Leitura e Escrita nas Sociedades Indígenas

SESSÃO - LEITURA E ESCRITA NAS SOCIEDADES INDÍGENAS 1
DIA: 22/07/2009 - Quarta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Economia - IE - SALA: IE 36

TÍTULO: ENTRE SABERES E SABORES: RECEITAS INDÍGENAS MURA DE COMO ENSINAR
AUTOR(ES): ANA ALCÍDIA DE ARAÚJO MORAES, ROMY GUIMARÃES CABRAL, VALÉRIA AMED DAS CHAGAS COSTA
RESUMO:
O presente artigo visa relatar parte de uma experiência de ensino trabalhando com a disciplina Organização do Trabalho Escolar I, em um Curso de Licenciatura Indígena, oferecido pela Universidade Federal do Amazonas/UFAM, para o povo Mura, habitante da região de Autazes/AM. A criação de Licenciaturas Específicas que garantam a continuidade da formação aos professores indígenas é uma iniciativa que busca atender a perspectiva da inclusão social, no contexto da efetivação de novas políticas públicas, que sejam alterativas. Políticas públicas alterativas entendidas como aquelas que tanto levam em conta a alteridade como tem o poder de mudar a realidade. Em outras palavras, respeitam profundamente a diversidade político-cultural dos povos e são coerentes com a nova prerrogativa constitucional do “direito à diferença” e do “direito à cidadania plural”, dentro do estatuto maior da autonomia. Ou seja, políticas que, por um lado, dêem conta da diversidade constitutiva da nação, valorizando e apoiando as especificidades e, por outro, tenham o poder de alterar a situação de desigualdade social, possibilitando igualdade de oportunidades. No campo da educação indígena, em especial, entendemos serem necessárias iniciativas institucionais que assumam como possibilidade pedagógica o diálogo entre os diferentes saberes, configurando-se assim, uma forma de inclusão que acolhe “o diferente” deixando-se questionar, permitindo-se transformar. Inserido nessa problemática que vem discutindo a questão de acesso, permanência e saída exitosa dos povos indígenas ao ensino superior o presente artigo analisa um material produzido pelos(as) dicentes-professores(as) Mura no contexto da disciplina OTE I. A partir da leitura de “Receita de Ambrosia” (MAGNANI, 1993) pedimos que elaborassem, em trio, uma “Receita Mura”. Dessa atividade resultaram “receitas” associando a prática pedagógica com a prática de preparar pratos saborosos. Assim, entre tantos outros, saíram títulos como estes: Farinhada Mura; Caxiri Mura; Mingau de babaçu; Mingau de massa; Como planejamos nossas aulas?
PALAVRAS-CHAVE: LICENCIATURA INDÍGENA, PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO SUPERIOR, SABERES TRADICIONAIS MURA

 

TÍTULO: DA LEITURA DO JORNAL À LEITURA DO MUNDO KURÂ-BAKAIRI: REVITALIZANDO A ESCRITA ATRAVÉS DA INTERDISCIPLINARIDADE
AUTOR(ES): ARYANE APARECIDA ANTONIO
RESUMO:
A escrita na Língua Portuguesa com o passar do tempo e devido ao contato dos indígenas com os não-indígenas passou a ser uma necessidade coletiva para que os povos indígenas pudessem alcançar outros espaços. A comunidade Bakairi, especificamente a aldeia Pakuera no município de Paranatinga/MT, não pensa diferente de outras etnias quanto à preocupação em preparar seus jovens para que conquistem uma profissão, por isso, o pedido de um professor não-indígena para trabalhar a Língua Portuguesa. No entanto, com o convívio permanente entre os Kurâ, observou-se que a oralidade é indiscutivelmente preservada, mas por outro lado a escrita materna tem cedido excessivamente espaço para a escrita do Português. Por isso, buscou-se através do trabalho com o jornal contemplar as expectativas dos alunos no que diz respeito à Língua Portuguesa, mas acima de tudo demonstrar as possibilidades de transpor todo o conhecimento adquirido para o seu contexto, e finalmente, torná-lo original através da escrita Bakairi/Carib. A realização de todo trabalho exigiu dos alunos um resgate da escrita materna, amparando-se no conhecimento de algumas pessoas da comunidade que a conhecem e lidam bem, já que a maior parte dos alunos tem dificuldades para utilizá-la. Faz-se importante ressaltar que o Bakairi ainda não tem uma língua escrita normatizada, assim como tanto outros povos, todavia, as atividades acabaram de certa forma contribuindo para o repasse e o fortalecimento da mesma. A pretensão foi transpor a aquisição deste saber para o cotidiano dos alunos tecendo uma teia que começou pelo contato e conhecimento do material, uma vez que o grupo não o mantinha, prosseguindo por todos os estágios até a produção do jornal impresso. Posteriormente, pelos resultados colhidos pelo grupo, do papel o jornal transformou-se em um tele-jornal, criando ramificações para outros trabalhos.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESCRITA, INTERDISCIPLINARIDADE

