SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 1
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 11
TÍTULO: MÓDULOS VIRTUAIS PARA AUXILIAR NA EJA
AUTOR(ES): ADRIANA DO NASCIMENTO ARAÚJO MENDES, ANA LUCIA DO NASCIMENTO SOUSA, MARIA DOROTHEA CHAGAS CORREA
RESUMO: Este é um relato do trabalho desenvolvido com um grupo de alunos da EJA em parceria entre a educadora Ana Lúcia Sousa, a Escola Aletheia e o projeto Conexão do Saber do Larcom/Unicamp. A parceria foi estabelecida em 2007, quando os alunos da EJA passaram a frequentar o Laboratório de Informática da Escola Aletheia para reforçarem suas oportunidades de aprendizagem com o auxílio de módulos educacionais (aulas virtuais lúdicas) desenvolvidos pelo Larcom. A educadora desenvolve seu trabalho partindo da vivência de cada aluno, como, por exemplo: assinar o próprio nome em um benefício, ler a Bíblia, ler o número do ônibus, entender a conta do supermercado etc. Quando a educadora propôs as idas ao Laboratório de Informática, inicialmente foi uma decepção para os alunos. Porém, hoje, constata-se que eles querem aproveitar ao máximo cada minuto que estão lá. Além de ser um momento de aprendizagem, seja de reforço do que já foi visto ou de novidade, é também um momento muito prazeroso, que contribui para resgatar sua auto-estima. Há o cuidado na escolha prévia dos módulos a serem utilizados, feita pela equipe do Larcom, coordenada pela professora Dorothea, de forma que há muita similaridade do que se trabalhou em aula e do que é feito no Laboratório. São utilizados módulos de alimentos, trânsito, dias da semana, entre outros, com utilização de animações, exercícios dinâmicos e divertidos, que colaboram para a aprendizagem. A inclusão digital tem sido um dos pontos relevantes nas conquistas deles e percebe-se que as atividades do Conexão contribuem para um salto qualitativo no conhecimento: uma tarefa que antes levava muito tempo para ser realizada, agora é feita rapidamente. A ida ao Laboratório, além de contribuir para a aquisição da leitura e da escrita é a descoberta de um outro mundo, que contribui para restaurar sonhos.
PALAVRAS-CHAVE: AULAS VIRTUAIS, PROJETO CONEXÃO DO SABER, INCLUSÃO DIGITAL
TÍTULO: O QUE SE APRENDE APRENDENDO A LER? UMA EXPERIÊNCIA NA UENF
AUTOR(ES): ALCIMERE MARIA DA MATA SIQUEIRA, GERSON TAVARES DO CARMO, LUIZ OTAVIO NEVES MATTOS
RESUMO: É a universidade um grande celeiro de conhecimentos, lugar onde se produz e circula saberes. E foi nesse ambiente que olhares atentos e sensíveis nos revelaram uma grande contradição: o analfabetismo permeando o academicismo. Sensibilizados para dividir esse espaço de trocas de conhecimentos com um público, alheio e “distante” ao de uma Universidade, o grupo da disciplina de Fundamentos da Alfabetização elaborou um “Projeto de Alfabetização para Adultos” que foi levado a efeito entre março e dezembro de 2008. Esta foi uma iniciativa que esteve associada às leituras e reflexões sobre o tema e que nos fez comprometidos com o analfabetismo absoluto e funcional com que viviam e, ainda, vivem alguns funcionários da empresa responsável pela limpeza da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). A alfabetização e o letramento fazem parte de uma atitude pedagógica e política que invade a estrutura de compreensão de mundo das pessoas, ampliando essa relação, possibilitando a autonomia e a cidadania. Todo processo educativo provoca mudanças. Mas a alfabetização é desvendamento, é inserção, é possibilidade de maior interação entre o universo do sujeito e o mundo de todos. Essa experiência fez perceber, daquelas mulheres, (pois que o único homem da turma teve que abandonar, mais uma vez, por motivos de trabalho) que seus direitos à educação lhes haviam sido confiscados, para que, com a labuta, pudessem contribuir no sustento de suas famílias. Assim, marcas negativas, para além da posição que ocupavam no mundo do trabalho, abriam lacunas em suas relações consigo e com o mundo. Estar no próprio ambiente funcional, em posição diferente, agora como alunas, como a grande maioria dos frequentadores daquele ambiente universitário, era motivo de orgulho e de elevada auto-estima.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, ALFABETIZAÇÃO, AUTOESTIMA

TÍTULO: IDENTIFICANDO OS SUJEITOS DA EJA
AUTOR(ES): ALESSANDRA FONSECA FARIAS
RESUMO: A Educação de Jovens e Adultos, neste país, é resposta a uma demanda de mais de 14 milhões de analfabetos, de 31 milhões de analfabetos funcionais e de jovens e adultos maiores de 15 anos sem o ensino fundamental completo. Cresce entre a população jovem e adulta excluída do sistema escolar regular a consciência do direito à educação, porém isso ainda não é garantia de que seja cumprida a Lei. É preciso identificar quem são os sujeitos que foram excluídos do sistema regular de ensino e excluídos também da sociedade, pois o analfabeto é incessantemente oprimido em tarefas corriqueiras do dia-a-dia. Conhecendo esses sujeitos ficará mais fácil assegurar a eles políticas públicas voltadas à educação de adultos que atendam a demanda e lhes possibilitem o acesso à cultura letrada e, neste processo, lhes devolva a dignidade e direito de cidadãos. A maioria das pessoas analfabetas não teve acesso à escola ou foi excluída dela, o que faz de sua história de fracasso um motivo relevante para não retomar seu percurso educativo. Cabe à EJA repensar o papel para mobilizar esses sujeitos e trazê-los de volta à escolarização, tendo o cuidado de não repetir modelos de educação infantilizados. A perspectiva de formar leitores e escritores autônomos vai muito além do que tem sido observado em muitas práticas de alfabetização. O mundo contemporâneo exige o leitor de diversos códigos, capaz de interpretar e lidar com tecnologias, campo em que sujeitos jovens e adultos são competentes. Por isso a educação popular há de assegurar aos jovens e adultos que conhecimentos diversos lhes sejam transmitidos, não só a decodificação do código linguístico, mas também saberes da cidadania, da tecnologia e de tudo o que se torna indispensável no bom desenvolvimento social dos indivíduos.
PALAVRAS-CHAVE: SUJEITOS DA EJA, ESCOLARIZAÇÃO, CIDADANIA

TÍTULO: FÓRUNS DE EJA: MOBILIZAÇÃO NA LUTA PELO DIREITO À EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): ALINE CRISTINA DE LIMA DANTAS
RESUMO: A educação de jovens e adultos, ao longo da história do país, evidencia o insuficiente empenho do Estado na promoção de políticas que garantisse o direito de todos à educação. A luta atual pela EJA vai além da dívida social a ser reparada pelo Estado, mas acontece, principalmente, para afirmá-la como um direito. Na atualidade, esta luta tem como expressão os Fóruns de EJA. Estes se constituem como uma articulação de diversos atores que se propõe discutir temas como: alfabetização, formação de professores, qualificação profissional de jovens e adultos etc. Esta mobilização luta por políticas públicas para a EJA que efetivem o direito à educação independente da idade enunciado na Constituição. A presente pesquisa pretende compreender como os Fóruns tem se mobilizado na luta pelo direito à educação e por políticas públicas para jovens e adultos. Supõe-se que esses novos sujeitos coletivos passaram a pautar, modificar e interferir nas agendas políticas, promovendo embates que têm, no diálogo, forte identificação. O estudo tem seu destaque pelo reconhecimento dos Fóruns como interlocutores legítimos das instâncias ministeriais. Os dados parciais da investigação apontam a existência de 26 fóruns estaduais e um no Distrito Federal, além de 52 fóruns regionais que estão desempenhando papel expressivo na atualidade, na articulação com o poder público na formulação de políticas públicas de direito para área.
PALAVRAS-CHAVE: FÓRUNS DE EJA, DIREITO À EDUCAÇÃO , POLÍTICAS PÚBLICAS

TÍTULO: REPRESENTAÇÕES DISCURSIVAS DE VITIMA E OFENSOR EM PROGRAMAS DE JUSTIÇA RESTAURATIVA
AUTOR(ES): ANA BEATRIZ FERREIRA DIAS
RESUMO: A criminalidade e a violência são duas das questões que mais têm preocupado e mobilizado grande parte do mundo contemporâneo. Diante desse quadro social, observamos uma proliferação, nos últimos vinte anos, de diversos programas de justiça restaurativa, como uma forma alternativa de lidar com os vários tipos de conflitos. A justiça restaurativa, além de ser uma forma não violenta de lidar com os conflitos, é um novo modelo de justiça (embora não vise substituir o modelo em vigor) que tem como foco as relações sociais prejudicadas por uma infração e as necessidades dos participantes, e não na definição de culpados e punições. Os participantes dos processos restaurativos, diferentemente do sistema convencional de justiça (o retributivo), não estão centrados no ofensor, mas incluem também a vítima, familiares e amigos desses dois envolvidos principais. Em Porto Alegre (RS), as práticas restaurativas vêm sendo testadas de forma sistemática desde 2005 nas políticas públicas de atendimento a criança e o adolescente, através da instância da 3ª Vara do Juizado da Criança e do Adolescente (3ª VJRIJ de Porto Alegre). Tendo como base a experiência dessa capital, a presente pesquisa, em andamento, inserida nos área dos Estudos Linguísticos tem como objetivo principal descrever, analisar e interpretar as imagens construídas pela vítima e pelo ofensor nos seus discursos (ethos discursivo) sobre os seus papéis sociais, como fenômenos linguísticos significativos na busca da compreensão mútua entre eles. Para tanto, tomaremos como corpus os discursos enunciados durante um Círculo Restaurativo, que consiste em um encontro formal entre ofensor, vítima, comunidade e coordenador na busca de pacificar o conflito decorrente de um ato de infracional. Os discursos do Círculo Restaurativo que analisaremos integram as atividades do Projeto Justiça Para o Século 21, responsável por implantar práticas restaurativas também no âmbito da 3ª VJRIJ de Porto Alegre.
PALAVRAS-CHAVE: JUSTIÇA RESTAURATIVA, DISCURSO , REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 2
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 11
TÍTULO: A PRÁTICA DISCURSIVA NA EJA NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO
AUTOR(ES): ANA CRISTINA SALLES DIAS
RESUMO: Este trabalho foi realizado no curso de especialização em Alfabetização e Letramento da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas. Como eixo central problematiza as metodologias utilizadas na EJA em eventos e práticas de letramento e suas possibilidades de interação entre alunos e professor no processo de alfabetização. Neste espaço, professores e alunos mediados, constituídos e transformados pela linguagem, constroem ativamente o sentido do mundo. É discutida a importância dos eventos e práticas de letramento e a sua união com as práticas mais amplas que envolvem a fala, interações, crenças e valores. Partindo de tal premissa, este estudo propõe refletir sobre estes aspectos, pois, os alunos da EJA, no processo de aprendizagem da leitura e escrita, passam por situações conflitivas principalmente quando envolvem substituições de práticas discursivas orais que até então eram funcionais para eles. No contexto educacional, muitas vezes nos deparamos com situações que ao invés de proporcionar o ensino das várias funções da língua, encontramos práticas de substituição da escrita pela fala. Durante a realização da pesquisa de campo foi possível constatar através da prática interacional as formações discursivas constituintes do espaço observado. Fundamentado pelas concepções de: diálogo e consciência crítica (FREIRE), interacionismo dialógico (VYGOTSKY), dialogismo (BAKHTIN), prática discursiva (PÊCHEUX, FOUCAULT), contexto histórico e narrativas (BENJAMIM) verifica-se que no ambiente interacional, o individual e social estão em contínua articulação. A construção do conhecimento é produzida de maneira conjunta, as ações são partilhadas, convergentes entre si. Neste processo, todos têm possibilidade de falar, formular hipóteses e chegar a conclusões que favoreçam a construção do saber. Sendo assim destaca-se a relevância da prática discursiva como fundamento metodológico das propostas direcionadas a EJA.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, ANÁLISE DO DISCURSO

TÍTULO: A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS E A EDUCAÇÃO PERMANENTE
AUTOR(ES): ANA LUCIA TOMAZ CARDOSO
RESUMO: O presente texto tem por objetivo contribuir no debate sobre a Educação de Jovens e Adultos no Brasil, centrando a discussão na Educação Permanente, tema recorrente nos documentos orientadores da UNESCO, a partir dos anos 1970, tendo como fio condutor a questão escolarização versus in(ex)clusão no mundo do trabalho, no contexto da globalização do capital. Considera-se tal procedimento necessário porque se parte do pressuposto de que as questões tratadas nesta pesquisa devem ser contextualizadas no tempo e no espaço histórico em que foram produzidas para que a análise possa ser realizada por mediações entre as esferas do particular e da totalidade. A Educação Permanente apareceu como uma nova perspectiva de educação no intuito de aproximar a escola dos indivíduos, quebrando limitações temporais e abrindo espaço nas escolas ao meio social, político, econômico e cultural no qual o individuo está inserido. Para que isso ocorra se fará a análise dos documentos selecionados, estabelecendo um diálogo crítico com as fontes primárias e secundárias, buscando apreender os fundamentos teóricos e ideológicos nelas enunciadas para ao final, traçar um perfil da educação permanente e sua influência na educação de jovens e adultos no Brasil, visando apreender o controle social que o capital exerce no mercado de trabalho e nas políticas educacionais.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, EDUCAÇÃO PERMANENTE, AGÊNCIAS MULTILATERAIS

TÍTULO: EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM EJA – REVISITANDO AS PRÁTICAS LEITORAS E ALFABETIZADORAS
AUTOR(ES): ANDREA DA PAIXÃO FERNANDES, DANÚBIA MELO DE SOUZA
RESUMO: O presente trabalho propõe uma releitura do projeto de extensão universitária “EJA – lendo, escrevendo e aprendendo com a sabedoria popular”, desenvolvido no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CAp-UERJ). O projeto em tela inaugura as ações no campo da alfabetização de jovens e adultos no CAp-UERJ, considerando, em sua concepção, a importância da valorização de saberes populares nos processos de aprendizagem e a apropriação da leitura e da escrita, na perspectiva do letramento. Dialogar com a multiplicidade e com a complexidade de saberes que os sujeitos jovens e adultos participantes do projeto levam para o contexto da sala de aula permite estabelecer interações e conexões capazes de viabilizar o processo de aprender-ensinar e, com isso, o da produção de conhecimento. Aprendemos com o outro e nas interações produzidas. Aprendemos, também, quando ensinamos, pois aprender-ensinar deve ser uma relação dialógica. Nesse sentido, concordamos com Paulo Freire quando ele afirma que alfabetizar é mais do que o processo mecânico ou técnico de repetição das palavras, mas é saber ler a palavra (e escrevê-la) tendo como referencial a cultura, numa perspectiva conscientizadora. Diante disso, o projeto “EJA – lendo, escrevendo e aprendendo com a sabedoria popular” se propõe a estimular a formação de leitores e escritores críticos e, para isso, investe nesse processo como ato de conscientização. Recorremos, para tanto, às memórias dos sujeitos participantes sobre suas trajetórias de vida e, a partir daí, enfocamos a leitura com significado e a escrita como produtora de sentidos para quem escreve: o estudante da EJA. Ao revisitarmos as práticas leitoras e escritoras, revisitamos o projeto em si, dialogando com o que aprendemos-ensinamos realizando, portanto, o registro da caminhada percorrida nesses quase cinco anos de sua existência.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO, MEMÓRIAS DE JOVENS E ADULTOS, CONSCIENTIZAÇÃO

TÍTULO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: POSSÍVEIS RELAÇÕES ENTRE A PSICOMOTRICIDADE E ESCRITA
AUTOR(ES): ANDRÉ RICARDO OLIVEIRA
RESUMO: Verifica-se atualmente um aumento significativo do número de matrículas para a Educação de Jovens e Adultos. A maioria desses indivíduos que retornam a escola depois de algum tempo trazem consigo dificuldades de aprendizagem na escrita. Paralelamente a esse dado de realidade, várias pesquisas vêm mostrando uma estreita relação entre desenvolvimento psicomotor e aprendizagem da escrita, principalmente, entre crianças. A partir dessas considerações, este trabalho pretendeu avaliar um grupo de jovens e adultos relativamente a dois elementos psicomotores, cuja influência sobre a escrita tem sido mais enfatizada: organização espaço-temporal e esquema corporal. Foram selecionados 16 indivíduos do terceiro período da Educação de Jovens e Adultos de uma escola de Paranavaí/PR, com idade entre 26 e 64 anos. A coleta dos dados foi efetuada por meio da Bateria Psicomotora de Vitor da Fonseca, revelando que quanto ao esquema corporal: 56,3% (9) dos sujeitos apresentaram desempenho compatível com o nível Deficitário; 31,2% (5), com o Dispráxico; e apenas 12,5% (2) com o esperado como Normal. Quanto à organização espaço – temporal, os dados foram similares: 50% (8) dos sujeitos encontravam-se no nível Deficitário, enquanto a outra metade pôde ser classificada como Dispráxicos. Os níveis de desenvolvimento psicomotor apresentados por esses sujeitos foram acompanhados por desempenho correspondente na área da escrita, conforme resultados do testes ADAPE. Concluímos que os resultados deste estudo confirmam os obtidos em trabalhos anteriores sobre a forte interação entre psicomotricidade e escrita, assim como ampliam para a faixa etária de jovens e adultos em fase de alfabetização a possibilidade de ser encontrada a mesma relação.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, PSICOMOTRICIDADE, ENSINO-APRENDIZAGEM
TÍTULO: AS PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES DE LEITURA DOS DETENTOS ALFABETIZADORES E ALFABETIZADOS NO COMPLEXO PRISIONAL DE APARECIDA DE GOIÂNIA.
AUTOR(ES): ANTONIO ARTEQUILINO DA SILVA NETO
RESUMO: Esta pesquisa tem como objetivo analisar o discurso dos detentos que, no período de julho de 2007 a junho de 2008, participaram de um processo de alfabetização dentro do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia e tentar compreender as suas práticas e representações de leitura, tendo como fontes privilegiadas a própria fala dos alfabetizadores e alfabetizados no ambiente do cárcere. Trata-se de uma pesquisa cuja metodologia e aporte teórico estão fundamentados na análise das representações discursivas a partir dos estudos de Bakhtin, Vygotsky, Foucault, Bourdieu, Certeau, Freire e Chartier, dentre diversos outros autores que também ajudaram a alicerçar cientificamente as constatações feitas ao longo do trabalho. A coleta dos dados para análise foi realizada no interior do Complexo Prisional que abrange a Casa de Prisão Provisória (CPP) e a Penitenciária Cel. Odenir Guimarães (POG), localizados no município de Aparecida de Goiânia, Estado de Goiás, a partir de experiências vividas durante e após o referido período em que aconteceram os trabalhos de alfabetização. A pesquisa consiste em uma análise crítica acerca das práticas e representações de leitura de jovens e adultos em regime de privação da liberdade, nela foram problematizadas as condições de precariedade em que foi realizado o trabalho de alfabetização no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Por fim, a pesquisa aponta para a situação do leitor interditado e para a necessidade do incentivo às práticas de leitura como componente de uma política pública de Educação de Jovens e Adultos dentro dos espaços prisionais existentes no Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, DETENTOS, ALFABETIZAÇÃO
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 3
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 12
TÍTULO: O ENSINO DA ESCRITA ALFABÉTICA EM LIVROS DE JOVENS E ADULTOS APROVADOS PELO PNLA-2007
AUTOR(ES): ARTUR GOMES DE MORAIS, JANE RAFAELA PEREIRA DA SILVA
RESUMO: Nosso objetivo foi analisar como os atuais livros de alfabetização aprovados pelo PNLA se propõem a ensinar a escrita alfabética. Para tanto, examinamos seis livros aprovados por aquele programa em sua edição de 2007, que se diferenciavam quanto à avaliação recebida em distintos aspectos ou eixos didáticos (repertório textual, ensino da escrita alfabética, compreensão de leitura, produção de textos). Concebendo a escrita alfabética como um sistema notacional – e não um código –, analisamos os exercícios que os alunos eram chamados a fazer, ao longo dos volumes, considerando o tipo de atividade cognitiva (identificar, contar, comparar, escrever, ler etc), a unidade lingüística (texto, frase, palavra, sílabas, fonema, letra) e a existência ou não de ajuda por parte do professor. Os resultados demonstraram que, tal como no caso dos novos livros destinados a crianças, os manuais de alfabetização aprovados pelo PNLA tendem a apresentar um variado repertório textual, com diversos gêneros de circulação social extra-escolar, embora a qualidade dos textos, em si, nem sempre seja assegurada. Quanto ao ensino da escrita alfabética, vimos que a maioria das obras pouco levava os aprendizes a refletir sobre as propriedades do sistema alfabético e que nem todas asseguravam um ensino sistemático das correspondências som-grafia. Havia, por outro lado, pouco ou nenhum investimento na escrita espontânea dos alunos. Ao longo das unidades didáticas, exercícios idênticos, envolvendo repetição e respostas únicas, tendiam a repetir-se sistematicamente. Os resultados sugerem que os autores de livros para alunos iniciantes da EJA têm sido mais influenciados pelos discursos ligados ao letramento e que o ensino da notação escrita ainda parece preso a concepções associacionistas de aprendizagem.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DA ESCRITA ALFABÉTICA, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LIVRO DIDÁTICO
TÍTULO: NOVAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: QUEM USA A FAVOR DE QUEM E PARA QUÊ?
AUTOR(ES): BIANCA MARIA SANTANA DE BRITO
RESUMO: Trata-se de uma pesquisa sobre os usos educativos das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) na educação de jovens e adultos (EJA), com objetivo de subsidiar as políticas públicas e a formação de professores. As TICs impactam diversas dimensões da vida social contemporânea e sua incorporação aos processos de ensino tem sido amplamente recomendada. Logo as políticas públicas de educação passaram a prever a aquisição de equipamentos e programas, e a formação de professores para sua utilização pedagógica. Entretanto, os usos e o papel que essas tecnologias desempenham nos processos pedagógicos são ainda pouco conhecidos, em especial na EJA. Em consonância com o pensamento de Freire (1995), o estudo maneja a hipótese de que, dependendo dos usos e finalidades, as TICs têm o potencial de expandir a capacidade crítica e criativa dos indivíduos. Considera-se ainda que a marginalização das redes e fluxos de informação reafirma a exclusão social dos estudantes desta modalidade de ensino. O estudo empírico será realizado em distritos representativos da diversidade sociocultural e dos contextos de exclusão socioeconômica na capital paulistana, e compreenderá: o mapeamento dos usos educativos das TICs em escolas públicas de EJA; a construção de uma tipologia desses usos pedagógicos dessas ferramentas; e a análise de práticas pedagógicas em unidades escolares representativas desses usos.
PALAVRAS-CHAVE: TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO, POLÍTICAS PÚBLICAS, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

TÍTULO: A RECONSTRUÇÃO DOS FRAGMENTOS DA MEMÓRIA DO PROJETO EDUCATIVO DE INTEGRAÇÃO SOCIAL (PEIS)”
AUTOR(ES): CARLOS ROBERTO PEREIRA DE SOUZA
RESUMO: Trata-se de um de mestrado em andamento, visando a recuperação da trajetória histórica, política e social do Projeto Educativo de Integração Social (PEIS) voltado a Educação de Adultos (Alfabetização, Fundamental e Médio). As atividades deste segmento tiveram início na década de 80, em Campinas, interior de São Paulo. O projeto traz como mote uma experiência diferenciada no campo da educação de adultos, pois sua proposta metodológica está fundamentada nas idéias do Educador Paulo Freire (Tema Gerador, Círculo de Cultura). Tendo os alunos do PEIS como atores sociais dessa pesquisa, reconstrói-se a memória do Projeto, o qual de diversas maneiras propiciou o resgate de sua cidadania e a ascensão social a seus participantes já que muito deles atingiram o Ensino Superior e estão em pleno desempenho profissional. Para o desenvolvimento desta pesquisa procuraremos dialogar com teóricos da área de História Oral (BASTIDE; QUEIROZ; DEMARTINI; SIMSON; PORTELLI; MEIHY) e na área de Educação de Jovens Adultos ( FREIRE;HADDAD, PAIVA;GADOTTI; BEISEGEL; GIUBILEI). Utilizamo-nos da Metodologia de História Oral, método qualitativo de pesquisa, o qual se fundamenta nos testemunhos ou depoimentos orais que serão posteriormente analisados. Valeremo-nos também dos suportes imagéticos, os quais possibilitarão a compreensão do passado recente do Projeto Educativo de Integração Social (PEIS). Esta análise fundamenta-se na visão dos educandos, possibilitando que estes atores sociais reconstruam a trajetória histórica do PEIS, do ponto de vista político-social, passando a agregar informações significativas para o grupo, já que se referem às suas vivências, permitindo assim possíveis atividades e ações futuras.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE ADULTOS, MEMÓRIA, HISTÓRIA ORAL
TÍTULO: ADOLESCENTE TEMPO INTEGRAL: VIVÊNCIAS- SABERES- SIGNIFICADOS. A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE ADOLESCENTES A PARTIR DE VIVÊNCIAS EM PROJETO DE EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL NA REDE MUNICIPAL DE BELO HORIZO
AUTOR(ES): CATHERINE MONIQUE DE SOUZA HERMONT
RESUMO: Este trabalho apresenta o resultado da pesquisa de mestrado intitulada: Adolescente Tempo Integral: Vivências- Saberes- Significados. A construção da identidade de adolescentes a partir de vivências em projeto de educação em tempo integral na Rede Municipal de Belo Horizonte. A pesquisa busca compreender os significados atribuídos por adolescentes à vivências em uma proposta de ampliação do tempo escolar, tendo como foco a constituição das identidades juvenis e discentes A pesquisa foi realizada em uma escola da rede municipal de ensino de Belo Horizonte e seus arredores/comunidade. Duas turmas que constituíam o Projeto Rede do 3° Ciclo, num total de 56 estudantes de 12 a 17 anos. A coleta de dados, de abordagem qualitativa, foi realizada em três passos: iniciando pelo acompanhamento dos estudantes durante o 2ª semestre de 2006, em uma perspectiva etnográfica. Durante o ano de 2007 foram realizadas entrevistas semi- estruturadas com participantes da turma com trajetórias diferenciadas; foram colhidos dados sobre as trajetórias escolares para a definição dessas entrevistas. Finalizando a coleta de dados, foram realizadas algumas discussões coletivas, no final de 2007, com base em fotos e materiais recolhidos ao longo do período de acompanhamento da turma. Permitindo registrar algumas informações sobre a progressão escolar dos estudantes. A análise dos dados permitiu perceber os significados de passar o dia todo na escola e os conceitos de si mesmo construídos. As relações estabelecidas entre essas duas identidades se formam a partir de conceitos diversos entre ser jovem e ser aluno, e se apresentam de variadas formas. Percebesse que ser jovem e ser aluno/estudante não é tarefa realizável a todos os participantes do grupo pesquisado.
PALAVRAS-CHAVE: SOCIABILIDADES JUVENIS/ADOLESCÊNCIA, IDENTIDADE, EDUCAÇÃO EM TEPO INTEGRAL
TÍTULO: A TRAVESSIA DO CURRÍCULO-VERDADE PARA O CURRÍCULO-EXPERIÊNCIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: DESAFIOS PLURAIS
AUTOR(ES): CATIA ALVISI
RESUMO: Discutir o currículo na Educação de Jovens e Adultos significa que precisamos primeiramente percorrer os caminhos entre pedras e atalhos nos quais a modalidade foi constituída. A comunicação pretende contribuir para a expansão das fronteiras do conceito de “currículo” dentro da Educação de Jovens e Adultos. Partindo da compreensão do currículo como construção social permeado por uma rede de saberes e poderes (Foucault) procuramos garimpar como se configuram os desenhos curriculares da EJA, nos segmentos I e II, à luz dos discursos que atravessam as falas de um grupo de professores que atuam na modalidade e por fim, evidenciar o que se permitiu entender por currículo no cotidiano escolar da EJA, seus movimentos, tensões e limites. (Silva, Moreira, Oliveira). Desta forma, as redes discursivas dos professores articulam-se com as contribuições de estudiosos do percurso sócio-histórico da modalidade (Di Pierro, Haddad, Paiva) e no conceito de “experiência” de Larrosa. Pensar a travessia do currículo-Verdade para o currículo-Experiência da EJA implica abandonarmos a lógica cientificista, sequencial, linear e disciplinarista que busca a homogeneidade dos saberes e dos sujeitos jovens e adultos. Desse modo, esses sujeitos são entendidos como “vazios” ao chegarem à escola e devem ser “preenchidos pelos tais conhecimentos Verdadeiros passíveis de acumulação“. Logo, para efetuar a travessia do Currículo-Verdade para o Currículo-Experiência na Educação de Jovens e Adultos é necessário percorrer caminhos e veredas ainda não desbravados, viagem sem rumo para uma experiência que não se impõe imperativa, muito menos linear ou sequencial, mas que se constitui e re(cria) sentidos na interação com o outro.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, CURRÍCULO, CONSTRUÇÃO SOCIAL

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 4
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 12
TÍTULO: ANÁLISE DA COLEÇÃO LITERATURA PARA TODOS EM FUNÇÃO DO PÚBLICO ALVO
AUTOR(ES): CHRISLEY SOARES FELIX
RESUMO: Esta pesquisa de mestrado procurou investigar a chegada da Coleção Literatura para Todos nas bibliotecas das escolas que atendem a Educação de Jovens e Adultos (EJA), sua recepção e apropriação pelo público a que se destina. O primeiro passo desta pesquisa foi a elaboração de um questionário, aplicado nas escolas municipais de Belo Horizonte que atendem a EJA. Respondido por bibliotecários (ou responsáveis pela biblioteca), teve como objetivo investigar a chegada e o uso da Coleção. Em função da resposta foi elaborado um projeto de intervenção para divulgar e incentivar o uso das obras, ao mesmo tempo em que a apropriação da Coleção pelos alunos também era investigada. Segundo Soares (2004) a possibilidade de leitura e o acesso a ela são condição para uma plena democracia cultural; sendo esta democracia entendida como uma distribuição equitativa de bens simbólicos(de acordo com a autora bens simbólicos são aqueles considerados “fundamentalmente significações e só secundariamente mercadorias”), e a leitura, especificamente a leitura literária, considerada um desses bens simbólicos. A pesquisa encontra-se em andamento, com previsão de conclusão em abril de 2009. Entretanto, alguns dados já foram revelados, como a não chegada da Coleção às escolas, o desconhecimento e a inadequação da mesma ao público a que se destina (jovens e adultos em processo de alfabetização). Está em processo de análise a pertinência das temáticas e do público ao qual a obra se mostra verdadeiramente apropriada.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, COLEÇÃO LITERATURA PARA TODOS, LEITURA
TÍTULO: O CÂNONE LITERÁRIO NA EJA
AUTOR(ES): CLARICE LAGE GUALBERTO
RESUMO: Esta pesquisa surgiu da necessidade de se criar mais atividades apropriadas aos alunos da educação de jovens, adultos e idosos (EJA), pois, em comparação com a educação infantil ou básica regular, há poucos materiais didáticos específicos para essa área. Essa necessidade foi percebida a partir do trabalho desenvolvido pela UFMG por meio do PROEF 1 – Programa de Ensino Fundamental para Jovens e Adultos – 1º segmento. Foi decidido trabalhar o cânone literário brasileiro visto que há uma grande distância entre a literatura e os alunos de EJA. Isso acontece basicamente devido ao pensamento errôneo de que a literatura chamada erudita é difícil de ser interpretada e compreendida, ainda mais por alunos de EJA, que estão iniciando sua prática de leitura e escrita. Dessa forma, esta pesquisa tem por objetivo relatar experiências de atividades que trabalham alguns autores do cânone literário brasileiro, bem como contribuir com idéias de exercícios para o trabalho na EJA. Ela também visa a mostrar que é possível aproximar os alunos a uma cultura que dificilmente lhes é acessível e possibilitar aos estudantes de EJA o interesse pela literatura. Finalmente, a pesquisa tem como objetivo fazer com que os alunos percebam que eles são capazes de interpretar e entender textos literários.
PALAVRAS-CHAVE: CÂNONE, LITERATURA, EJA

