentos em eventos cotidianos de leitura e escrita. In: OLIVEIRA, Inês Barbosa, PAIVA, Jane (orgs.). Educação de Jovens e Adultos. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
PIMENTA, Selma Garrido. O estágio na formação de professores: unidade teoria e prática? 3. ed. São Paulo: Cortez, 1997.
PIMENTA, Selma Garrido, LIMA, Maria Socorro Lucena. Estágio e docência. São Paulo: Cortez, 2004. (Coleção Docência em formação. Série Saberes).
SOARES, Magda. As condições sociais da leitura: uma reflexão em contraponto. In: Leitura: perspectivas interdisciplinares. São Paulo: Ática, 1988.
VALLE, Lílian do. Enigmas da Educação: o aluno, o mestre, o conhecimento, a emancipação. A concepção filosófica da educação. Rio de Janeiro: UERJ, 2003. (mimeo).
UERJ. <http://www.uerj.br/> . Acesso em 1 de julho de 2005.

 
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