 

TÍTULO: A IMPORTÂNCIA E DESAFIO DO ENSINO DAS MÚLTIPLAS LINGUAGENS PARA A PRESERVAÇÃO DA IDENTIDADE NA EDUCAÇÃO INDÍGENA: COMO UTILIZAR A RIQUEZA DO POVO KIRIRI NA EDUCAÇÃO INFANTIL?
AUTOR(ES): CARLA RAVENA SENA CARVALHO CUNHA
RESUMO:
O presente trabalho objetiva analisar e compreender a importância da utilização das múltiplas linguagens para o desenvolvimento da educação infantil Indígena na aldeia de Mirandela. A relação construída por um povo e sua luta pela terra, bem como desenvolver habilidades criadoras a partir da história, da geografia, da música, da língua, das crenças, das artes, das danças dos valores. Repensar e redirecionar o trabalho dos educadores indígenas infantis para refletir sobre a necessidade de explorar as múltiplas linguagens da infância e como elas auxiliam no aprendizado de conceitos escolares, servindo de subsídios para construir escolas diferenciadas onde os saberes, sabores, cheiros, sons e ritmos sejam valorizados. A forma como as sociedades indígenas sofreram no decorrer da história pela valorização de uma educação fundamentada em princípios não-indígenas, que impunha uma escola com padrões de outro grupo étnico ainda traz fortes consequências para a perda da identidade cultural. Como trabalhar a valorização da cultura indígena de forma criativa, motivadora e utilizando de materiais da própria cultura na formação desse indivíduo? É preciso repensar a práxis pedagógica dessa sociedade e envolver as crianças em atividades que promovam a valorização da sua identidade, uma educação diferenciada, repensada e valorizada pelo educador indígena que se vê muitas vezes induzido a desenvolver práticas que não condiz com a preservação de seus valores.
PALAVRAS-CHAVE: IDENTIDADE CULTURAL, POVO KIRIRI, MÚLTIPLAS LINGUAGENS

 

TÍTULO: “PORTUGUÊS LÍNGUA ESCURA“: PRÁTICAS DE LEITURA E DE ESCRITA COM PROFESSORES MAXAKALI
AUTOR(ES): CYNTHIA CÁSSIA SANTOS BARRA, CINARA DE ARAÚJO SOARES
RESUMO:
Esta comunicação visa discutir algumas das concepções de leitura e de escrita que sustentam os laboratórios de tradução intercultural que estão sendo desenvolvidos com professores Maxakali no projeto Ãpu yũmũyõg hãm mainã (“Cura da Terra”). O projeto, em andamento, iniciado em 2006, faz parte do percurso de graduação dos professores Maxakali, aqueles que lecionam nas aldeias de Água Boa, Pradinho e Cachoeira. Coordenado por Edgar E. Bolivar, integra a grade curricular do Curso Especial para Formação Intercultural de Educadores Indígenas (FIEI), oferecido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Alguns dos objetivos específicos desse projeto são: a) pesquisar e articular saberes indígenas e conhecimentos científicos sobre a Mata Atlântica; b) conceber e realizar ações nas aldeias para a recuperação de áreas desmatadas; c) assessorar os graduandos na produção de materiais didáticos monolíngues (língua maxakali) e bilíngues (em maxakali, com correspondente tradução para a língua portuguesa), que tenham como tema experiências e conhecimentos recobertos pelo projeto. É importante destacar que os Maxakali tiveram contato formal com a técnica da escrita alfabética, em 1960, por meio de missionários da Summer Institute of Linguistics (SIL). Mantêm-se praticamente monolíngues até hoje, preservando-se essencialmente como falantes e escritores em língua materna. Nesta comunicação, escolhemos tomar como fundamentação teórica as noções de “escrita” e de “políticas da escrita”, presentes na obra de Jacques Rancière, e as noções de “textualidade” e de “legência”, presentes na obra de Maria Gabriela Llansol. Em um contexto de Educação Indígena, pretendemos ressaltar os caminhos cognitivos, estéticos e éticos que temos seguido nas atividades que envolvem a transmissão e o ensino formal da Língua Portuguesa.
PALAVRAS-CHAVE: MAXAKALI, POLÍTICAS DA ESCRITA, LEGÊNCIA