TÍTULO: LEITURAS E APROPRIAÇÕES DE IMAGENS E TEXTOS POR SUJEITOS DA EJA: UMA SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL
AUTOR(ES): CLÁUDIA VASCONCELLOS DE OLIVEIRA SILVA
RESUMO: O presente trabalho procura abordar a leitura de imagens e textos por sujeitos jovens e adultos, utilizando a informática como ferramenta capaz de potencializar a aprendizagem e, simultaneamente, como forma de incluí-los na sociedade digital, tendo por base o projeto de extensão universitária Inclusão Digital na Educação de Jovens e Adultos – IncluEJA – desenvolvido no Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-UERJ). Apresenta, também, questões atuais sobre a necessidade do trabalho com Educação Ambiental (EA) com pessoas jovens e adultas, por meio da interface com as leituras textuais e imagéticas, orientadas para promover discussões sobre as questões ambientais e possibilitar a reflexão crítica sobre os processos inerentes à existência humana e sua relação com a natureza, englobando as transformações provocadas e, ainda, objetivando contribuir para mudança de condutas e atitudes. Através desta perspectiva torna-se possível desenvolver ações de EA com viés crítico e emancipatório, utilizando as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) como auxiliares ao acesso e à ampliação de conhecimentos e valores. Nesse sentido, a importância de trabalhar com a leitura de textos e imagens na construção de conceitos socioambientais contribui para captar e desenvolver fundamentos para a sensibilização ambiental. Entendemos, ainda, que o trabalho com imagens busca incentivar a imaginação, a construção de representações sociais sobre o que pode ser lido nas mesmas e também possibilita a criação, produção e outros usos dos textos escritos e recursos imagéticos de forma associada. As interações e reflexões produzidas a partir das novas produções imagéticas e textuais, bem como suas (re)leituras, possibilitam disseminar e ampliar novas redes de conhecimento. Ousamos, portanto, afirmar que a inclusão digital potencializa para os sujeitos da EJA a geração de novas possibilidades e sustentabilidades para si mesmos e para as comunidades em que vivem, como “leitores” de diferentes formas culturais da atualidade.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LEITURA, INCLUSÃO DIGITAL

TÍTULO: PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA NA EJA
AUTOR(ES): CLÁUDIO BORGES DA SILVA
RESUMO: A presente comunicação foi organizada a partir de reflexões e indagações que venho elaborando em minha experiência como educador de jovens e adultos. Desse lugar venho me perguntando sobre os modos como o desconhecimento dos complexos processos de formação dos sujeitos-educandos tem dificultado a organização de um trabalho educativo que atenda as demandas formativas de seu público e crie demandas novas, em diálogo com o contexto concreto no qual vivem. Tendo como objetivo uma aproximação aos processos de constituição destes sujeitos, esta comunicação trata dos modos como os jovens e adultos que frequentam cursos de EJA se relacionam com as culturas escritas. Quais são suas práticas de leitura e escrita fora da escola e quais sentidos atribuem a estas experiências? Como estas práticas são produzidas a partir da inscrição dos sujeitos em diferentes grupos de pertencimento e do entrecruzamento dos diferentes papéis sociais ocupados por eles (ocupação profissional, gênero, inserção no espaço escolar e na cultura urbana)? Quais marcas suas histórias de escolarização deixaram nos modos como compreendem as culturas escritas e suas (in)capacidades para delas fazer uso? Nesta comunicação abordo estas questões através da análise de episódios vivenciados em cursos de EJA e de textos produzidos no contexto desta modalidade de ensino. As reflexões desenvolvidas se inscrevem nos estudos que procuram analisar os processos de produção da subjetividade a partir da busca de relações entre aspectos muitas vezes concebidos de forma dicotômica: educação escolar e não-escolar, cultura popular e erudita, oralidade e escrita, indivíduo e sociedade. Tendo como suporte teórico-metodológico autores que concebem os processos de formação humana como intersubjetivos, mediada pela linguagem e constituídos em contextos histórico-culturais concretos o foco das análises está voltado para a apreensão dos modos como as experiências são significadas discursivamente e como processos de singularização são aí produzidos.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO, SUBJETIVIDADE, ESCOLARIZAÇÃO EM EJA
TÍTULO: A PRODUÇÃO ESCRITA EM EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL DE JOVENS E ADULTOS: A PRODUÇÃO DE UM LIVRO DE NARRATIVAS COM ALUNOS DE ENSINO FUNDAMENTAL
AUTOR(ES): CRISTIANE MARIA MEGID
RESUMO: Este trabalho foi desenvolvido durante um semestre letivo com alunos jovens e adultos cursando o segundo ciclo do Ensino Fundamental e teve como objetivo a produção de um livro com histórias escritas pelos próprios alunos sobre suas vidas. Estes alunos estudavam em um projeto de educação não-formal organizado de acordo com os princípios pedagógicos elaborados por Paulo Freire, onde as aulas eram semanais e aconteciam sempre aos sábados, no período da manhã. A fase inicial do trabalho consistiu na escolha do tema e, entre várias opções levantadas pelos próprios alunos, escolheram, como é comum em trabalho com EJA, o tema “histórias de vida”. Na sequência, as professoras realizaram a seleção de diversos textos em Língua Portuguesa para um trabalho inicial de leitura e interpretação dos mesmos, feitas coletivamente e individualmente. Neste processo, foram discutidas diversas questões não só do conteúdo dos textos, mas também de Língua Portuguesa, conforme a composição do material. O processo seguinte cuidou da elaboração dos textos. Neste momento, também outras questões relacionadas à Língua e à organização e reorganização de narrativas foram constantemente discutidas para que os alunos pudessem realizar suas escritas adequadamente (além das diversas reescritas). O processo de produção textual necessitou também de um trabalho de sensibilização dos alunos para que se sentissem capazes de escrever e dar visibilidade a suas próprias histórias. Por fim, foram realizadas diversas discussões para a produção do livro, com a organização da apresentação, prefácio e auto-biografias introdutórias. Para o encerramento do trabalho, a coordenação do projeto organizou uma atividade para o lançamento do livro que contou com uma palestra introdutória com um professor convidado e uma sessão de autógrafos dos exemplares distribuídos a todos os alunos do projeto e seus familiares.
PALAVRAS-CHAVE: NARRATIVAS, HISTÓRIAS DE VIDA, PRODUÇÃO TEXTUAL
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 5
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 13
TÍTULO: OS MOVIMENTOS DE CULTURA POPULAR E AS CONTRIBUIÇÕES DE PAULO FREIRE PARA A ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
AUTOR(ES): CRISTIANE SILVA MELO, SIMONE BURIOLI IVASHITA
RESUMO: Esta comunicação discute aspectos relacionados à história da Educação de Jovens e Adultos (EJA), no Brasil, enfatizando as contribuições de Paulo Freire (1921-1997) aos movimentos de educação e cultura popular no final da década de 1950 e início de 1960. Para tanto, apresenta-se considerações sobre o seu pensamento educacional ao destacar suas perspectivas sobre a alfabetização e letramento de pessoas jovens e adultas. Para Paulo Freire, a educação seria elemento de conhecimento e conscientização para uma possível ação política “transformadora” no social. O método de alfabetização deveria partir de palavras e temas geradores, tornando-se importante que o educador considere a identidade cultural dos alunos em processo de ensino-aprendizagem da leitura e escrita. Era necessário, assim, considerar que o analfabetismo devia ser erradicado, pois provocava na sociedade implicações políticas e sociais ao prejudicar o desenvolvimento nacional e a emancipação dos indivíduos. A alfabetização de adultos não poderia ser simples técnica: “aprender” a ler e escrever não exigia apenas a memorização de sílabas, palavras ou frases, mas sobretudo a reflexão crítica sobre o próprio processo de ler e escrever num contexto significativo de compreensão da linguagem e da leitura de mundo. Os homens precisavam se reconhecer como indivíduos formadores de cultura e possuidores de ação política na sociedade. O método Paulo Freire para a educação de adultos, sistematizado em 1962, valorizou a conscientização da população sobre a realidade brasileira, representou, tecnicamente, certa combinação da didática contemporânea, da teoria da comunicação e da psicologia. Paulo Freire formulou uma pedagogia para a educação popular com embasamentos de uma postura crítica de interrogação, diálogo e solidariedade. O seu pensamento exerceu influência sobre os profissionais da educação, suas reflexões sobre o social no pedagógico foram importantes nas práticas educativas dos movimentos de educação e cultura popular voltados para a educação de jovens e adultos.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO, PENSAMENTO PEDAGÓGICO DE PAULO FREIRE, MOVIMENTOS DE EDUCAÇÃO E CULTURA POPULAR

TÍTULO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: LETRAMENTO, CURRÍCULO E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS.
AUTOR(ES): CYNTIA GRAZIELLA GUIZELIM SIMÕES GIROTTO
RESUMO: Esta comunicação versa sobre experiências e pesquisas colaborativas na área da Educação de Jovens e Adultos. Nesse sentido, compartilhamos questões oriundas de nosso grupo de trabalho: para quê/quem pesquisamos? Para quê/ quem escrevemos? Com o intuito de socializar uma parte da relativamente pequena, mas intensa, trajetória de estudos e (re) leituras do GEEJA (Grupo de Estudos pedagógicos em Educação de Jovens e Adultos) articuladas ao PEJA (Programa UNESP de Educação de Jovens e Adultos), ao longo de seus anos de existência. Vamos nos apropriar dessas duas questões para dar testemunho do que tem sido o trabalho desse grupo de estudo atrelado às pesquisas de outros dois (cadastros no CNPq) Processos de Leitura e de escrita, apropriação e objetivação; e Implicações Pedagógicas da Teoria Histórico-Cultural, em uma de suas diferentes ações, especificamente, a discussão sobre currículo e práticas pedagógicas interligados pela aprendizagem da linguagem escrita na formação de educandos de EJA. Tal discussão, presente nesta comunicação, tenciona ainda, sustentada pela provocação feita a todos os participantes do GEEJA, refletir sobre a nova Proposta Curricular do Estado de São Paulo articulada às diferentes áreas do conhecimento. No que nos cabe, muito embora não haja, praticamente, menção específica à EJA, surge o mote para a reflexão sobre essa ausência e, por outro lado, interfaces possíveis.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO EM EJA, CURRICULO E PRATICAS PEDAGÓGICAS, EJA
TÍTULO: ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO PARQUE CEDRAL
AUTOR(ES): DAIANA FABIANI DE OLIVEIRA
RESUMO: Nosso trabalho em Educação de Jovens e Adultos é realizado desde julho de 2008, em parceria com a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada no Parque Cedral, um bairro periférico da cidade de Presidente Prudente-SP. A maioria dos adultos que retornam à escolarização foi excluída do sistema regular de ensino quando jovem por diversos motivos, por isso se surpreende com uma educação totalmente voltada para eles, pois sua concepção de escola se baseia na que tiveram sem obter sucesso. O método que utilizamos é baseado na pesquisa-ação, onde se é possível conhecer os sujeitos não só através da observação e sim da integração. Escolhemos a pesquisa qualitativa porque é a metodologia que tem o ambiente natural como sua fonte de dados e o pesquisador como principal instrumento. Essa aproximação na horizontalidade Educador-Educando é característica da Educação Popular, idealizada por Paulo Freire, que tem como ponto de partida a realidade do oprimido e se torna um agente importante nos processos de libertação do indivíduo e da sociedade. Neste trabalho procuramos conhecer os sujeitos da EJA, suas expectativas e idealizações sobre os problemas que aflingem nossa sociedade e quais seriam as soluções para tais problemas. Este trabalho está trazendo frutos, pois tivemos a aprovação de nossos educandos na prova do governo federal o ENCCEJA.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, PESQUISA-AÇÃO, ESCOLARIZAÇÃO

TÍTULO: A FEITURA DE UM JORNAL: O PRAZER DE SE LER O QUE ESCREVEU
AUTOR(ES): DAISY CLECIA VASCONCELOS DA SILVA
RESUMO: O presente artigo consiste em uma reflexão acerca dos resultados de uma atividade pedagógica ocorrida em 2004, durante a pesquisa de campo que resultou na dissertação de mestrado em Educação desta autora. A experiência de criação de um jornal e leitura deste em sala de aula trouxe para os alunos de uma turma de primeiro nível em Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede de ensino do município do Natal/RN um novo ânimo para seu processo de aprendizado. Ler o que se escreveu deu a esses alunos, segundo seus depoimentos, mais autoconfiança e, consequentemente, segurança e vontade de aprender cada vez mais. Partindo da idéia de que, através da leitura, é possível inserir socialmente esses jovens e adultos, buscou-se, dentro dos conceitos teóricos de educadores como Paulo Freire, Emilia Ferreiro, Marta Kohl Oliveira, Ângela Kleiman, entre outros, compreender o resultado positivo desta prática, bem como sugerir novas práticas pedagógicas adequadas ao quadro de peculiaridades e dificuldades inerentes a esse grupo que possam contribuir para o processo de letramento e alfabetização destes. Tendo o ambiente escolar como palco dessas experiências, o professor como mediador desse aprendizado e o aluno como sujeito ativo nas atividades que lhe permitirão adentrar neste rico universo que é a leitura, para que posteriormente possa desfrutar dos bens sociais produzidos pela humanidade e registrados através da escrita.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICA PEDAGÓGICA, ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
TÍTULO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: AS DIMENSÕES AFETIVAS NA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA.
AUTOR(ES): DANIELA GOBBO DONADON, SÉRGIO ANTONIO DA SILVA LEITE
RESUMO: A pesquisa tem por objetivo pesquisar as relações afetivas nas práticas pedagógicas envolvendo jovens e adultos, com foco nas relações que se estabelecem entre professor e aluno. Pretende-se identificar, descrever e analisar as dimensões afetivas no trabalho pedagógico em sala de aula, durante o desenvolvimento das atividades educacionais, dando ênfase nas relações afetivas que se estabelecem na mediação da professora entre alunos e os objetos de conhecimento. Focaliza-se os aspectos afetivos positivos nas práticas pedagógicas observadas. Tem por sujeitos alunos em processo de escolarização na FUMEC de Campinas (Fundação Municipal para a Educação Comunitária). As bases teóricas fixam-se na área da Psicologia, principalmente em VYGOTSKY (1998, 2005) e WALLON (1968, 1979). A coleta de dados toma por base a metodologia qualitativa utilizando o procedimento de autoscopia. Foram realizadas filmagens da sala de aula, edição dos vídeos e exibição para os sujeitos durante as sessões de autoscopia onde os mesmos dotavam de significação, através de verbalizações, as práticas observadas, gerando os dados da pesquisa. Os dados obtidos foram agrupados em núcleos de significação para realização da análise, a qual toma por base a abordagem teórica assumida, sem deixar de dar a devida importância ao caráter social ao qual a modalidade EJA nos remete. Sua pertinência se firma na relevância social do tema, na atualidade e importância da questão da Afetividade e nas possibilidades de contribuir para o maior conhecimento da temática ainda pouco pesquisada.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, AFETIVIDADE, AUTOSCOPIA

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 6
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 13
TÍTULO: AS POLÍTICAS PÚBLICAS EM EJA: OS FÓRUNS ESTADUAIS E SUAS INTERVENÇÕES
AUTOR(ES): DANIELE MADALENA DOS SANTOS LANA
RESUMO: O Fórum de EJA no Brasil surgiu no Rio de Janeiro no ano de 1996 como um movimento social; sua gênese ocorre a partir da convocação da UNESCO, solicitando a organização de reuniões locais e nacionais direcionados à preparação para a V CONFITEA, encontro ocorrido em Hamburgo na Alemanha em julho de 1997. Os Fóruns na área de EJA foram se expandido pelo Brasil ocorrendo encontros a nível municipal, regional, estadual e nacional. Como a EJA não era prioridade para o Ministério, os parceiros dos fóruns da época convidaram o MEC a participar do evento. A partir desse encontro há uma crescente busca de organização e fortalecimento de diversos parceiros para a expansão dos fóruns pelo Brasil e o ENEJA contribuiu para o fortalecimento das relações entre os Fóruns, por meio de representações de cada um deles apoiados pelo Ministério da Educação, proporcionando encontros anuais para diálogos entre as partes e análise de encaminhamentos na área. Os fóruns e suas parcerias têm dado tão certo que tem contribuído na formulação e efetivação de ações na área juntamente com o MEC que passou a ser um interlocutor privilegiado. A partir do anúncio da CONFITEA, que será realizado no Brasil em maio de 2009, inúmeras discussões foram feitas pelos fóruns com o objetivo de apontar as necessidades locais para ser introduzidas nas pautas da CONFITEA. E esses encontros foram acompanhados através da pesquisa qualitativa bibliográfica. O fórum é um excelente evento que possibilita a troca de conhecimento sobre os mais variados assuntos, proporcionando integração entre a sociedade civil, ONGs, diferentes entidades e profissionais que atuam na área da educação além de oferecerem informações e criar pressão política no âmbito municipal, estadual e federal.
PALAVRAS-CHAVE: FÓRUNS, DIÁLOGO, INTEGRAÇÃO
TÍTULO: ESCREVE VOCÊ: OFICINAS DE LEITURA E ESCRITA COM JOVENS E ADULTOS DE GRUPOS POPULARES EM UMA ESCOLA PÚBLICA
AUTOR(ES): DÉBORA MONTEIRO DO AMARAL
RESUMO: O presente trabalho traz um relato de parte da experiência do Projeto de Extensão “Juventude, violência e cidadania em grupos populares urbanos: intervenção coletiva e desenvolvimento social“, desenvolvido pelo Laboratório METUIA do Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos - SP. Trata-se da intervenção por meio de Oficinas de leitura e escrita, calcada nos diretos e na cidadania de jovens e adultos de grupos populares urbanos. Para tanto, serão descritos os procedimentos utilizados para o planejamento, a implementação e o desenvolvimento dos encontros, que ocorreram numa escola estadual situada em bairro periférico da cidade de São Carlos. As estratégias utilizadas envolveram dinâmicas, acompanhamentos individuais e comprometimento profissional, o que implica na compreensão do cotidiano dos educandos, levando em conta seus interesses e especificidades. Os desafios e as contradições presentes na educação de jovens e adultos não impediram as superações obtidas pelos educandos e, portanto, com/em suas realidades. O referencial teórico-metodológico ligados a alfabetização de jovens e adultos está apoiado em Paulo Freire. Os resultados alcançados refletem acerca dos fatores essenciais para práticas democráticas e participativas necessárias na formação de jovens e adultos e, como, o técnico deve estar consciente de seu papel na luta pela transformação desta realidade. O Projeto Metuia vem atuando desde 1998 e trata-se de um grupo de estudos, formação e ações em terapia ocupacional pela cidadania de crianças, adolescentes e adultos em processos de ruptura das redes sociais de suporte. Atualmente é formado por docentes, discentes e técnicos da Universidade Federal de São Carlos e da Universidade de São Paulo.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LEITURA E ESCRITA, DESENVOLVIMENTO SOCIAL

TÍTULO: LEITURA, ESCRITA E INCLUSÃO SOCIAL
AUTOR(ES): DIANA MARIA DE MORAIS
RESUMO: Com este trabalho pretende-se apresentar uma análise sobre a apreensão do diálogo como instrumento que possibilita a inserção do homem no mundo letrado e a escrita como processo de interação do sujeito, resgatando a idéia básica de que a aprendizagem se dá na interação do sujeito e pela influência do contexto em que se encontra. O trabalho insere-se na linha de pesquisa Teorias e práticas discursivas: leitura e escrita, do Programa de Mestrado em Lingüística da Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL). Sabe-se que a comunicação entre os homens se dá na interação entre os sujeitos em um determinado contexto histórico. Tal fato demonstra que a interação entre o sujeito produtor e o sujeito leitor de um texto, na relação com o seu contexto de produção pode ser um caminho para que se desenvolva o processo de construção da leitura e da escrita. Parte-se do princípio de que a leitura é uma arte, um exercício que exige técnicas para ser apreendido e de que é possível utilizar-se de técnicas para ensinar a ler e, consequentemente, a escrever. Portanto, caberá à escola promover esse aprendizado e possibilitar o desenvolvimento do aluno como um ser social, capaz de encontrar saídas e superar problemas nas situações mais diversas em que se encontre. Considera-se, portanto, que é no contexto escolar que a leitura e a produção escrita acontecem como objetos de aprendizagem, uma vez que na escola, espaço apropriado para esse fim, vários portais de textos devem circular e ser utilizados pelos professores como veículos transmissores desses saberes. Para reflexão sobre as questões relacionadas ao sujeito, à leitura e à escrita e, ao contexto escolar, buscou-se subsídios teóricos em vários autores, dos quais se ressaltam: Marcuschi, Soares, Kleiman, Orlandi e Freire.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESCRITA, INCLUSÃO SOCIAL

TÍTULO: CLUBE DE LEITURA: PROJETO DE LETRAMENTO LITERÁRIO E FORMAÇÃO DO LEITOR JOVEM E ADULTO
AUTOR(ES): EDIANY APARECIDA PEREIRA LIMA
RESUMO: O Clube de Leitura é um projeto de extensão universitária da FaE/UFMG, realizado desde março de 2006. Atividades são voltadas para letramento literário de um grupo de educandos – homens e mulheres na faixa etária dos 25 aos 65 anos – do Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos, PROEF II, o programa de Educação Básica de Jovens e Adultos da Universidade Federal de Minas Gerais. Os encontros do Clube de Leitura são realizados duas vezes por semana, fora da sala de aula, trinta minutos antes do inicio das aulas, com duas turmas diferentes, a fim de que os alunos possam se reunir para ler e trocar idéias acerca de textos literários de qualidade reconhecida, sem síntese ou fragmentação, de autores canônicos literatura brasileira como Machado de Assis, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e contemporâneos, além dos livros selecionados no Programa Literatura para Todos, do governo federal. Os participantes compõem um público heterogêneo quanto às habilidades e dificuldades na leitura. A cada discussão dos textos, os alunos fazem interferências, contam suas histórias de vida. Sabendo que o acesso à literatura é um direito do cidadão, a proposta do Clube é eliminar a distância entre livro e leitor, trabalhando textos curtos, contos, crônicas, poemas de linguagem acessível, por meio de uma abordagem diferenciada da leitura literária proposta na prática escolar: sem avaliações, notas ou presença obrigatória. Além dos encontros semanais, o projeto já realizou um encontro com o autor Bartolomeu Campos de Queirós e uma visita ao Museu Casa Guimarães, em Cordisburgo/MG.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LETRAMENTO LITERÁRIO, EJA
TÍTULO: MULHER DO CAMPO: EDUCAÇÃO E RELAÇÕES DE GÊNERO
AUTOR(ES): EDVÂNIA APARECIDA DA SILVA
RESUMO: As diferentes perspectivas de pesquisas no meio rural podem revelar os avanços socioeconômicos, as formas de organização dos assentamentos e os acordos estabelecidos no interior dos lotes, sendo estes talvez, os de maior impacto nas vidas existentes no meio rural (MEDEREIROS, 2008). Tanto na esfera do domicílio, o cuidado da casa, dos filhos, da horta e a “ajuda” prestada ao marido, as pesquisas revelam o desprestígio do trabalho feminino. A falta de acesso aos espaços de decisão e o domínio patriarcal principalmente sobre as mulheres são apontados como motivos para a saída das jovens do meio rural e migração para as cidades em busca de escolaridade e emprego (CASTRO, 2008). A educação pode nortear os rumos de uma sociedade, neste caso das relações estabelecidas no meio rural, onde muitas mudanças vêm ocorrendo no modelo de família tradicional. O espaço escolar poderá se configurar como um espaço de reprodução da dominação do homem sobre a mulher ou transmitir outros valores que influenciarão na mudança da tradicional relação entre estes sujeitos. A escola acaba inculcando valores, como por exemplo, o incentivo ao consumo que repercute no acesso as novidades que facilitam o trabalho doméstico e transformam padrões de vida no campo (MEDEIROS, 2008). O que se pretende questionar é o peso da educação na emancipação das mulheres do campo. Até que ponto o acesso à educação torna as mulheres mais críticas sobre sua condição de sujeito que tem direitos negados, como direito a terra, a saúde, a aposentadoria, a salário-maternidade, a educação. Ou se esta consciência de sujeito subordinado acontece no cotidiano e a educação somente contribui para a manutenção da dominação.
PALAVRAS-CHAVE: ASSENTAMENTOS RURAIS, EDUCAÇÃO POPULAR, GÊNERO

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 7
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 14
TÍTULO: PRÁTICAS DE LETRAMENTO E LEITURA NA EMPRESA
AUTOR(ES): EGON DE OLIVEIRA RANGEL, ANA LUIZA MARCONDES GARCIA, MAURÍCIO ERNICA
RESUMO: O trabalho expõe uma proposta de organização de práticas de letramento e de leitura em contexto empresarial, nascida da demanda de uma empresa brasileira. Tal demanda ocorreu como um desdobramento da aplicação, na empresa, de um teste de conhecimentos sobre normas de segurança aplicado a funcionários. Diante dos resultados surpreendentemente negativos, os responsáveis chegaram à conclusão de que os funcionários, mais que desconhecer normas básicas de segurança, não teriam desenvolvido a contento habilidades de leitura requeridas para compreender os questionários utilizados como instrumentos do teste. Em consequência, suas respostas não testemunhariam adequadamente o conhecimento ou o desconhecimento das normas. Formulou-se assim um projeto de intervenção voltado para o letramento e o desenvolvimento de competências leitoras de funcionários interessados em melhorar seu desempenho em leitura e em aprofundar suas relações com o trabalho. Isso implica, certamente, o ensino de habilidades específicas, como identificar informações explícitas, inferir informações implícitas, identificar o objetivo de um texto, compreender descrições, argumentos, explicações, instruções etc. Contudo, essas habilidades só poderão ser efetivas se se incorporarem às práticas cotidianas, respondendo a demandas pessoais e cumprindo funções culturais, sociais e pessoais autênticas. O que se objetiva na proposta, portanto, são transformações pessoais vinculadas a transformações do próprio ambiente de trabalho, em especial das formas de interação nesse contexto. As atividades propostas visam a promoção de grupos de funcionários a patamares superiores de letramento e de proficiência em leitura, o que implica um conjunto de iniciativas destinadas a transformar o ambiente de trabalho numa espécie de comunidade leitora, definida quer pelas relações pessoais de seus membros com a leitura, quer por suas demandas comuns de leitura profissional. Em resumo, trata-se de expor um projeto específico para a formação de leitores em contexto de trabalho, formulado a partir dos pressupostos teóricos da área do letramento (Soares, 1998).
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO, ADULTOS, EMPRESA

TÍTULO: PRÁTICAS DE ALFABETIZAÇÃO NA EJA: O QUE ESPERAM OS ALUNOS? O QUE FAZEM OS PROFESSORES?
AUTOR(ES): ELIANA BORGES CORREIA DE ALBUQUERQUE, JOSEMAR GUEDES FERREIRA
RESUMO: A questão da alfabetização de adultos no Brasil é um problema complexo e exige muita atenção por parte de diversos segmentos da sociedade. A Educação de pessoas Jovens e Adulta (EJA), nos últimos anos, vem sendo pensada de modo a considerar o aluno como um ser social que tem experiências diárias com o mundo letrado. Esta pesquisa correspondeu a um estudo de caso que buscou analisar a prática de alfabetização de uma professora da EJA e a relação dessa prática com a aprendizagem dos alunos no que se refere à apropriação do sistema de escrita alfabética. A pesquisa foi desenvolvida em uma turma do módulo I (alfabetização) em uma escola da rede municipal de ensino de Recife–PE. Quanto aos procedimentos metodológicos foram realizadas observações de aulas para caracterizar a prática de alfabetização da professora investigada, e entrevistas com um grupo de alunos para buscar perceber as expectativas deles em relação ao aprendizado da leitura e da escrita. Para avaliação da aprendizagem dos alunos no que se refere à apropriação da escrita alfabética, eles foram solicitados a realizar uma atividade diagnóstica de ditado mudo em dois momentos do ano letivo. A análise das observações revelou que a professora desenvolvia uma prática assistemática de alfabetização, que priorizava a expressão oral e a construção e cópia de frases, e envolvia muito poucas atividades de reflexão sobre o nosso sistema de escrita. Com base na análise das entrevistas com os alunos e das atividades de escrita que fizeram, pôde-se perceber que as expectativas que eles tinham ao retornar à escola para aprender a ler e escrever não foram confirmadas, uma vez que a maioria deles não progrediu significativamente na aprendizagem da leitura e da escrita, e alguns culpavam a si mesmo por tal “fracasso”.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO, PRÁTICAS, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
TÍTULO: VARIANTES LINGUÍSTICAS EM CLASSES DA EJA: ALGUMAS REFLEXÕES EM TORNO DA ATUAÇÃO DOCENTE
AUTOR(ES): ERICA BASTOS DA SILVA
RESUMO: A partir das percepções de docentes da EJA, pretende-se fazer uma breve análise de como é tratada a questão das variantes linguísticas, tendo como campo empírico uma escola pública da rede municipal de Salvador. O estudo está em andamento e, para este evento, serão apresentas as primeiras considerações da pesquisa. O trabalho discorre sobre a forma como os professores se posicionam diante das variantes utilizadas pelos alunos durante o processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. Sabe-se que a escrita apresenta uma convenção que, por muitas vezes, se estende socialmente às expectativas de manifestação da linguagem oral. Desse modo, os professores da EJA precisam conhecer a realidade linguística desses alunos para, a partir daí, trabalhar com as normas gramaticais utilizadas pela escola. É necessário ponderar as intervenções para que o aprendizado ocorra da melhor forma possível. Acredita-se que a compreensão e respeito dos docentes pela forma como os alunos se expressam podem melhorar a relação desses com a linguagem. Isso poderá minimizar preconceitos sociais e os próprios discentes terão a possibilidade de perceber que a escola é o principal espaço de aprendizagem formal. Sabe-se que as relações entre variantes (cultas, populares etc.) não são tão simples. Entretanto, elas se fazem necessárias dentro de um contexto em que os educandos adultos retornam para a escola e demandam a aprendizagem da forma de se expressar que é socialmente valorizada. Tais conhecimentos possibilitam uma atuação mais autônoma em nossa sociedade.
PALAVRAS-CHAVE: VARIANTES LINGUÍSITCAS, ENSINO, APRENDIZAGEM