 

TÍTULO: “HAVERIA UMA PEDAGOGIA ESCOLAR INDÍGENA GUARANI?“
AUTOR(ES): DOMINGOS BARROS NOBRE
RESUMO:
A comunicação apresenta resultados parciais da pesquisa: “Formação de Professores Indígenas Guarani, Construção Curricular e Práticas de Ensino”, que integra o Grupo de Pesquisa: “Formação de Professores e Diversidades Culturais” da Faculdade de Formação de Professores da UERJ, pesquisa que vem sendo desenvolvida na Escola Indígena Estadual Guarani Karai Kuery Renda, na Aldeia Sapukai, em Angra dos Reis (RJ). Tais resultados encontram-se sistematizados em: “Uma Pedagogia Escolar Indígena Guarani, Numa Escola, Pra quê?” (Nobre, 2009) no qual esta comunicação se baseia. Enumera-se onze elementos que compõem uma possível pedagogia escolar indígena guarani, a partir de pesquisa de natureza etnográfica, com análise de inúmeras aulas gravadas em vídeo, que resultaram na produção do documentário curta-metragem: “Uma Aula Guarani Eté” (Nobre, 2009a), que acompanha a comunicação. Observa-se que alguns destes elementos são passíveis de generalização a outros grupos indígenas em processo de escolarização, mas algumas delas são tipicamente características do povo Guarani Mbya, dado que relacionam-se à sua cosmovisão e à sua incessante busca de manter vivo o seu Nhandereko (Jeito de Ser Guarani). Demonstra-se o tensionamento permanente que existe entre as pressões ocidentalizantes do aparelho de Estado e a guaranização das práticas pedagógicas por parte dos professores indígenas, ao longo do processo de escolarização. Defende-se aqui uma apropriação criativa dos professores guarani de elementos da educação tradicional Guarani incorporados à escola, assim como a subversão de normas e preceitos típicos da educação escolar não indígena que produzem uma certa irregularidade na prática escolar indígena, como também a reprodução de elementos da pedagogia escolar tradicional não–indígena.
PALAVRAS-CHAVE: PEDAGOIA ESCOLAR INDÍGENA, PEDAGOGIA GUARANI, EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

 

SESSÃO - LEITURA E ESCRITA NAS SOCIEDADES INDÍGENAS 2
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 14:00 as 15:00 horas
LOCAL: Instituto de Economia - IE - SALA: IE 36

TÍTULO: TRILHAS DE UMA PESQUISA NA AMAZÔNIA: CAMINHOS E DESCAMINHOS DO TRABALHO DE CAMPO
AUTOR(ES): ELCICLEI FARIA DOS SANTOS
RESUMO:
Este texto é uma narrativa do trabalho de campo de uma pesquisa de Mestrado realizada com professoras e professores Sateré-Mawé da área do Rio Marau, município de Maués, Amazonas, que teve como temática central a formação de professoras e professores indígenas. A pesquisa foi desenvolvida no período de 2003 a 2005, pelo Programa de Pós-Graduação em Educação-PPGE da Universidade Federal do Amazonas-UFAM. O texto é uma síntese de um capítulo da Dissertação que foi construído a partir de observações registradas no caderno de campo da pesquisadora e das experiências vividas durante seis viagens realizadas ao campo da pesquisa para coletar dados. Este texto tem a intenção, por um lado, de mostrar que durante o trabalho de campo – etapa fundamental da pesquisa que muitas vezes não é visualizada – há ocorrências que podem comprometer e até alterar os resultados de uma investigação. Por outro lado, pretende revelar a complexidade e os desafios relacionados à produção de conhecimentos na região amazônica, sobretudo quando se trata de pesquisa realizada com povos indígenas. Ao mesmo tempo, quer contribuir com o debate sobre o investimento de recursos por parte de entidades de fomento à pesquisa que muitas vezes não priorizam investimentos por desconhecem a realidade e a complexidade da região amazônica, o que reflete diretamente na formação de quadros de pesquisadoras e pesquisadores que se dedicam à temática indígena na Amazônia.
PALAVRAS-CHAVE: PESQUISA NA AMAZÔNIA, POVO SATARÉ-MAWÉ, TRABALHO DE CAMPO

 

TÍTULO: A RELAÇÃO ENTRE LINGUAGEM E IDENTIDADE CULTURAL NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS EM SITUAÇÕES DE BILINGUISMO/MULTILINGUISMO: DISCUSSÃO PRELIMINAR
AUTOR(ES): FRANTOME BEZERRA PACHECO
RESUMO:
O objetivo deste trabalho é refletir sobre algumas propostas que orientam as discussões sobre as complexas relações envolvendo linguagem e identidade cultural nas situações de bilinguismo ou multilinguismo nos contextos de formação de professores indígenas, a partir de sua experiência didática e de suas reflexões sobre essas relações, muitas delas embasadas pela cultura e história de contato do povo ao qual pertencem ou influenciadas pela ideologia do Estado que implementa programas de educação escolar indígena e a formação de professores indígenas. Por identidade cultural, entendemos aquelas formas ou estratégias de (auto-)identificação adotadas por indivíduos ou grupos que se vinculam a um povo ou etnia historicamente delineados. A delimitação identitária é feita a partir de critérios diversos como lugar de origem, família ou descendência, relações de contato com os não-indígenas e com outros povos, tradições de diversos tipos, registros junto a órgãos oficiais, entre outros. A identidade cultural é multidimensional, visto que os membros de um grupo ou sociedade podem adotar ou assumir múltiplas identidades culturais, destacando uma ou outra a partir das situações políticas que enfrentam em suas lutas e conflitos em relação aos outros (Cuché, 2002). Ao nos referirmos à linguagem, estamos considerando dois conjuntos de estratégias comunicativas empregadas nas interações socioculturais: a linguagem verbal, que compreende os códigos linguísticos orais e escritos, incluindo-se línguas de sinais, e a linguagem não-verbal, que engloba as formas de comunicação não caracterizadas como linguagem oral ou gestural duplamente articulada (cf. Bastos & Candiotto, 2007). Saliente-se, ainda, que a formação de indígenas para atuar como professores e gestores da educação escolar em suas comunidades de origem é um dos principais desafios e uma prioridade para a consolidação de uma educação escolar indígena pautada pelos princípios da diferença, da especificidade, do bilinguismo e da interculturalidade (Grupioni, 2003, p. 13).
PALAVRAS-CHAVE: LINGUAGEM, IDENTIDADE CULTURAL, PROFESSORES INDÍGENAS

TÍTULO: O ACESSO DOS PROFESSORES INDÍGENAS À EDUCAÇÃO SUPERIOR: O CASO PARTICULAR DO ACRE.
AUTOR(ES): GILBERTO FRANCISCO DALMOLIN
RESUMO:
Nesta comunicação é contextualizado o processo de construção da proposta de formação de docentes indígenas em nível superior, no Acre, bem como o projeto em execução pela Universidade Federal do Acre, Campus Floresta. A educação escolar indígena no estado do Acre, que participou com experiências destacadas como referência nacional, particularmente no debate sobre a formação inicial de professores indígenas, não obteve, na prática, a mesma desenvoltura como protagonista no processo de consolidação, desta formação, em nível superior. De um movimento indígena atuante, com a presença significativa de organizações indígenas, com reivindicações bem demarcadas, para os percalços, resultante de conflitos entre indigenistas, que se arvoram a sempre saber e dizer “o que é melhor para o índio”, a Universidade Federal do Acre retardou no processo de implantação de um programa específico de formação de professores para escolas indígenas. Somente em 2008, de forma vacilante, é posta em curso a Formação Docente para Indígenas, na Universidade Federal do Acre. Os conflitos, a resistência, oposições e muito preconceito, da sociedade acreana para com a população indígena, são reproduzidos na atuação das instituições públicas, dentre elas a universidade que, somado com a histórica assimetria entre indígenas e não-indígenas no acesso aos bens públicos, impede uma atuação mais coerente e respeitosa, das instituições públicas para com os indígenas.
PALAVRAS-CHAVE: POVOS INDÍGENAS, EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA, PROFESSOR INDÍGENA