TÍTULO: PROJETO IDENTIDADE
AUTOR(ES): ERIKA DE MORAES VIANA GARCIA
RESUMO: A partir do documento de identidade (rg do aluno), buscar questionamentos sobre a sua identidade; a historia de seu nome; sua origem; o porquê de sua migração; suas historias infantis; o seu trabalho. Propiciar o resgate da auto-estima e da dignidade dos alunos; trabalhar na desmistificação do estigma da pobreza e da incapacidade (“fracasso escolar“); incentivar o dialogo; valorizar o aluno enquanto sujeito de sua própria história; tornar esse alunos em sujeitos críticos e autônomos. Assim como propõe paulo freire, “ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural“ (freire, 1996, p. 46). Os alunos da EJA têm dificuldades de entendimento e produção de texto, precisam ser alfabetizados e ao mesmo tempo letrados. Nesse projeto tenho a intenção de fazer com que eles pessem no seu passado e fassam produção de texto a aprtir deste, porque ele tem esse nome, qual a região do pais que ele nasceu, qual a região em que ele mora hoje, quais os costumes da sua região de origem, receistas desta região, qual a utilidade do seu documento de identidade, preeenchimento de formulários. Vou partir de sua própria identidade para formação da cidadania de sujeitos consientes de seus direitos e deveres com a sociedade na qual estão inseridos.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, IDENTIDADE, PROJETO
TÍTULO: (CON)GESTÃO ESCOLAR FRENTE AOS DIRIGENTES DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): EUNICE BRANDÃO DA SILVA, ANDRÉA MARTINEZ TABANEZ
RESUMO: Com o sentido de aprender por toda a vida, em múltiplos espaços sociais, a área responde às exigências do mundo contemporâneo, para além da escola. A modalidade de ensino desvenda um modo de fazer educação diferente do regular. Em ambos, a emergência de foco nos sujeitos e nos saberes produzidos na cultura e na relação entre classes e grupos sociais, a forte presença jovem, nos diferentes projetos. Quem são, no entanto, os sujeitos jovens e que espaços sociais vêm ocupando? Desigualdade e exclusão na realidade brasileira e perspectiva de instituição de direitos definem a realidade da EJA, exigindo que o foco em processos educativos esteja na diversidade de sujeitos. A Educação de Jovens e Adultos tem sido marcada, desde 1949, com a I Conferência Internacional de Educação de Adultos, em Elsinore, Dinamarca, por movimentos globais que assinalam a importância das políticas públicas voltadas ao segmento populacional dos adultos. Passando por variadas concepções, essa modalidade de educação, retratada neste momento por acordos que têm força de lei, viu a continuidade de seus caminhos traçados pelas Conferências de 1960 em Montreal, Canadá; de 1972, em Tóquio, Japão; de 1985, em Paris, França, até julho de 1997, quando se realizou a V Conferência Internacional de Educação de Adultos em Hamburgo, Alemanha. A Constituição de 1988 assume o direito de todos ao Ensino Fundamental, independente da idade, incorporando ao texto a luta de educadores e movimentos em prol da igualdade de direitos para todos. Os rumos da EJA passaram a ser ditados pela concepção de que esta só existe pelo fracasso da escola básica de crianças. Vários dirigentes expressaram suas concepções até mesmo preconceituosas, creditando a “culpa” do não saber ler e escrever, do não ser escolarizado, às vítimas de um sistema desigual, apartador, mantido em função das origens de classe, negador de direitos iguais para todos os cidadãos.
PALAVRAS-CHAVE: DIRIGENTES, GESTÃO, PROFESSOR
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 8
DIA: 21/07/2009 - Terça-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 14
TÍTULO: ARTE E EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA EXPERIÊNCIA INOVADORA
AUTOR(ES): EUNICE MARIA DAL’MASO
RESUMO: O presente texto vem relatar uma experiência pedagógica inovadora, envolvendo simultaneamente as disciplinas de Arte e Educação Física, tendo como objeto central de estudo o tema “a dança através dos tempos“. Esta proposta pedagógica foi desenvolvida no CEJA – Centro de Educação de Jovens e Adultos Antônio Cesário Neto, no período noturno, em oito turmas do Ensino Médio durante o primeiro trimestre, com alunos do período noturno. Fundamentada na perspectiva dialética e estruturada nos eixos da metodologia Mobilização, Construção e Síntese do conhecimento, contemplando os objetivos das referidas disciplinas quanto à expressividade individual e coletiva, crítica, criativa e lúdica na produção e construção de conhecimentos, sem perder de vista a função educativa da EJA quanto ao considerar e aproveitar conhecimentos prévio do aluno, desmistificou-se por meio de questionamentos antes e após a experiência, a idéia de que não fosse possível a junção das disciplinas pela questão da especificidade de conteúdos de cada uma. Essa experiência provocou mudanças significativas nas relações entre professor/aluno, aluno/conhecimento possibilitando novas iniciativas pedagógicas diferenciadas. Mesmo não sendo, os professores de Arte e Educação Física, virtuoses quanto às habilidades da dança ou possuirem alguma formação específica em dança, explorou-se com muita criatividade a expressão corporal dos diferentes tipos de danças, sejam elas populares, folclóricas ou clássicas.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, CURRÍCULO, INOVAÇÃO

TÍTULO: OS MÚLTIPLOS ESPAÇOS DE FORMAÇÃO CONTINUADA DO EDUCADOR DO ENSINO FUNDAMENTAL DA MODALIDADE DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NO MUNICÍPIO DE VITÓRIA-ES: AÇÃO/REFLEXÃO/CONSTRUÇÃO COLETIVA DO/NO COTIDIAN
AUTOR(ES): EUZIMAR DE ANCHIETA GOMES, ALMIR PEREIRA DA SILVA SANTOS, MARCUS VINICIUS TORRES LESA, SANDRA MARA PAVESI, SANDRO JOSÉ PANCIERE
RESUMO: Este estudo tem como objetivo analisar e descrever os múltiplos espaços da formação continua dos educadores do ensino fundamental (1º e 2º segmentos) da modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Município de Vitória-ES. Buscamos como interlocutor FREIRE(2005), que reflete sobre a necessidade de educadores capacitados para o entendimento das especificidades que cerca o campo pedagógico do adulto trabalhador e que possa romper com as práticas infantilizadas numa perspectiva de diálogo, comprometimento, respeitando a cultura, a história e as vozes de cada sujeito da EJA. Neste contexto, buscamos romper com a idéia de um único momento e espaço de formação, na tentativa de ampliar os espaços/tempos formativos envolvendo diferentes ações. Desta forma, situamos 5 (cinco) espaços que contribuem com o nosso processo de formação: 1º) O Planejamento coletivo; 2º) O trabalho interdisciplinar dos professores em dupla; 3º) As intervenções em sala de aula; 4º) As Atividades Curriculares Complementares (ACCs) e 4º); O relatório diário e semanal. Este estudo vem apresentando resultados significativos da prática educativa. Os dados coletados estão sendo analisados a partir dos relatórios reflexivos dos educadores; das avaliações realizadas pelos educandos e respectivamente por suas famílias e chefias imediatas dos estudantes trabalhadores. Sendo assim, todos os momentos estão sendo de aprendizagem para o educador a partir de uma form(ação).
PALAVRAS-CHAVE: FORMAÇÃO CONTINUADA DOS EDUCADORES, CONSTRUÇÃO COLETIVA, MODALIDADE EJA

TÍTULO: DIVERSIDADE CULTURAL E CIDADANIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): EVANDRO ARAÚJO DE AQUINO
RESUMO: Com as transformações estabelecidas nas últimas duas décadas no Estado do Acre, percebe-se com bastante otimismo os avanços ocorridos nas esferas socioeconômica, político e cultural. São inúmeras as conquistas no campo educacional, caracterizadas principalmente pela abrangência dos programas educacionais de governo para as áreas rurais do Estado. Neste contexto, o presente trabalho tem como foco as perspectivas emancipatórias na Educação de Jovens e Adultos da ação educativa para adultos, na floresta, através da experiência de 26 anos do Projeto Seringueiro, demonstrando assim sua contribuição no desenvolvimento de pessoas humanas, na formação de cidadãos conscientes e capazes de agirem como atores sociais numa sociedade plural. Neste trabalho dialogamos com aspectos próprios de educação popular construídos nas ações educativas voltadas para os seringueiros, povos da floresta, destacando desta experiência, as práticas preocupadas com a leitura crítica do mundo, que se propunham contribuir com a compreensão geral do ser humano em torno de si como ser social. Discutimos desta prática, a educação para além da instrumentalização na leitura e na escrita, da estreiteza burocrática de procedimentos escolarizantes, a educação emancipatória que se propunha mobilizar os educandos em direção ao alcance dos objetivos concebidos pela coletividade. O trabalho é fruto de pesquisa elaborada a partir de levantamento bibliográfico e análise das publicações e documentos que retratam os princípios, conteúdos e metodologia construída com o Projeto Seringueiro, bem como em depoimentos de pessoas que construíram e desenvolveram esta experiência educativa junto aos seringueiros. A partir da análise da contribuição desta experiência educativa em curso, teremos novos elementos sobre a relevância da educação escolar na almejada emancipação social com a conquista dos direitos de cidadania pelas pessoas e grupos socioculturais sem que, para isso, tenham que se despir de saberes e valores culturais próprios.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO POPULAR, EMANCIPAÇÃO, COLETIVIDADE

TÍTULO: O TRABALHO COM O TEMA IDENTIDADE, NA ÁREA DE HISTÓRIA, NAS TURMAS INICIANTES DO PROJETO DE ENSINO FUNDAMENTAL DE JOVENS E ADULTOS DA UFMG (PROEF-2)
AUTOR(ES): ÉRICA PAULA FRADE
RESUMO: Neste trabalho busco relatar as experiências pedagógicas vividas com o tema identidade na disciplina de história no PROEF-2 (Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos, 2º segmento da UFMG). Este é um projeto de extensão que se encontra dentro do Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos da UFMG. O trabalho desenvolvido nesse projeto é interdisciplinar e temático, priorizando temas que são considerados relevantes para a formação humana do sujeito da EJA. Entre eles o tema identidade, principalmente para as turmas iniciantes do projeto, que tem o objetivo de resgatar no educando sua própria identidade, individual e coletiva, fazendo com que ele se perceba como um agente histórico e que desenvolva um pensamento reflexivo sobre si mesmo e sobre sua trajetória de vida - refletindo e compreendendo quem somos - se reconhecendo como um agente detentor de conhecimento. Buscarei relatar as experiências pedagógicas vividas na abordagem da temática da identidade na disciplina de história, como docente em formação supervisionada em serviço. Para isto julgo necessário fazer uma breve explanação a respeito do projeto, do sujeito específico da EJA e sobre o Ensino de História no PROEF-2, que procura centrar-se no sujeito, considerando seus conhecimentos prévios sobre os assuntos abordados e suas experiência de vida no processo de construção do conhecimento e no desenvolvimento de um pensamento crítico, discutindo, sempre que possível, o conceito de história e refletindo conjuntamente sobre este, valorizamos a sabedoria dos alunos e buscando estabelecer relações entre a realidade deles e o conteúdo do tema abordado. Assim, relatarei neste trabalho a experiência docente que tive com as turmas iniciantes do projeto no ano de 2008 resgatando as memórias, expectativas e depoimentos dos próprios educandos como forma de enfatizar essa ação e experiência docente.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, TEMA IDENTIDADE, EXPERIÊNCIA DOCENTE

TÍTULO: ANÁLISE DIALÓGICA DO DISCURSO DE PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS SOBRE LEITURA E ESCRITA
AUTOR(ES): FÁTIMA MARIA ELIAS RAMOS
RESUMO: O objetivo desse trabalho é investigarmos o discurso de seis professoras da Educação de Jovens e Adultos sobre leitura e escrita, com base no documento do MEC e da Ação Educativa “Educação para Jovens e Adultos. Ensino Fundamental: proposta curricular - 1º segmento“ (2001). Em nossas atividades nos cursos de formação de professores da EJA, observamos a falta de conhecimentos básicos de Linguística, notadamente no tocante às teorias que embasam as propostas oficiais e os métodos de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita, além da falta de continuidade na formação desses profissionais. Acrescente-se que parte desses docentes, não possui a qualificação de alfabetizadores para assumir o trabalho de alfabetizar e letrar jovens e adultos. Partindo dessa realidade, analisamos os discursos dessas professoras ancorando-nos em Bakhtin e seu Círculo. Essa análise dialógica acerca das concepções de leitura e escrita, concepções que vão da retomada-modificada de fragmentos desse documento ao conhecimento prévio dessas docentes, revelam as tensões e os desafios presentes na prática pedagógica de “alfabetizar e letrar“ sem uma formação consistente e continuada. Os resultados comprovam a urgência de uma contínua preparação desses profissionais, com vista a oferecer-lhes condições de compreender os processos de alfabetização e letramento, de modo que sejam capazes de avaliar métodos e procedimentos propostos para essas atividades, elaborar materiais didáticos adequados, entre tantas outras exigências do fazer pedagógico.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESCRITA, DIALOGISMO

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 9
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 11
TÍTULO: EVASÃO NA EJA E SUA INFLUÊNCIA NO PROCESSO DE APROPRIAÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA
AUTOR(ES): FERNANADA DE SOUZA THEODORO DIAS
RESUMO: As mudanças Sociais trouxeram novas exigências de formação, ampliando o espaço de educação formal. Reflexo disso é o número elevado de pessoas jovens e adultas que estavam fora da Educação Básica, voltam aos bancos escolares e aos programas de EJA. Acredita-se que a não conclusão das etapas de escolarização estejam ligadas a vários fatores de diferentes naturezas: sociais, culturais, políticas, econômicas, pedagógicas consideradas determinantes para a não democratização da educação. Estudiosos como Gadotti(2000) destacam que dentre as consequências desse fatores, a evasão escolar é “a vilã”. Estatísticas revelam que é elevada nessa modalidade. Nesse sentido, o presente estudo objetiva fazer uma análise das possíveis causas dessa evasão a partir de um referencial teórico que possa dar subsidio para essa análise, partindo dos fundamentos legais, confrontando o que está neles expresso, principalmente em relação ao direito a Educação como garantia de cidadania e, o que acontece na efetivação desse direito. O estudo parte de algumas indagações entre essas: como a sociedade brasileira produziu historicamente esse número de analfabetos ou desescolarizados, interferindo na não democratização da educação e na preparação do trabalhador para atuação pessoal e profissional, nessa sociedade? Por que os jovens e adultos que têm, atualmente, oportunidade de voltar a estudar, vão á escola e nela não permanecem, tendo como consequência mais evidente a apropriação, não eficaz dos códigos da leitura e da escrita? Esse estudo se justifica considerando que, ao fazer o curso de Pedagogia na FAP, realizei parte da Prática Profissional (obrigatória no CEEBJA - Centro de educação de jovens e adultos). Senti necessidade de investigar como está ocorrendo a apropriação da leitura e da escrita, por aqueles que permanecem nessa escola. Como a sociedade evolui em seu processo educativo formal é necessário que todos nele permaneçam, tendo acesso a leitura e a escrita para que não sejam mais excluído desse benefício social que o mundo letrado produziu, por não dominá-la.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, ANALFABETOS , EVASÃO

TÍTULO: A APROPRIAÇÃO DE PRÁTICAS DE LETRAMENTO ESCOLARES POR ALUNOS E ALUNAS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): FERNANDA MAURÍCIO SIMÕES, MARIA DA CONCEIÇÃO FERREIRA REIS FONSECA
RESUMO: As reflexões aqui trazidas fazem parte da pesquisa de mestrado, em desenvolvimento, cujo objetivo é entender os modos pelos quais os sujeitos adultos em processo de escolarização básica se apropriam das práticas de letramento escolares, a partir das interações em sala de aula. A perspectiva etnográfica, oriunda do campo da antropologia, e o conceito de letramento como uma prática construída socialmente fundamentam a análise do processo pelo qual educandas e educandos reconstroem e significam as práticas de leitura e escrita escolares a partir de seu posicionamento como sujeitos socioculturais. As observações em campo têm possibilitado perceber que alunas e alunos são ativos na constituição e apropriação das práticas de letramento de que participam, as quais envolvem e/ou objetivam o aprendizado de certos gêneros textuais. Esses sujeitos, a fim de se apropriarem dos gêneros textuais típicos do contexto escolar, mobilizam valores, procedimentos e concepções que podem estar em consonância ou em conflito com os valores, procedimentos e concepções características das práticas de letramento que se pretendem constituir na escola. Ademais, os alunos não só vivenciam essas tensões, como também a tomam como objeto de reflexões e questionamentos. Desse modo, o aprendizado das práticas de leitura e escrita escolares envolve não somente habilidades a serem adquiridas, mas também práticas culturais mobilizadas pelos sujeitos educandos a fim de significarem e se apropriarem da linguagem, da estrutura e dos temas referentes aos gêneros textuais usados no espaço escolar.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LETRAMENTO, ETNOGRAFIA

TÍTULO: PARA LER O LIXO: ALFABETIZAÇÃO DE CATADORES DE MATERIAIS RECICLÁVEIS NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO
AUTOR(ES): GABRIELA ALBANÁS COUTO
RESUMO: Esta comunicação pretende apresentar os resultados iniciais de uma pesquisa que aborda processos de letramento vividos por catadores de materiais recicláveis na cidade de São Paulo, em especial dos que participam ou participaram de cursos de alfabetização de jovens e adultos. Observamos e analisamos, primeiramente, a interferência de programas educacionais dessa natureza na aquisição de habilidades de leitura e escrita, na capacidade de interpretação de signos e na compreensão de informações, ou seja, na inserção dos educandos em práticas de leitura, escrita e cálculo. Também se pretende estudar a influência desses cursos na visão de mundo dos catadores a respeito de elementos atinentes ao seu campo profissional, tais como a geração de renda por meio da coleta, seleção e venda de materiais recicláveis, incluindo aspectos de gestão do próprio trabalho e das cooperativas às quais se vinculam e, ainda, no desenvolvimento de estratégias de sobrevivência nos grandes centros urbanos. O estudo permite, também, em paralelo, refletir sobre educação ambiental e sobre as relações entre essas iniciativas educacionais e temas como a exclusão social e o exercício da cidadania. Como referencial teórico escolheu-se operar com as teorias do letramento, buscando, neste sentido, analisar os processos de lecto-escritura e os usos da linguagem escrita no contexto da atividade de coleta e reciclagem de lixo. A pesquisa é de caráter qualitativo, de corte etnográfico e inclui: observação participante, confecção de um diário de campo, realização de entrevistas individuais e em grupo e registro imagético (foto/vídeo) das visitas ao local da pesquisa.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO, CATADOR DE MATERIAIS RECICLÁVEIS, CIDADANIA

TÍTULO: PERSPECTIVAS SOBRE O USO DE TEXTOS ESCRITOS E PRÁTICAS DE LEITURA EM AULAS DE CIÊNCIAS DA NATUREZA: UMA ANÁLISE DE EXPERIÊNCIAS DE PROFESSORES EM FORMAÇÃO INICIAL QUE ATUAM NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADU
AUTOR(ES): GIACOMO DE ARAÚJO PORFÍRIO PERNA, DANUSA MUNFORD
RESUMO: Nesse estudo caracterizamos as perspectivas de quatro professores de Ciências do 2º segmento do Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos acerca da utilização de textos escritos e as práticas de leitura em suas salas de aulas. Os participantes atuavam em um projeto que configurava-se como um espaço de formação de licenciandos de diferentes cursos. A partir da análise de textos escritos utilizados, registros escritos dos professores, grupos focais e entrevistas individuais, procuramos identificar as intencionalidades dos docentes. Além disso, pretendemos descrever os modos de utilização de diferentes gêneros textuais em aulas de Ciências, considerando especificidades dos alunos e do percurso formativo desses professores, bem como as particularidades dos conteúdos trabalhados e das práticas de leitura no ensino de ciências. Os participantes utilizaram textos de natureza diversa (artigos de divulgação científica, reportagens, livros didáticos), com intenções também diversas (promover a participação na discussão de questões sócio-científicas, introduzir conceitos, consolidar a compreensão de conceitos, ilustrar pesquisas científicas). A partir do contraste com a literatura sobre leitura e escrita na área de ciências, identificamos práticas de leitura e tipos de gêneros pouco explorados em sala. As experiências pessoais enquanto leitores e “leitores de ciências” influenciaram fortemente a elaboração das atividades desenvolvidas, bem como a avaliação da aprendizagem dos estudantes jovens e adultos. A partir dos resultados, discutimos a utilização de textos como mediadores para o ensino de ciências, refletindo sobre os pressupostos e as relações observados na construção de significados em sala de aula. Finalmente, examinamos os desdobramentos que as escolhas textuais podem gerar na prática pedagógica do professor de EJA e suas implicações para o ensino-aprendizagem de ciências da natureza para esse grupo. O trabalho tem o potencial de contribuir para a formação dos educadores da EJA, fornecendo subsídios para professores de conteúdos específicos refletirem sobre sua prática pedagógica.
PALAVRAS-CHAVE: PRÁTICAS DE LEITURA, FORMAÇÃO DE EDUCADORES DA EJA, TEXTOS ESCRITOS DE CIÊNCIAS

TÍTULO: AVALIAÇÃO NA EJA
AUTOR(ES): GILCÉLIA MARA CORNELSEN, ILZA MARIA DA COSTA NOVACKI, MARLENE PALAORO BORGES, WLASTA MARIA CURI STABEN DE MOURA LEITE
RESUMO: Curitiba tem se destacado no cenário nacional pela excelência das ações educativas que realiza em termos de projetos, programas e avaliações em larga escala. Nessa perspectiva, a Secretaria Municipal da Educação de Curitiba vem promovendo desde 2008, a Avaliação de Aprendizagem da EJA em Língua Portuguesa e em Matemática nas 120 escolas municipais que ofertam esta modalidade de ensino, como parte integrante do Programa Qualidade da Educação (2006). Para tanto, utilizam-se instrumentos próprios de levantamento e registro de informações com a análise e síntese do processo. As avaliações são propostas em três níveis: Alfabetização, 1.º Período e 2.º Período. Os dados coletados são expressos por meio de planilhas e gráficos, gerando resultados por questão, aluno, turma, escola e região municipal, possibilitando dessa forma o mapeamento do rendimento da aprendizagem da EJA em Curitiba. Para análise coletiva dos dados são realizados 9 (nove) seminários regionais, nos quais as escolas apresentam os seus resultados e as reflexões sobre o processo de ensino e aprendizagem, buscando soluções para o avanço de cada estudante. Deste modo, a avaliação é uma das estratégias para diagnóstico, reflexões metodológicas e tomada de decisão em planejamento de ações futuras dos professores, das equipes pedagógico-administrativas das escolas e coordenadores da EJA nos Núcleos Regionais da Educação. Assim, os resultados obtidos de natureza qualitativa e quantitativa, possibilitam múltiplos usos, tais como: verificação da eficiência do processo ensino aprendizagem, diferentes panoramas de habilidades linguísticas e matemáticas que constituem, para o professor, um exercício pedagógico de aprimoramento educacional e profissional.
PALAVRAS-CHAVE: AVALIAÇÃO, EJA, QUALIDADE NA EDUCAÇÃO

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 10
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 12
TÍTULO: A CONSTRUÇÃO DE NARRATIVAS POR JOVENS COM SÍNDROME DE DOWN E O ANDAIMENTO
AUTOR(ES): GILSENIRA DE ALCINO RANGEL
RESUMO: Este trabalho é fruto de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida sobre o processo de aprendizagem da leitura e da escrita por crianças e jovens com síndrome de Down. Levando em consideração as idéias de Vigotsky, dentre elas – a da mediação – estamos trabalhando com um grupo de jovens com síndrome de Down com idades que variam de 19 a 27 anos, que não frequentam escola regular e não estão expostos a nenhum tipo de atendimento pedagógico, além dos vivenciados no projeto de Extensão do qual participam. No projeto são oferecidas atividades pedagógicas, físicas e artísticas. No atendimento pedagógico proporcionamos o contato mais direto com práticas de leitura e escrita, através de oficinas de produção escrita, que visam ao desenvolvimento de textos pertencentes a diversos gêneros textuais. Este estudo tem o objetivo de descrever e analisar narrativas produzidas por jovens com síndrome de Down ao longo de um semestre. Os dados obtidos, através de oficinas de produção textual, estão sendo analisados com base na proposta de andaimento (WOOD, BRUNER, ROSS, 1976), segundo a qual criar ‘andaimes’ é proporcionar ao aprendiz a passagem de um nível potencial para o nível de desenvolvimento real, atuando junto à ZDP (Zona de Desenvolvimento Proximal). Os resultados encontrados até agora indicam que os jovens com síndrome de Down apresentam uma evolução significativa no que concerne ao desenvolvimento de textos narrativos.
PALAVRAS-CHAVE: SÍNDROME DE DOWN, NARRATIVA, ANDAIMENTO

TÍTULO: FALAR E ESCREVER NA ALBETIZAÇÃO DE ADULTOS: UMA RELAÇÃO TENSA
AUTOR(ES): GIOVANA AZZI DE CAMARGO
RESUMO: Nesta apresentação abordaremos pontos relevantes da pesquisa de mestrado que discute como a oralidade é considerada/tratada na alfabetização de jovens e adultos, enfocando a relação desta com a escrita. Nesse sentido, nos perguntamos: como essa relação se constitui em uma sala de aula destinada à alfabetização? Que indícios da tensão entre a escrita e a oralidade podemos depreender da observação dessas aulas? De que forma o professor considera as falas dos alunos no processo de alfabetização? Para isso foi realizada uma pesquisa de campo, numa sala de primeira etapa da EJA, de uma rede municipal de ensino, no interior do estado de São Paulo, através da observação das aulas e da entrevistas com as professoras e os alunos. Os dados foram analisados a partir dos princípios teórico-metodológicos de Vygotsky e Bakhtin, e através da análise microgenética. A pesquisa se pauta nas contribuições de estudiosos que consideram a linguagem como constitutiva do humano (Vygotsky, Bakhtin); nas discussões sobre a relação entre oralidade e escrita (Havelock, Ong, Barthes e Marty, Zumthor, Marcuschi), sobre letramento e oralidade como práticas sociais (Marcuschi, Kleiman, Soares, Tfouni, Oliveira); considerações sobre a presença da oralidade na escola (Belintane, Marcuschi), a importância da palavra no processo educativo (Freire) e alfabetização como processo discursivo e significativo (Vigotski, Smolka). Nossas análises problematizam a consideração da oralidade no processo de alfabetização em sala de aula: como é feito o trabalho com o gênero oral? De que forma as falas dos alunos são consideradas? Na reescrita de textos, como a participação dos alunos é incorporada? Tendo isso em vista, enfocamos também, a primazia do texto escrito no processo de alfabetização e as concepções de aluno, de analfabeto, de apropriação do conhecimento que norteiam o trabalho do professor.
PALAVRAS-CHAVE: ORALIDADE, ESCRITA, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
TÍTULO: INSTITUIÇÕES, DISCURSOS E LEITURA: REFLEXÕES SOBRE O JOVEM LEITOR
AUTOR(ES): GISELE GONÇALVES ISAIAS
RESUMO: As pesquisas sobre leitura no Brasil têm ganhado maior visibilidade nos últimos anos devido à grande preocupação com os níveis de alfabetismo e de domínio da cultura escrita. Diversas são as pesquisas que levantam questões sobre o papel da leitura como prática cultural e social. Considerem-se, em especial, as novas gerações e suas práticas (Fernandes, 2007). Algumas dessas pesquisas acabam indicando estereótipos relacionados a jovens relapsos e desinteressados por essa prática tão cultuada pela escola e pela sociedade como um todo. Contudo, será que realmente o jovem não lê? Ou o jovem não tem espaço para declarar seu posicionamento? A pesquisa A Leitura do Jovem: Concepções e Práticas (UERJ), da qual faço parte, tem como principal objetivo conhecer as práticas de leitura realizadas pelo jovem em diversos ambientes, considerando suas concepções sobre leitura e quais as práticas que esse jovem efetivamente realiza (Silva, 2006). A metodologia de pesquisa selecionada leva em conta o grupo focal (Gatti, 2005) e, neste trabalho, apresenta-se o inicio das análises dos dados colhidos na primeira reunião com o grupo de jovens. Inicialmente, indica-se a metodologia que foi utilizada e, em seguida, destaca-se a importância de abrir espaço para que os jovens expressem suas ideias, tanto sobre leitura quanto sobre outros temas que envolvem a juventude. Por último, analisam-se algumas falas dos jovens oraganizadas em quatro categorias: juventude: entre futuro e presente; identidade juvenil; construção da identidade na escola; juventude e leitura.
PALAVRAS-CHAVE: JUVENTUDE, LEITURA, DISCURSOS

TÍTULO: RELENDO METODOLOGIAS EM PESQUISAS DE ESTADO DA ARTE
AUTOR(ES): GYME GESSYKA PEREIRA DOS SANTOS
RESUMO: A discussão proposta nesta comunicação diz respeito a uma etapa de pesquisa referente ao estado da arte de um acervo composto de monografias de alunos concluintes do curso de pedagogia da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, cuja riqueza encontra-se na diversidade sobre um mesmo tema — a Educação de Jovens e Adultos. Esta, sem dúvida, é uma tarefa que exige atenção e cuidados redobrados, pois a produção de conhecimentos de graduandos costuma ser invisibilizada em processos acadêmicos. Além disso, são muitos os detalhes encontrados, principalmente quando o tema pode ser abordado de infinitas formas. Os procedimentos metodológicos adotados no processo de uma investigação muitas vezes estão implícitos, e os resultados, a partir de um determinado ponto de vista construído culturalmente, nem sempre surpreendem, por serem esperados e até mesmo buscados, se esses procedimentos não são claramente explicitados e adequados à natureza do estudo proposto. Ou seja, a exigência de definições metodológicas prévias, em estudos dessa natureza, em certos casos, pode impedir a visualização de outras possíveis nuances. Em se tratando especificamente da pesquisa discutida, o processo, portanto, tem tanta relevância quanto os resultados obtidos. Para organizar e direcionar a pesquisa, o apoio em referenciais teóricos, por meio da leitura de textos e da busca de autores que tratam da metodologia de estado da arte foram indispensáveis, assim como o diálogo travado com estes autores, a partir das leituras das monografias. A pesquisa vai tomando forma e abrindo outros caminhos para novas possibilidades de questionamento e reflexões acerca do tema, o que significa dizer que o processo de leitura não se limita somente à busca de informações, mas também permite a (re)construção de uma nova base de conhecimento a partir de uma outra já formada.
PALAVRAS-CHAVE: ANÁLISES METODOLÓGICAS, PROCESSO DE LEITURA, ABORDAGENS DIFERENCIADAS