TÍTULO: O PROFESSOR ÍNDIO E A PRODUÇÃO DE LIVROS DE LITERATURA INFANTIL: PONTO DE PARTIDA PARA O DESENVOLVIMENTO DA LEITURA NAS ESCOLAS INDÍGENAS NO ESTADO DO CEARÁ
AUTOR(ES): HERTHA CRISTINA CARNEIRO PESSOA, GERMANA MIRLA VERAS SANTANA
RESUMO:
A quase inexistente prática da leitura nas salas de aula das escolas indígenas no Estado do Ceará, justifica-se, segundo os professores índios, pela falta de material de literatura voltado para a Educação Escolar Indígena. De acordo com o relato desses professores, os pouquíssimos livros que chegam às escolas indígenas não contemplam a realidade das comunidades indígenas, e tampouco abordam temas que fazem parte do universo infantil das crianças índias. Como forma de solucionar o problema, os professores de onze etnias: Jenipapo Kanindé, Kanindé de Aratuba, Tapeba, Tabajara, Potiguara, Pitaguary, Kalabaça, Kariri, anacé, Kanindé de Canindé e Tremembé, produziram livros de literatura infantil para serem utilizados nas 37 escolas indígenas no Ceará. O presente trabalho visa compartilhar essa experiência de produção de livros de literatura infantil para escolas indígenas, realizada pelos professores índios, durante o curso de Formação Continuada para Professores Índios, realizado de agosto a dezembro de 2008, pela Secretaria da Educação do Estado do Ceará. O curso teve duração total de 240 horas, sendo 80 horas destinadas às práticas de leitura e de escrita em Língua Portuguesa, visto ser esta a língua hoje utilizada pelas etnias acima listadas. Das 80 horas, 24 horas foram reservadas para orientações sobre o texto narrativo, produção escritas das histórias, revisão do texto produzido e confecção dos livros com ilustrações em origami. Os professores produziram um livro por escola, como modelo para confecção de vários outros que serão utilizados como suporte didático às aulas nas comunidades indígenas. A experiência de produção de livros de literatura infantil trouxe aos professores índios a certeza de que são capazes de elaborar seu próprio material de leitura, adequado à realidade das suas comunidades, respeitando, assim, o diferenciado na Educação Escolar Indígena. Acredita-se que dessa forma a leitura se tornará mais efetivas nas escolas indígenas no Ceará.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, LITERATURA INFANTIL, FORMAÇÃO DE PROFESSOR

TÍTULO: EXERCÍCIOS DE INTERCULTURALIDADE - LEITURA E ESCRITA NA TERRA INDIGENA.
AUTOR(ES): JOSÉLIA GOMES NEVES
RESUMO:
Elaboração sobre o processo de leitura e escrita no âmbito da alfabetização inicial que ocorre nas escolas indígenas, das etnias Arara-Karo e Gavião-Ikolen na Terra Indígena Igarapé Lourdes, em Ji-Paraná, Rondônia. Discute o significado de produções infantis enquanto manifestações do diálogo intercultural (FLEURI, 2003) - práticas bilingues expressas no papel, mediante uso de tecnologia não indígena, a escrita (ONG,1998) - fragmentos de seu universo cultural através de textos multimodais (THIAGO,2007). Analisamos que os textos apontam pistas que sugerem possível incorporação das práticas de escrita e leitura na escola e na vida da comunidade indígena como importantes elementos no que diz respeito a sua atual situação pós-contato com a sociedade não-indígena. No esforço de compreender a leitura e a escrita em língua portuguesa e na indígena, os discentes produzem pequenas narrativas que dialogam com o seu cotidiano como em: Meu pai matou paca. [...] Eu matei passarinho. A nosso ver, o texto citado aponta para uma série de questões: a divisão entre fazeres dos adultos e tarefas de criança; exercícios de brincar que pedagogicamente o insere nas futuras práticas de um caçador adulto que precisará ter habilidades para construir a sua sobrevivência e a de sua família, remetendo ainda a importância de seu espaço tradicional e cultural, a Terra Indígena; demonstrações do processo pedagógico próprio característico da educação indígena milenar, onde todos e todas ensinam e aprendem em um constante e permanente processo formativo, significativo e solidário. Avaliamos que os textos apresentam marcas que evidenciam a leitura que fazem do ambiente no qual estão inseridos, onde o meio e as línguas se entrelaçam em uma perspectiva intercultural, confirmando com Paulo Freire (ano) que a leitura de mundo precede, e eu acrescentaria ainda, inspira, a leitura da palavra.
PALAVRAS-CHAVE: LEITURA, ESCRITA, INTERCULTURALIDADE

 

 

SESSÃO - LEITURA E ESCRITA NAS SOCIEDADES INDÍGENAS 3
DIA: 23/07/2009 - Quinta-Feira – das 16:00 as 17:00 horas
LOCAL: Instituto de Economia - IE - SALA: IE 36

TÍTULO: TRANSVER A SEGUNDA LÍNGUA POR OLHOS WAJÃPI: O OLHAR DA FORMADORA DIANTE DA ELABORAÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO ESPECÍFICO AO ENSINO DE LP2.
AUTOR(ES): LILIAN ABRAM DOS SANTOS
RESUMO:
Nesta comunicação apresentarei as orientações teóricas que guiaram a produção do material didático Começo de Conversa: Livro de Português da Escola Wajãpi (Iepé-MEC-UFMG, 2008). Tal material é de autoria de dez professores wajãpi e foi produzido em módulos presenciais da disciplina Metodologia de Ensino de Línguas que integra a formação em nível médio, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Formação em Educação Escolar Indígena – Iepé. O material didático Começo de Conversa foi concebido para o ensino de português como segunda língua para crianças wajãpi, com predomínio de atividades para o desenvolvimento das habilidades orais. Durante a produção desse material didático, alguns conceitos foram essenciais e ao serem apropriados pelos seus autores, constituíram-se como força motivadora para a produção dos temas e exercícios: - bilingüismo de minorias. Embora compulsório, o bilingüismo indígena deve ser interpretado como um fator positivo e, é desejável que, também em ambiente escolar, a língua portuguesa não invada os espaços da língua materna dos alunos; - interculturalidade. Como sugere Oliveira Santos (2004), para se lidar com a perspectiva de ensino de língua-cultura, é necessário pensar no conceito interculturalidade “como modo de incentivar a intercomunicação entre mundos lingüístico-culturais diferentes“. Durante as oficinas para elaboração do Começo de Conversa, tais conceitos foram discutidos com os professores autores, bem como questões mais específicas relativas ao ensino de L2. Procurou-se elaborar esse material de forma que a língua-cultura da sociedade envolvente fosse transvista pelo olhar wajãpi. Infelizmente, não veremos descrita aqui a experiência dos autores; por isso cabe ressaltar que minha intenção é apresentar o meu ponto de vista a respeito deste material, enquanto formadora de professores wajãpi.
PALAVRAS-CHAVE: ENSINO DE LP2, EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA, WAJÃPI