TÍTULO: A EXPERIÊNCIA DO PROEJA EM CONTAGEM: INTERSEÇÃO ENTRE EJA E EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
AUTOR(ES): HASLA DE PAULA PACHECO
RESUMO: Este trabalho se refere a uma pesquisa de mestrado, ainda em andamento, que tem como objeto de estudo a implementação da modalidade Educação Profissional integrada à Educação de Jovens e Adultos ( EJA) em uma escola municipal. Objetiva-se analisar, nessa investigação, os desafios enfrentados na articulação entre formação para o trabalho e a elevação de escolaridade, bem como refletir sobre as condições de implementação do curso, a partir da realidade da política educacional do município de Contagem. Em função disso, o referencial é baseado nas formulações teorias de Marx e de outros teóricos tais como Gramsci, Manacorda, Pistrak, Freire, para os quais a categoria trabalho é o alicerce para pensar a educação. Optou-se pela pesquisa qualitativa feita por meio de estudo de caso, utilizando-se das ferramentas metodológicas: questionário, entrevistas e análise documental. Ao presente artigo interessa discutir acerca das primeiras análises sobre os documentos oficiais, identificando e traçando os princípios elencados pelos gestores públicos e a trajetória percorrida pelo referido município no que se refere ao atendimento do direito à educação das pessoas jovens e adultas. Acreditamos que há uma grande contribuição dessa experiência para o campo da EJA e da Educação Profissional no âmbito de consolidação de uma política educacional com vista a torna-se, realmente, política de estado.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, POLÍTICA PÚBLICA

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 11
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 12
TÍTULO: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO: CONCEPÇÕES E PRÁTICAS DE EDUCADORES DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): HILDA APARECIDA LINHARES DA SILVA MICARELLO, ANA LETÍCIA DUIN TAVARES, ILKA SCHAPPER SANTOS
RESUMO: Este trabalho é parte da pesquisa “Avaliação do Projeto Todas as Letras: Desenvolvimento e Impactos”, desenvolvida pelo IIEP – Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas - que teve por objetivo investigar os impactos da alfabetização e do letramento na vida de jovens e adultos alfabetizandos, no âmbito no Projeto Todas as Letras - PTL. Na coleta de dados foram utilizados os seguintes procedimentos: questionários respondidos por coordenadores regionais, locais, atores políticos, alfabetizadores e alfabetizandos; entrevistas individuais e em grupo com esses mesmos atores; análise de produções escritas realizadas dos alfabetizandos. Foram analisados, ao todo, 183 questionários, aproximadamente 32 horas de entrevistas transcritas e 289 produções de texto e exercícios realizados por alfabetizandos. A partir da utilização dos instrumentos acima relacionados e também da inserção dos pesquisadores no campo, foi possível uma aproximação à realidade do PTL, conhecendo os atores que dele fazem parte e compreendendo seu papel na vida dos sujeitos e das comunidades atendidas pelo Projeto. Dentre os vários aspectos relativos à experiência dos sujeitos envolvidos no Projeto, o presente trabalho aborda a experiência dos professores formadores e suas concepções acerca dos termos alfabetização e letramento. Os resultados do estudo apontam para o fato de que, apesar da dificuldade que apresentam de conceituar o termo “letramento”, muitos dos alfabetizadores conseguiram, na prática pedagógica, “alfabetizar letrando”, pois privilegiaram situações de leitura e escrita relacionadas ao universo sócio-histórico-cultural dos alfabetizandos. Ao mesmo tempo, a análise da experiência do PTL aponta permanências de práticas pedagógicas ainda pautadas em textos no modelo escolar/cartilha, cujo conteúdo muitas vezes infantiliza o processo de alfabetização de jovens e adultos, indo de encontro às orientações teórico-metodológicas do PTL. Destaca-se a possibilidade de superação dessas tensões a partir de investimentos em políticas de formação dos formadores.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO, LETRAMENTO, JOVENS E ADULTOS

TÍTULO: O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NO PROEJA(IF-AL):UM ESTUDO DA DESCONTINUIDADE ENTRE A GRAMÁTICA PADRÃO E OUTRAS VARIANTES
AUTOR(ES): HOSANA CLAUDIA BARBOSA BORGES
RESUMO: Neste Trabalho procuro discutir o ensino de Língua Portuguesa voltado para a Educação de Jovens e Adultos, no ensino médio profissionalizante, levando em conta ser o sujeito aluno dessa modalidade de ensino um ser já marcado pela descontinuidade na vida escolar e pela exclusão da cultura letrada. A dicussão está pautada na observação do ensino de Língua Portuguesa fundamentado na variação linguística de prestígio alternadamente com as demais variações, promovendo a equalização necessária para a inclusão desses sujeitos. As considerações postas partem, mais precisamente, da observação por mim feita durante o ano de 2008 numa turma de PROEJA(IF-AL), onde participei como professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e pelas praticas por mim desenvolvidas. É considerada a necessidade de uma metodologia que leve em conta a variação da linguagem como forma de valorização dos conhecimentos acumulados pelos sujeitos alunos, respeitando a sua diversidade cultural. Sendo o PROEJA um curso técnico profissionalizante de nível médio, esses sujeitos, ao concluirem, serão portadores de certificação profissional e disputarão com os outros, oriundos de cursos regulares e formações lineares, uma vaga no mercado de trabalho. Assim, é necessario uma abordagem que garanta a esses sujeitos uma formação na perspectiva do letramento, habilitando-os para competir, de forma isonômica, no mercado de trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LÍNGUA PORTUGUESA, VARIAÇÃO DA LINGUAGEM

TÍTULO: PAULO FREIRE E A ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): INEZ HELENA MUNIZ GARCIA
RESUMO: O trabalho insere-se no eixo temático Educação de Jovens e Adultos e tem por objetivo apresentar, numa breve reflexão, as origens da práxis político-pedagógica de Paulo Freire que influenciaram a concepção do seu Método de Alfabetização de Adultos e da assunção da educação como prática da liberdade. Destaca, também, a influência marcante e contribuições da pedagogia freireana nos processos de alfabetização de jovens e adultos até os dias atuais. Mostra a adesão do Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos do Banco do Brasil, BB Educar, às concepções Paulo Freireanas e a adoção de seu Método e de sua pedagogia como um dos pilares desse Programa, que vem formando educadoras e educadores, em todo o Brasil, desde 1992. Discute a proposta de alfabetização de adultos de Freire, no que tange ao aprendizado da escrita, a partir dos temas geradores e palavras geradoras. Pretende-se contribuir para que os (as) alfabetizandos (as) se sintam sujeitos no processo de aprendizagem da escrita ao optarem por aquilo que desejam aprender a escrever e para que tenham autonomia de elaborar hipóteses sobre o funcionamento do sistema de escrita. A convicção de que Paulo Freire foi um de nossos educadores mais importantes, que com coerência norteou sua vida e sua obra em favor dos oprimidos, marginalizados, miseráveis, espoliados, sem voz e sem vez, é inerente à construção desse texto.
PALAVRAS-CHAVE: MÉTODO PAULO FREIRE, ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, ESCRITA

TÍTULO: EJA E A TERCEIRA IDADE: UMA COMBINAÇÃO QUE GERA QUALIDADE DE VIDA
AUTOR(ES): ISAMARA GRAZIELLE MARTINS COURA
RESUMO: O trabalho visa a apresentação dos resultados de uma pesquisa de mestrado, realizada no Programa de Pós Graduação em Educação da UFMG. Objetivou-se identificar os motivos que levam pessoas da terceira idade voltar a estudar, uma vez que são alfabetizadas e que, provavelmente, não teriam como intenção a inserção, a volta ou a permanência no mercado de trabalho. Pretendeu-se também investigar quais são suas expectativas em relação à escolarização e em que medida estas vêm sendo atendidas. A pesquisa apresenta caráter qualitativo e contou com a entrevista semi-estruturada e com a observação como seus principais instrumentos metodológicos. A partir dos relatos dos educandos, foi possível perceber que ter acesso à uma educação formal era um sonho que só pôde ser realizado nesta etapa da vida. Percebeu-se também que voltar à escola trouxe contribuições para a melhoria da qualidade de vida tais como: maior integração com os familiares, melhoria na auto-imagem, na memória e na sua condição de cidadão. Tais melhorias fazem com que estes sujeitos, apesar dos desafios enfrentados para se frequentar uma sala de aula da Educação de Jovens e Adultos, uma vez que têm que deixar seus familiares e a segurança de seus lares à noite, e em muitos casos, atravessarem boa parte da cidade, continuem a buscar pela concretização de um direito que lhes foi negado durante muito anos.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, TERCEIRA IDADE, QUALIDADE DE VIDA

TÍTULO: EDUCAÇÃO FORMAL E NÃO-FORMAL E O APRENDIZADO DA LEGISLAÇÃO EM DEFESA DOS DIREITOS HUMANOS
AUTOR(ES): ISIS SOUSA LONGO
RESUMO: As mudanças nos marcos legislativos advindas com a redemocratização do Brasil em meados da década de 1980, imprimiram no país a universalização da categoria de cidadãos e cidadãs brasileiros, sujeitos históricos detentores de direitos públicos, subjetivos, anteriormente negados à maioria da população, excluída em lei das garantias sociais e políticas, como a negação do direito ao voto do analfabeto. A Constituição Federal de 1988, completa recentemente 20 anos de existência, e seus avanços legais ainda não foram implantados na íntegra na sociedade brasileira, que carrega a mácula da desigualdade de uma sociedade pautada pelo passado de quatro séculos de escravidão, impregnada de valores culturais que naturalizam aos abastados o privilégio de berço, reivindicam os direitos humanos como privilégio de classe; enquanto que a maioria da população permanece privada dos direitos sociais, políticos, econômicos, à margem de um Estado Neoliberal, que não promove a equidade social. Legislações significativas no âmbito da universalização dos diretos, como a Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei Federal 8069/90, a LBD da Educação – Lei 9394/96 são mencionadas nos espaços educativos, incluídas nos projetos político pedagógicos, no entanto, a leitura, discussão e aplicação destas leis pouco têm repercutido na mudança de prática e mentalidade no cotidiano escolar. Temos por objetivo problematizar essas questões sobre a ausência de discussões das legislações no âmbito escolar, desmistificar os discursos da complexidade do conteúdo legal, como algo intransponível para os alunos do Ensino Fundamental, fato rebatido com exemplos da atuação de organizações de defesa dos direitos humanos, que promovem formação, discussão e aplicação sobre os direitos e cidadania em espaços de educação não-formal que muitas vezes atendem as mesmas crianças e adolescentes que são os alunos dos espaços formais de ensino.
PALAVRAS-CHAVE: DIREITOS HUMANOS, EDUCAÇÃO NÃO-FORMAL, ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 12
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 13
TÍTULO: A PRESENÇA DE CONCEITOS DE PAULO FREIRE NO COTIDIANO DE ALUNOS DE EJA
AUTOR(ES): IVANIA MARINI PITON
RESUMO: A pesquisa em questão analisou os conceitos presentes no cotidiano dos alunos do Programa Educação Não-Formal e Cidadania – Educação de Jovens, Adultos e Idosos, do Centro Universitário Católico do Sudoeste do Paraná - UNICS, programa que é realizado em parceria com a Prefeitura Municipal de Palmas/PR, sendo que esta remunera os professores e o UNICS realiza a formação dos docentes. Considerando que o legado de Paulo Freire é a base da formação dos professores, a presente pesquisa buscou analisar como as concepções de Paulo Freire estão presentes na vida dos alunos. Dentre as concepções freireanas, aqui destacaram-se duas: autonomia e emancipação. Tais concepções foram destacadas porque em pesquisa anteriormente realizada com os docentes, as mesmas apareceram de forma bastante contundente. Assim, o objetivo da pesquisa foi analisar como se dá o vínculo teoria dos docente/prática cotidiana dos alunos. Os sujeitos da pesquisa foram escolhidos a partir de três critérios: o primeiro, a localização geográfica da turma – uma em bairro mais central da cidade e outra em um dos bairros mais carentes do município (alunos que basicamente vivem de trabalhos sazonais); o segundo, poder aquisitivo dos alunos (do bairro central o poder aquisitivo é mais alto) e o terceiro, o tempo de escolaridade (alunos que estão estudando a mais de um ano e a mais de 6 meses). Os resultados demonstram a presença de concepções freireanas na vida dos sujeitos, mas demonstram também que a afirmação de Paulo Freire “a educação não muda o mundo sozinha, porém, que sem ela nada mudará“ também é verdadeira.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, CONCEPÇÕES, PAULO FREIRE
TÍTULO: PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA/ QUALIFICAÇÃO EDUCACIONAL PARA SERVIDORES DA UNICAMP
AUTOR(ES): IVANIL SONIA ALVES GOES BORGES, MARINEZ BONILLO, ODILA APARECIDA VICENTIM GRANDIM
RESUMO: O Programa de Educação Continuada / AFPU – PRDU surgiu para atender às necessidades de aprimoramento dos servidores da Unicamp no ensino fundamental (incluindo alfabetização) e ensino médio, com objetivo de aumentar o índice de escolaridade, qualificar o profissional para que tenha novas oportunidades dentro da Instituição, além do desenvolvimento pessoal, social e cultural. Atualmente, além da escolaridade formal, desenvolve propostas com ações diversificadas: palestras com temas de interesse (qualidade de vida, meio ambiente, ética, saúde) como também inclusão digital, de surdos e necessidades especiais. Surgiu em 2000 como projeto piloto, com base em uma pesquisa realizada pelo CONDEHC, onde foi apurado que 40% dos 3 mil funcionários do Hospital, cerca de 1200 servidores tinham baixa escolaridade, Projeto Alfabetização 100%. Uma nova pesquisa realizada em 2003 pela AFPU em todo Campi, revelou que 957 funcionários necessitavam concluir a escolarização básica. Frente à realidade detectada foi criado o Programa de Educação Continuada alinhado ao Planejamento Estratégico da Universidade, desenvolvido através das entidades: SENAI; PAS - Programa de Alfabetização Solidária; FUMEC - Fundação Municipal para Educação Comunitária/Campinas (Ensino Fundamental); CEES - Centro Estadual de Educação Supletiva “Paulo Decourt”/ Diretoria Campinas Leste (Ensino Fundamental), Secretaria de Educação do Estado De São Paulo (Ensino Médio). Os resultados alcançados de 2000 a 2007 foram: 745 funcionários participaram do programa, dos quais 329 concluíram o ciclo de estudo proposto. Alguns concluíram o Ensino Fundamental, outros o Ensino Médio e os demais estão em curso. Esta vivência tem impulsionado novos desafios a cada ano, visando uma ampliação das oportunidades a uma demanda diversificada de funcionários que, diante desse processo de conscientização, passam a exercer suas atividades de maneira a compreender o trabalho em sua dimensão e importância para a instituição, e para o fortalecimento da dignidade do ser humano e, principalmente, a se reconhecer como cidadão e como autor de sua própria história.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, TRABALHO, CIDADANIA
TÍTULO: ARTESANATO AFROBRASILEIRO: LEITURA DO MUNDO NA GERAÇÃO DE TRABALHO E RENDA - PERSPECTIVA PARA TRABALHADORES/AS DE UM LIXÃO
AUTOR(ES): IVONETE APARECIDA ALVES
RESUMO: A educação de Jovens e Adultos é um caminho que deve colaborar para diminuir as imensas desigualdades que ainda vigoram no Brasil. Vivemos em um mundo onde o código escrito ocupa um lugar de destaque, em todos os momentos de nossa vida. Mesmo quando estamos ouvindo a emissora de rádio há um apelo para nossos conhecimentos prévios e uma organização textual de nossas experiências de leituras anteriores. O trabalho previsto para ser implementado na zona leste de Presidente Prudente tem como objetivo essencial promover atividades dentro de processo de formação continuada para mulheres e homens que foram impedidos de estudar na época devida, que residem nesta região da cidade de Presidente Prudente e que ainda permanecem como coletores do lixão que tem prazo para ser fechado, mudando para o aterro sanitário que está em processo de construção. Para tanto iniciamos realizando uma pesquisa qualitativa e quantitativa sobre os anseios dessas pessoas para identificar as que possuam interesse em participar de um projeto-piloto, onde seja possível aliar a formação profissional ao processo de escolarização, planejando, organizando e implementando oficinas de qualificação profissional para pessoas com baixo índice de escolaridade, egressos e egressas do sistema penitenciário, seus familiares e componentes da sociedade que possam sustentar o desejo de trabalho do grupo focal desse projeto, visando o acolhimento social pleno, através de geração de renda, essencialmente através de cooperativas de trabalho, ou organizações similares.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE ADULTOS, GERAÇÃO DE RENDA, EDUCAÇÃO POPULAR

TÍTULO: PRIVADOS DE LIBERDADE, LIVRES EM IDÉIAS. A CONSTRUÇÃO DA LEITURA E DA ESCRITA COM JOVENS E ADULTOS PRIVADOS DE LIBERDADE.
AUTOR(ES): JANAINA DE AZEVEDO CORENZA
RESUMO: O presente trabalho pretende apresentar e discutir as possibilidades de construção de leitura e de escrita a partir da participação dos jovens e adultos privados de liberdade na promoção de um trabalho significativo no interior de uma escola prisional. O trabalho busca conjugar a leitura, a escrita e os saberes de vida destes alunos. Os dados que serão apresentados emergem da experiência de uma escola que atende alunos jovens e adultos em privação de liberdade no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Estado do Rio de Janeiro. Apesar da contradição vivida entre os objetivos da instituição “prisão“ e os objetivos da instituição “escola“, que convivem no mesmo espaço, foi possível, através da participação de alunos representantes, eleitos pelo corpo discente, em centros de estudos, planejamentos e reuniões pedagógicas, definir temáticas, atividades e propostas de trabalho que objetivaram trabalhar com as ansiedades e necessidades dos alunos no que tange suas expectativas em relação a educação escolar, sobretudo a construção da leitura e da escrita. Esta proposta de trabalho reafirma que não cabe ao professor decidir o que o aluno deve ou precisa aprender. É preciso haver diálogo, na perspectiva de possibilitar a construção de uma escola cujo foco seja a construção da autonomia do aluno, lembrando, neste caso específico, que estes jovens e adultos estão privados apenas da sua liberdade e não de seus conhecimentos, idéias e expectativas.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, PRIVAÇÃO DE LIBERDADE, CONSTRUÇÃO DE AUTONOMIAS

TÍTULO: SABERES DO COTIDIANO E SABERES ESCOLARES: UM DIÁLOGO POSSÍVEL NA EDUCAÇÃO DE ADULTOS.
AUTOR(ES): JANAINA DE OLIVEIRA MENEZES
RESUMO: O aluno adulto traz consigo várias representações por onde foi pautada toda a sua vida até o seu retorno ou chegada à escola. Nas salas de aulas da EJA muitos conflitos são verificados por diferenças de posturas com relação à vida. Estas diferenças podem se manifestar em qualquer lugar onde haja sujeitos em interação, mas é na EJA, onde os alunos já dispõem de um referencial prático bem organizado, que estas dificuldades de comunicação se mostram mais evidentes. Nesse sentido, a presente proposta considera que estes saberes são a todo tempo negados enquanto conhecimentos válidos porque legitimam uma cultura cingida na desigualdade e carregada de significados dos grupos marginalizados. Estabelece-se aí um impasse tão profundo que acaba por impossibilitar a abertura para o conhecimento. Percebemos que os professores tendem a valorizar um saber que está referendado na cultura letrada em detrimento dos conhecimentos apresentados pelos alunos, que se expressam na maior parte das vezes por meio do senso comum e da oralidade. Este professor, por deficiências em sua formação ou por incompreensão do seu papel social, nega, em suas metodologias, abordagens e posturas a possibilidade de interlocução da cultura popular com a educação formal entendendo esta relação apenas como figura exótica na escola. Deste modo, há duas coisas que têm implicações educativas severas: i) imagem que formamos da cultura letrada não é neutra. Contrariando a idéia de uma isenção, ela está sempre imersa em um paradigma. ii) a implicação ética dos interesses desta apropriação do mundo vai indiretamente desembocar nas posturas dos professores frente às formas de conhecimento. Buscar uma postura unilateral em relação ao conhecimento é tentar explicar as coisas com uma única linguagem e não discutir estes conceitos é negar uma possibilidade de conhecer.
PALAVRAS-CHAVE: CULTURA, ORALIDADE, CONHECIMENTO

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 13
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 13
TÍTULO: ESTRATÉGIASDE LETRAMENTO NAS CLASSES DE EDUCAÇÃO INFANTIL-INTERFACES E DIÁLOGOS COM A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS.
AUTOR(ES): JANAINA PEREIRA RIBEIRO
RESUMO: Dando continuidade aos estudos sobre letramento e alfabetização este artigo tem por objetivo propor uma estratégia de trabalho capaz de desenvolver o letramento de crianças a partir de uma perspectiva mais ampla, entendendo-se a questão como desenvolvimento e ampliação das formas de agir e interagir com o mundo. Esta discussão visa a promover o diálogo entre práticas de Educação infantil e práticas de educação de jovens e adultos, buscando desmistificar o isolamento que hoje caracteriza a relação entre as duas áreas. O conceito de letramento defendido neste trabalho auxilia a aprendizagem da leitura e da escrita, por representar a possibilidade de reorganização e assimilação de novos esquemas mentais, ampliando as experiências dos alunos, de modo que eles possam aproximar-se e transitar em áreas do desenvolvimento condizentes com o perfil da cultura científica, já que a grande maioria se constrói em uma cultura narrativa.Estudos atuais sobre letramento o associam ao desenvolvimento das habilidades cognitivas com as práticas culturais nas quais o sujeito se engaja. Pode-se afirmar que o letramento extrapola o mundo da escrita para ser visto como uma prática social do sujeito que está no mundo.O trabalho de letramento proposto se organiza em torno de atividades psicomotoras, pois os exercícios psicomotores são um meio para atingir a integração do sujeito ao meio físico e social.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO/ ALFABETIZAÇÃO, CULTURA ORAL/CULTURA CIENTÍFICA, ALFABETIZAÇÃO

TÍTULO: POR UMA PEDAGOGIA EFETIVAMENTE AFETIVA E EMANCIPATÓRIA
AUTOR(ES): JANETE TRAJANO DA SILVA
RESUMO: Considerando que afeto e cognição são faces da mesma moeda, que são aspectos inseparáveis presentes em qualquer atividade desenvolvida pelo homem e que na Educação de Jovens e Adultos assumem dimensões significativas no que diz respeito ao processo de formação tanto de professores quanto dos alunos, o presente estudo teve por objetivo refletir sobre a importância da afetividade nas relações estabelecidas entre professores e alunos e os alunos entre si para a construção do conhecimento e emancipação dos sujeitos no Programa de Educação de Jovens e adultos (PEJA) em um Ciep da cidade do Rio de Janeiro. Os alunos geralmente são jovens e adultos que vivendo num mundo orquestrado pelo valor da leitura e da escrita acreditam que a escolarização pode instrumentalizá-los a preencher fichas, currículos, ler documentos, acessar e operar caixas eletrônicos em bancos. O domínio da leitura e da escrita é visto como uma possibilidade de inclusão social, de empregabilidade e de ascensão social junto à família, ao espaço de trabalho, igreja e amigos. Esses homens e mulheres também se utilizam das “táticas dos praticantes” para dissimular seus não saberes. Assim, confiar, no sentido de fiar, de tecer junto, representa um requisito fundamental nas relações estabelecidas em sala de aula e na escola. Reconhecer os alunos como portadores de saberes, levá-los a compreender a multiplicidade de conhecimentos que possuem e a sua validade para vida, assim como seus limites é de importância impar para as escolhas que são feitas no trabalho que se pretende emancipatório. Neste estudo, o afeto e a inteligência foram vistos pela ótica da comunicação, da ação dos indivíduos na construção de movimentos de interações que pudessem promover a possibilidade de ser mais da qual nos fala Paulo Freire.
PALAVRAS-CHAVE: AFETIVIDADE, EMANCIPAÇÃO, AÇÃO PEDAGÓGICA

TÍTULO: “MINHA VIDA DE ESTUDANTE“:SUJEITOS JOVENS E ADULTOS EM FORMAÇÃO
AUTOR(ES): JANINE FONTES DE SOUZA, KÁTIA MARIA SANTOS MOTA
RESUMO: A concepção aqui adotada busca, de acordo com Freire, conceber o sujeito não como um “super sujeito”, tão pouco como um sujeito assujeitado, mas como um sujeito que, sendo um eu para-si, condição de formação da identidade subjetiva, é também um eu para-o-outro, condição de inserção dessa subjetividade no plano relacional responsável/responsivo, que lhe dá sentido. No ato de estudar o aluno Jovem ou Adulto se defronta com dificuldades, obstáculos que precisa superar, e é nessa situação que ele aprende, vivencia junto ao professor e outros colegas suas aprendizagens, seus enfrentamentos na construção de sua própria identidade. É indispensável o caráter de encontro de consciências no ato da aprendizagem, porque a educação é um diálogo constante entre consciências, entre troca de saberes, configurando-se em uma “dialética do conhecimento” no qual torna-se necessária uma reflexão coletiva. Nessa perspectiva, a escrita de narrativas (auto)biográficas coloca o sujeito em estado de reconstrução identitária, uma vez que ele precisará selecionar, frente a tantos fragmentos, aqueles que serão capazes de lhe traduzir. Assim, em meio às suas memórias; lembranças e, consequentemente, esquecimentos, vai preenchendo os espaços vazios de sua existência, construindo a sua própria história num movimento complexo de apagamento e significação, uma vez que priorizará alguns aspectos de sua vida em detrimento de outros, e no intento de se fazer existir constroi as imagens de si no discurso que lhe é próprio. Assim a escrita (auto)biográfica surge no cenário educacional de jovens e adultos como possibilidade de despertar o autoconhecimento dos sujeitos; o partilhar dessas experiências de escrita estimula a prática da leitura reflexiva, enquanto fortalece os laços afetivos e culturais entre os sujeitos envolvidos no processo educativo, possibilitando a construção de um ambiente integrador que fomente a construção de experiências significativas para a aprendizagem.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA AUTOBIOGRÁFICA, IDENTIDADE, LEITURA REFLEXIVA

TÍTULO: AS CONTRADIÇÕES IMPLÍCITAS E EXPLÍCITAS SOBRE A EDUCAÇÃO OFERECIDA NO SISTEMA PENITENCIÁRIO: APLICAÇÕES, IMPLICAÇÕES E CONCEITOS IMPORTANTES.
AUTOR(ES): JEHU VIEIRA SERRADO JÚNIOR
RESUMO: Este trabalho é parte de uma pesquisa mais ampla que vem sendo desenvolvida no Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Educação - FCT/UNESP, na cidade de Presidente Prudente-SP, e tem como objetivo trazer à tona a discussão sobre as implicações teóricas e metodológicas do oferecimento da educação no sistema penitenciário. Neste aspecto, buscamos demonstrar que, apesar da boa vontade em oferecer um ensino escolar regular como garantia e preservação do direito constitucional, existem outras implicações inerentes ao processo de (re)inserção social do preso que estão atreladas a questões que não são facilmente resolvidas devido ao desconhecimento de aspectos embutidos no bojo das instituições penais, e que, de certa forma, se contradizem o tempo todo, e que ainda precisam ser desenvolvidas teoricamente com mais afinco. Estas contradições serão importantes e nos farão perceber a especificidade absoluta que existe no oferecimento da EJA no interior do sistema prisional, pois o modo em que esta modalidade de ensino se realiza e se apresenta tem como finalidade assumida e instituída o caráter “civilizatório” do preso. Porém esta educação é oferecida em um ambiente anti-civilizatório. Nesta perspectiva, buscaremos neste texto iniciar a discussão a qual nos propomos em nossa pesquisa maior, onde visamos analisar: quais as contradições existentes entre a proposta de ensino (que se auto-intitulam, ou se pretendem, libertadora) e o modo que este ensino é oferecido no interior das penitenciárias de regime fechado, que tem por característica ser instituições autoritárias, severas e disciplinares? Quais as possibilidades eventuais? Quais as dificuldades que aparecem e quais os limites que estão dados a ela?
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, POLÍTICAS PÚBLICAS, SISTEMA PRISIONAL

TÍTULO: EPISÓDIOS DE NUMERAMENTO: O ORAL E O ESCRITO NA APRENDIZAGEM MATEMÁTICA DE JOVENS E ADULTOS.
AUTOR(ES): JOSÉ CARLOS MIGUEL
RESUMO: O presente estudo resulta de ações de articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão que tem como tema central a formação de educadores. Visa analisar processos heurísticos desenvolvidos por educandos jovens e adultos para a apropriação de conceitos matemáticos. Partindo de relatos orais situados no âmbito de situações didáticas vale-se da pesquisa colaborativa na tentativa de compreender como os educandos da EJA abordam idéias matemáticas e os aspectos relativos à transição do oral para o escrito, compreendendo a aprendizagem matemática como um produto cultural e social. Um conceito resulta de três componentes básicas: o conjunto de situações que dão sentido ao conceito, os esquemas invariantes que o sujeito utiliza para tratar de tais situações e as formas linguísticas e não-linguísticas que permitem representar simbolicamente o conceito. É fato que a representação de um objeto abarca tanto a construção da representação como a possibilidade de operar com ela, elaborando transformações regidas pelas leis do registro no qual se representa. Essas transformações cumprem uma função na produção de novas relações e de novas significações para relações já conhecidas. Os resultados parciais da pesquisa permitem considerar que a atividade matemática constitui a centralidade da discussão sobre a aprendizagem matemática na EJA, o que traz consequências para a organização dos programas de ensino. Trata-se de pensar numa gênese escolar que motive os educandos da EJA à reconstrução de idéias e de pensar um processo de produção na sala de aula que considere as condições da escola, distintas das condições que regem a produção de saberes da ciência matemática. E impõe pensar a formação de um professor epistemologicamente curioso.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, NUMERAMENTO, ORALIDADE E ESCRITA

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 14
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 14
TÍTULO: A PRODUÇÃO TEXTUAL DE ADULTOS EM AULAS DE PORTUGUÊS INSTRUMENTAL
AUTOR(ES): JOSÉ ENILDO ELIAS BEZERRA
RESUMO: O presente trabalho analisa a prática de produção textual em um curso de capacitação oferecido a funcionários públicos de uma instituição federal. Nos encontros de sala de aula realizaram-se atividades que se desenvolveram por meio da comunicação oral, buscando assim um resultado posterior com escrita de textos de documentos oficiais. O intuito foi habilitar trabalhadores para realizar atividades burocráticas em setores de uma universidade federal do estado de Pernambuco. Esses trabalhadores estiveram por dezoito anos afastados de suas funções e da escola, sendo um desafio para o professor, que criou situações didáticas direcionando os trabalhos em assuntos relacionados ao dia-a-dia desses indivíduos, levando em consideração o conhecimento de mundo que já possuíam, atuando em produções de textos livres, sem a vinculação com temas e estruturas gramaticais. Observando as características dadas à produção textual através da oralidade em Referências Curriculares para o Ensino Médio da Paraíba (RCEM, 2006), o qual destaca que “O texto escrito é sempre resultado de uma oralidade intensa”, o documento ainda nos reforça a idéia de que a escrita norteia constantemente o que foi dito pelos membros de uma determinada comunidade que a produz. Este artigo refletirá sobre novas possibilidades de atuação no campo específico da educação de pessoas adultas e procurará compreender um ensino que tenha como objetivo uma educação de qualidade, acesso, permanência e aquisição de conhecimentos básicos à vida e ao trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: LÍNGUA, ORALIDADE, PRODUÇÃO TEXTUAL
TÍTULO: O ENSINO DE INGLÊS INSTRUMENTAL NO CURSO DE PROEJA DA UTFPR – CAMPUS PONTA GROSSA: UM ESTUDO DE CASO
AUTOR(ES): JULIA MARGARIDA KALVA, ADRIANE DE LIMA PENTEADO
RESUMO: Esta pesquisa visa apresentar uma reflexão sobre a Educação de Jovens e Adultos no contexto do ensino de línguas, mas especificamente o do Inglês instrumental. O trabalho de pesquisa, sob forma de monografia, foi realizado como uma das atividades do Curso de Especialização em Educação Profissional Técnica de Nível Médio Integrada ao Ensino Médio na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, do campus Ponta Grossa da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, com o objetivo de verificar se o ensino de Inglês Instrumental no PROEJA está de acordo com as expectativas dos alunos com relação à matéria, assim como analisar se a disciplina atende as necessidades dos egressos com relação ao mercado de trabalho, uma vez que figura no currículo do curso como uma nova metodologia sendo aplicada. Essa preocupação surgiu devido aos avanços tecnológicos exigirem trabalhadores com saber de articular seus conhecimentos e não apenas reproduzi-los. Para isso fez-se necessário repensar o ensino para essa clientela, pois aqueles que não tiveram oportunidade de concluir os estudos, muitas vezes ficam excluídos da cidadania conquistada na sociedade em frequente mudança. A análise dos dados coletados por meio de questionários foi caracterizada por abordagem qualitativa, de natureza descritiva. A pesquisa realizada permitiu constatar que a maioria dos alunos acha que o ensino de Inglês instrumental realmente os ajuda tanto com relação aos estudos quanto ao mercado de trabalho, pois a matéria foca assuntos e textos, que mais tarde serão usados por eles.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, INGLÊS INSRUMENTAL, MUNDO DO TRABALHO

TÍTULO: MULHERES ADULTAS E IDOSAS EM BUSCA DO INÉDITO-VIÁVEL: AS TÁTICAS EMPREGADAS NO COTIDIANO DE UMA TURMA DE EJA
AUTOR(ES): JULIANA BELLO LOPES
RESUMO: Segundo Certeau, a prática escriturística assumiu um valor mítico nos últimos quatro séculos, sendo compreendida como possibilidade de progresso, de escrita-produção da história. Diante de tal poder conferido à prática escriturística nasce a muralha da China referida pelo autor, distanciando o texto escrito daqueles que não o produziram. Tal concepção se baseia no modelo de “uma razão produtora” presente no pensamento ocidental moderno, que difunde a crença de que aquele que escreve é o produtor e aquele que não escreve é apenas um receptor (Certeau, 1994, p.264). O lugar da não-produção atribuído a alguns grupos de sujeitos, especialmente os sujeitos oriundos das classes populares, configurando-se como condicionamento ou obstáculo, como “situação-limite” na concepção freiriana (1975), não impede a busca por caminhos, por alternativas. De acordo com Certeau, os sujeitos desprovidos de poder utilizam-se de sua capacidade criadora/produtora na construção de táticas, que representam a arte do mais fraco. A presente pesquisa, portanto, visa justamente compreender as táticas de produção de texto e de produção da escrita da própria existência elaboradas por mulheres, adultas e idosas que vivem processos de aprendizagens no projeto de extensão Eduvitra – Educação, vida e trabalho, que é espaço de educação de jovens e adultos e de formação para graduandos vinculados à Faculdade de Educação da UERJ. O estudo dos textos produzidos por essas educandas nos indicam que essas mulheres, tão semelhantes e tão singulares, praticam, como afirma Certeau, as inúmeras “maneiras de caça não autorizada” com as quais o cotidiano se inventa para finalmente construir a realidade sonhada, o “inédito-viável”.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA, MULHERES, TÁTICAS

TÍTULO: ANÁLISE DA PRÁTICA DOCENTE A PARTIR DO USO DE LIVROS DIDÁTICOS DE ALFABETIZAÇÃO DE PESSOAS JOVENS, ADULTAS E IDOSAS
AUTOR(ES): JULIANE GOMES DE OLIVEIRA
RESUMO: O tema da pesquisa proposta é a prática de ensino de professores alfabetizadores na Educação de Pessoas Jovens, Adultas e Idosas nas escolas da rede pública de ensino de Belo Horizonte, tomando como objeto de investigação os livros didáticos que subsidiam essas práticas. Pretendo identificar os livros didáticos e as linhas de ensino ou abordagens metodológicas subjacentes às suas propostas pedagógicas; identificar e analisar os elementos que norteiam sua escolha e utilização na sala de aula. Para realização desse estudo, mapearei algumas escolas que trabalham com determinada coleção analisada no “Guia de Livros Didáticos para Alfabetização de Adultos” do Programa Nacional do Livro Didático para Alfabetização de Jovens e Adultos – PNLA 2008. A princípio será adotada a perspectiva metodológica de cunho etnográfico, caracterizado por André (1995) pela imersão no campo da pesquisa por um contato direto do pesquisador com a situação pesquisada, permitindo reconstruir relações que configuram a experiência cotidiana. Esses procedimentos permitirão identificar e analisar os contextos das práticas escolares de leitura e a escrita explicitando suas relações com a escolha e o uso do livro didático, bem como de sua proposta pedagógica. Assim pretendo contribuir para uma reflexão maior tanto dos professores quanto dos elaboradores de livros para EJA, no sentido tornar a alfabetização mais eficiente nessa modalidade de ensino.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO, LIVRO DIDÁTICO, GUIA DE LIVROS DIDÁTICOS PARA ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS

TÍTULO: DO MOBRAL (MOVIMENTO BRASILEIRO DE ALFABETIZAÇÃO) AOS PROGRAMAS DE EJA (EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS) ATUAIS: EVOLUÇÃO OU MANUTENÇÃO DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS?
AUTOR(ES): LAURA MARIA BARON COLETI
RESUMO: A EJA tem especificidades e características próprias que deveriam ser evidenciadas e exploradas para que o ato educativo, tanto para quem ensina, como para quem aprende, acontecesse de fato. No entanto, a história nos mostra que a preocupação com a modalidade de ensino em questão, além de ser recente no cenário educacional do Brasil, também não aparece nas prioridades das políticas públicas para a educação com tanta evidência como deveria, já que o número de pessoas jovens, adultas e idosas que foram privadas da escolarização regular durante a infância por diversos motivos, dentre os quais as condições sócio-econômicas, é muito grande. Assim, o objetivo principal desta pesquisa direciona-se fundamentalmente na busca e análise de ações pedagógicas e metodologias desenvolvidas por professores (as) da EJA durante o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) criado durante a ditadura militar no Brasil (1964 -1985), em relação às práticas pedagógicas realizadas atualmente com algumas turmas de EJA da rede municipal de ensino na cidade de Marília – SP. A escolha por esses dois momentos da EJA foi pensada pela relevância social e grande nível de alcance que esses programas atingiram e atingem o público dessa modalidade de ensino. Na verdade, esta pesquisa consiste em encontrar diferenças, semelhanças, modificações ou evolução entre as ações pedagógicas e metodológicas dos professores da EJA no período da ditadura militar e as daqueles que a atendem hoje. Para isso realizarei, além do resgate histórico já iniciado, uma pesquisa de campo, tentando entrevistar professores dos dois períodos da EJA e também observações em sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, METODOLOGIAS

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 15
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 14
TÍTULO: A LEITURA NO UNIVERSO EDUCACIONAL DE JOVENS E ADULTOS.
AUTOR(ES): LAURENICE FRAZÃO GUEDES
RESUMO: Este trabalho tem por objetivo descrever o modo como se conduz o processo de leitura no espaço limitado do sistema de ensino da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para a execução desta pesquisa levou-se em consideração pressupostos teóricos tais como a concepção de leitura divulgada por Kleiman (2002) - em que a leitura é vista como um ato individual de construção de significado num contexto que é configurado mediante a interação entre autor, leitor e que, portanto, terá atribuições de significado diferente para cada leitor, dependendo de seus conhecimentos prévios, interesses e objetivos no momento da leitura - e de SILVA (1982) que discute o fato de que a leitura não é apenas uma mera decodificação de sinais com reprodução mecânica de informações, mas um ato no qual o leitor insere-se como participante ativo neste processo. Da metodologia consta a aplicação dos instrumentos: questionário - conversa informal para respectivamente identificar os procedimentos pedagógicos aplicados pelo professor no processo ensino/aprendizagem dos educandos em questão, e para diagnosticar o perfil, como leitores, dos alunos, que constituíram o universo da pesquisa. Do caminho metodológico também faz parte o confronto dos dados da pesquisa com o paradigma que determina o perfil de um leitor proficiente e a situação ideal de ensino/ aprendizagem de leitura.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, CONCEPÇÃO DE LEITURA, LEITOR

TÍTULO: A FOTONOVELA E A (RE)DESCOBERTA DA LEITURA E DA ESCRITA
AUTOR(ES): LEDA MARINA SANTOS DA SILVA
RESUMO: Este trabalho pretende trazer à tona uma breve discussão sobre o papel da escola no processo de formação de leitores e escritores jovens e adultos. Busca ainda discutir a importância dos textos narrativos em sala de aula e apontar a relevância de outros gêneros textuais, em especial a fotonovela. A necessidade de investimento nesses diferentes gêneros se baseia no conceito de Letramento abordado por Magda Soares, assim como na teoria de Análise do Discurso construída por Bakhtin, ambos fundamentais na revisão das práticas pedagógicas que têm como foco a leitura e a escrita. O trabalho com tal gênero textual considera as necessidades e interesses dos estudantes, bem como o processo de construção de suas identidades. No que diz respeito ao enfrentamento da questão mencionada, esse texto busca também refletir sobre a utilização do gênero narrativo como pano de fundo para o estudo da gramática da língua portuguesa, assim como problematizar os desafios de construir novas práticas leitoras e escritoras com jovens e adultos, ressignificando suas experiências e potencializando situações de leitura e escrita, contribuindo assim para a ampliação de seus repertórios e sua maior inserção na cultura letrada. Buscando assumir uma postura dialógica, o trabalho tenciona assim, compartilhar a experiência desenvolvida com alunos jovens e adultos que estudavam numa escola municipal de Niterói, no ano de 2008.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LETRAMENTO, GÊNEROS TEXTUAIS
TÍTULO: HISTÓRIAS DE LEITURA DE MULHERES NEGRAS DA EJA
AUTOR(ES): LEIDINALVA AMORIM SANTANA DAS MERCÊS
RESUMO: O artigo visa apresentar os resultados de uma pesquisa realizada em Salvador, no Colégio Polivalente do Cabula, de 2006 a 2008, durante a minha participação no mestrado em Educação e Contemporaneidade da Universidade do Estado da Bahia – UNEB. A investigação focalizou um estudo sobre as práticas culturais de leitura de um grupo de mulheres negras da Educação de Jovens e Adultos – EJA, de escolas públicas, levando em consideração as condições sócio-econômicas precárias em que estas mulheres têm estado inseridas. Na sociedade brasileira, ainda hoje, existe a idéia de que as pessoas das classes populares, como as que cursam a EJA, não têm a leitura de impressos como objeto de desejo, de interesse ou de motivação. Como professora de Língua Portuguesa e de Língua Inglesa da EJA, tenho compartilhado experiências que contrapõem este pensamento. No processo de avaliação da minha prática pedagógica, já há algum tempo, tenho observado as falas e atitudes dos estudantes, principalmente quando conversamos sobre leitura e escrita. Ouvindo os educandos, tenho aprendido muito. Por conta disso, com o objetivo de compreender o contexto contemporâneo brasileiro, em que estão inseridas as minhas alunas, realizei uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório. Para a coleta de dados foram realizados encontros para leituras de textos literários, com a intenção de evocar lembranças de vários períodos da vida de diferentes gerações de mulheres, com idades entre vinte e sessenta anos. Os resultados deste estudo evidenciaram que, embora estas mulheres tenham participado de diversos processos de exclusão, elas têm articulado táticas que têm possibilitado a consecução de seus objetivos.
PALAVRAS-CHAVE: HISTÓRIA DE LEITURA, MULHERES NEGRAS, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

TÍTULO: ATIVIDADES DE LEITURA NA EJA E NO PROEJA EM ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL
AUTOR(ES): LEIZIMAR GONÇALVES DA COSTA E SILVA
RESUMO: Faz-se necessário planejar e promover atividades de leitura para a EJA e para o PROEJA que ultrapassem os limites da sala de aula, possibilitando ao educando a construção de conhecimentos a partir da troca de experiências e da vivência em espaços de educação não formal. Segundo Gohn (2006:28-30), na educação não formal aprende-se “no mundo da vida”, a partir da troca de “experiências, principalmente em espaços e ações coletivas cotidianas”; em locais de “processos interativos intencionais”. A finalidade “é abrir janelas de conhecimento sobre o mundo que circunda os indivíduos e suas relações sociais.” Ela “prepara os cidadãos, educa o ser humano para a civilidade, em oposição à barbárie, ao egoísmo, individualismo etc.” Sendo assim, propiciar aos jovens e adultos a vivência de atividade em espaços de educação não formal, tendo em vista a promoção da Linguagem, da Ciência e da Tecnologia, alia-se ao entendimento de que a aprendizagem deva ampliar os saberes, permitindo a estes estudantes a interação com os bens culturais produzidos pelo homem, bem com a interação com os variados recursos tecnológicos disponibilizados em espaços culturais e de divulgação científica. Além disso, pecebe-se que a transformação que se dá neste jovem ou adulto a partir da construção do conhecimento que tais atividades proporcionam, altera a sua maneira de se relacionar não apenas com os nossos bens culturais, mas também com o conhecimento sistematizado, aumentando, dessa forma, a auto-estima. Esta comunicação objetiva, portanto, relatar as experiências vividas em espaços de educação não formal com os alunos do Curso de Instalação e Manutenção de Computadores - PROEJA - do CEFET Química de Nilópolis, atual Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - Campus Nilópolis – IFRJ-, nos anos de 2007-2008, e também socializar os projetos elaborados e desenvolvidos por esses alunos a partir de tais experiências.
PALAVRAS-CHAVE: EJA/PROEJA, LEITURA, ESPAÇOS DE EDUCAÇÃO NÃO FORMAL/APRENDIZAGEM

TÍTULO: LINGUAGENS, SENTIMENTOS E SINGULARIDADES QUE ENVOLVEM O COTIDIANO DA ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: O QUE NOS CONTAM OS ALFABETIZADORES?
AUTOR(ES): LEOMÁRCIA CAFFÉ DE OLIVEIRA UZÊDA, IRANI RODRIGUES MENEZES
RESUMO: O presente trabalho, fruto de uma experiência com formação de alfabetizadores/as realizada em parceria com uma universidade pública do semi-árido baiano, busca problematizar e sinalizar as diferentes e importantes linguagens, sentimentos, bem como as singularidades e subjetividades que envolvem o cotidiano de classes de alfabetização de jovens e adultos. Apresenta uma reflexão acerca da importância das relações interpessoais existentes nesse ambiente, da necessidade da escuta e olhar sensíveis dos alfabetizadores para as histórias de vida de tantos alfabetizandos, destacando que além de exercerem a mediação do processo da aquisição da leitura e escrita, lidam também com as narrativas pessoais, desafios e, principalmente, com os sonhos, expectativas dos mesmos, que atribuem a esse momento - alfabetização - um significado que vezes não validamos, percebemos. O diálogo, exposição participada, relatos de experiências e oficinas temático-pedagógicas fizeram parte do caminho metodológico nos encontros destinados a formação, objetivando desmistificar a idéia de alfabetização relacionada apenas a aquisição do código escrito, apontando a importância da mesma enquanto uma política pública que possibilite através da leitura e escrita garantia da cidadania, entre outras conquistas, aos sujeitos envolvidos nesse processo. Ainda que as condições de trabalho, de sobrevivência e recursos didáticos sejam precárias, entre outros obstáculos, que influenciam diretamente na ação pedagógica e aquisição da língua escrita, notou-se que os mesmos não são suficientes para desanimar e desarticular alfabetizandos e alfabetizadores no mais árido local. Os resultados da experiência apontam que, contradizendo a tudo e a todos, alfabetizandos e alfabetizadores não só chegam ao final da jornada, muitas vezes não alcançando a meta de alfabetizar o grupo, como sentem a necessidade e importância de vivê-la e ressignificá-la continuamente, fortalecidos pela afetividade, solidariedade e compromisso político.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, COTIDIANO EM CLASSES DE EJA, NARRATIVAS PESSOAIS

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 16
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 15
TÍTULO: IMPLICAÇÕES DA ESCRITA E A DOCUMENTAÇÃO DA VIDA DE PESSOAS QUE NÃO ESCREVEM
AUTOR(ES): LEONOR CARDOSO ROSA
RESUMO: Este trabalho visa contribuir com a análise das implicações cotidianas da escrita, das manifestações do escrito como prática social. Salienta a importância do estudo e recuperação das escritas ordinárias e das pessoas comuns, destacando documentos que retratam parte da trajetória de algumas destas pessoas. Ainda que sejam documentos pessoais, o material analisado não é produzido pelas pessoas em questão, mas representa parte da vida cotidiana de pessoas comuns, de origem popular, e seus familiares. Trabalhos vêm sendo apresentados com o objetivo da viabilização da expressão de diversas vozes, na construção da história, incluindo memórias de grupos e indivíduos diversificados. Sendo assim a análise e o arquivamento de documentos de pessoas comuns, não privilegiadas, podem levar ao reconhecimento de mais vozes, mais fontes, na percepção da realidade, uma vez que, em nosso cotidiano, todos somos marcados por papéis, escritas privadas e públicas. Ao analisarmos as implicações da escrita na vida cotidiana, percebemos que da mesma forma que controla existências, amplia possibilidades de atuação, de inclusão, através de seu domínio. A escrita, enquanto prática social, está determinada historicamente, envolvendo a vida de todos aqueles que fazem parte de sociedades que utilizam o código escrito. Esperamos contribuir com a percepção de que devemos lutar, por um lado, pela ampliação dos estudos sobre a escrita e seus efeitos sobre a vida de cada um de nós, de todos nós, verificando sua influência na vida cotidiana da humanidade e, por outro, pela superação de condições mundiais de exclusão, que ainda limitam o acesso de grande parte da população ao processo de leitura e escrita: leitura e escrita de textos, leitura e escrita de vidas.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA, MEMÓRIA, INCLUSÃO

TÍTULO: PEDAGOGIA POR PROJETOS “PROJETO MUNDO“ EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS - ESPECIAIS
AUTOR(ES): LIBIA SARA ROCHA GARCIA DA SILVA, MARIA DO CARMO JÜRGENSEN LENCIONI
RESUMO: A pedagogia por projeto dá sentido às atividades que ganham significado para os alunos, já que respondem as suas necessidades e são planejadas por eles, ajuda os alunos a organizar o seu trabalho escolar, a hierarquizar as tarefas, a definir as atividades, a fazer combinações e acordos, executa-los e buscar informações, permite também que tomem decisões e assumam com responsabilidade vivenciem e a avaliaem. Propocina um trabalho cooperativo, fortalecendo a socialização e a auto-estima, abre a escola a família e comunidade a partir de uma rede de comunicações e ações segundo Jolibert 2006. Este projeto trouxe a produção da escrita como objeto de utilização em situações reais com o objetivo de melhorar significativamente a qualidade e a equidade da aprendizagem da leitura e da escrita de alunos com deficiência intelectual na idade de 15 a 20 anos, alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos). O projeto também contribuiu para o desenvolvimento da autoconfiança, socialização, organização e pesquisa, cooperando também para sua evolução social. Assim, um projeto educativo, cujo objetivo é formar alunos leitores e produtores de textos, não tem apenas a importância pedagógica, mas um profundo sentido ético, uma vez que, em seu domínio da língua, na sua capacidade de se expressar, entender e contribuir para o enriquecimento social, o aluno está ampliando o seu horizonte pessoal. Tendo a leitura e a escrita como um instrumento libertador. Estabelecimento onde foi aplicado o projeto: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Limeira – APAE.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO JOVENS E ADULTOS, PROJETOS, LEITURA E ESCRITA
TÍTULO: CURRÍCULOS EMANCIPATÓRIOS PARA A EJA NA PERSPECTIVA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS: RESISTÊNCIAS E ESPERANÇAS
AUTOR(ES): LOURDES DE FATIMA PASCHOALETTO POSSANI
RESUMO: Este texto trata sobre a construção de currículos emancipatórios para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) na perspectiva de políticas públicas. Fala das resistências e esperanças dos sujeitos envolvidos num processo de reorientação curricular e tem como ponto de partida a experiência de Reorientação Curricular da EJA ocorrida na cidade de São Paulo, de 2001 a 2004, apresentada a partir das narrativas dos gestores educacionais envolvidos na formulação e execução de políticas públicas para a cidade de São Paulo naquele período. As vozes dos gestores são carregadas de esperança, trazendo um olhar que anuncia as possibilidades e os limites do sistema público municipal na construção de novos currículos para uma cidade do tamanho e com a complexidade de uma megalópole. O movimento de reorientação curricular da EJA teve como premissa a existência da exclusão social, inclusive escolar, e a crença de que a Educação de Jovens e Adultos, na visão da pedagogia freireana, tem importante papel na transformação social, especialmente se considerarmos a possibilidade de construção de currículos que visam à emancipação das pessoas. Foi possível concluir que para se forjar currículos emancipatórios para a EJA é necessário que se considere os campos da utopia, da ética e da ação pedagógica, além de conciliar os tempos da política, dos governos e da ação pedagógica. Embora a escola seja um espaço privilegiado para a elaboração do currículo, este não pode estar desarticulado de outros espaços educativos e de outros setores sociais, onde jovens e adultos vivem sua experiência cotidiana intimamente ligada ao mundo do trabalho e da cultura.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, CURRÍCULOS EMANCIPATÓRIOS, POLÍTICAS PÚBLICAS

TÍTULO: A PERCEPÇÃO DO RACISMO SOB OLHAR DE MULHERES PRETAS, JOVENS E ADULTAS, QUE FREQÜENTAM A SALA DO PEJA-PROEX NA CIDADE PRESIDENTE PRUDENTE
AUTOR(ES): LUCIANA DOS SANTOS SILVA
RESUMO: Trabalhar a questão racial não é uma tarefa fácil. Quando atentamos para o caso especifico das mulheres pretas, verificamos uma dramática situação de conflitos. Segundo pesquisas, a mulher preta tem sido, ao longo da história, a maior vitima da desigualdade racial. Acreditamos que a educação seja um importante atributo para avaliar a desigualdade. A proposta dessa pesquisa é discutir a questão racial em um ambiente onde essa temática, talvez, esteja presente nas formas de relações existente: as salas de aula. Queremos identificar como se dá à percepção do racismo sob olhar de mulheres pretas, jovens e adultas, em duas situações diferentes: com jovens pretas que estão cursando o Ensino Fundamental em uma série que condiz com a sua idade e mulheres pretas, jovens e adultas que estão cursando o Ensino Fundamental através do Programa de Educação de jovens e adultos. Ambas as salas situadas no bairro do Parque Cedral, periferia da cidade de Presidente Prudente. Pretendemos analisar quais são os tipos de manifestações racistas levantadas pelos respectivos grupos e que tipo de consequências essas manifestações trazem o desenvolvimento escolar dessas mulheres. Optamos por desenvolver essa pesquisa com mulheres, por acreditarmos que a forma como se dá o racismo é diferente entre homens e mulheres. Escolhemos para essa pesquisa uma abordagem qualitativa etnográfica por entendermos que está abordagem nos proporciona uma maior flexibilidade e aproximação com os sujeitos pesquisados. Definida as turmas, iniciaremos encontros com espaços para discussão. Faremos observações dentro e fora da sala de aula, e analisaremos de dados, levantando as categorias de percepção do racismo encontradas na pesquisa. Acreditamos que nossa pesquisa poderá contribuir para que educadores e educadoras possam entender que os conflitos raciais existentes na nossa sociedade, esta estreitamente relacionada com a aprendizagem e a evasão escolar das mulheres pretas, jovens e adultas.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO, RACISMO, GENERO

TÍTULO: EJA E A MEMÓRIA ESCOLAR DO IDOSO ASILADO.
AUTOR(ES): LUCIMARA APARECIDA DE AZEVEDO
RESUMO: Esta comunicação compartilha os resultados obtidos em um Projeto de Extensão Universitária da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, campus Poços de Caldas, através da pesquisa denominada “Memória Escolar do Idoso Asilado”. Este interesse surgiu a partir da metodologia da história oral aplicada a este público a fim de tornar o processo de aprendizagem significativo. Fundamentada em Alberti (1990) destaca que o trabalho com a história oral traz vantagens inestimáveis para as comunidades sobre as quais se debruçam, assim como para os indivíduos que participam deste processo de reconstrução sócio-histórica. Contar experiências escolares permite refletir e ressignificar a própria vida. Para os idosos resgatar histórias de fracasso e exclusão social configura-se como uma possibilidade de superação do silenciamento. Através dos registros constata-se a presença de punições, de práticas opressoras e disciplinadoras subjetivadas no discurso destes sujeitos. Bossi (1994) afirma que ao rememorar a carga de significação é muito maior do que a vivida no tempo da ação. Através destes pressupostos podemos analisar que ao relatar suas memórias, os idosos conseguem estabelecer outras relações com a experiência vivenciada no passado e significá-las de forma mais intensa. Neste sentido a contribuição deste trabalho encontra-se na ampliação das intervenções metodológicas e pedagógicas destinadas a EJA que deve se fundamentar na oralidade como instrumento de identificação e emancipação.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, HISTÓRIA ORAL, RESSIGNIFICAÇÃO

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 17
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 15
TÍTULO: TRAJETÓRIAS ESCOLARES FEMININAS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): LUDIMILA CORRÊA BASTOS
RESUMO: Alguns estudos recentes vêm descrevendo as condições desiguais a que se submetem educandas e educandos da Educação de Jovens e Adultos em seu retorno e permanência dentro da escola. No bojo dessa constatação, vemos que muitas vezes as relações de gênero elas mesmas se constituem socialmente obstáculos e merecem ser melhor conhecidas. Esta pesquisa foi desenvolvida no Projeto de Ensino Médio de Jovens e Adultos (PEMJA), parte do Programa de Educação Básica de Jovens e Adultos da UFMG, que possui um público majoritariamente de mulheres. Foi realizado um levantamento do perfil da mulher aluna da EJA no PEMJA, buscando conhecer quais as razões que as incentivam a voltar a estudar, quais são as suas expectativas e objetivos com relação à escola, as dificuldades que enfrentam para se manterem matriculadas e frequentes em curso de EJA. Para a coleta de dados entrevistas semi-estruturadas e questionários padronizados foram utilizados. A investigação, feita à luz da literatura sobre gênero e educação, constata que elas possuem um perfil diversificado, entretanto com características marcantes, como o desejo de continuidade nos estudos apesar das dificuldades comuns enfrentadas, como a falta de apoio das famílias, poucos recursos financeiros e problemas em conciliar os estudos com o trabalho. Com a análise dos dados obtidos é possível refletir sobre as práticas pedagógicas adotadas, adequando-as melhor à realidade e aos interesses de suas alunas.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, ESCOLARIZAÇÃO DA MULHER, TRAJETÓRIAS ESCOLARES

TÍTULO: LINGUAGEM E MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA NA HUMANIZAÇÃO DOS SUJEITOS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): LUIZ CARLOS CERQUINHO DE BRITO, RITA DE CÀSSIA EUTRÒPIO MENDONCA BEZERRA
RESUMO: A linguagem ocupa lugar destacado nas preocupações de professores da Educação de Jovens e Adultos. São preocupações perpassadas por problemas de ordem teórica, pedagógica e metodológica, implicando a própria qualidade do trabalho pedagógico de apropriação dos códigos da escrita e dos diversos bens culturais, tornando limitados os alcances na humanização e inclusão social dos estudantes da EJA. Nesta comunicação, caminhamos pela perspectiva da linguagem como fundamento e instrumento das práticas socioculturais e da constituição dos sujeitos. O trabalho é resultado de pesquisas em andamento na Universidade Federal do Amazonas, com estudantes e professores da EJA. As bases teóricas resultam de quatro abordagens conceituais, da hermenêutica filosófica (Gadamer); do letramento (Soares); dos gêneros textuais (Bakhtin) e da sócio-histórica (Leo Vygotsky). A interação dos sujeitos através da linguagem não se restringe às marcas objetivas da cultura, mas se realiza principalmente pelas/nas práticas socioculturais e pela produção de sentidos, os quais são cambiados para as manifestações orais, imagéticas, expressões emocionais e corporais. Com estas manifestações, os estudantes expressam os traços da personalidade, as visões de mundo e de si mesmo, os quais diferenciam profundamente seus processos de interação social, suas aprendizagens e relação com a linguagem. Isso significa afirmar a dialética radical nas interações dos sujeitos com as diversas marcas da cultura. São interações que implicam a subjetivação e as relações com os produtos da cultura. Nestas pesquisas, tomamos os gêneros textuais como âncora da dialética radical dos sujeitos jovens e adultos com as diferentes formas de linguagem. Assim, entendemos a linguagem sob dupla perspectiva, como fundamento e instrumento do diálogo que o sujeito estabelece com as marcas da cultura e com a suas experiências socioculturais e existenciais. Isso abre novas possibilidades para a mediação pedagógica e a atuação do professor da EJA.
PALAVRAS-CHAVE: LINGUAGEM, SUBJETIVIDADE, MEDIACÃO PEDAGÓGICA
TÍTULO: LEITURA E LÍNGUA ESTRANGEIRA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): LUZIANA DE MAGALHÃES CATTA PRETA
RESUMO: Esta comunicação tem como proposta compartilhar os resultados de uma investigação sobre o ensino do espanhol como língua estrangeira na EJA. Sabemos que a aprendizagem de uma LE cumpre na sociedade contemporânea uma função social e, praticamente, quase todos que estão inseridos em um ambiente escolar passam pela experiência de estudá-la. Como tal função está, principalmente, relacionada ao uso que se faz da LE via leitura, buscamos discutir o papel da língua espanhola nessa modalidade de ensino, a partir da concepção de teóricos que a consideram sob uma perspectiva interativa, como Kleiman (2006) e Solé (1998). Apoiamo-nos também nas orientações seguidas pela Multieducação e EJA (2007), documento de base educacional que defende a destreza leitora como forma de se converter os alunos em leitores críticos e autônomos. Concluimos que as atividades elaboradas sob a perspectiva interativa e o “fazer coletivamente” trouxeram entusiasmo aos envolvidos no processo, fator que colaborou para que houvesse uma interação autor-texto-leitor, contribuindo para que os alunos se engajassem de forma mais eficaz nas aulas. Outro fator observado, diz respeito à necessidade de se repensar o papel da escola, em especial, como articula Coracini (2002a, p.157), as aulas de língua materna e língua estrangeira, para afiançar aos alunos “momentos de significação e re-significação, de apropriação e de observação do outro para melhor se observar e se reconhecer na heterogeneidade e no estranhamento”. Ainda com relação à EJA, percebemos uma questão central que se refere à necessidade de se consolidar uma educação para jovens e adultos que não se apresente como uma versão empobrecida do ensino regular e de seus conteúdos minimizados. Portanto, se faz importante questionar de que maneiras a linguagem constitui os seres humanos, igualmente pensar de que forma a língua estrangeira pode oferecer a estes alunos um incremento em sua percepção como seres humanos e cidadãos.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LÍNGUA ESTRANGEIRA, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
TÍTULO: CONVERSANDO COM A COMUNIDADE ESCOLAR DE JOVENS E ADULTOS NA COMUNIDADE DE CORNÉLIO PROCÓPIO: DE 2000 A 2007
AUTOR(ES): MARA PEIXOTO PESSOA, APARECIDO DE SAMPAIO BAPTISTA
RESUMO: O tema escolhido foi a análise da implantação da nova matriz curricular nos Centros Educacionais da Educação Básica de Jovens e Adultos (CEEBJA) do Estado do Paraná, a partir de 2000. Os procedimentos metodológicos utilizados foram os métodos: histórico, monográfico com aplicação de questionários e entrevistas. A pesquisa é de cunho qualitativo, bibliográfico e de estudo de caso, formulando-se os seguintes problemas: melhorou a qualidade de ensino com a mudança da matriz curricular? Das condições oferecidas no atendimento da matriz anterior, quais as melhorias de condições existentes com a implantação da nova matriz? Utilizam-se novas tecnologias com a mudança de proposta curricular? Com que frequência? A pesquisa teve como objetivos averiguar se há evolução da aprendizagem dos alunos a partir da implantação da nova matriz curricular, visando à qualidade de ensino, além de analisar a inserção do uso das novas tecnologias na matriz curricular em vigor O presente artigo buscou analisar a motivação da comunidade com a implantação da Nova Proposta Curricular. Os instrumentos foram aplicados na comunidade dos professores, da equipe pedagógica e estudantes. O resultado dessas análises é apresentado mostrando a visão da comunidade escolar em relação à matriz curricular, melhoria de qualidade do processo ensino – aprendizagem e inserção das novas tecnologias.
PALAVRAS-CHAVE: MODALIDADE EJA, MATRIZ CURRICULAR, NOVAS TECNOLOGIAS