TÍTULO: INFÂNCIA, CULTURA E FORMAÇÃO DO LEITOR INDÍGENA
AUTOR(ES): MAGALI REIS, GISELLE MOREIRA DA SILVA, SUELI PEREIRA MACHADO OLIVEIRA
RESUMO:
A pesquisa Infância, Cultura e Formação do Leitor Indígena é parte de um projeto mais amplo que vimos desenvolvendo desde 2001, como parte das atividades de pesquisa e extensão, que teve como objetivo inicial acompanhar a chegada deste grupo étnico ao município de Caldas - Minas Gerais. Dentre as atividades desenvolvidas vimos desde 2004, acompanhando a educação, através da Escola Estadual Indígena Warkanã de Aranuã. A pesquisa buscou compreender como os Xucuru-Kariri percebem a infância e sua educação, qual o lugar da criança em sua sociedade, quais as mudanças em curso na vida das crianças, desde a mudança para a região sul de Minas Gerais. Procuramos, em particular, analisar as relações entre transmissão da cultura Xucuru-Kariri, e as transformações sociais decorrentes dos processos de luta pela terra. Atualmente cerca de um terço da população da aldeia tem entre 0 e 14 anos de idade. Os adultos procuram elaborar nas suas práticas e rituais o conteúdo de sua cultura, e se mostram preocupados em promover a transmissão de conhecimento mediante a aprendizagem e o convívio de crianças de diferentes faixas etárias. Pudemos observar ao longo da pesquisa que não há segregação entre as crianças, mesmo as mais pequenininhas permanecem próximas à escola, construindo assim uma rede de sociabilidade distinta. O estudou mostrou a centralidade da educação como forma de superação da relação de dominação entre sociedade indígena e não-indígena, mostrou ainda o papel central da escola na sociabilidade dos aldeados adultos e crianças.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO INDÍGENA, CULTURA, SOCIOLOGIA DA INFÂNCIA

 

TÍTULO: EDUCAÇÃO INDÍGENA: A LEITURA DE MATERIAIS PEDAGÓGICOS UTILIZADOS EM ESCOLAS INDÍGENAS KAINGANGS
AUTOR(ES): MARIA SUELI RIBEIRO DA SILVA
RESUMO:
As primeiras diretrizes para a Política Nacional de Educação Escolar Indígena, do MEC, datam de 1993. Segundo Pinheiro (2004), a Educação Indígena não possui como referência a educação institucionalizada que se baseia no letramento e na escola, mas sim em estratégias educacionais que vão além do âmbito do espaço escolar. A Escola Indígena representa, para a sociedade indígena, muito mais do que formar para concorrer. Ela surge para preservar suas tradições culturais, sociais e, sobretudo, sua língua nativa. Assim, a partir dessa política, as comunidades indígenas passaram a desenvolver, em suas escolas, um projeto de educação bilíngue, em que as crianças são alfabetizadas em língua portuguesa, mas por outro lado, também aprendem a língua-mãe de sua etnia. No presente trabalho, além de compreender melhor a Educação Indígena no Brasil, aprendermos um pouco mais sobre uma importante língua nativa de nossa nação. Por meio de uma pesquisa documental, fizemos a leitura e a análise de materiais utilizados na escola indígena da aldeia Icatu, próxima à cidade de Braúna (SP) e de escolas das aldeias kaingang do Paraná, localizadas nas regiões de Londrina e de Curitiba, a fim de levantar sugestões para a elaboração de um material pedagógico mais adequado à realidade dessas comunidades indígenas kaingangs, de modo a se ter uma leitura mais condizente do meio social e comunitário em que hoje vivem, valorizando mais sua cultura e sua linguagem, como determina o Ministério da Educação em relação à Educação Indígena.
PALAVRAS-CHAVE: ESCOLA INDÍGENA, KAINGANG, MATERIAL PEDAGÓGICO

 

TÍTULO: LICENCIATURAS ESPECÍFICAS PARA FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDÍGENAS NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR PÚBLICAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA: PARTICIPAÇÃO E PROTAGONISMO COMPARTILHADO
AUTOR(ES): ROSA HELENA DIAS DA SILVA, JOSÉ SILVERIO BAIA HORTA
RESUMO:
O trabalho analisa, à luz do princípio da participação, os compromissos assumidos e as políticas institucionais implantadas pelas Instituições de Ensino Superior Públicas da Amazônia Brasileira visando a inclusão dos povos indígenas no ensino superior, especificamente no que se refere à formação de professores(as) indígenas. Problematiza a questão da garantia/efetivação do preceito legal de uma educação “específica e diferenciada” e, consequentemente, do direito a uma formação docente também “específica e diferenciada”. Aborda a idéia de protagonismo compartilhado – tendo como sujeitos as universidades e os povos indígenas - processo no qual diálogo, conflito e negociação têm que ser trabalhados. Discute as formas pelas quais as IES estão criando – ou não - momentos e dinâmicas para garantir a efetiva participação dos envolvidos nas Licenciaturas Específicas, tanto no planejamento das ações, como em seu desenvolvimento e avaliação. Para isso analisa as diferentes formas de participação em processos educativos e em processos de tomada de decisões, estabelecendo uma distinção entre participação real e pseudo-participação. Enfatiza a importância da participação e discute as condições necessárias para que esta se estabeleça. Superando a idéia corrente de que a educação é condição essencial para a participação, assume o princípio de que a educação para a participação só será autêntica quando se tornar, ela mesma, um processo participativo. Em outras palavras: a participação só se aprende através de uma vivência de participação, sendo esta vivência, por si mesma, altamente educativa.
PALAVRAS-CHAVE: LICENCIATURA ESPECÍFICA, PROFESSORES INDÍGENAS, PARTICIPAÇÃO