TÍTULO: PRONERA: VIVÊNCIAS E DESAFIOS DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NOS ASSENTAMENTOS
AUTOR(ES): MARCIA APARECIDA LIMA VIEIRA
RESUMO: Apresentamos neste trabalho nossa atuação no PRONERA – Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária. Para tanto consideramos relevante apresentarmos a concepção teórica que tem guiado nossas ações. Em nosso trabalho temos buscado a cada momento a percepção das pessoas como seres históricos, que são fruto da história e também fazem história, a partir do momento em que se reconhecem como capazes de refletir e atuar na realidade em que vivem. O acesso e o domínio da leitura e da escrita é reconhecido pelos alunos assentados como uma importante conquista que tem possibilitado a ampliação de outras conquistas através do acesso ao conhecimento e à intensa mobilização e participação social em favor dos direitos. Nossa fonte de conhecimentos e ponto de partida tem sido esta prática social dos alunos, o que nos remete a refletirmos sobre os elementos objetivos e subjetivos que surgem na vida cotidiana deste grupo social: os elementos provenientes de sua prática produtiva concreta, de sua prática organizativa, do contexto econômico e social em que se desenvolvem. Implica também considerar suas formas de expressão, sua linguagem, suas manifestações culturais e artísticas, seus valores e crenças. Neste sentido a teoria está em função do conhecimento científico da prática e serve como guia para a ação. Assim, a prática social é para nós o critério de verdade e o fim último de todo o processo de conhecimento. Afinal a realidade com a qual trabalhamos não é homogênea nem estática e está atravessada por contradições objetivas e subjetivas, contradições de classe, influências ideológicas, conhecimentos empíricos não sistematizados e dominação cultural.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS , ASSENTAMENTOS, REFORMA AGRÁRIA

SESSÃO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 18
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 10
TÍTULO: HISTÓRIAS DE VIDA COMO HISTÓRIAS DE VIDA COMO PRODUÇÃO DE SENTIDOS NO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): MARCIA SOARES DE ALVARENGA
RESUMO: O presente trabalho faz parte do projeto de iniciação à docência “A Produção de Sentidos de Jovens e Adultos”, através do qual articulamos atividades de docência e pesquisa como processos formadores de professores no campo da Educação de Jovens e Adultos, a partir do diálogo entre universidade e escola básica. A pesquisa vem sendo realizada desde o ano de 2006 em uma escola da rede pública municipal da cidade de São Gonçalo e tem como problema de investigação as dificuldades apresentadas por jovens e adultos alfabetizandos de interagirem com gêneros textuais, tendo a cartilha como principal suporte, os quais se revelaram pouco significativos para o processo de aquisição da leitura e escrita. Ao tencionarmos sobre estas dificuldades em nosso movimento de pesquisa realizado com as professoras alfabetizadoras, tivemos como um dos objetivos investigativo/reflexivo compreender as possibilidades metodológicas da História Oral (Thompson, 2002; Moraes, 1994; Queiroz, 1994) de se constituir como dispositivo de conhecimento e diálogo com as experiências trazidas pelas vozes dos alfabetizandos, bem como sobre suas potencialidades para o processo de alfabetização. Ancoradas nas narrativas das histórias de vida (Lang, 2001) dos jovens e adultos, a partir da realização de atividades de oficinas de leituras e produções de textos, foram produzidos materiais discursivos orais, escritos e iconográficos que serviram como fontes de análises e para o (re)pensar práticas docentes alfabetizadoras críticas e significativas para aqueles que tiveram negado o direito à alfabetização. Concordamos com Freire (1989) que é no diálogo consigo e com o mundo que sujeitos alfabetizandos tornam significativa a palavra lida e escrita. Assim entendemos que, ao narrarem suas histórias e vida, jovens e adultos alfabetizandos, ao mesmo tempo modificam o presente e dão novos sentidos (Bakhtin, 1992) ao futuro, potencializando formas e modos críticos de apropriação do direito à educação, à escrita e à palavra.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, ALFABETIZAÇÃO, HISTÓRIAS DE VIDA
TÍTULO: ALFABETIZAR COM OS GÊNEROS DO DISCURSO: A PROPOSTA DO PROGRAMA DE ALFABETIZAÇÃO INTENSIVA -PAI DA REDE SESI-SP.
AUTOR(ES): MARIA ALCIRA DA CRUZ E SÁ
RESUMO: O trabalho apresenta a proposta do Programa de Alfabetização Intensiva - PAI da rede SESI-SP. Desde seus lançamento, em 1999, o Programa já atendeu cerca de 12 mil alunos/ano e 200 profissionais da educação/ano, contribuindo decisivamente para o aumento dos percentuais estatísticos no que se refere à elevação da escolaridade de jovens e adultos e à formação continuada de professores. Pautado numa concepção sociointeracionista, o Programa propõe o desenvolvimento de competências e habilidades que permitam o uso funcional e formativo da leitura, da escrita e a resolução de situações-problema, favorecendo o resgate da autoestima e a ampliação do exercício da cidadania. Para isso elege os gêneros do discurso como objetos de ensinoaprendizagem e propõe um material didático - Coleção Gêneros em Ação - como instrumento para a formação continuada dos professores. A coleção Gêneros em Ação, que está em fase de conclusão, é composta por sete volumes, sendo um teórico-metodológico e seis teórico-práticos, organizados em agrupamentos: Informar, Instruir/Prescrever, Argumentar, Relatar, Narrar e Expor. Nesta comunicação, será apresentado o volume teórico-metodológico da coleção, “Roteiro do Alfabetizador de Jovens e Adultos“, em que se encontram desde os fundamentos da concepção de alfabetização até as orientações para o trabalho com os gêneros do discurso em sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, GÊNEROS DO DISCURSO, FORMAÇÃO CONTINUADA DE DOCENTES
TÍTULO: JOGOS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: UMA OPÇÃO PARA AS AULAS DE LÍNGUA INGLESA
AUTOR(ES): MARIA CLÁUDIA DE MESQUITA
RESUMO: A idéia de que as atividades lúdicas devem estar presentes somente no ensino de crianças é recorrente, mas a experiência de utilizar jogos na educação de jovens e adultos demonstrou que isto pode ser diferente. As aulas de inglês na Educação de Jovens e Adultos (EJA) apresentam uma dificuldade, pois as pessoas que estão há vários anos afastadas do ensino regular muitas vezes veêm a língua inglesa como uma das matérias mais difíceis de se aprender. Para desconstruir este mito e tornar as aulas mais atraentes utilizaram-se os jogos. Nestas aulas foram utilizados o jogo da memória, o bingo de palavras, os dados com figuras e palavras, o boliche e as representações teatrais. O aspecto lúdico, que quase sempre é relacionado ao ensino infantil, foi empregado com grande aceitação dos alunos, com idade entre 23 e 64 anos e que estavam cursando o ensino fundamental ou médio, sendo um elemento complementar às aulas de língua inglesa, facilitando a aquisição da língua estrangeira e a sua posterior utilização. O objetivo da utilização de jogos é incentivar os alunos a participar das aulas, bem como motivá-los a utilizar a língua inglesa de forma descontraída. Os jogos propiciavam momentos de descontração e motivavam os estudantes a participarem mais ativamente das aulas de língua inglesa. A utilização de jogos é largamente pensada para a Educação Infantil, mas tem sido pouco explorada na Educação de Jovens e Adultos e esta experiência demonstrou que os jogos podem ser bem aceitos também por jovens e adultos, principalmente para o ensino de língua inglesa, facilitando o contato e a utilização da língua estrangeira desmitificando a idéia de dificuldade e criando um ambiente lúdico para o aprendizado.
PALAVRAS-CHAVE: JOGOS, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA), LÍNGUA INGLESA

TÍTULO: O TEXTO LITERÁRIO NA FORMAÇÃO LEITORA DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): MARIA DE FATIMA BERENICE DA CRUZ
RESUMO: O presente trabalho questiona o modo de apropriação da leitura literária por jovens e adultos na escola noturna. E para isso o texto discute a possibilidade de inserção do texto literário nas classes de Educação de jovens e adultos, salientando que essa pode ser uma alternativa viável para o ensino e aprendizagem da leitura literária na escola. Partindo deste princípio, o texto enfatiza a viabilidade da leitura literária na escola brasileira como instrumento básico para o processo de humanização do homem a partir do diálogo que a escola possa estabelecer com os saberes construídos por esses alunos no seu contexto de vida e formação. Assim sendo, na tentativa de perceber efetivamente o processo de ensino e aprendizagem da leitura literária na escola noturna, desenvolvemos uma experiência constituida de vivências com o texto literário em classes de jovens e adultos, para a qual atribuimos o nome de de ATL-EJA que significa a utilização do texto literário em toda produção de leitura desenvolvida em sala de aula. Para isso utilizamos o estudo de caso como estratégia de pesquisa e adotamos o método fenomenológico hermenêutico para estabelecer a compreensão, interpretação e nova compreensão sobre o processo de ensino e aprendizagem da leitura literária desenvolvida em classes de EJA no interior da Bahia.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA LITERÁRIA, ESCOLARIAZAÇÃO, MEDIAÇÃO

TÍTULO: A DIFICULDADE VIVIDA POR JOVENS E ADULTOS PARA SE TORNAREM SUJEITOS DA ESCRITA
AUTOR(ES): MARIA DO SOCORRO MARTINS CALHÁU
RESUMO: Este trabalho discute as dificuldades vividas por pessoas jovens e adultas durante sua passagem pela classe de alfabetização e que se estende às demais séries do Ensino Fundamental, refleteindo na vida desse educando. O texto aborda uma trajetória marcada por diversos fatores que vão desde as marcas deixadas pela configuração histórica da sociedade brasileira até a vigência de um conceito de letramento que pressupõe um sujeito cognoscente idealizado pela cultura científica totalmente ignorado pelas práticas escolares. Ao longo do percurso desse texto serão abordados vários fatores fundamentais para a compreensão da questão principal, tais como o perfil desse sujeito social que busca a alfabetização tardiamente, o processo de gramatização das línguas, a perspectiva infantilizante das práticas pedagógicas, as metodologias empregadas no processo de alfabetização e na escolarização fundamental como um todo. Todos esses fatores são tratados como elementos cruciais que dificultam o sucesso escolar desses alunos, ao longo de sua passagem pelas escolas de EJA - Educação de Jovens e Adultos. Após a descrição desses fatores, pretende-se refletir e (re)discutir a perspectiva inclusiva de educação que está subjacente à Educação de Jovens e Adultos, principalmente quanto à Alfabetização e ao Letramento, que são o passaporte desses sujeitos sociais no sentido de obterem autorização para transitarem pela cultura letrada.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO, LETRAMENTO, APRENDIZAGEM
SESSÃO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 19
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 10
TÍTULO: O PROFESSOR LEITOR – INDAGAÇÕES
AUTOR(ES): MARIA DO SOCORRO ONOFRE MAIA
RESUMO: É sabido e reconhecido por todos que é na escola, pela mediação do professor e com a ajuda de textos escritos, dentre eles o livro didático, que os estudantes aprendem a ler, a escrever e a enxergar sua própria realidade e a realidade do outro. Essa relação é essencial ao educando, que pelo contato e exploração de diferentes textos e por meio de ações intermediadas pelo professor, passará a interagir com seus pares, a produzir um conhecimento partilhado e, com isso, conseguirá representar oralmente e por escrito, sob vários registros verbais, seu pensamento, sua experiência prévia de vida e seus conhecimentos coletivos de mundo. Esta comunicação objetiva explicitar essa relação, no contexto de EJA, buscando evidenciar a importância das leituras do professor na construção do leitor. Essas leituras, a nosso ver, deverão, de algum modo, ser demonstradas no dia a dia da escola, uma vez que o estudante de EJA, pelas suas características e peculiaridades – estuda e trabalha, não tem uma bagagem de leituras anteriores, pelas razões sócio-culturais já tantas vezes apontadas, noutros estudos. Para a realização de nossa pesquisa, nosso universo restringe-se aos alunos do Centro de Educação de Jovens e Adultos, da Secretaria de Estado da Educação do Acre.
PALAVRAS-CHAVE: FORMAÇÃO DE LEITOR, PROFESSOR, LEITURA
TÍTULO: EDUCANDO JOVENS E ADULTOS EM DIREITOS HUMANOS: UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NA ESCOLA PÚBLICA
AUTOR(ES): MARIA ELIZETE GUIMARÃES CARVALHO
RESUMO: Reflete sobre uma proposta de trabalho vinculada ao Projeto Político Pedagógico do Curso de Pedagogia do Campus I, UFPB, realizada em uma escola pública da grande João Pessoa, que contemplou a temática Educação de Jovens e Adultos em Direitos Humanos, como forma de intervenção que trabalha a pessoa humana em todas as suas dimensões, priorizando a área de aprofundamento em Educação de Jovens e Adultos, definida a partir dos pressupostos político-pedagógicos que norteiam o projeto de reformulação do referido Curso. Utilizando-se dos círculos de diálogos como metodologia norteadora, a ação extensionista enfatizou o direito de todos à educação independente de faixa etária, proporcionando a troca de experiências e o desvelar de vivências marcadas pela injustiça, tendo em vista o desconhecimento dos direitos humanos e a exclusão que têm vitimado essa população educacional. A Educação em Direitos Humanos constitui-se uma necessidade para a inclusão de jovens e adultos na sociedade atual, implicando na realização dos seus direitos ao ensino fundamental e médio público e gratuito não proporcionado na idade própria, o que implica na correção de injustiças históricas, na busca de uma sociedade mais justa, favorecendo aqueles que historicamente tiveram negado o acesso aos direitos essenciais à vida humana. Os processos educativos em direitos humanos efetivados nessa intervenção despertaram para uma atuação crítico-ativa, participação na vida social e vivência cotidiana desses direitos, compreendendo a importância de tal atuação para a conquista de uma vida digna e cidadã.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO EM DIREITOS HUMANOS, JOVENS E ADULTOS, ATUAÇÃO CRÍTICO-ATIVA.

TÍTULO: POETIZANDO NO CIEJA
AUTOR(ES): MARIA LOURDES DE LIMA ALMEIDA
RESUMO: A partir de uma sondagem de leitura e escrita foi constatado que os alunos do CIEJA (Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos) apresentam algumas dificuldades em interpretar e produzir textos. Grande parte dos alunos do curso vem de regiões onde o canto dos repentistas, as quadrilhas populares e a literatura de cordel ocupam um lugar de destaque na cultura local. Por esse motivo decidimos implementar um projeto de leitura, interpretação e produção de poesia, pois ela é um gênero de texto especial na aprendizagem da leitura e escrita; afinal na leitura, as pessoas utilizam todos os conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Estes conhecimentos nos possibilitam entender o que está sendo escrito. Foi isso que Paulo Freire quis dizer quando afirmou que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra.” O projeto teve como objetivo desenvolver o prazer pela leitura, interpretação e produção de textos poéticos. No decorrer de quatro meses (de março a junho de 2008), os alunos dos módulos III e IV, ou seja 1º, 2º e 3º anos do ciclo II reuniram-se fora do horário de aula, de uma a duas vezes por semana, na escola e sob a orientação da professora, para lerem e interpretarem textos poéticos. Ao final de cada mês produziam um poema, individualmente, de acordo com um tema específico. O projeto foi encerrado com a coletânea das poesias, montagem do livro, um sarau com a leitura dos poemas e um evento de entrega dos livros.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, PRODUÇÃO, POESIA
TÍTULO: DIÁLOGOS AUTO(BIOGRÁFICOS) EM EJA
AUTOR(ES): MARIA OLIVIA DE MATOS OLIVEIRA, DEBORA DOS SANTOS SILVA, JEANNY KETELLY DA SILVA FERREIRA, LILIAN ALMEIDA DOS SANTOS, MARLI APARECIDA DOS SANTOS MOURA SILVA, ROSA GORETTI DE SOUSA REIS QUIROZ
RESUMO:
Este artigo descreve uma experiência desenvolvida em uma oficina de leitura objetivando trazer as vozes de docentes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), para uma reflexão coletiva no sentido de se identificar nas memórias de estudante desses sujeitos, o resgate da dialogicidade que permeia as práticas docentes em sala de aula. Tais processos educativos circulam, também, por saberes distintos que dialogam com a escola enquanto espaço sócio-cultural. Optando por uma pesquisa qualitativa, os pesquisadores pretendem registrar a interação dialógica entre docentes e educandos, partir da escrita (auto)biográfica (CATTANI, SOUZA, MOTA, JOSSO, WASCHAWER), do grupo focal e das observações etnográficas. As autoras tentam compreender a relação da auto-reflexão realizada na oficina de memórias de estudante com as interações que esses professores estabelecem com seus educandos na sala de aula. Esta oficina de leitura caracterizou-se pela rememoração de educadores que marcaram fortemente a formação do grupo de professores com o qual nos propusemos a trabalhar o que não significa prender-se à educação formal, mas a qualquer experiência educativa relevante para eles. Durante este processo buscamos intervir de forma a analisar, junto com os participantes, se os formadores citados em suas lembranças interfiram na decisão de tornarem-se educadores, influenciando suas práticas na sala de aula.
PALAVRAS-CHAVE: MEMÓRIA, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS , (AUTO)BIOGRAFIA

TÍTULO: USOS SOCIAIS DA LEITURA E DA ESCRITA NA VIDA DOS JOVENS E ADULTOS: EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS NA UNIVERSIDADE
AUTOR(ES): MARILANE MARIA WOLFF PAIM
RESUMO: Este artigo integra reflexões acerca dos resultados da pesquisa realizada junto a prática pedagógica desenvolvida nas ações do Projeto de Alfabetização de Jovens e adultos na Universidade do Planalto Catarinense - PROAJAUNIPLAC, focalizando o estudo nos usos sociais da leitura e da escrita na vida dos jovens e adultos em um determinado processo de alfabetização. A abordagem da pesquisa é qualitativa a partir da investigação etnográfica, e epistemologicamente a pesquisa baseou-se em Freire que defende uma educação de jovens e adultos onde o educando é provocado a problematizar sobre a sua história, é levado a perceber que também faz parte dessa história, sendo capaz de transformar e ser transformado. A pesquisa revela que construir uma educação de Jovens e Adultos que não tenha características das políticas assistencialistas, compensatórias, implica desenvolver um projeto que valorize a participação, os conhecimentos e expectativas dos sujeitos, que respeite seus direitos como cidadãos e não os perceba somente como um mero objeto de aprendizagem. Sendo assim o educando deixa de ser um ser abstrato, solto, isolado, e passa a ser um sujeito historicamente datado e é levado a perceber que faz parte dessa história, sendo capaz de transformar e ser transformado. Neste sentido o processo de alfabetização de jovens e adultos não se restringe à aquisição do código escrito (codificação e decodificação) nem tampouco a alfabetização se reduz a uma habilidade técnica a ser adquirida, mas constitui-se em fundamento necessário à ação cultural para a liberdade, aspecto essencial daquilo que significa ser um agente individual e socialmente constituído. Quanto aos usos sociais da leitura e da escrita, os educandos afirmam que para eles a aquisição dessas competências vai possibilitar: conseguir um emprego; sua autonomia; ler e escrever na vida real; suprir as necessidades cotidianas; auxiliar os filhos; decifrar as tarefas rotineiras; escrever o nome.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO,, LEITURA E ESCRITA, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 20
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 11
TÍTULO: ADOLESCENTES ENTRE A ADULTIZAÇÃO E A INFANTILIZAÇÃO: UMA LEITURA SOBRE AS RELAÇÕES DE AUTORIDADE NO ÂMBITO FAMILIAR
AUTOR(ES): MARINA JUTKOSKI, LEILA MARIA FERREIRA SALLES
RESUMO: Este estudo tem por interesse caracterizar as práticas e os discursos que envolvem a adolescência, especificamente no que se refere ao processo de adultização e infantilização dos adolescentes na sociedade atual. Para tanto, esse estudo tem por objetivo investigar as formas de imposição de autoridade na família de adolescentes e os possíveis reflexos dessas relações na educação escolar. A família é culpabilizada por permitir que o adolescente faça o que quer, não impor limites, ou seja, não existe autoridade. Assim, a família passa a ser considerada culpada pelas manifestações de atitudes violentas na escola por parte dos jovens. O pressuposto deste estudo é que as relações familiares estão se modificando, o que tem implicações na forma como a autoridade é imposta no âmbito familiar. Para tanto foram feitas entrevistas semi-estruturadas com adolescentes moradores de periferia, matriculados em uma sala de sétima série do ensino fundamental e uma sala de educação de jovens e adultos que correspondia a segunda série do ensino médio. Buscamos a partir das entrevistas caracterizar as leituras dos alunos entrevistados sobre as formas de imposição de autoridade paternas no cotidiano dos adolescentes e as concepções de adolescência e autoridade dos entrevistados relacionando-as aos processos de adultização e/ou infantilização dos adolescentes na sociedade atual.
PALAVRAS-CHAVE: FAMILIA, ADOLESCENTE, AUTORIDADE
TÍTULO: AMBIENTE DE TRABALHO E LEITURA DE JOVENS E ADULTOS DO ENSINO MÉDIO
AUTOR(ES): MARLENE MARIOTTO GASPAR
RESUMO: O presente trabalho posiciona-se entre os trabalhos que focalizam a leitura como uma prática individual que reflete os efeitos sócio-culturais dos ambientes que possibilitam e fundam as experiências contínuas de letramento do indivíduo, isto é, dele como leitor. Distintas ações e programas da iniciativa privada vêm contribuindo para possibilitar o acesso e fomentarem práticas de leitura entre jovens e adultos. O objetivo do estudo, de cunho qualitativo, foi o de investigar essas práticas e as funções que atribuídas à leitura por jovens e adultos inseridos no mercado de trabalho, estudantes e/ou concluintes da Educação Básica. Os participantes (N=37) trabalhavam em três empresas de transformação de um município de porte médio do Estado do Paraná, que propiciavam condições distintas para seus colaboradores: uma oferecia escolarização em serviço e desenvolve um projeto de leitura, outra buscava incentivar a leitura, por meio de uma biblioteca e a terceira não oportunizava a escolarização, nem desenvolvia qualquer projeto para incentivar a leitura. A coleta de dados foi realizada nos respectivos ambientes de trabalho, sendo usados três instrumentos: um questionário para análise do perfil dos participantes, uma ficha de empréstimo de livros, elaborada para levantar o tipo de livro e uso estendido ou não a familiares, e uma escala para levantamento das funções de leitura. A partir da análise das informações obtidas, pudemos perceber que a frequência de leituras desses trabalhadores e as funções que atribuem à leitura são predominantemente as relacionadas à aprendizagem, utilidade e moralidade. Os resultados apontam para a necessidade de um maior empenho dos agentes formadores, da escola e da biblioteca, para que se atinjam as metas dos programas propostos a cada um.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS TRABALHADORES, LEITURA, FUNÇÕES DE LEITURA

TÍTULO: OBSERVAÇÕES, NARRATIVAS E OUTRAS LEITURAS. UMA EXPERIÊNCIA ETNOGRÁFICA EM EJA
AUTOR(ES): MÁRIO SÉRGIO TEIXEIRA DE OLIVEIRA
RESUMO: Essa comunicação entende a escola como local de produção de cultura. Está baseada na pesquisa, de feição etnográfica, intitulada “A diáspora nordestina e a escola: entre dispersão e o encontro”, que investigou o cotidiano da Escola Asa Branca, escola pública de ensino supletivo, da rede estadual do Rio de Janeiro. Tenciona destacar o protagonismo dos/as alunos/as na construção dessa cultura escolar. Com esse intuito, enfatiza as formas de organização discente e a criação de redes de conhecimento nesse espaço/tempo. Procura, ainda, estabelecer relação entre esse cotidiano escolar e outros espaços/tempo de onde os/as alunos/as, sujeitos da pesquisa, trazem outros conhecimentos e valores, as narrativas de suas estórias de vida e a emergência de leituras singulares acerca dos processos de escolarização; re-significando os sentidos da educação. A observação etnográfica permitiu anotar as táticas dos praticantes, nas quais os discentes produziram suas reflexões e estabeleceram seus próprios itinerários de aprendizagem, em meio às tensões entre os “saberes e fazeres” da escola. Observei, também, como os sujeitos da pesquisa articulavam suas experiências e valores, propósitos e interesses diversos, produzindo suas próprias análises, muitas vezes em textos não escritos, mas que circulam no encontro contingente do cotidiano escolar. Na Escola Asa Branca, embora não por “dever de ofício”, os discentes também apresentaram observações do seu cotidiano escolar; produziram suas próprias interpretações e narrativas sobre os sentidos da educação; e não enfrentaram o “texto” escolar como leitores ingênuos, mas como sujeitos.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, CULTURA ESCOLAR, CULTURA DISCENTE
TÍTULO: O PROJOVEM URBANO E SUA DUPLA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO BÁSICA E RENDA MÍNIMA: DESAFIOS E CONFLITOS PARA O DIREITO À EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM UM MUNICÍPIO DO LESTE METROPOLITANO DO RIO DE JANEIRO
AUTOR(ES): MICHELI LANES MEIRELLES
RESUMO: O presente trabalho está articulado ao estudo sobre a implantação do Plano Municipal de Educação e suas repercussões sobre a democratização do direito à educação em São Gonçalo, município do leste metropolitano do Rio de Janeiro. A partir desta pesquisa, vimos analisando o ProJovem Urbano, projeto desenvolvido pelo Governo Federal, destinado a “promover a inclusão social dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos que, apesar de alfabetizados, não concluíram o ensino fundamental, buscando sua re-inserção na escola e no mundo do trabalho, de modo a propiciar-lhes oportunidades de desenvolvimento humano e exercício efetivo da cidadania”. Na sua dupla perspectiva de formação básica e renda mínima, buscamos compreender em que medida o ProJovem contribui para ampliação dos níveis de apropriação da leitura e escrita, considerada necessária à inserção no mundo do trabalho e da cidadania. Interrogamos, também, sobre os possíveis efeitos que um programa de transferência de renda mínima pode repercutir na busca pela escolarização formal na modalidade de EJA de jovens pobres de periferias urbanas. Do ponto de vista metodológico, nesta etapa da pesquisa, analisamos os sentidos (Bakhtin, 2000) sobre leitura e escrita produzidos no desenho curricular do programa. No segundo desdobramento da pesquisa, buscamos investigar os impactos da oferta da renda mínima na procura pela inscrição na modalidade da EJA no município, o que pressupõe um modelo de escolarização contínua e de apropriação da leitura e da escrita, diferente do modelo residual e focalizado ProJovem Urbano.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS , DIREITO À EDUCAÇÃO , PROJOVEM
TÍTULO: APRENDER CIÊNCIA PARA LER O MUNDO: NOVAS PERSPECTIVAS NA EDUCAÇÃO CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA NO PROEJA
AUTOR(ES): MIRIAN DO AMARAL JONIS SILVA
RESUMO: O Programa de Educação Profissional Técnica de Nível Médio, integrado ao Ensino Médio, na Modalidade Educação de Jovens e Adultos – PROEJA – foi implantado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES) em cumprimento ao Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006, assegurando a oferta do ensino médio integrado à educação profissional na modalidade de educação de jovens e adultos. O programa prevê, dentre diversas ações, o desenvolvimento de novos referenciais teórico-metodológicos, pautados na concepção de currículo integrado. A fim de acompanhar o processo de implementação do PROEJA no IFES, constituiu-se um grupo de pesquisa interinstitucional, que reúne pesquisadores e professores do IFES e da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), num esforço coletivo que tem em vista a construção de novas propostas curriculares adequadas aos princípios e objetivos do PROEJA. Uma das temáticas abarcadas por este projeto de pesquisa focaliza a questão do alfabetismo científico e tecnológico, que direciona um olhar específico para as disciplinas de Física, Química e Biologia e possui três objetivos principais: 1) verificar em que medida a concepção de Ciência e Tecnologia subjacente às práticas pedagógicas nessas disciplinas se aproxima ou se distancia dos princípios básicos que orientam a implementação do PROEJA; 2) avaliar a contribuição do ensino das noções científicas para o aumento dos níveis de alfabetismo científico, considerando-se as especificidades dos sujeitos do PROEJA; 3) formular estratégias e ferramentas didáticas que privilegiem a valorização dos saberes da experiência, decodificando a “linguagem científica” e estimulando a “leitura do mundo”. Adotamos no presente trabalho a expressão “alfabetismo científico” para designar o processo contínuo de apropriação de noções científicas, bem como as aplicações sócio-culturais desses conhecimentos, fortalecendo assim mecanismos sociais e políticos de emancipação dos indivíduos.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETISMO CIENTÍFICO, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, EDUCAÇÃO PROFISSIONAL
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 21
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 11
TÍTULO: “MULHERES DA EJA E A LÍNGUA INGLESA EM QUESTÃO”
AUTOR(ES): MÍRIAM MARTINEZ GUERRA
RESUMO: O presente trabalho foi desenvolvido a partir de eventos de letramento em língua inglesa a educandos de EJA do projeto de extensão PEJA, UNESP – Rio Claro. Os sujeitos participantes deste trabalho eram mulheres, na faixa etária entre 40 a 70 anos, que não tiveram oportunidade de estudo anteriormente e agora buscam concluir o Ensino Fundamental. Pensamos buscar nas falas dessas educandas, por meio de eventos de letramento, suas reflexões sobre a presença do inglês em nossa sociedade e como lidam com essa língua estrangeira (LE) cotidianamente. Entendemos letramento como uma forma de prática social de leitura e escrita, resultante do processo de ensino/aprendizado de um grupo social ou individual. Os eventos de letramento vêm proporcionar aos indivíduos participantes da pesquisa um aculturamento, um contato inicial e gradual com uma LE. De forma prática, pretendeu-se otimizar esse contato com a língua inglesa expondo esses indivíduos a situações cotidianas em que o uso dessa LE estivesse presente. Levamos para sala de aula elementos normalmente encontrados no cotidiano, material que consistiu em fotos de placas de rua que continham essa LE, na tentativa de fomentar um diálogo e discussão de idéias. Objetivou-se motivar esses alunos de EJA a observarem o quanto a língua Inglesa está presente em nosso cotidiano, estimulando o desenvolvimento de uma leitura crítica e reflexiva. Ao final do trabalho percebemos que a maioria das educandas reconhece a constante presença da LE em questão e que, ainda que não tenham tido ensino formal nessa LE, estabelecem algum tipo de relação com tal LE cotidianamente em diversas esferas de suas vidas. E, muitas vezes, entendem o significado de uma palavra estrangeira devido a preferência dos falantes em utilizá-la em detrimento à língua materna, o que indica um processo de naturalização do inglês no mundo lexical dos brasileiros.
PALAVRAS-CHAVE: LETRAMENTO , LÍNGUA ESTRANGEIRA, COTIDIANO

TÍTULO: A EDUCAÇÃO DOS ADULTOS TRABALHADORES EM DEBATE: ESPECIFICIDADES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES NA (RE)CONSTRUÇÃO DOS CONHECIMENTOS
AUTOR(ES): MONICA RIBEIRO MELLO, CLEA BARCELOS ROCHA, ROSANA OLGA SARTORI
RESUMO: A partir de um levantamento dos registros docentes, das produções e debates vivenciados na educação dos adultos que trabalham na Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) ocorrida em diferentes espaços tempos durante o ano letivo de 2008 no Programa de Escolarização desses Servidores do Município de Vitória-ES, buscamos alguns apontamentos que problematizam as nossas certezas pedagógicas e nos desafiam a ampliar a prática de estudos, pesquisas e (re)construção de nossos conhecimentos envolvendo diferentes saberes/fazeres no processo de atuação nos espaços educativos. Sendo assim, buscamos a interlocução dos registros docentes (escritos/fotográficos), respaldos legais, documentos municipais e fundamentos teóricos para mediar nossas ações. Iniciamos a nossa discussão localizando o leitor sobre o que é o Programa de Escolarização dos Servidores. Num segundo momento, buscamos abordar algumas produções desenvolvidas na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em seguida, passaremos a envolver a interlocução com os registros docentes, enfocando alguns fragmentos dos discentes que protagonizam as nossas ações educativas para debater a necessidade de especificidades nas produções da educação de adultos trabalhadores. A partir destas interlocuções aprendemos que o trabalho com os adultos necessita de aspectos específicos, que envolva o respeito do ser adulto que tem como ferramenta o trabalho e não o brinquedo como a criança; o dialogo como ferramenta permanente, sempre partindo do conhecimento do aluno para depois sistematizar os conteúdos como possibilidade de validar estes conhecimentos; materiais didáticos e recursos que devem ser (re) construídos; espaços que não devem se limitar na sala de aula, entre outras possibilidades que dependem de cada turma, de cada aula.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DOS ADULTOS TRABALHADORES, (RE) CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS, ESPECIFICIDADES

TÍTULO: HISTÓRIAS DE VIDAS DE PESSOAS ADULTAS NÃO ALFABETIZADAS: A MEMÓRIA SOCIAL DA NÃO ESCOLARIZAÇÃO
AUTOR(ES): NILCE LÉA LOBATO CRISTOVÃO DOS SANTOS
RESUMO: O foco do estudo são as histórias de vida de pessoas adultas e as razões da sua não escolarização. Esses adultos frequentam o Programa de Pesquisa em Educação de Jovens e Adultos. A memória individual direciona a maneira e a qualidade do relacionamento que esses sujeitos estabelecem com o conhecimento produzido socialmente. Objetivos: Resgatar as memórias de vida dos alfabetizandos, a fim de remontar a trajetória e recompor o tempo passado – recordação dos acontecimentos políticos, econômicos e sociais; identificar e explicitar os principais motivos que levaram os adultos a procurarem a escolarização; identificar e analisar os impactos que a vivência escolar gera na vida dos adultos. Metodologia: Optamos por uma análise na abordagem qualitativa que se fundamenta em dados baseados nas interações interpessoais, analisadas a partir da significação que estes dão aos seus atos. O pesquisador participa por meio de um questionário presencial. Desenvolvimento: A pesquisa iniciou-se com o estudo da relevância da memória. Em seguida buscamos esclarecer os conceitos de velho, idoso e memória social, não esquecendo que a memória nos permite retornar ao passado. Por fim, elaboramos, aplicamos e analisamos os dados sobre a memória social. Resultados: Mediante levantamento bibliográfico e leituras realizadas sobre memória social, pessoas adultas e idosas, alfabetização e educação de adultos, foi possível identificar que os sujeitos da pesquisa têm um conhecimento da realidade social. Constata-se a relevância da educação para os sujeitos estudados bem como para sua inserção na sociedade. Por fim, percebe-se que a lembrança faz parte da memória no momento de resgatar a história de vida destas pessoas. Referências: BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: Lembrança de velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. MASCARO, Sonia. A. O que é Velhice. 1.ed. São Paulo: Brasiliense, 2004. SEVERINO Antônio J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: editora Cortez, 2002.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZADAS, MEMÓRIA SOCIAL, ESCOLARIZAÇÃO
TÍTULO: LETRAMENTO E GÊNEROS TEXTUAIS ESCRITOS EM SALA DE EJA
AUTOR(ES): PATRICIA BARROS SOARES
RESUMO: O objetivo desta comunicação é apresentar o trabalho com gêneros textuais escritos desenvolvido junto às turmas do Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos 1º Segmento (PROEF 1), situado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o qual realiza-se dentro da perspectiva do letramento. Esse Projeto contribui para a inclusão, por meio da alfabetização de pessoas jovens, adultas e idosas, cujo direito ao acesso e permanência à educação escolar de alguma maneira não lhes fora oportunizado. Partilhando da idéia de SOARES (2003), a prática docente realizada no PROEF 1 toma como princípio que a inserção no mundo da escrita se dá por meio da aquisição de uma tecnologia, a alfabetização, e que é por meio do desenvolvimento de competências (habilidades, conhecimentos, atitudes) é que se torna possível o letramento, ou seja, o uso efetivo dessa tecnologia em práticas sociais que envolvem a língua escrita. Foram realizadas abordagens com diferentes gêneros textuais com o objetivo de consolidar as habilidades de leitura e escrita. Para tanto, adotou-se como metodologia a elaboração e a prática de atividades, calcadas nos conceitos de letramento (SOARES) e gêneros textuais (BAKHTIN), que oportunizaram aos alunos, efetivo contato, reconhecimento e uso social de diferentes gêneros textuais circulantes na sociedade. Levando em consideração a dinamicidade, situacionalidade, e plasticidade que os gêneros têm, e que a aprendizagem é um processo social construído através da participação, do diálogo e da troca de experiências, conclui-se que as propostas possibilitaram aos discentes reconhecerem a dicotomia discursiva dos textos orais e escritos, bem como a estrutura e a linguagem utilizadas em cada gênero, permitindo-os identificar, distinguir e produzir textos a partir dos elementos característicos de cada um.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO, GENEROS TEXTUAIS

TÍTULO: LEITURA TERCEIRIZADA: REFLEXÕES SOBRE ESTRATÉGIAS DE INTERAÇÃO COM O MUNDO LETRADO
AUTOR(ES): PATRICIA CLAUDIA DA COSTA
RESUMO: Como desdobramento do conceito de escrita terceirizada, cunhado por Costa (2008) e Silva e Costa (2008), a presente comunicação buscará fundar os pilares teóricos da construção do conceito de leitura terceirizada, a partir da análise de dados coletados numa pesquisa de Mestrado realizada entre 2005 e 2008, que teve como objeto a motivação de pessoas idosas para frequentar uma turma de alfabetização no Movimento de Educação de Jovens e Adultos de Guarulhos (MOVA-Guarulhos). Por meio de narrativas autobiográficas, o estudo revelou, dentre outros aspectos, que as alfabetizandas interagem com a língua escrita, mesmo em condição precária de letramento e inclusive em casos nos quais o “ser alfabetizado“ ainda não é a condição do sujeito. Tal interação é obtida mediante o recurso da terceirização do ato de ler e de escrever. Este texto aprofundará a análise dos dados referentes às variações deste tipo de terceirização, assim como problematizará a importância do reconhecimento desta estratégia, por parte dos alfabetizadores, para o aprimoramento das metodologias de alfabetização utilizadas em nosso tempo. A base teórica para a elaboração deste novo conceito está alicerçada na caracterização da modernidade líquida, tal como formulada por Bauman (1999, 2000, 2001, 2003), reforçada pelo conceito de estigma e suas consequentes implicações na representação do eu na vida cotidiana, de acordo com Goffman (1988, 2003), a fim de elucidar como o letramento de jovens, adultos e idosos tem se desenvolvido, conforme os estudos de Tfouni (2004, 2006). Esse arcabouço também recebe a contribuição da psicanálise winnicottiana, expressa na teoria da transicionalidade (WINNICOTT; 1975, 1999). Conclui-se, por ora, que a terceirização da escrita pode constituir-se como uma chave explicativa dos (des)usos que jovens, adultos e idosos, escolarizados ou não, têm feito da língua escrita em seu cotidiano.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA TERCEIRIZADA, ALFABETIZAÇÃO DE ADULTOS, LETRAMENTO

SESSÃO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 22
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 12
TÍTULO: PRATICAS SOCIAIS DE LEITURA E A CONSTRUÇÃO DE SIGNIFICADOS/SENTIDOS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): PATRÍCIA GUIMARÃES VARGAS
RESUMO: Esta comunicação visa refletir sobre os sentidos e significados que os alunos da Educação de Jovens e Adultos atribuem ao ato de ler: o que, como, para quem, quando e onde leem, bem como quais os efeitos das práticas de leitura na construção da identidade desses sujeitos. Pretende-se discutir, a partir de estudo de caso na perspectiva da etnografia interacional, como certas competências, preferências, comportamentos, modos de ler produzidos em outros âmbitos sociais são ressignificados e entrelaçam-se nas práticas de ensino da leitura. Essas questões fundamentam-se na compreensão de que nas interações sociais os indivíduos vão produzindo significados para os conhecimentos que constroem. Nessas relações, adquirem conhecimento valendo-se dos modos de aprender próprios dos grupos sociais e familiares a que pertencem. A inclusão desses significados nos processos de ensino-aprendizagem, bem como a exclusão deles, podem ter influência no sentido que constroem sobre a escola, sobre o aprender, sobre o ser alfabetizado. Sendo assim, compreender essa construção requer conhecer suas histórias, suas interações e propósitos entre o individual e o coletivo, procurando entender as ações, os conhecimentos e os objetos culturais construídos e estabelecidos em sala de aula, pois aspectos identitários e epistêmicos se articulam e se relacionam na construção do saber. A análise dos dados desta pesquisa fundamenta-se nos pressupostos teóricos da Psicologia Sócio-histórica de Vygotsky, da Etnografia Interacional e de Paulo Freire e tem como referência a sala de aula como um todo e seis sujeitos em particular.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, PRÁTICAS SOCIAIS DE LEITURA, IDENTIDADES

TÍTULO: LEITURAS NA ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): PAULA ALVES DE AGUIAR
RESUMO: Os alfabetizandos que frequentam a educação de jovens e adultos (EJA) realizam leituras influenciados pela história e pela cultura em que estão inseridos. A sociedade grafocêntrica em que se vive, as práticas de leitura valorizadas em seu meio social e na instituição escolar são fatores fundamentais para se conhecer as leituras realizadas pelos adultos em processo de alfabetização. O presente texto analisa a partir da perspectiva histórico-cultural, as leituras feitas pelos alfabetizandos da educação de jovens e adultos (EJA), visando a esclarecer se o aprendizado da leitura tem contribuído para a inserção desses alunos em um maior número de práticas letradas. Apresentar-se-á um recorte de pesquisa qualitativa, caracterizada como estudo de caso, de cunho etnográfico, realizada com cinco alunos e um professor de uma turma do primeiro segmento (classe de alfabetização) da EJA da Prefeitura Municipal de Florianópolis, no ano de 2007. Dentre as principais referências teóricas utilizadas destacam-se: Kleiman (2004), Soares M. (1998), Fischer (2007), Gee (2005), Dionísio (2007) e Vólvio (2007). Os resultados demonstraram que a falta de clareza sobre que prática de leitura realizar em sala de aula (plural ou individual) impediu a otimização das atividades de leitura desenvolvidas, prevalecendo aquelas cujas concepções subjacentes se articulavam à cultura escolarizada, leitura individual, e oralização do texto escrito. Todavia percebeu-se a possibilidade do trabalho textual na turma pesquisada que convergisse para o letramento crítico dos alfabetizandos, desde que as atividades de linguagem escrita se construíssem na prática de uso significativo da leitura.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LEITURA, PRÁTICAS DE LETRAMENTO

TÍTULO: COMO SE APRENDE A LER E ESCREVER? A PESQUISA DE OPINIÃO EM TURMAS DE ALFABETIZAÇÃO DA EJA
AUTOR(ES): PAULA CRISTINA SILVA DE OLIVEIRA
RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma prática pedagógica desenvolvida a partir da metodologia denominada NEPSO (Nossa Escola Pesquisa sua Opinião) junto à educandos do Projeto de Ensino Fundamental de Jovens e Adultos – 1° Segmento (PROEF-1) na FaE-UFMG. O PROEF-1 é coordenado pelo Centro de Alfabetização Leitura e Escrita (CEALe) e atende à comunidade interna e externa à UFMG. O trabalho pedagógico é orientado pela Pedagogia de Projetos, bem como pelas concepções de alfabetização e letramento de Soares (2003). Na mesma direção, a proposta de trabalho com o NEPSO busca promover o uso pedagógico da pesquisa de opinião pelas escolas da rede pública, e é organizada em consequência de um tema ou projeto. A metodologia visa tornar o processo de aprendizagem mais ativo para o aluno, mostrando que o conhecimento se constrói e ganha significado a partir do próprio educando. A professora pretendia investigar com a turma o tema trabalho, mas no decorrer do processo, ao discutir a proposta de pesquisa, os educandos se viram diante de uma outra inquietação que se tornou a partir daí o foco da pesquisa de opinião desenvolvida: “como se aprende a ler e escrever”. Assim, os alfabetizandos passaram ao processo de investigação entrevistando os seus colegas de projeto, em turmas de continuidade, para conhecer como, na opinião deles, aprenderam a ler e escrever.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, PESQUISA DE OPINIÃO, ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

TÍTULO: ALFABETIZAÇÃO E POLITIZAÇÃO: AS CONTRADIÇÕES NO ATO DE EDUCAR
AUTOR(ES): PAULO SÉRGIO GOMES SOARES
RESUMO: Para muitos educadores, a EJA é uma modalidade de ensino necessária para incluir no mundo grafocêntrico as pessoas que não tiveram acesso à educação formal na idade apropriada, pressupondo que somente o domínio do código linguístico, naturalmente, promove a inclusão em diferentes esferas sociais. Se este pressuposto for correto se torna necessário debater as seguintes questões: em que sentido uma pessoa pode ser considerada incluída socialmente apenas sabendo ler e escrever? A EJA somente alfabetiza ou, também, prepara para a vida pública (politiza), favorecendo a superação do senso comum? Para a concepção crítica da alfabetização de adultos, politizar significa ensinar a ler o mundo antes de ler as palavras e escrevê-las (FREIRE, 1987). O objetivo desta comunicação é apresentar a concepção freireana de alfabetização, buscando contextualizá-la frente às contradições no ato de educar investigadas nas escolas municipais de Dourados/MS que ofertam EJA e seguem o “método Paulo Freire”. Pelo método freireano a qualidade política do ensino e o engajamento do educador são essenciais para fomentar a participação na vida pública e possíveis transformações na estrutura social, embora se verifique pelos resultados (parciais) da pesquisa que está havendo uma nítida separação entre alfabetização e politização. Parte-se do pressuposto de que somente a apreensão dos signos linguísticos pode resultar em posturas alheias e conformistas à realidade social vigente e aceitação passiva dos valores dominantes (liberais) que massificam e, gradualmente, eliminam os valores comunitários (populares). No domínio dos valores, o conflito se estabelece entre duas concepções éticas e políticas que permeiam a prática educativa e interfere no compromisso político do educador: o liberalismo e o comunitarismo. O modelo formal de educação adere aos valores liberais e o modelo não formal (a EJA, por exemplo) se identifica com o comunitarismo, cujos valores reforçam os traços culturais e os laços comunitários.
PALAVRAS-CHAVE: PAULO FREIRE, COMUNITARISMO, LIBERALISMO

TÍTULO: COMUNICAÇÃO E CAPACITAÇÃO EM PROCESSOS DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE JOVENS E ADULTOS PERTENCENTES AO MEIO RURAL
AUTOR(ES): POLIANA BRUNO ZUIN
RESUMO: O presente trabalho traz dados obtidos por meio de pesquisa realizada em processos de capacitação de jovens e adultos que atuam no meio rural. Para tanto, os objetivos foram identificar e analisar como ocorre a comunicação entre educadores e educandos, a fim de propor melhorias para a relação educativa visando a aprendizagem e a construção de conhecimentos técnicos e gerenciais da produção rural. O referencial teórico que norteou a pesquisa foram autores de distintas áreas do conhecimento como pedagogia, psicologia e lingüística, cujos principais representantes são: Paulo Freire, Vygotsky e Bakhtin. O desenvolvimento do trabalho empírico ocorreu no vale dos Vinhedos no Rio Grande do Sul com pequenos agricultores que produzem alimentos tradicionais, como: vinho, queijo, compotas e embutidos. Os dados destacam a importância do diálogo entre pares. A parceria entre comunidade, educador e educandos é a ponte para a construção de conhecimentos. Isso implica em igualdade entre educador e educando sem o autoritarismo daquele que pressupõe que sabe mais, como tem ocorrido na extensão rural tecnicista e difusionista. Saber comunicar-se implica ao educador saber ouvir e falar, adequando a linguagem aos seus usos e formas, ao contexto e a interação social que estabelece com a comunidade e seus educandos.
PALAVRAS-CHAVE: COMUNICAÇÃO, CAPACITAÇÃO, MEIO RURAL

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 23
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 12
TÍTULO: RELEMBRANDO OS FÓRUNS DE EJA RJ: PERSPECTIVAS ATUAIS
AUTOR(ES): PRISCILA NUNES FRANÇA DE OLIVEIRA, CARLA TATIANA MUNIZ SOUTO MAIOR
RESUMO: Participar do 17º COLE significa compartilhar o que tem sido produzido no Círculo de Educação de Jovens e Adultos – CEJA, da Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, que tem como uma de suas ações a parceria com o Fórum de Educação de Jovens e Adultos do Estado do Rio de Janeiro. Essa parceria tem tido atuação destacada não apenas nas reflexões e assessoramentos, como na perspectiva de uma construção mais democrática e participativa com a sociedade civil. Numa época de perversa crise em aspectos globais e econômicos, essa luta destaca-se pelo fato de estar envolvida na difícil tarefa de fazer mudanças históricas, por meio da educação, no campo social, tensionando o poder público no sentido de trazer à cena política atores cujos direitos negados ao longo da história esperam de nós, pesquisadores e atuantes no campo da EJA, envolvimento, compromisso e ação. Esse Fórum, como movimento criado pela sociedade em 1996 durante a preparação da V CONFINTEA, a partir da necessidade de reagrupar educadores, professores e pesquisadores que se encontravam dispersos em muitas instituições do estado do Rio de Janeiro, tomou a si a defesa de políticas públicas de universalização do direito à educação para todos, independentemente da idade, de classe social, de etnia etc., e desde 2005 está presente em todos os estados brasileiros. São 13 anos de avanços coletivos e aprendizados, em que o aprender por toda a vida se anuncia como política, paralelamente ao lugar que a leitura e a escrita conferem aos interditados dos processos formais de escolarização
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, FÓRUNS, MOVIMENTOS SOCIAIS

TÍTULO: LEITURAS: POSSIBILIDADES DE TRANSFORMAÇÃO DE EDUCANDOS JOVENS E ADULTOS.
AUTOR(ES): RAFAELA FERNANDES, KAINARA FRANCO MELLO
RESUMO: A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma maneira de restituir o direito à educação aos que dela foram excluídos, particularmente no Brasil, onde 14,1 milhões de pessoas, entre a população maior de 15 anos, não sabem ler nem escrever. É, portanto, uma forma democrática de incluí-las na cultura letrada, na qual convivem com muitas dificuldades. O PEJA ( Projeto de Educação de Jovens e Adultos), da PROEX/ UNESP, neste sentido, vem sendo uma oportunidade através da qual essa modalidade de educação se realiza. Tal projeto proporciona, mediante a prática da leitura e da escrita, entre outras, a inclusão social dos educandos, pois a partir de conteúdos significativos para suas vidas e um diálogo aberto em sala de aula, aos poucos vão se transformando em agentes ativos capazes de refletir e opinar acerca do que lhes ocorre ao redor, particularmente, no que diz respeito a seus direitos e deveres. A presente comunicação visa apresentar alguns resultados de trabalhos desenvolvidos em 3 salas do PEJA/ UNESP/ Campus Assis, entre eles: maior participação e melhor qualidade na exposição de argumentos pessoais em debates, a partir de leituras de textos previamente selecionados e que levam em consideração os interesses do grupo; maior mobilização em busca de novos conhecimentos, mediante novas perspectivas na percepção do mundo que os cerca, transcendendo suas vivências imediatas; percepção mais aguçada da educação continuada e permanente como um direito humano numa sociedade globalizada. Ou seja, nesse projeto, partimos da concepção de uma educação que pressupõe a ideia de mudança e que visa a uma cultura de respeito à dignidade humana.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LETRAMENTO, EMANCIPAÇÃO

TÍTULO: O BRINCAR COM JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): RAMONA MENDES FONTOURA DE MORAIS, WEMERSON DE AMORIM
RESUMO: O artigo apresenta possibilidades de intervenção da Educação Física na Educação de Jovens e Adultos. Para isso, teremos como enfoque a temática Identidade desenvolvida com turmas iniciantes do Projeto de Ensino Fundamental 2° segmento da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais. A escolha desse tema pelo coletivo de educadores tem o intuito de facilitar o conhecimento sobre esses sujeitos educandos a partir de suas experiências de vida. Por meio dessa compreensão, é possível construir projetos de ensino ricos em significados para esses alunos. Uma das maneiras da Educação Física e sua especificidade enquanto área de conhecimento se inserir no projeto Identidade pode se dar ao tentar construir com esses participantes o reconhecimento de suas identidades a partir das memórias da infância. A retomada a essa fase da vida apresenta múltiplas historicidades. Entretanto, mesmo com todas as particularidades, individualidades e diferenças das infâncias, há algo que as aproximam. O brincar, frequentemente associado à infância, sempre aparece como sinônimo de alegria e a nostalgia no relato dos participantes. A Educação Física, através das vivências corporais das brincadeiras, pode reafirmar, problematizar e ressignificar concepções enraizadas sobre a temática Identidade. É inegável que resistências se manifestam em temas e assuntos e pela própria abordagem via corporeidade, uma vez que o imaginário em relação à escola trazido pelos educandos não contemple o estudo/experiência do corpo em sua totalidade. Contudo, quando existe um envolvimento maior das turmas nos processos através das brincadeiras e suas manifestações corporais, a percepção dos elementos de suas identidades e realidades passadas e presentes se apresentam como mais detalhados favorecendo a compreensão de suas histórias pelos participantes jovens e adultos e por seus educadores.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, EDUCAÇÃO FÍSICA , IDENTIDADE

TÍTULO: PROJETOS DE LETRAMENTO EM TURMAS DE EJA: O ALUNO COMO AGENTE
AUTOR(ES): REGINA LÚCIA DE MEDEIROS
RESUMO: Tem sido cada vez mais prestigiada e pesquisada pelos professores de ensino de língua materna a proposta de trabalho que consiste em mostrar aos alunos as possibilidades de agir no mundo por meio da escrita e romper com as crenças que a vêem circunscrita à escola e dissociam suas ferramentas das condições reais de uso. Essa busca reflete as mudanças do mundo contemporâneo, para o qual já não é suficiente a simples decodificação de palavras, mas é exigido o uso delas por meio da escrita e da leitura como prática social. Partindo dessa realidade, proponho uma discussão acerca da execução de projetos de letramento em turmas de EJA. Este trabalho tem como objetivos discutir a importância de um ensino que ajude a transformar os alunos em agentes sociais efetivos, avaliar as contribuições da escrita colaborativa para esse trabalho e refletir sobre as resistências encontradas. O corpus aqui comentado é formado por textos escritos por alunos de uma turma de jovens e adultos bastante heterogênea, acompanhada por mim quando participei de um projeto maior de letramento do professor (Letramento do professor em comunidades de letramento: agência, protagonismo e inclusão, promovido pelo MEC em parceria com a UFRN). Para tanto, busco as orientações dos estudos do letramento, da concepção dialógica da linguagem, da abordagem de gêneros discursivos proposta pela Nova Retórica e da teoria social contemporânea. Também utilizei aportes teórico-metodológicos de natureza etnográfica.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, LETRAMENTO, AGÊNCIA

TÍTULO: JOVENS E ADULTOS: UMA EXPERIÊNCIA COM O RECURSO DA INFORMÁTICA
AUTOR(ES): RENATA CRISTINA NUNCIATO
RESUMO: Este trabalho relata a experiência vivenciada sobre a utilização dos recursos tecnológicos da informática por uma sala da 2ªsérie da FUMEC (EJA I), da EMEF Dr. João Alves dos Santos, localizada no Bairro Boa Vista, no Município de Campinas. Tentar romper com os esquemas convencionais de ensino e colocar os alunos em contato com uma ferramenta que marca presença nos cenários do trabalho, lazer e vida cotidiana (caixa eletrônico, supermercados, hospitais, escolas, eleição etc.), foi o que motivou a fazer uma abordagem desses indivíduos em relação às aulas de informática que ocorreram semanalmente, no laboratório de tecnologia da escola. Apontando as dificuldades, necessidades, importâncias e descobertas no uso desta tecnologia moderna, este trabalho revela o contato e a oportunidade da informática no ambiente escolar, como um estímulo para a aprendizagem e para o desenvolvimento intelectual e cultural do aluno. O computador, então, passa a contribuir não apenas para a inclusão digital e social desses indivíduos, como também, no que se refere a uma classe de EJA, um recurso extra para apropriação de leitura e escrita, uma motivação ao conhecimento e oportunidade de investigar diferentes aspectos do processo de aprendizagem na educação de adultos, numa mistura de realização e prazer, elevando a auto-estima desses alunos.
PALAVRAS-CHAVE: JOVENS E ADULTOS, INFORMÁTICA, CIDADANIA
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 24
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 13
TÍTULO: POLÍTICAS PÚBLICAS E O PROTAGONISMO DOS ALUNOS DA EJA NA ESCOLA MUNICIPAL PROFESSORA ZAHIRA CATTA PRETA MELLO
AUTOR(ES): RITA DE CÁSSIA DA SILVA OLIVEIRA
RESUMO: O Brasil passa por intensas mudanças sociais, políticas, econômicas e culturais, apresentando em um ritmo acelerado novos desafios e possibilidades de crescimento para a população. Nessa realidade, a educação se insere como um poderoso instrumento de modernização e avanço social. O presente trabalho objetiva uma reflexão sobre o processo histórico da educação de jovens e adultos (EJA) no Brasil, focando em especial a criação e implementação dessa modalidade de ensino na Escola Municipal Professora Zahira Catta Preta Mello, em Ponta Grossa - Paraná. A pesquisa também teve como objetivos identificar o perfil dos alunos beneficiados pela EJA na referida escola. A investigação partiu de uma pesquisa bibliográfica, documental, descritiva e interpretativa. Os instrumentos utilizados foram os questionários aplicados aos alunos da EJA na referida escola. Como resultado, obteve-se que os alunos entrevistados têm consciência da importância que o conhecimento sistemático tem em suas vidas, como também no próprio trabalho, que possibilita a melhoria das condições de ascensão na carreira ou busca de uma melhor oportunidade. E apesar de todas as dificuldades enfrentadas por estes alunos, percebe-se a perseverança em procurar uma escola e continuar a trajetória estudantil, um dia interrompida por diversos fatores. Comprova-se, então, o grande interesse dos alunos pelos estudos, sua dedicação e força de vontade, além do valor que atribuem a educação como instrumento de emancipação social e conquista do exercício pleno da cidadania.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, POLÍTICAS PÚBLICAS, INSTITUIÇÃO ESCOLAR

TÍTULO: A LEITURA DO JOVEM EM UM COLÉGIO PÚBLICO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO
AUTOR(ES): RODRIGO RUAN MERAT MORENO
RESUMO: A leitura é uma prática muito discutida dentro e fora do âmbito educacional e acadêmico. A pesquisa “A leitura do jovem: concepções e práticas”, da qual faço parte, tem como um dos objetivos trazer de volta esse debate, examinando concepções e suportes de leitura relacionados ao jovem que vive, atualmente, na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, busca-se examinar definições acerca do conceito de juventude em circulação na sociedade contemporânea. Esta investigação é realizada por meio da abordagem teórica que toma a leitura como prática histórica, social e cultural (Chartier, 2001), confrontando-a com as concepções de leitura disseminadas pelo poder público. Este trabalho visa discutir alguns dos resultados da pesquisa mencionada, obtidos através da aplicação de 200 questionários em um colégio estadual da rede pública, situado na zona sul do Rio de Janeiro. A partir das respostas coletadas, procedeu-se à análise e aos comentários, estabelecendo-se categorias, tais como: leitor ideal, leituras preferidas, leitura obrigatória, entre outras. Vale ressaltar que também foi criado um perfil do colégio pesquisado a partir dos resultados obtidos. Na etapa enfocada, houve o diálogo especialmente com base no estudo “Nuevos acercamientos a los jóvenes y la lectura”, de Michèle Petit (1999), procurando-se observar as concepções e as funções de leitura recorrentes.
PALAVRAS-CHAVE: JUVENTUDE, LEITURA, COLÉGIO PÚBLICO

TÍTULO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: A REGULAÇÃO DAS POLÍTICAS EDUCATIVAS NO BRASIL
AUTOR(ES): ROSA CRISTINA PORCARO
RESUMO: O presente trabalho desenvolve uma análise das políticas educativas voltadas para a EJA, com o objetivo de avaliar que consequências geram para o processo de ensino nessa área. Para tal, buscou-se analisar a trajetória histórica da EJA no país, verificando os diferentes movimentos do governo no sentido do atendimento a esta população. O que se pode constatar, com essa análise histórica, é que a América Latina, hoje, vive um processo de regulação de hibridismo, com a influência que os organismos internacionais ligados à ONU têm na definição das políticas educacionais. Nesse sentido, percebe-se o recuo do Estado no financiamento e na oferta dos serviços sociais, o deslocamento da fronteira entre o público e o privado e a disseminação de responsabilidades na sociedade, até então tarefas do governo. Porém, a educação escolar permanece como importante instrumento de regulação social, exercendo a gestão do trabalho e da pobreza, utilizando-se do regime de parceria, que possibilita a constituição de espaços públicos não estatais de gestão democrática de políticas sociais e oferece a possibilidade de ampliação do controle da sociedade civil sobre o aparato político-administrativo e burocrático do Estado. Ocorre, então, a filantropização das políticas sociais. Novos atores surgem: empresariado, sindicatos, cooperativas de trabalhadores. O Estado deixa de ser o agente de produção da educação de adultos, reservando-se o papel de coordenação e controle de resultados. A reforma educacional dos anos 90, então, se mostra eficiente em operar a descentralização da oferta e do financiamento do ensino de jovens e adultos. O Governo passa a focalizar, com Programas de Alfabetização de Adultos, as regiões com altos índices de pobreza, assumindo a configuração de ações compensatórias de combate à pobreza, em vez da construção de uma efetiva política pública de ensino.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, POLÍTICAS EDUCATIVAS, REGULAÇÃO