 

TÍTULO: ESTUDO COMPARATIVO FONOLÓGICO ENTRE AS LÍNGUAS: MAKUXI E PORTUGUESA.
AUTOR(ES): TANIA VALÉRIA DE CARVALHO BARROS FELIPE
RESUMO:
Esta comunicação tem a intenção de divulgar aos falantes de língua portuguesa um conhecimento sobre uma das nossas Línguas Indígenas Brasileiras a língua Makuxi, falada na Maloca da Raposa, localizada na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, estado de Roraima; o uso dessa língua é estendido, também, aos falantes que têm sua ocupação numa longa faixa do extremo norte de Roraima, na fronteira do Brasil com a Guiana e a Venezuela. Linguísticamente, os macuxi das diversas áreas, falam uma mesma língua da família Karib. A se levar em conta o testemunho de determinados falantes, essa língua é completamente inteligível entre todos eles (ou seja, existe intercompreensão mútua), sendo as variações linguísticas, de área para área, identificadas pelos próprios Makuxi. É feito um breve estudo sobre a descrição do sistema fonológico da língua makuxi com a língua portuguesa, em ambas línguas, há semelhanças fonéticas (Amodio e Pira 1983). Apresenta-se o alfabeto makuxi (grafia e som) comparado ao do país. Afim de resultar um entendimento entre os falantes de língua portuguesa em relação aos falantes de língua makuxi. O homem deve aprender a compreender seu próximo. E é imprescindível o saber das línguas (Yarborough 1972) para que a compreensão, entre os povos, possa ser alcançada.
PALAVRAS-CHAVE: LÍNGUA MAKUXI, ALFABETO MAKUXI, SISTEMA FONOLÓGICO

 

TÍTULO: LINGUAGEM E IDENTIDADE: A LEITURA EM UM LIVRO DIDÁTICO PARA AS ESCOLAS INDÍGENAS ACREANAS
EIXO TEMÁTICO: LEITURA E ESCRITA NAS SOCIEDADES INDÍGENAS
AUTOR(ES): TEREZINHA DE JESUS MACHADO MAHER
RESUMO:
O objetivo dessa comunicação é, em primeiro lugar, descrever e discutir os princípios que regeram a elaboração de um material de língua portuguesa, ora adotada nas escolas indígenas acreanas. Tal material, publicado em 2007 e intitulado “Discutindo Problemas, Pensando Soluções – Português para as Escolas da Floresta II” (orgs. T. M. Maher e V. O. Sena) tem por objetivo contribuir para o aumento da competência de leitura e escrita, tanto de alunos jovens e adultos monolíngues em português, quanto de alunos falantes de línguas indígenas como língua materna e que, portanto, tem o português como segunda língua. Ciente dos problemas que cercam a grande maioria dos livros didáticos disponíveis a esses alunos (falta de relevância cultural dos textos neles contidos, textos ininteligíveis), o material em questão procurou reunir um conjunto de textos que, escritos em linguagem acessível, discorrem sobre temas muito significativos para os povos indígenas acreanos. A expectativa é que esse material contribua para a formação crítica do aluno indígena, já que cria oportunidades para reflexão acerca dos complexos problemas vividos por suas comunidades. Uma das questões abordadas refere-se aos diversos contornos que a identidade indígena pode assumir na contemporaneidade, tema tratado na Unidade 2 do material, e que pode ser percebida em vários diálogos reais, que transcritos, foram incorporados ao material. A relação linguagem e identidade neles percebida será o foco de reflexão da segunda parte da comunicação aqui proposta.
PALAVRAS-CHAVE: LINGUAGEM, IDENTIDADE INDÍGENA, LIVRO DIDÁTICO