TÍTULO: A PRODUÇÃO NACIONAL DISCENTE DE PÓS-GRADUAÇÃO SOBRE A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (1999 – 2008) EM FOCO
AUTOR(ES): SANDRA MONTEIRO LEMOS
RESUMO: Estando na fase inicial de uma pesquisa de Doutorado, o estudo, ora apresentado, tem por objetivo problematizar o estado do conhecimento na Educação de Jovens e Adultos, no período compreendido entre 1999 e 2008. Tal estudo conta com os aportes dos Estudos Culturais em Educação e sua bricolagem com outros campos, como os estudos pós-modernos e os estudos pós-estruturalistas, através da análise dos resumos de teses e de dissertações disponíveis nos portais CAPES, MEC e CEREJA, fazendo uso da expressão “Educação de Jovens e Adultos”, como descritor de busca. Uma análise inicial mostra que houve uma expansão considerável, de pesquisas em relação à temática Educação de Jovens e Adultos no período examinado, sobretudo, em comparação com o estudo de Haddad (2000), mesmo não computando o ano de 2008, uma vez que os resumos referentes a esse ano ainda não estão disponíveis no Portal CAPES. A diversidade de temáticas e subtemáticas identificadas permite estabelecer determinadas correlações com as políticas públicas desenvolvidas para essa modalidade de ensino, bem como destacar aquelas que podem ser reconhecidas como dominantes ou emergentes nesse período, realizando uma análise de possíveis recorrências e raridades temáticas, identificadas ao longo dos últimos 10 anos.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, ESTADO DO CONHECIMENTO, ESTUDOS CULTURAIS EM EDUCAÇÃO
TÍTULO: REPRESENTAÇÃO- EM BUSCA DE UMA DEFINIÇÃO
AUTOR(ES): SELMA COTTA CHAUVET COELHO
RESUMO: Este trabalho tem por motivação os estudos sobre o conhecimento humano, em particular, o ato de aprender/ensinar. A partir da apresentação da etapa final da pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação- UERJ, cujos resultados foram apresentados no ano de 2007, buscamos definir os limites e os alcances do termo Representação quando relacionado ao ato de aprender/ensinar. Não pretendemos aqui tratar do conceito, propriamente deste termo, mas fixar e estabelecer a sua extensão. A pesquisa ora em questão indicou que, no ato de aprender/ensinar, decisões internas dos sujeitos envolvidos guiam as trocas com o mundo externo, onde o contexto tem seus efeitos sobre o pensamento, derivando então a idéia de que o conhecimento pode ser potencializado, quando os sujeitos realizam ligações entre as experiências de aprendizagem e suas vivências, reais e subjetivas, numa relação inversa à da prática escolar, onde a ênfase recai sobre a transmissão dos conteúdos formais. Com isto temos como tarefa a identificação do conceito de ser humano subjacente ao conceito de Representação utilizado neste texto, que concorra para desvelar: de que sujeitos falamos, em que tipo de sociedade e em que modelo de aprender/ensinar, bases que sustentarão os limites da definição que motiva este trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: REPRESENTAÇÃO, ENSINO-APRENDIZAGEM, INTERAÇÕES-SUBJETIVAS

SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 25
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 13
TÍTULO: A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM CURITIBA SOB A ÓTICA DE GÊNERO E TECNOLOGIA
AUTOR(ES): SIVONEI KARPINSKI HIDALGO
RESUMO: O objetivo deste artigo é apresentar os resultados da pesquisa que caracterizou a Educação de Jovens e Adultos nas escolas municipais de Curitiba sob a perspectiva dos protagonistas do processo educacional frente às questões de gênero e tecnologia. Traçou o perfil destes e identificou os motivos que levaram homens e mulheres a retomar os estudos, conhecendo, a partir de seus relatos, as relações de gênero presentes no espaço escolar, destacando a influência da escola no cotidiano e no trabalho. Foi possível também, conhecer as percepções que atribuem à tecnologia. Como metodologia, utilizou-se dados quantitativos, análise documental e entrevistas semi-estruturadas.
A pesquisa apontou, ainda, um significativo número de mulheres retomando os estudos. Os motivos para a volta ao estudo na EJA são diferentes para homens e mulheres e esta modalidade de ensino, representa um espaço onde as desigualdades de gênero, herança do poder masculino se manifestam, embora apontem uma pré-disposição à mudança. As percepções sobre as relações de gênero oscilaram entre as manifestações tradicionais marcadas por desigualdades e relações de poder e as mudanças que vêm acontecendo no âmbito social. A EJA é pertinente à vida de homens e mulheres, pois cumpre algumas das exigências sociais fundamentais ao empoderar os sujeitos com a tecnologia da leitura e da escrita que lhes possibilita a inclusão na sociedade. A tecnologia perpassou transversalmente as categorias que emergiram das entrevistas, nas múltiplas dimensões e significados que esse termo envolve e esteve presente nos motivos que fazem os/as alunos/as retornar à escola, pois é pertinente à vida e ao mundo de hoje; nas percepções de gênero enquanto fato dicotômico, pois os artefatos vistos como tecnológicos, para os homens estão na esfera pública e para as mulheres na esfera privada e, enquanto tecnologia para o letramento, causa impactos no trabalho tanto do gênero feminino quanto do gênero masculino.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS; , GÊNERO; TRABALHO, TECNOLOGIA
TÍTULO: ASPECTOS CONTRIBUTIVOS DO MANUAL DO LIVRO DIDÁTICO DO PNLA/2008 NA FORMAÇÃO DO ALFABETIZADOR DO PROGRAMA BRASIL ALFABETIZADO
AUTOR(ES): SONIA HARACEMIV, ANA MARIA SOEK
RESUMO: Com o objetivo de analisar as perspectivas de trabalho pedagógico apresentadas nos manuais dos livros didáticos inscritos no PNLA/2008, a pesquisa visou identificar os elementos teóricos, didáticos e metodológicos que pudessem de alguma forma contribuir na ação docente e na formação inicial e/ou continuada do alfabetizador do Programa Brasil Alfabetizado. Para tanto foi necessário primeiro contextualizar o uso de materiais didáticos nos principais Programas de Alfabetização de Jovens e Adultos no Brasil, caracterizando também o Programa Brasil Alfabetizado bem como o Programa Nacional do Livro Didático para a Alfabetização de Jovens e Adultos. Em seguida buscou-se identificar os critérios recomendados no Edital do PLNA/2008 para elaboração do manual do alfabetizador, para assim selecionar dentre os manuais avaliados pelo programa a amostragem de pesquisa. A análise dos manuais baseou-se em parecer descritivo elaborado pela pesquisadora. A metodologia de pesquisa nesse sentido pautou-se na possibilidade de identificar, analisar, comparar e avaliar as perspectivas de trabalho pedagógico apresentados nos manuais. Buscou-se aporte de fundamentação nas contribuições dos teóricos como Paulo Freire, no que tange a Alfabetização de Jovens e Adultos no Brasil, e nos estudos de Lajolo (1996), Munakata (1999 e 2002), Molina (1987), Freitag, Motta e Costa (1989) entre outras referências que discutem a questão dos livros didáticos e a formação docente. A preocupação nesse sentido não foi somente em identificar informações ou conceitos, mas fundamentalmente a explicitação que a ação alfabetizadora requer. Assim, as questões que nortearam o estudo pautaram-se em função de caracterizar a natureza do trabalho pedagógico previsto nas orientações e encaminhamentos de um manual didático, analisando a fundamentação teórico-metodológica em que se baseia, bem como a estrutura didática (planejamento, tempo, objetivos, estratégias de ensino e recursos didáticos) entre outros subsídios para aperfeiçoamento do trabalho docente.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS; , MATERIAL DIDÁTICO DE EJA, FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DE ALFABETIZADORES

TÍTULO: O DIÁRIO AUTOBIOGRÁFICO: A POTÊNCIA DESSE GÊNERO DISCURSIVO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
AUTOR(ES): SUELI SALVA
RESUMO: Este artigo tem por objetivo refletir acerca da experiência de escrita de diários realizada por um grupo de alunos da Educação de Jovens e Adultos, em uma escola da rede municipal de Porto Alegre. Os diários foram escritos durante o ano de 2007 e alguns alunos seguiram a escrita de forma autônoma, mesmo no período de recesso escolar. Ao observar os materiais no ano de 2008, foi possível perceber que os diários contêm narrativas autobiográficas que extrapolam a prática de escrita escolar. Esse processo parece ter possibilitado exercícios de leitura do próprio discurso, como também dá indícios de reconstrução da experiência, mediante um processo reflexivo com o qual o sujeito constrói significados sobre o vivido. Esse estudo considera o relato narrativo como uma forma específica de discurso organizado em torno de uma trama argumentativa, que envolve a dimensão do tempo, personagens e situações no qual o sujeito produz a sua própria trama de vida. Enquanto gênero textual, o diário é composto por textos de diferentes extensões que respeitam o transcorrer do tempo sem necessariamente conter uma linearidade; podem conter narrativas de caráter mais íntimo e pessoal como podem conter simples registros fragmentados de acontecimentos do cotidiano. Os diários aqui analisados são portadores de uma diversidade discursiva onde misturam textos, imagens, poesias e desenhos. A escrita de um diário se caracteriza como uma experiência que resulta em construções narrativas, profundamente conectadas ao sujeito, que produz a si, enquanto é produzido pela própria narrativa.
PALAVRAS-CHAVE: ESCRITA E LEITURA, DIÁRIOS AUTOBIOGRÁFICOS, EXPERIÊNCIA

TÍTULO: SIGNIFICADOS DO APRENDIZADO DE LEITURA E ESCRITA PARA EDUCANDOS DO PEJA (PROGRAMA DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS) DA UNESP, CAMPUS DE ARARAQUARA: ANÁLISE INICIAL SOBRE PERCEPÇÕES ACERCA DA APROPRIAÇÃ
AUTOR(ES): SUZANA SIRLENE DA SILVA, NARA DEVI DASI ALMEIDA
RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo apresentar os resultados iniciais obtidos com uma investigação conduzida antes e após um ano de atividades realizadas em três salas de alfabetização do Programa de Educação de Jovens e Adultos - PEJA em Araraquara, projeto de extensão universitária da UNESP. A problemática central da pesquisa foi verificar e caracterizar os impactos deste processo educativo tanto no cotidiano dos educandos participantes do projeto e nas práticas que envolvem esta esfera de suas vidas, como nas concepções manifestas por eles sobre a função dessa aquisição sobre si próprios. Para isto, elaborou-se um roteiro de entrevista contendo questões acerca das percepções e concepções dos participantes, 11 alunos matriculados no PEJA, com o objetivo de caracterizar o perfil dos mesmos, bem como suas expectativas em relação à aquisição da leitura e da escrita, processo no qual passaram a estar envolvidos. Foram realizados dois momentos de entrevistas, um antes do início e o outro ao final do ano letivo. As entrevistas foram analisadas, estabelecendo-se posteriormente um confronto, uma comparação entre os dados acerca das percepções e concepções iniciais e posteriores, buscando identificar e compreender as implicações da frequência a um programa de educação de jovens e adultos. Os resultados, embora preliminares, indicam uma tendência de avaliação do programa como sendo de significativa relevância para a vida pessoal dos alunos. Indicam também que, ao final do ano letivo, a percepção sobre o valor da aprendizagem de leitura escrita tende a se acentuar, enfatizando as contribuições da alfabetização em nossa sociedade, a despeito do momento em que ela possa ocorrer. A concepção acerca da função social da linguagem escrita consolida-se e passa, de uma visão idealizada, para uma avaliação ancorada em percepções reais. Por fim, são analisadas as maiores dificuldades enfrentadas pelos educandos para aprendizagem da leitura e da escrita.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, CONCEPÇÕES ACERCA DA FUNÇÃO SOCIAL DA LINGUAGEM ESCRITA, ALFABETIZAÇÃO

TÍTULO: TERCEIRA IDADE: FONTE FUNDAMENTAL PARA REVER VALORES E ATITUDES
AUTOR(ES): SUZI MARIA JOSÉ ALCARAZ HÖNEL
RESUMO: No Brasil, a preocupação com a terceira idade divide-se em duas partes: a política do estado e a científica da medicina. Para o Estado, esta questão se dá por meio de leis, decretos, portarias e por via previdência social a partir dos sessenta anos de idade, enquanto a medicina busca proporcionar uma vida mais harmônica através do equilíbrio do físico e mental. Porém, a terceira idade não pode ser vista apenas com estas duas vertentes; o idoso de hoje é ativo, participativo e senhor de sua própria educação, tornando-a permanente para conquistar uma velhice feliz e consciente de seus direitos. Portanto a valorização do conhecimento adquirido por meio da vivência dos idosos, a redescoberta da capacidade da memória, da concentração e da vontade de expor seus conhecimentos pode contribuir para gerar uma sociedade mais equilibrada, coerente e respeitosa com o legado para as futuras gerações. Desta forma, este projeto desenvolveu atividades com o objetivo de valorizar e resgatar a auto-estima da comunidade pertencente à terceira idade, diagnosticando, por meio de desenhos e pequenos textos, a história de vida dos participantes, a mudança de valores ocorridos na sociedade, no modo de vida e no reflexo do desenvolvimento tecnológico no ambiente. Os resultados obtidos no processo de interação educativa denotaram um alto grau de participação e interação do grupo; a valorização da auto-estima colaborou com a interatividade familiar e o resgate no interesse pela leitura e a escrita, através dos recursos disponibilizados pela biblioteca do CDCC na sensibilização das questões ambientais.
PALAVRAS-CHAVE: TERCEIRA IDADE, LEITURA, MEIO AMBIENTE
SESSÃO - EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS 26
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Estudos da Linguagem - IEL - SALA: CL 14
TÍTULO: REFERENCIAL TEÓRICO METODOLÓGICO PARA EJA: UMA EXPERIÊNCIA EM CONSTRUÇÃO NA REME DE CAMPO GRANDE – MS
AUTOR(ES): TEREZINHA BAZÉ DE LIMA, ANGELA MARIA DE BRITO, LUCIA CELIA FERREIRA DA SILVA PERIUS
RESUMO: O estudo vem sendo realizado em torno da seguinte questão inicial: como organizar coletivamente um referencial que contribua com os profissionais que atuam na Educação de Jovens e Adultos(EJA), em especial com a organização da prática pedagógica do professor em sala de aula? Foi a partir da organização de um grupo de estudo que denominamos de Grupo Estruturante que iniciamos o desenvolvimento de um projeto de formação continuada de professores com a participação da equipe técnica responsável pela modalidade de ensino e gestores das escolas da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande/MS. A referida formação centra-se na escrita coletiva e reflexiva de um documento norteador denominado de Referencial Teórico Metodológico para EJA para contribuir na organização didática do trabalho docente nas salas de aula da Educação de Jovens e Adultos. O objetivo principal do trabalho é a reflexão crítica do grupo acerca das questões que envolvem os alunos dessa modalidade de ensino e também conhecer as experiências prévias dos professores que ocorreu por meio da coleta de dados e a seleção dos procedimentos necessários para atuação pedagógica com qualidade no contexto sala de aula, visando a transformação social. Os resultados preliminares apontam o compromisso do grupo com a leitura teórica e a escrita, com base na pesquisa que gera a produção científica que tem como culminância a organização do referencial visando a formação continuada em serviço a partir das dificuldades apontadas pelos professores.
PALAVRAS-CHAVE: PROPOSTA PEDAGÓGICA , FORMAÇÃO CONTINUADA , PROFESSORES DE EJA
TÍTULO: ALFABETIZAÇÃO, LETRAMENTO E INCLUSÃO SOCIAL NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): VALDECY MARGARIDA DA SILVA
RESUMO: A educação de jovens e adultos tenta tapar um buraco na exclusão social e a desmoralização do ensino. É preciso banir a idéia de ver a EJA como um trabalho emergencial, como se os resultados pudessem ser imediatistas, criando projetos provisórios, dando a entender que qualquer pessoa é capaz de desempenhar a função de educador de adultos. Pensar em educação inclusiva é refletir a respeito dos diferentes aspectos relacionados à oralidade e ao processo de alfabetização e letramento dos diferentes sujeitos de uma sociedade em suas especificidades biopsicossociais, culturais e antropológicas. A prática docente com adultos não alfabetizados ou pouco escolarizados da Educação de Jovens e Adultos – EJA - evidencia a necessidade de uma organização curricular que considere o texto de uso social como principal recurso. Com a preocupação de aproximar o estudo da língua de seus usos, desenvolvemos em uma sala de aula de Educação de Jovens e Adultos de uma escola da rede municipal de ensino de Campina Grande - PB, um trabalho que visa, principalmente, o aperfeiçoamento da prática social da interação linguística através do desenvolvimento das habilidades do aluno de falar e ouvir, escrever e ler, em diferentes situações discursivas, ou seja, um ensino que visa o letramento. A experiência vivenciada mostrou que é necessário refletirmos sobre a complexidade inerente aos processos educativos vivenciados em nossas escolas, repensando estratégias de ação e o reconhecimento dos distintos modos de pensar e agir dos alunos em seus percursos rumo ao letramento e à inclusão social.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO, LETRAMENTO, EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

TÍTULO: COLEÇÃO GÊNEROS EM AÇÃO: UMA PROPOSTA PARA A FORMAÇÃO DO ALFABETIZADOR DE JOVENS E ADULTOS DA REDE SESI-SP
AUTOR(ES): VALERIA PENHA DE OLIVEIRA RUGGERI, PAULA HELENA DE ANDRADE QUERIDO
RESUMO: O trabalho apresenta a Coleção Gêneros em Ação, material didático e ao mesmo tempo, proposta metodológica do Programa de Alfabetização Intensiva da rede SESI-São Paulo. Fruto de pesquisa e experimentação, o material vem revelando resultados positivos quanto à ampliação e à aquisição de novos conhecimentos na área de Língua Portuguesa, produzindo impactos significativos na tarefa de alfabetizar. A coleção “Gêneros em Ação“, que está em fase de conclusão, é composta por sete volumes, sendo um teórico-metodológico e seis teórico-práticos. Pautada na concepção sociointeracionista, a coleção privilegia o desenvolvimento de gêneros discursivos organizados por agrupamentos: Informar, Instruir/Prescrever, Argumentar, Relatar, Narrar e Expor. Cada volume teórico-prático oferece uma descrição do agrupamento, um estudo detalhado de três gêneros pertencentes a esse agrupamento, orientações para o trabalho com esses gêneros e sugestões de atividades, organizadas didaticamente na perspectiva de sequência didática. O objetivo é que prática e teoria se comuniquem durante todo o processo de estudo dos gêneros, retroalimentando-se. A utilização da coleção em classes de alfabetização de jovens e adultos não prevê um trabalho rigorosamente sequencial de exploração. A coleção está fundamentada em pesquisas nas áreas de Linguística Aplicada ao Ensino e à Educação, assim como nas diretrizes dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Nesta comunicação será focalizado o volume teórico-prático “Narrar”, que trata dos gêneros lenda, adivinha e anedota.
PALAVRAS-CHAVE: ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, GÊNEROS DO DISCURSO, MATERIAL DIDÁTICO
TÍTULO: TEATRO DO OPRIMIDO - IMPLICAÇÕES METODOLÓGICAS PARA A EDUCAÇÃO DE ADULTOS
AUTOR(ES): WALDIMIR RODRIGUES VIANA - BOLSISTA PLENO DA FUNDAÇÃO FORD
RESUMO: Apresento a seguir uma síntese do projeto de pesquisa: Teatro do Oprimido - Implicações Metodológicas para a Educação de Adultos, a ser desenvolvido junto ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG. A proposta nasce a partir de uma ampla experiência com a metodologia do Teatro do Oprimido, criada pelo brasileiro Augusto Boal. Visa analisar teórica e praticamente, à luz de Paulo Freire, as possibilidades desta forma de teatro para a formação de adultos; homens e mulheres educandos da EJA, oriundos normalmente das classes trabalhadoras, promovendo o conhecimento e a criação artísticos, a postura política, bem como a acessibilidade cultural a partir do ambiente educacional. Dentre outros questionamentos a pesquisa pretende indagar: quais seriam outros caminhos para que o ensino da arte não seja uma falácia na escola formal? O Teatro do Oprimido, baseado na Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, poderia ser uma oferta metodológica para a arte educação na escola formal e não formal, sobretudo na EJA? E a atual LDB 9394/96, o que ela diz ou omite sobre a questão da arte? Pelos fundamentos legais, onde podemos interferir e o que podemos projetar com nossa pesquisa? Como podemos “ler” este sistema teatral e a obra freiriana nos dias de hoje, neste tempo de velhas e novas opressões? Neste sentido, será feita uma abordagem qualitativa buscando dados que gerem interpretações e reflexões em torno do tema e sobre as práticas teatrais dos alunos que, por meio do método, serão criadores, fruidores e críticos teatrais. Em última análise, a pesquisa pretende verificar a contribuição pedagógica que pode emergir do Teatro do Oprimido, pensando em sua aplicabilidade no meio educacional e suas implicações efetivas para o ensino da arte, direcionada neste caso para educandos adultos na EJA.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, TEATRO DO OPRIMIDO, METODOLOGIA

TÍTULO: REGISTRO ESCRITO DOS SABERES DOS ANTIGOS COLONOS DA CAFEICULTURA FLUMINENSE: UMA EXPERIÊNCIA DE FORMAÇÃO CONTINUADA DE EDUCADORAS DE PESSOAS JOVENS E ADULTAS DO CAMPO.
AUTOR(ES): WANDA MEDRADO ABRANTES
RESUMO: Esta comunicação procura sistematizar o percurso metodológico da formação de educadoras de pessoas jovens e adultas assentadas pela reforma agrária, especificamente na dimensão da leitura e da escrita, parte integrante de uma proposta mais ampla de um projeto que visava inventariar, registrar e difundir os saberes dos antigos colonos da cafeicultura fluminense no município de Trajano de Morais, no estado do Rio de Janeiro. Coerente com os princípios político- pedagógicos da educação popular, a autora sinaliza a narrativa, a emancipação, a tessitura de conhecimentos em rede, a intertextualidade, enquanto “pistas” dos caminhos metodológicos que marcaram essa experiência formadora. Ainda fazendo parte desse trabalho, o diálogo com Paulo Freire, Boaventura Santos, Certeau e tantas outras pessoas (professoras, artistas, escritores, trabalhadores rurais, representantes de sindicatos) ajudam a compreender algumas questões que foram surgindo no cotidiano dessa experiência como, por exemplo, os níveis diferenciados de conhecimento de leitura e de escrita entre os assentados, incluindo a presença de uma pessoa analfabeta, desafiando a busca de modos de se ensinar a ler e a escrever. Finalmente, os resultados gerados pelo projeto, destacando-se toda a produção dos assentados (livro, fotografias, ilustrações) para registro dos saberes do colonato, serão apresentados e discutidos no coletivo, no intuito de ampliar as discussões práticas e de pesquisa na vertente da educação continuada de pessoas jovens e adultas.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS, LEITURA E ESCRITA, FORMAÇÃO DE EDUCADORAS

TÍTULO: ONGS E A EDUCAÇÃO DE PESSOAS JOVENS E ADULTAS NO RIO DE JANEIRO: UM ESTUDO DE CASOS MÚLTIPLOS
EIXO TEMÁTICO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): WANIA REGINA COUTINHO GONZALEZ
RESUMO: A pesquisa focaliza as ações educativas destinadas às pessoas jovens e adultas realizadas por cinco organizações não governamentais situadas no estado do Rio de Janeiro. O trabalho é dividido em duas partes: a primeira apresenta discussão teórica conceitual sobre as categorias Terceiro Setor e Educação não-formal enfatizando as controvérsias suscitadas pelos estudiosos do assunto, tais como: Carlos Montaño, Maria da Gloria Gohn, Leilah Landim e Jaime Trilla. A segunda explicita os resultados e análise da pesquisa qualitativa, financiada pela FAPERJ, realizada em 2008 com participantes de cinco organizações do terceiro setor envolvidos no campo da educação. Os participantes da Pesquisa foram selecionados em virtude da singularidade de suas ações educativas. Os procedimentos metodológicos compreenderam a realização de entrevistas semi-estruturadas com os representantes das ONGs e quando houve autorização com os participantes dos cursos. A relevância deste trabalho consiste em contribuir para a divulgação dessas ações ressaltando a importância da educação de pessoas jovens e adultas em espaços não-formais de ensino. A investigação pretende também subsidiar a identificação de práticas pedagógicas que possuam uma abordagem abrangente da formação do indivíduo mediante o reconhecimento do seu direito à apropriação efetiva dos saberes, de como o sujeito apreende o mundo levando em consideração a sua dimensão humana, social e singular acordo com Bernard Charlot.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO NÃO FORMAL, TERCEIRO SETOR, RELAÇÃO COM O SABER

TÍTULO: A ARTE NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DO PEJA
EIXO TEMÁTICO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): WILSON CRISTOVAM
RESUMO: Este trabalho em Educação de Jovens e Adultos é realizado na periferia de Presidente Prudente-SP. - Parque Cedral e Cambuci, sob a orientação da Profª. Drª. Maria Peregrina de Fátima Rotta Furlanetti, coordenadora do curso de Pedagogia da FCT/UNESP e também coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Popular - GEPEP. Este trabalho procura identificar no Programa a utilização da ARTE como meio para o desenvolvimento do aprendizado. Terá como foco as questões: como a arte contribui para a construção da linguagem escrita? E, qual a relevância da arte na educação de jovens e adultos do PEJA? Parte do pressuposto de que a arte está presente em tudo o que é desenvolvido pelo ser humano e, da necessária conscientização dos educadores para que contemplem a arte como meio de alfabetização, pois a arte proporciona um aprendizado com prazer. É um trabalho importante, pois os envolvidos neste tipo de Programa de alfabetização são adultos que na sua infância tiveram negado o direito ao estudo. São da classe social que compõem o alto índice nas estatísticas da pobreza no Brasil. São pessoas que não tem acesso ao que se produz na sociedade em termos de arte; daí se faz notar a necessidade de um estudo que contemple o processo de construção da linguagem escrita pela EJA e a sua relevância. Será um estudo de caso, uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de entrevistas, diários, questionários para levantamento de dados. O referencial teórico será a abordagem freireana em Educação Popular e a realidade do oprimido. É um trabalho importante porque servirá de suporte teórico a outros projetos em via de implantação nos referidos bairros, como: biblioteca comunitária, leitura, música, teatro, dança e de geração de renda.
PALAVRAS-CHAVE: EJA, ARTE, EDUCAÇÃO POPULAR

TÍTULO: VOZES DA DIVERSIDADE: POR UMA ESCOLA QUE OUÇA.
EIXO TEMÁTICO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): WILSON QUEIROZ, SOLANGE APARECIDA MALACRIDA
RESUMO: Uma escola disposta a ouvir, muitas vezes produz outros conhecimentos, outras dinâmicas e outras vivências. Por isso, nós professores, precisamos ser ouvidos e também ouvir as vozes dos nossos alunos, numa tentativa de construir outras possibilidades de inclusão, de respeito à diversidade, de desenvolvimento de potencialidades, presentes em cada um e nos diversos personagens que cotidianamente convivem conosco, às vezes de forma silenciada. Nesta atividade, desenvolvida numa escola da rede municipal de Campinas, CEMEFEJA Paulo Freire, cada aluno é singular, no sentido de que se busca atender suas necessidades de escolarização, e plural em relação a preocupação de integração dos mesmos a escola, visando a continuidade dos estudos e a permanência de todos neste espaço. Com o intuito de melhorar e ampliar o trabalho coletivo e individual dos docentes, e melhor atendimento dos alunos, gravamos alguns depoimentos, solicitando que eles expusessem suas memórias escolares e a importância da escola em suas vidas. A princípio, forjamos um espaço, com acabamento e com estética de documentário, o que logo percebemos não funcionar adequadamente, pois os depoimentos individualizados inibiam as falas, e forçavam as conversas de maneira artificial. Constatamos que a sala de aula é um ambiente mais familiar e por isso os diálogos se deram numa outra dinâmica, e assim ficamos impressionados com a riqueza dos relatos apresentados. O ato de ouvir nos disse muito mais do que muitas redações, que inclusive alguns deles ainda não são capazes de fazer, de colocar num papel, suas vidas e trajetórias pessoais, focadas nas memórias de suas passagens pelas escolas. É importante destacar que os depoimentos foram gravados uma única vez entre os dias 11/11/2008 e 20/11/2008 e que os relatos apresentados são espontâneos, respeitando o contexto da gravação. Esta, a nosso ver, pode ser uma possibilidade de construção coletiva de ações para a transformação da escola.
PALAVRAS-CHAVE: DIVERSIDADE, HISTÓRIA ORAL, INCLUSÃO
TÍTULO: A ESCOLARIZAÇÃO PARA IDOSOS DE INSTITUIÇÕES ASILARES: ALICERCE NA RECONSTRUÇÃO DA AUTO-ESTIMA
EIXO TEMÁTICO: EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AUTOR(ES): FERNANDA APARECIDA OLIVEIRA RODRIGUES SILVA
RESUMO: A escolarização de pessoas jovens, adultas e idosas que não iniciaram ou não concluíram os estudos tem recebido atenção dos sistemas públicos de educação e ocupado a agenda dos responsáveis pela organização dessa oferta, com mais ênfase após a Constituição Federal de 1988, quando passa a ser reconhecida como direito de todos. Pautada no direito, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) requer esforços capazes de superar o consenso, que a coloca como sinônimo de alfabetização, para inseri-la nos patamares de modalidade de educação desenvolvida ao longo da vida como preconizam as normativas legais brasileiras. Visando a reintegração do idoso das instituições de longa permanência na sociedade, o Programa Extensionista Educação de Jovens e Adultos (PEJA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) abriu turmas de alfabetização nos asilos dos municípios de Ouro Preto, Mariana e Santa Bárbara. O trabalho pedagógico desenvolve-se a partir do resgate da história pretérita dos alunos, no intuito de buscar no rememorar os conhecimentos prévios adquiridos por suas experiências de vida e transformá-los em assuntos a serem discutidos em sala de aula. Isso gerou uma metodologia específica para a escolarização em unidades asilares, acrescida de material de apoio construído com embalagens dos produtos que circulam no cotidiano, a fim de apresentarmos a linguagem nos produtos que circulam no social fazendo com que eles se sintam motivados e interessados em sala. Com o passar do tempo, percebe-se sensível desenvolvimento pessoal dos alunos, o que gera um melhor relacionamento com os familiares e os companheiros das instituições. O Programa adquire um caráter político/social ao buscar levar esses indivíduos novamente à comunidade e apresentar as peculiaridades da sociedade atual.
PALAVRAS-CHAVE: ESCOLARIZAÇÃO DE IDOSOS, INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA, RECONSTRUÇÃO DA AUTO-ESTIMA
|